quarta-feira, 31 de março de 2010

Vídeo da semana

Já pensou ir ao autódromo curtir os treinos e na volta, de quebra, bater um pega com Alonso e Fisichella em duas Ferraris maravilhosas?

Foi o que rolou com esse pessoal nas ruas de Melbourne, na Austrália, no fim-de-semana passado. Demais!

segunda-feira, 29 de março de 2010

GP da Austrália: flashback

A dupla da McLaren prometia uma disputa acirrada. Ayrton Senna se deu mal na classificação por causa de uma inesperada queda de pressão nos pneus traseiros e largou em 11º. Alain Prost por outro lado conseguiu melhor posição no grid, quarto, embora ambos tenham tido dificuldade com a baixa temperatura da pista no fim-de-semana.

Debaixo de garoa fina, como era de se esperar, Senna fez uma excelente largada pulando a oitavo logo nos primeiros metros. Prost não conseguiu aderência e perdeu uma posição. Logo depois, com Senna voando baixo, Prost foi ultrapassado pelo brasileiro com muita facilidade. Percebendo o desgaste dos pneus de chuva e a melhora das condições da pista, resolveu voltar aos slicks e se antecipou ao resto do grid.

Na sétima volta, ainda com a pista muito molhada, o Professor chegou a passear na brita, mas em questão de instantes começou a virar dois segundos mais rápido que os carros que ainda se mantinham nos pneus de chuva. Quando todos pararam para fazer seus pitstops, Prost pulou para segundo, tentando manter a distância para o primeiro colocado.

Enquanto isso, Senna, que havia ultrapassado muita gente, perdeu posições para colocar também os slicks. Quando voltou à pista, deu um show. Um festival à parte. O exímio piloto brasileiro ultrapassava por dentro, por fora, deixava para frear no último momento. Fez fila com os adversários. Fez valer seu talento.

Prost se mantinha em segundo na tentativa de salvar os pneus e manter a vantagem. Ele sabia que não podia alcançar o primeiro colocado dada a diferença de performance entre seus carros, mas sabia também que, sendo prudente, garantiria o segundo lugar e o pódio sobre o companheiro, por muitos considerado muito melhor do que ele.

A fome de vitória de Senna o fazia atacar as zebras de forma agressiva, tirando o máximo do carro. O piloto era incrivelmente mais rápido que todos os outros na pista. Entretanto, sua inexperiência o fez cometer um erro e deixar a estratégia nas mãos da equipe, enquanto Prost fez o contrário e decidiu permanecer calçado com os mesmos compostos do início.

A McLaren chamou Senna para uma segunda troca e o piloto perdeu mais de 20 segundos e muitas posições, mas ao voltar à pista, tornou a fazer fila com os adversários. Ayrton virava até 2,5 segundos mais rápido que as Ferrari que estavam à sua frente.

O brasileiro alcançou os adversários rapidamente e parecia determinado a ultrapassá-los, mas, por afobação, tentou ultrapassar uma das Ferrari sem considerar o perigo que poderia vir por trás. Foi abalroado pelo piloto que vinha da retaguarda, que errou o ponto da freada, e acabou sendo jogado para fora da pista. Perdeu uma posição e ali ficou.

Prost, mantendo tempos de volta meticulosamente estáveis tinha pneus para pelo menos mais 50 voltas. Mantendo a calma e a concentração, ganhou a vitória de presente quando o carro que liderava teve problemas de freio. Lugar certo, hora certa. O francês venceu e o brasileiro ficou em sexto. O brasileiro deu show, mas o francês deu aula de pilotagem inteligente e subiu no lugar mais alto do pódio, além de amealhar o maior número de pontos possível.

O piloto da corrida? Senna. A pilotagem da corrida? Prost.

A dupla da McLaren reeditou na Austrália uma bonita disputa entre arrojo e conservadorismo, impetuosidade e inteligência, arrogância e experiência. Esses foram Jenson Button e Lewis Hamilton. Simplesmente demais.

sábado, 27 de março de 2010

Classificação GP da Austrália: o mágico de Oz

Os australianos são comumente chamados de ´Aussies´ em inglês, que vem de uma abreviação do nome Austrália. O país aliás é carinhosamente chamado de ´Aus´.

