quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Raikkonen: querido preterido

A história mais marcante deste final de temporada não é o Crashgate, não é a recuperação de Massa, não é Alonso na Ferrari e nem Barrichello na Williams.

A história que custa a encaixar é a da dispensa de Kimi Raikkonen por Maranello.

Há vários cenários para justificar o encerramento precoce do contrato de Kimi com a Scuderia, mas nenhum deles é realmente compreensível do ponto de vista lógico.

Não existe em nenhuma esfera premonitória a garantia de que Fernando Alonso vai trazer à Ferrari o que dizem que vai trazer.

No limite, é possível dizer que Alonso vai trazer controvérsias, como trouxe a todos os times em que correu.

Raikkonen, por outro lado, trouxe o primeiro e único título de pilotos que a Ferrari venceu depois da era Schumacher.

Embora frio e distante, o piloto nunca entrou em polêmicas dentro da F1. Sua preferência por uma boa vodca e rally nunca foi segredo e tampouco atrapalhou seu desempenho na pista.

É claro que Raikkonen ficou triste e chateado por ser preterido por Alonso. Isso não faz bem ao ego de nenhum piloto, por mais finlandês seja.

A questão é que Kimi deu azar e o timing das coisas não ocorreu para seu benefício. A Ferrari fez uma bomba de carro em 2009 e o finlandês não se deu bem com o F60 no início do ano. Entretanto, quando o piloto começava sua ascensão, Felipe Massa sofreu seu acidente.

E foi nesse momento que a Ferrari mostrou claramente que não queria mais Raikkonen na sua folha de pagamento. Aproveitando-se do mal momento da equipe no ano, Domenicali falou que não mais investiriam no desenvolvimento do carro para o resto da temporada.

Foi o último golpe para Kimi Raikkonen.

Disse Domenicali: "eu considero Raikkonen, em todos os sentidos, no mesmo nível de Fernando, Felipe, Lewis. Então, por que mudar? Porque tenho certeza que nossa equipe, a Ferrari, necessita de um homem parecido com Schumi no trato com a equipe.

Kimi é muito rápido, muito competitivo, mas também muito fechado, introvertido. Não é uma limitação ou defeito: é o seu temperamento. Com um carro vencedor ele é perfeito. Com um carro para desenvolver e uma equipe para liderar, eu acredito que Alonso é superior. Eu expliquei isso para Raikkonen: ele não ficou feliz, mas entendeu."

É muito difícil entender o que Domenicali quis dizer com isso, pois, segundo várias fontes, Felipe Massa, para todos os efeitos, é a liderança que a Ferrari precisa. Com dois líderes casca-grossa, temperamentais, competitivos e desbocados, o que vai ser da equipe?

A lógica seria trocar Alonso por Massa, e não Raikkonen. Massa sofreu um acidente, havia dúvidas sobre sua recuperação plena (principalmente nas semanas após o acidente), é desbocado, impetuoso e competitivo.

Já Raikkonen é o campeão mundial da equipe, é rápido, preciso, introvertido e, em linhas gerais, fácil de lidar. Se a equipe precisava de um líder, que chamasse Alonso e apenas desse o carro para Kimi pilotar. É o que ele faz melhor. E a equipe veria os resultados vindo como nunca.

Kimi Raikkonen não tem pressa, pois sabe que seu passe vale ouro. Por ele, a Ferrari seria sua equipe em 2010 e ele poderia encerrar sua carreira por lá, quem sabe com um bicampeoanto.

Agora, embora ele diga que não, permanecer na F1 é uma questão de honra. E, avaliando suas opções, a McLaren é a única que pode fazer frente à Ferrari e sua explosiva dupla ano que vem.

Com Hamilton, Raikkonen faria a dupla perfeita, e duplas perfeitas vencem campeonatos, dão espetáculo e, claro, destroem duplas menos perfeitas como Alonso e Massa.

Mas isso, só o futuro dirá.

12 comentários:

Fernando disse...

