sábado, 24 de outubro de 2009

Raikkonen: vale o quanto pesa?

Já há algum tempo a F1 não tinha um free agent do calibre de Kimi Raikkonen. O finlandês viu seu contrato ser rasgado em frente a seus olhos pela Ferrari após uma parceria de resultado duvidoso.

A diferença entre Alonso e Raikkonen foi que o espanhol assinou contrato com a McLaren enquanto estava bem empregado pela Renault e foi bicampeão do mundo.

Já o finlandês, que ainda tinha mais uma temporada de serviços a serem prestados para Maranello, foi terminantemente excluído dos quadros da equipe antes mesmo de pensar se havia outro lugar para ele. Ou seja, está desempregado.

O fato é que há vários chefes de equipe ávidos para terem Kimi Raikkonen dirigindo seus carros, mas aparentemente as negociações com os empresários de Kimi, os Robertson (David, o pai, e Steve, o filho), estão ferrenhas.

Os Robertson são conhecidos por conseguirem contratos vultosos para seus representados e são mestres na arte da barganha e da venda.

Entretanto, pela segunda vez um chefe de equipe parece cortar as asas dos Robertson e de Raikkonen.

O chefe da Toyota, John Howett, já havia dito esta semana que o preço de Kimi estava exagerado e que a proposta da Toyota está na mesa, se o finlandês quiser.

Já Norbert Haug mandou um recado que, se não teve endereço certo, não é difícil saber de quem se trata.

Disse ele: "Kimi é uma opção, mas há várias outras opções por aí. Mas uma coisa é certa: caras que estão à procura de dinheiro não são os certos para nós, quem quer que eles sejam".

O dirigente da Mercedes disse que não ia citar nomes, mas que queria alguém 100% comprometido com o sucesso, "e não alguém dizendo ´sou um grande nome. Pague-me muito dinheiro e vou pilotar para vocês´".

"A McLaren tem que estar convencida de que o piloto está ávido, motivado, focado, e que seu primeiro objetivo não pode ser o dinheiro", disse Haug.

O recém-coroado campeão da F1, Jenson Button, chegou à categoria trazido pelos mesmos Robertson. Entretanto, em algum momento nos seus primeiros anos na F1, resolveu romper com os empresários.

O suposto motivo seria que a agressividade na banca de negociação dos dois negociantes estava se tornando contraproducente, ou seja, o delicado balanço entre oferta e demanda foi rompido e oportunidades excelentes começaram a ser perdidas.

Os Robertson fizeram de Kimi Raikkonen um piloto milionário, um dos mais bem pagos da cateogoria após a aposentadoria de Schumacher.

Entretanto, essa mesma habilidade pode acabar fazendo com que um dos pilotos mais brilhantes da F1 fique de fora do grid em 2010.

Aparentemente, para Raikkonen, isso não é problema, mas para o automobilismo, para os fãs e para a F1, isso seria um desastre.

Resta saber se o dinheiro é mais importante para Kimi do que correr. Ele já deixou claro que não quer correr em uma equipe para disputar o 10º lugar.

"Se eu quero correr, quero ter um carro que esteja pronto ano que vem para vencer o campeonato. Quero pelo menos me dar a chance. Depois é deixar comigo e com a equipe pra ver o que vai acontecer. Mas pelo menos você tem de ter um carro que lhe dê a chance de vencer".

Uma coisa é certa: em 2010, a F1 sem Kimi Raikkonen vai ser bem chatinha...

6 comentários:

Willian disse...

O problema de Kimi talvez seja justamente os agentes.
Um cara como ele não deve gostar de se envolver com o processo burocrático da F1, seja com negociação ou qualquer outra coisa.
Talvez (e isso é imaginação minha), ele até nem se importe em receber uma quantia tão alta, mas isso é induzido pelos agentes nas negociações.
Se ficar de fora da F1, eu acredito que a culpa maior será dos Robertson do que dele próprio...

Felipe Maciel disse...

Minha torcida pra ver Kimi na McLaren tá indo pro buraco.

Talvez isso aí tenha motivado a Ferrari a romper com o Raikkonen também, afinal ganhava um salário muito superior ao do Massa para andar um décimo atrás dele.

Cara, o que esse Robertson exige é um absurdo... Se nem a Toyota aguentou o tranco, quem é que vai comprar?
Parece o empresário dele vai ter que aprender a abrir mão de alguma coisinha. E acabará sendo pelo bem inclusive da F-1, como você bem disse.

Daniel Gomes disse...

Felipe, sei lá... o Alonso vai receber uma baba sem garantia de que vai andar na frente do Kimi.

Eu acho que foi uma questão de preferência e de $$$ pura e simples.

Alonso + Santander = $$$ e possíveis glórias.

Kimi ficou três anos e só foi competitivo de verdade em um, daí a Ferrari foi pragmática...

Agora, vou lamentar muito se Kimi não for pra Macca!!!

Anselmo Coyote disse...

Kimi ficou três anos na Ferrari. Campeão no primeiro, fundamental no WCC no segundo e... uai, cadê os carros para correr no terceiro?

Sem contar que a equipe contribuiu com pelo menos 50% para não ganhar o título de pilotos em 2008.

Nesses três anos a Ferrari não foi equipe, mas um balaio de gatos tentando aprender a viver sem Todt e Schumacher.

Se não aprenderam, pelo menos agiram como verdadeiros carcamanos ao final.

Quanto às muitas opções da Mc Laren, sabemos: Badoer, Barrichello, Grosjean, Alguersuari, Fisichella, Buemi, Sutil, Nakajima, Nelsinho, Bruno Senna, Lucas de Grassi... é só escolher. Todos eles pagarão por uma vaga.

Abs.

Abs.


e só foi competitivo de verdade em um, daí a Ferrari foi pragmática...

Ron Groo disse...

Pelo que li das declarações do bebedor finlandês, a Ferrari estava se lixando para ele, logo ele também para a Ferrari.

Eu penso nele como aquele piloto maravilhoso dos tempos de Mclata. E torço para ele voltar para lá.

Strider disse...

F1 sem Raikkonen é como Copa do Mundo sem Brasil.