Com a pronúncia australiana sendo puxada de um forte inglês britânico, quando eles falam ´Aus´, parece na verdade estarem falando ´Oz´, que é por fim o apelido informal do país.

Na terra do canguru, quem fez a festa foi Vettel, que deixou para trás seu companheiro de equipe e um certo Fernando Alonso. E numa performance digna de um mago.

A Red Bull é um carrão, mas Vettel o leva ao limite, assim como Alonso, cujos sete décimos de vantagem sobre Massa tem mais a ver com o braço do que com o carro.

O pouco mais de um décimo de diferença entre Webber e Vettel deveria ser mais de três, pois é claro que o alemão cometeu dois erros em sua volta. Esses décimos estão no piloto, e não no carro.

Na largada amanhã Alonso vai tentar dar o bote em Webber e manter Vettel na alça de mira. O espanhol tem chance de vencer, mas terá de ser muito agressivo para não perder contato com o carro da Red Bull.

Lá atrás, Massa verá a vantagem de Alonso aumentar no campeonato, Button estará de franco atirador, Schumacher também vai tentar atacar Rosberg na largada e Rubinho almejará apenas os pontos, como no Bahrein. Aliás, belo treino do nosso veterano favorito.

No mais, olho vivo em Kubica e Sutil, os dois maiores focos de incêndio na largada de amanhã, e Lewis Hamilton, claro, que fará uma bela corrida de recuperação.

Numa nota engraçada, ao sair do carro, Kubica falou em italiano na TV: "Estamos perto do Sutil, então temos de estar atentos". A fina ironia sobre a já temida reputação de Adrian Sutil de car crasher.

Haja guaraná em pó e cafezinho para segurar o sono até lá!

sexta-feira, 26 de março de 2010

GP da Austrália: Red Bull e a sombra da Renault

É prudente e lógico afirmar que o campeonato de F1 de 2009 foi vencido pela Brawn GP não devido a seus méritos pura e simplesmente, mas também porque a Red Bull e Sebastian Vettel "deram mole".

A Red Bull pela figura da Renault, que forneceu propulsores para a equipe austríaca. E Sebastian Vettel por sua inexperiência, que contou com a perda de valiosos pontos que poderiam fazer o campeonato pegar fogo.

GP da Austrália de 2009: afobação tirou Vettel da corrida

Para se ter uma ideia simples, no GP da Austrália do ano passado, Vettel jogou fora um terceiro lugar por pura afobação, ao colidir com Robert Kubica, então terceiro colocado, que tentou e ia conseguir ultrapassar o alemão na penúltima volta.


Por causa disso, perdeu seis pontos.

GP da Turquia de 2009: vitória perdida por bobagem

No GP da Turquia, Vettel conseguiu uma brilhante pole position, ainda que duas voltas mais leve que Button, e tinha a história a seu favor, já que as últimas quatro edições da corrida foram vencidas pelo piloto que marcou a pole.


Entretanto, um erro bobo fez com que Button pulasse adiante e conquistasse a vitória, com Vettel em terceiro.

Por causa disso, perdeu quatro pontos.

No total, só nessas duas corridas, Vettel perdeu 10 pontos, fora outros tantos que deixou de ganhar por problemas com o motor Renault. Button venceu o campeonato com apenas sete de vantagem, o que significa que poderia ter perdido para a jovem promessa da Red Bull.

Este ano, Vettel parece estar decidido a não deixar sua própria inapetência atrapalhar sua carga em direção ao título mundial, mas no Bahrein, o motor Renault já deu uma amostra que continua não confiável em alguns aspectos.

Desta feita, a experiência do piloto é que o auxiliou a não perder todos os pontos da corrida e acabou salvando um excelente quarto lugar. Mas se dependesse do motor Renault, era zero.

Na coletiva de imprensa desta sexta-feira, Christian Horner elogiou a performance de Vettel no Bahrein e disse que ele se adaptou brilhantemente ao sério problema ocorrido com o motor francês.

Entretanto, o chefe da Red Bull reafirmou que houve falha na vela de um dos cilindros. "Nunca vi uma falha dessas antes, certamente não em um carro da Red Bull, e a Renault ainda não conseguiu explicar totalmente a razão dela. Parece ser uma daquelas pragas que atacam no momento errado". Horner não parece particularmente satisfeito com a falha de um motor que já deixou seus dois pilotos na mão várias vezes ano passado.