Daniel,

Belo texto. Concordo com vc, Alonso e Massa não vai dar nada que preste.
Brigas e confusões serão constantes.
A diferença, é que quando Alonso estava na Mclaren, eles abraçaram o Lewis, prata da casa. E a aposta deu frutos.
Já a Ferrari, estou certo que jogará o Felipe aos leões. Uma vez que está claro que a equipe tb não confia em sua liderança no desenvolvimento da equipe.

Ffigueiredo

henrique disse...

Analise precisa dos fatos. Nao deixa porem de pesar o fator financeiro. Como o Santander deve ter imposto a figura do Alonso, a equipe preferiu manter o Massa (sabe-se la se o espanhol conseguira liderar/aglutinar a equipe logo de cara) e dispensar o Raikkonen.

Quanto ao que veremos entre Massa x Alonso, e uma incognita. Carisma o espanhol tem muito mais (na Europa). Mas na fase ruim da Renault ele nao foi capaz de desenvolver o caro apos seu bicampeonato. Tirar o maximo do carro e desenvolver um carro campeao, sao coisas diferentes.

Acho que sera uma temporada dos diabos em 2010. Devidamente vestidos de "Rosso Corsa".

suzane disse...

Muito bom o seu texto. E a dupla Alonso e Massa já não começou bem, a julgar pelas declarações do Massa. Mas é esperar pra ver...

Ron Groo disse...

O texto está perfeito.
Pessoalmente achei um desrespeito com Kimi, que é campeão e quando o carro estava ruim ele tirou o que podia do carro e fez ótimas corridas.
A Ferrari ganhou um inimigo, não poderoso, mas inimigo.
Tendo Massa ou não, torço para que o nórdico tenha um carro bom na mclata e bata nos rossos de lavada.

Daniel Gomes disse...

Henrique, o fator financeiro é importante, mas Raikkonen vale seu peso em ouro para os anunciantes europeus (que é o que interessa), enquanto Massa é um rapaz latino-americano, bom piloto, mas nada de muito especial.

Embora tenha ganhado muito respeito da mídia internacional, Felipe ainda não convenceu a todos de que é um grande piloto de fato e de direito. Só mostrou que é um grande ser humano e competidor em Interlagos-08.

Ron, torço como nunca pra Raikkonen dar a volta por cima na Macca e destruir o grid ano que vem.

O melhor piloto da F1 merece.

Henrique disse...

Daniel, concordo com voce. Se faltou ao Kimi o "sangue quente" tao desejado pela Ferrari (e habilmente explorado por Schumacher) lhe sobra em competencia na pista.

Pessoalmente gostaria de ver o finlandes na McLaren ou numa RedBull (dependendo do motor a ser usado). Ele com Hamilton ou Vettel faria uma dupla para a Ferrari se arrepender da decisao tomada. Ou ao menos tiraria sono de muita gente. E seria um espetaculo na pista.

Felipe? Sim, e um bom moco e de lingua afiada. Como piloto mostrou que e bom, mas longe de ser brilhante. Alonso? Ja dise antes que acho um brilhante piloto mas nao desenvolve bons carros, pilota (muito bem) bons carros.

A conferir...

Jobson Mendes disse...

Saudações Daniel,

Muito preciso seu comentário.

Parabéns!

Abs.

Anônimo disse...

Juntem as peças desde a saída de Shummi. Começa o vai-não-vai de Alonso para a Rossa, que leva 2 chapéus. Todt não gosta. Trazem Kimi, com o aval de Todt/Schumacher. Mas a Ferrari já estava rachando. Saindo o grupo que ganhara o penta, o de Domenicalli passou a trabalhar pensando em repetir o feito mas com o espanhol (e seu fabuloso suporte tanto $$$ quanto midiático). Alonso desesperado na McLaren mete-se no rolo da espionagem. Boatos de sabotagem nos carros e os resultados coincidentemente minguam. Kimi é considerado carta descartada mas,ó azar! ganha em 2007 e começa bem em 2008. Uma série de lambanças (?) detonam o bi e os bons resultados de Massa. Fazem um carro de m... em 2009. Os caras optaram por criar uma 'tabula rasa' agora e uma expectativa de ressurreição futura. Raikkonen começou a ser imolado em 2007 e Massa só ficou por ser mais barato, bom mas não excelente e ter se acidentado (merecendo uma nova 'chance' como frisou o pulha Montezemollo, e assim, eternamente agradecido).
Um piloto genial simplesmente não desaparece sem mais, não se torna desmotivado. Foi sabotado pela famiglia e bombardeado por fogo vindo da vizinhança.

