quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Relatos de Interlagos

O Grande Prêmio do Brasil de F1 mexe com o imaginário de dezenas de milhares de torcedores e admiradores do automobilismo que um dia sonharam em pilotar um carro de corrida.

Ver a categoria máxima tão de perto é uma experiência que alguns poucos afortunados podem se gabar de terem tido, ainda que a F1 visite o país toda temporada há 37 anos.

Os preços geralmente são proibitivos para a grande maioria, fora a dimensão continental do Brasil, o que dificulta e encarece o transporte oriundo de outras regiões para prestigiar o evento.

Mas isso não impede que Interlagos, o circuito que abriga a F1 em território nacional, seja considerado um dos mais interessantes, desafiadores e tradicionais circuitos do automobilismo mundial.

Hoje você vai ler o relato de um grande conhecedor e admirador da F1, Paulo Meyge. Seu piloto preferido foi Ayrton Senna, e ele guarda com emoção as memórias de ter visto o "Chefe" correr e vencer em casa.

Fala PMeyge:

Meu nome é Paulo Meyge e, como muitos, sou um grande amante de Fórmula 1. Nesta semana resolvi, a pedido do Daniel, amigo de longa data, compartilhar recordações de algumas edições do GP Brasil de F1.

A primeira vez que fui a Interlagos foi em 1991, na companhia de um primo e um tio. Assisti à corrida no Setor G, que fica na reta oposta, e pude conferir de perto a primeira vitória do grande Ayrton Senna em casa.

Sempre escutei pessoas mais velhas falando sobre assistir a Pelé, Garrincha e outros grandes do esporte.

Eu vi Senna.

Sempre terei isso na minha memória como uma das coisas mais especiais que me ocorreram. Nenhum outro esportista influenciou tanto a minha personalidade. Nunca vi nada parecido com aquilo. Infelizmente perdi, em uma mudança, as fotos do ano de 1991.

Porém, ainda tenho as fotos de 1992 que, na verdade, são as melhores fotos que já tirei até hoje. Nesta ocasião, vale ressaltar, assiti à corrida do Setor B, onde não se tem uma visibilidade muito boa do resto da pista e fica em frente aos boxes.

No entanto, em termos de sensação de barulho e velocidade, não ha nada parecido. O barulho dos motores V10 e V12 do início dos anos 1990 era consideravelmente mais ensurdecedor, assim como os carros eram maiores.

Mansell e Patrese terminaram a uma volta do terceiro colocado,
um certo Michael Schumacher


Foi uma corrida amplamente dominada pelas Williams, com destaque para o pega entre Senna e um jovem ousado chamado Schumacher pelo terceiro lugar.

Naquele ano de 1992, ficou evidente que aquele jovem era diferenciado, que ele era especial. Foi impressionante o desempenho dele nas pistas onde corria pela primeira vez, e na época não existiam os simuladores de hoje.


Érik Comas em sua Ligier-Renault Gitanes

O austríaco Karl Wendlinger, promessa que nunca deslanchou

Vale registrar que, na época, a organização do GP Brasil era vergonhosa. Nada se comparado a hoje. Nas duas ocasiões, foi quase uma hora de caminhada até o autódromo, uma verdadeira confusão. Hoje São Paulo dá um show nesse aspecto.

Fotos: Paulo Meyge

4 comentários:

Marcelonso disse...

Muito bacana o relato,ainda mais tendo o previlégio de assistir uma corrida histórica.


abraço

Daniel Médici disse...

Como frequentador recente porém constante do autódromo em tempos de Fórmula 1, julgo que a organização do GP ainda tem muito, muito mesmo a melhorar. Com algum esforço ela é até decente, embora não chegue aos pés dos melhores promotores.

Mas o relato é bastante revelador. Gostei principalmente da comaparação do som dos carros de antes. Não sabia ue eram mais intensos, nota-se pelas gravações que eram muito mais graves, mesmo os V10 em comparação aos motores de 2005. Nessas horas eu queria muito ser ouvido absoluto (embora eu não seja capaz de diferenciar um violino de uma viola).

Ridson de Araújo disse...

Assim fica difícil, Daniel.

Nunca pude ir a um autódromo, mas pretendo ir num futuro não tão distante...

aproveitando, para convidar a todos...
reflexões sobre o que é necessário para um piloto e uma equipe se darem bem juntos no acerto do carro, pegando o caso Barrichello- Williams..

http://historiasevelocidade.blogspot.com/2009/10/o-que-e-necessario-parte-1.html

http://historiasevelocidade.blogspot.com/2009/10/o-que-e-necessario-parte-2.html

Daniel Gomes disse...

Ridson, tb estou para ir ao meu primeiro GP. Espero perder a virgindade ano que vem.

Médici, eu imagino que Interlagos ainda guarde um pouco da característica de "corrida rústica" de automóveis de outrora pelo fato de a organização ainda não ser excelente, como vc bem diz.

Quer dizer, fica uma coisa meio amadora, mas em alto contraste com a F1 moderna.

Mas só posso especular, pq não tenho nem ideia de como seja. Espero que isso termine em breve, mas, infelizmente, não será desta vez.