Nos treinos livres do GP da Austrália mal se viu a Red Bull, mas não se engane. A probabilidade do pequeno grande piloto conquistar a segunda pole do ano é alta. Vai depender dele. Mark Webber se aproximou das cabeças com quatro décimos a menos, mas Vettel ficou a distantes 1,8 segundos do melhor tempo de Lewis Hamilton. Quer dizer pouco, muito pouco.

A vitória no domingo dependerá mais do carro, mas mesmo assim, a Red Bull é de fato a equipe a ser batida no ano. Vettel tem muitas cartas na manga e por mais que o Bahrein tenha apresentado uma chatíssima corrida, Albert Park vai se tornar um verdadeiro coliseu por um dia. Bonito de se ver!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Vídeo da semana

O vídeo de hoje é um excelente opposite onboard na Williams de Damon Hill dando conta da cena imortalizada abaixo.

O ano era 1995. Na largada do GP de Mônaco, a câmera instalada na traseira do carro do piloto inglês mostra a tremenda lambança em que se meteu David Coulthard e as duas Ferraris de Jean Alesi e Gerhard Berger. Simplesmente sensacional!

terça-feira, 23 de março de 2010

Caption this!

Prost (sussurando): Ayrton... não olhe agora, mas estamos sendo seguidos...

Senna: Rá, não se preocupe. Com o acerto do nosso carro, tenho certeza que abriremos vantagem suficiente para vencer!

Prost: !?!

domingo, 21 de março de 2010

sexta-feira, 19 de março de 2010

F1: o enigma da ultrapassagem

Em um esporte hoje considerado tão avançado, com a quantidade de informações acumuladas nos últimos 60 anos seria fácil, na teoria, apontar o exato motivo que vem atrapalhando a F1 a promover o que, para muitos, é o seu âmago: a ultrapassagem.

Entretanto, os anos se vão rápidos e engenheiros, pilotos, dirigentes e figuras importantes do automobilismo parecem bater cabeça constantemente quanto a este verdadeiro enigma esportivo.

Vários são os debates e as soluções propostas e vários também são os interesses envolvidos em tomar ou não alguma decisão que influa diretamente nessa espécie de “cereja do bolo” do esporte a motor.

Talvez por isso a clareza dos argumentos não seja devidamente alcançada e apreciada por quem assiste de fora. Afinal, as ultrapassagens dependem de vácuo? De aderência aerodinâmica? Ou seria mecânica? Seriam os circuitos que não ajudam?

É claro que um amálgama de tudo isso resulta nas modorrentas corridas que já se assiste há alguns anos. Mas de todas as possíveis causas, a que parece ser mais tangível de fato é que a F1 hoje é um esporte mais “fácil” do que há 20 anos.

Michael Schumacher disse ao fim do GP do Bahrein que ultrapassar era impossível e o que se podia fazer era manter o ritmo e esperar o erro do adversário. Não é exatamente a receita para uma boa corrida.

Dernie: pneus escorregadios e câmbio manual

Dito isso, James Allen publicou um extenso post em seu blog dando a palavra a Frank Dernie, um dos aerodinamicistas mais ativos da F1 nos últimos 30 anos. Se tem algo que Dernie sabe, é sobre as variáveis da F1.

Segundo Dernie, “quando havia ultrapassagens no passado, elas se deviam principalmente à baixa aderência dos pneus contribuindo para um traçado do carro na pista mais aberto e grandes distâncias de frenagem combinados com carros muito mais difíceis de guiar devido à baixa aderência e aos câmbios manuais. Por isso, havia mais erros”.

Isso parece realmente lógico. E vai na contramão do que a F1 se tornou hoje. Um esporte de alta performance, alta confiabilidade, um carro que permite aos pilotos serem muito mais iguais entre si do ponto de vista da habilidade e um universo muito menor de variáveis a influenciarem no resultado de uma corrida e, claro, nas ultrapassagens.

Acontece que muitos pilotos, ex-pilotos, dirigentes e engenheiros são contra essa ideia por uma infinidade de razões.