ED disse...

Muito boa a analise..
Aos fã do Raikkonem , pra min esta claro,Felipe massa aposentou o finlandes.

Paulinho disse...

Daniel e demais colegas,

Infelizmente sou obrigado a discordar de vocês.

Eu acho que o Raikkonen foi o grande menino mimado da F1 e certamente não é o melhor piloto que a categoria possui.

Vamos a alguns fatos:

1- Raikkonen sempre correu em um dos dois melhores times da F1 no periodo de 2002 a 2009. Ganhou apenas um título onde sua pilotagem foi ofuscada pela má administração da equipe Mclaren por Ron Dennis em 2007.

2- Em 2007, vale lembrar que até a décima segunda etapa da temporada ele estava atrás de Felipe Massa no campeonato (que foi prejudicado por uma quebra do carro no Gp da Itália).

3- Em 2003 tinha um conjunto tão bom quanto o da Ferrari.

4- Em 2005, tinha o carro mais rápido do Grid. Coincidência ou não, o Carro de Montoya não quebrava da mesma maneira.A maioria das sete quebras de Kimi em 2005 foram devido a motor.

Em resumo: O Finlandês nunca conseguiu extrair o potencial maximo de um time. Não é um lider e isso é uma característica. Necessária a um piloto, para ser classificado como o melhor da F1. Outro grande defeito de Raikkonen é a falta de regularidade. As vezes tem uma performance memoravel e outras vezes muito apagada.

Acho que a Ferrari fez uma boa escolha em troca-lo por Alonso.


Um abraço a todos

Anônimo disse...

Sou fã do Kimi mas concordo com algumas críticas feitas pelo Paulo, principalmente no que se refere a sua capacidade de liderança de uma equipe e sua capacidade de esbagaçar carros nos PRIMEIROS tempos de F1. Pessoas que trabalharam com ele na Sauber e McLaren disseram que a falta de experiência em categorias de base cobrou seu preço. O cara praticamente pulou do cart para a F1 enquanto outros com fama feita na gp2, por exemplo, tiveram trajetórias pífias, só geraram expectativas. Hoje ele erra menos, é capaz de levar um carro "chucro" a resultados constantes, manter sua equipe num honroso terceiro posto com um carro só, é um piloto menos "espetaculoso" (que é o que a torcida gosta de ver, embora meta o pau quando o carro acaba num muro). Mas uma maneira de motivar uma equipe não é levá-la ao melhor resultado possível, sem desgastá-la com escândalos, sem mandar o trabalho de todo um grupo pro saco com manobras 'arrojadas' fora de hora a la Hamilton? E a capacidade de liderança que Alonso mostrou até agora não passou de mandonismo. É um grande piloto que se fez no colo de Briatore, com tudo girando em torno dele e que, por isso, precisa agora ratificar essa excelência tão propagada. O problema é que a Ferrari espera ter um novo Schumacher e certas coisas não se repetem.

Daniel Gomes disse...

Paulinho, boas observações, principalmente se vc for um teórico da conspiração.

Dizer que Kimi Raikkonen, o piloto mais caro da F1 até a ida de Alonso para a Ferrari, é um piloto tapa-buraco é muito pra minha cabeça.

É um dos gênios do esporte e não há quem discorde disso. Não é uma quetsão de extrair o potencial máximo do time.

A questão é saber que time vai permitir com que ele desenvolva seu potencial máximo.

A McLaren esteve perto. A Ferrari deu um pouco de sorte, é verdade, mas ele parecia mais à vontade lá.

A questão agora é saber se a Macca vai querer apostar em Kimi de novo. Se eu fosse Whitmarsh, já teria assinado o cheque!