Ainda de acordo com Dernie, “muitas pessoas influentes na mídia não querem essas mudanças que certamente funcionaram no passado. Os pilotos odeiam pneus duros, embora eles sejam 50% da solução, e os engenheiros amam câmbios semiautomáticos, os outros 50%...”

Esta semana, Lucas di Grassi respondeu a uma pergunta direta sobre isso no Twitter. Ele disse não concordar que a solução esteja na volta dos câmbios manuais e pneus menos eficientes e mais instáveis.

A verdade é que pilotar um F1 continua difícil, mas a dificuldade não é tão grande a ponto de destacar um grande piloto de um medíocre. Ou seja, mais do que nunca, o carro é que faz o campeão.

A imagem de Senna vencendo em Interlagos com um carro com algumas marchas a menos e o esgotamento físico do campeão é coisa do passado. Isso não existe mais e é provavelmente o motivo mais forte para que a F1 seja tão parada.

E você? Acredita que a volta às origens na F1 destacaria os pilotos mais habilidosos e geraria mais ultrapassagens?

quarta-feira, 17 de março de 2010

Vídeo da semana

Um inesperado espectador assiste compenetrado à final feminina de tênis no Aberto da França em Roland Garros em 1992. Na ocasião, Monica Seles, 19, então número 1 do mundo, bateu Steffi Graf, 22, por 2 sets a 1.

segunda-feira, 15 de março de 2010

GP do Bahrein: valeria a pena ousar?

Pelo que se viu na pista, não é necessário avaliar tempos de volta e estratégias. É certo que fica tudo mais óbvio com as novas regras e o que se vê na pista é o que se verá ao fim da prova.

Mas a discussão principal que se instalou é se vale a pena uma equipe arriscar fazer duas paradas para voltar ao composto mais mole nas voltas finais.

O tempo mais rápido da classificação no Bahrein fechou em cerca de 1:54, de autoria de Vettel. Na corrida, a volta mais rápida foi de Fernando Alonso, com cerca de 1:58. São quatro segundos de diferença.

Seria possível, com tanque vazio e pneus novos, rodar próximo de 1:55 na corrida? Se um piloto fizesse uma parada faltando 15 voltas para o fim, conseguiria ele compensar o tempo de parada e ainda ganhar posições?

Se se ganhasse de dois a três segundos por volta depois da parada, em seis voltas ele recuperaria o tempo médio de parada total (cerca de 18 segundos).

Em outras seis voltas, mesmo rodando mais lento por causa do desgaste dos pneus, o carro estaria ainda mais rápido que os carros calçando compostos duros que fizeram apenas uma parada.

Acontece que, por outro lado, o Bahrein mostrou que ultrapassar um carro minimamente competitivo à frente é uma tarefa hercúlea.

Consumo de pneus ainda é incógnita para equipes

Isso significa que, mesmo rodando mais rápido dois ou três segundos, o piloto perderia muito tempo na ultrapassagem e, consequentemente, gastaria seus pneus com mais rapidez, pois teria de fazer valer a pena as duas paradas.

Estas conjecturas não poderão ser respondidas tão em breve, mas parece correto afirmar que as equipes foram muito precavidas e muito conservadoras.

É claro que é natural essa postura defensiva no início do campeonato. Com o tempo, os times saberão onde e quando ousar, mas é interessante notar que, embora as regras pareçam ter engessado as corridas, pode ser possível sim subverter a ordem com ousadia.

A questão a saber é quem vai jogar a primeira pedra.

GP do Bahrein: a vitória das regras

A enorme expectativa sobre o primeiro GP da temporada 2010 foi categoricamente frustrada pelas novas regras. Ao contrário do que muitos saudosistas esperavam, a corrida foi processual, modorrenta e previsível.

Os únicos acontecimentos dignos de nota foram a monumental falha do RB6 de Sebastian Vettel, o que tirou do alemãozinho uma vitória que poderá lhe ser fundamental no fim do campeonato, e o fato de a Lotus ter feito um brilhante trabalho, completando a corrida tanto com Trulli (três voltas atrás) quanto com Kovalainen (duas voltas atrás).

Alonso foi preciso e competente, roubando a vitória que poderia ser de Massa na primeira curva. O brasileiro mostrou maturidade e muita velocidade. Nesse aspecto, o campeonato não poderia ter começado de forma mais positiva.

De resto, por incrível que pareça, o autor deste blog sentiu saudades FORTES do reabastecimento. O jogo das estratégias de pitstop, a expectativa de ver o piloto fazendo tudo certo, como um relógio, tudo isso pareceu maravilhoso diante da apatia da prova de ontem.

Não se pode, é claro, tirar a responsabilidade do circuito de toda essa chatice. O GP do Bahrein amplificou as falhas que existem nos novos regulamentos. É possível que em pistas de verdade, isso possa mudar, mas os prognósticos não são animadores.

A respeito do título deste post, é claro que é sarcástico. As regras venceram não por serem boas, mas simplesmente porque de fato mudaram a F1. A princípio, para pior.

Nas próximas semanas, será possível ter um vislumbre mais preciso do que será o resto do campeonato.

Splash-and-go: season 2

É com muito orgulho que este blog completa um ano de existência. Uma tarefa que, quem mantém um blog sabe, é árdua.

Manter as atualizações, pensar pautas, pesquisar dados, tudo isso na tentativa de abordar um pedacinho da F1 que ninguém falou ainda, ninguém enxergou, ninguém tratou. Um recorte inédito.

É sempre esse o intuito do Splash-and-go. Um intuito ousado e dificílimo no mar de informação que é a internet.

Ainda assim, é a base que sustenta este blog. Sem este conceito, este espaço certamente não existiria pelo simples fato de não se considerar relevante o suficiente para tanto.

Na opinião deste jornalista, o Splash-and-go é moderadamente bem sucedido nesta empreitada. E só o é porque os amigos dos blogs cujos links você encontra ao lado e diversos leitores que aqui caem de paraquedas sempre auxiliam com comentários pertinentes e relevantes.

É nesta troca que o Splash-and-go realmente funciona. E é por ela que ele entra na segunda temporada, no início do campeonato de F1 de 2010, um dos mais esperados dos últimos 25 anos.

Para comemorar este momento, Rafael Matos, um dos diretores de arte mais talentosos do Brasil, gentilmente cedeu mais uma vez um banner-cabeçalho e um banner-rodapé para este blog.

Obrigado Rafa e obrigado a você, leitor, por tornar este espaço algo relevante e positivo para todos nós.

sábado, 13 de março de 2010

Classificação GP do Bahrein: a importância do S2

O setor 2 do novo traçado do Bahrein é a chave para a boa performance de Ferrari e Red Bull, tanto na classificação como na corrida de amanhã.

Na sua volta para a pole, Vettel rodou no S1 apenas um décimo mais rápido que o melhor tempo que Alonso colocou no início do Q3.

Entretanto, na segunda parte do traçado, o alemãozinho rodou sete décimos mais rápido que o espanhol, sendo que no S3 ele apenas assegurou a pole.

Para se ter uma ideia, Rubens Barrichello rodou, no S1, dois décimos acima do melhor tempo do Q2 em sua última volta lançada. No setor seguinte, seu tempo já alcançava um segundo de desvantagem em relação ao tempo de Alonso naquela sessão, que aera o melhor no momento.

O novo setor é travado (na imagem acima entre as curvas 8 e 18), com curvas de baixa, cotovelos e hairpins. Dura mais de um minuto para todos pilotos. Além disso, é o setor que contém os bumps do traçado, as ondulações que tanto atrapalham a frenagem dos bólidos.

Dito isso, parece claro que a Red Bull e a Ferrari usaram mais asa para a classificação, para aumentar a eficiência de frenagem/aceleração no setor mais lento.

Tanto é que no speed trap da pista, as velocidades aferidas de ambas as equipes eram menores que as maiores velocidades alcançadas.

Mas aparentemente a importância do S2 foi subestimada por equipes como McLaren, Mercedes, Renault e Williams.

Outro aspecto notável da classificação foi o tamanho da distância entre os 10 primeiros. Já entre o primeiro e o quarto, já há um segundo de diferença. Não é possível buscar a razão exata dessa diferença que, ano passado, cobriria quase a totalidade do grid em muitas provas.


Os pneus serão fundamentais para a melhor estratégia amanhã, principalmente nas condições de temperatura no Bahrein, mas o fato é que Red Bull e Ferrari começam em larga vantagem, pois têm na manga a carta do S2.

Se Vettel, Alonso e Massa dispararem de cinco décimos a um segundo por volta na frente das McLaren e Mercedes, dificilmente a vitória sairá das mãos desses três.

Entre eles, a vitória será disputada pelo que melhor souber cuidar dos seus pneus. Aparentemente, Vettel é o menos favorecido nesse caso, mas tudo dependerá do seu ritmo de corrida frente à Scuderia Rossa.

A corrida promete!

sexta-feira, 12 de março de 2010

GP do Bahrein: a polêmica dos 107%

Depois de litros de ansiedade e quilos de nervosismo, com uma crise de abstinência no meio, a F1 volta ao spotlight.

Como era de se esperar, nada ficou claro com os treinos de sexta-feira e a única coisa que se pareceu com algo do ano passado foi Rosberg liderando com sua Mercedes GP W01.

A Hispania Racing Team finalmente fez o shakedown do seu carro com o primeiro-sobrinho Bruno Senna fazendo as honras.

Em 17 voltas, o piloto ficou a 11,5 segundos de Rosberg e incríveis cinco segundos do carro mais próximo, a Virgin de di Grassi.

Em uma fração de segundo, centenas de fóruns ao redor do mundo ferveram com discussões sobre a qualidade da equipe, a segurança da F1 e, claro, Bruno Senna.

A discussão sobre a regra dos 107% (em que só se classifica quem for no máximo 7% mais lento que o pole position) também tomou a pauta de fãs e especialistas.

Para se ter uma ideia, tomando como base os treinos de hoje, Senna teria rodado com cerca de 110% do tempo de Rosberg, ou seja, estaria eliminado.

No caso, o tempo de 107% corresponderia a 2:03.487, sendo que Virgin e Lotus fizeram tempos até um segundo mais rápidos que isso.

Por outro lado, seria justo tirar da Hispania sua chance de desenvolver o carro? De melhorar sua confiabilidade? De tentar entrar na corrida e completá-la?

Se se observar do ponto de vista lógico, é mais fácil a HRT em três corridas ficar dentro dos 107% do que as equipes de ponta aumentarem essa vantagem.

Isso simplesmente porque o espaço de manobra, a curva de desenvolvimento, o potencial de melhora dos carros de ponta é infinitamente menor do que o das equipes pequenas.

Ganhar três décimos para a Ferrari é muito mais difícil que ganhar cinco segundos para a Hispania.

Se a FIA abriu vaga para novas equipes, é óbvio que sabiam da diferença de performance. E hoje fala-se que a regra dos 107% ecoa forte entre as figuras da entidade. Contradição?

A HRT é uma equipe que acabou de fazer o seu primeiro shakedown. Virgin e Lotus parecem veteranas ao lado da valente equipe espanhola.

Karun Chandhok nem chegou a vestir seu macacão hoje. É necessário dar tempo ao tempo para que a equipe se desenvolva e possa competir de igual pra igual ao menos com as suas concorrentes mais novas.

E Bruno Senna, que até música já ganhou da Globo, tem que ter mais paciência e perseverança do que nunca para aguentar a infinidade de problemas que estão por vir.

Ao completar sua 17ª e última volta, a porca da sua roda traseira esquerda já saiu voando e ele tomou um pequeno susto.

Que essa porca não seja a tempestade no copo d´água das novas equipes.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Vídeo da semana

Kimi dá uma gargalhada inédita diante das câmeras.



Hahaha, did you steal this?

quarta-feira, 3 de março de 2010

Vídeo da semana

A menos de duas semanas do início do campeonato, nada melhor que lembrar o ronco absurdo dos motores V12 em comparação com os V8 atuais e os V10 de outrora.



Em 2003, Schumacher treina em Fiorano na época em que testes eram comuns. Em pleno maio, o então pentacampeão mundial acelerava firme sua barulhenta Ferrari F2002 F51 V10.



No segundo vídeo, Jean Alesi e Nicola Larini treinam em Fiorano com a Ferrari F1 412T1. Se existe música na F1, ela é tocada por este motor V12. Sublime.

segunda-feira, 1 de março de 2010