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quinta-feira, 1 de julho de 2010

Vídeo da semana

Em 1975, um desastre ocorreu no GP da Espanha, no circuito de Montjuich Park, Barcelona.

O piloto alemão Rolf Stommelen sofreu um dos maiores sustos que um piloto pode sofrer. O seu Embassy Hill-Lola perdeu a asa traseira em plena curva de alta velocidade.

Sem traseira, o carro foi direto no guard-rail e atravessou a pista de volta, voando por cima das barreiras do outro lado da pista.

No acidente, o piloto quebrou uma perna, um pulso e duas costelas. José Carlos Pace bateu sua Brabham BT44B tentando evitar o carro de Rolf.

Mas o pior ainda estava por acontecer. Ao voar sobre o guard-rail, o carro de Stommelen matou quatro pessoas de uma vez: um bombeiro, um fotógrafo e dois espectadores.

Uma temeridade em um GP que já estava envolto em controvérsia desde seu início. Os pilotos fizeram uma greve por considerarem os guard-rails inseguros.

A organização tentou mudá-los durante a noite antes da classificação, mas ameaçou processar as equipes caso não houvesse corrida.

As equipes chegaram a mandar mecânicos para ajudar na melhoria das barreiras, mas ainda assim os pilotos não ficaram satisfeitos.

Emerson Fittipaldi se negou a correr, fazendo apenas as três voltas obrigatórias na classificação em baixa velocidade e recolhendo sua McLaren logo em seguida.

A corrida ocorreu, mas não sem um grande número de acidentes bizarros e, por fim, o acidente de Rolf, que ocorreu ironicamente no mesmo ponto em que seus mecânicos ajudaram a tentar consertar os guard-rails.



Outra ironia envolve o piloto alemão. Oito anos depois, ele morreria em um grave acidente em uma prova de turismo, quando o Porsche que dirigia perdeu a mesma asa traseira e o matou.

terça-feira, 11 de maio de 2010

GP da Espanha: Mercedes se complica

O melhor motor da F1 em 2009, os propulsores da Mercedes agora dão o torque necessário às suas próprias flechas de prata, motivo de grande alegria para os fãs do automobilismo que sentiam falta da equipe da estrela de três pontas na categoria.

Em 2010, Rosberg fez até a quarta corrida o que dele se esperava. Conseguiu pontuar em todas, beliscou um pódio e não fez a Mercedes passar vergonha. Isso tudo além de bater consistentemente seu estelar companheiro Michael Schumacher.

Já Schumacher fez apenas 10% dos pontos disponíveis e simplesmente esteve irreconhecível. A F1 se arrepiou ao ver o heptacampeão tomando 'X' da Virgin de Timo Glock e levando banho de Jamie Alguersuari na Toro Rosso.

Na quinta corrida, no entanto, tudo se inverteu, entre Schumi e Nico, e se complicou para a equipe. Schumacher fez uma corrida decente, constante e bastante decidida. Pela primeira vez bateu Rosberg e por uma boa margem tanto nos treinos quanto na prova.

Entretanto, para desespero dos fãs da Mercedes, Rosberg teve uma prova para esquecer. Ele não fazia (ou sofria) tanta lambança assim desde o GP de Cingapura do ano passado, quando jogou fora um pódio certo pela Williams.

O carro da Mercedes foi todo modificado para Schumacher e Rosberg se deu mal. Coincidência? Talvez não, mas Ross Brawn disse que fundamentalmente os mesmos elementos que fazem Schumacher pilotar bem fazerm Rosberg pilotar bem, então uma mudança no chassi W01 não implicaria imediatamente em um aumento de rendimento de Michael e uma queda de performance de Nico.

Mas seria isso uma verdade ou apenas um elemento para desviar a atenção da mudança de direção do time em favor de Schumacher?

Fato é que, após a quinta etapa do campeonato, a Mercedes GP amarga um quarto lugar no campeonato de construtores, mais de 40 pontos atrás da terceira colocada, a toda-poderosa Red Bull Racing.

Para esquentar a disputa, o GP de Mônaco vem aí, e não será bolinho para nenhuma das equipes do G4. Ano passado, a Brawn GP foi maravilhosa e soberana no principado. Conseguirá a Mercedes ao menos honrar a sombra da equipe que lhe deu origem?

sábado, 8 de maio de 2010

Classificação GP da Espanha: continua o calvário de Massa

Era algo meio que aceito entre as rodas de conversa da F1 que Alonso poderia bater Massa durante o ano, mas certamente ninguém esperava a dominância do espanhol sobre o brasileiro nos treinos de classificação, principalmente agora na quinta corrida quando o placar chega a humilhantes 4 a 1 para Fernando.

Felipe Massa sempre foi um piloto muito rápido e suas performances inclusive diante de Kimi Raikkonen mostravam que uma de suas grandes forças são as voltas lançadas em condição de classificação.

A questão agora é: Massa piorou sua performance ou Alonso está realmente colocando o brasileiro em seu lugar? Tanto no Q1 quanto no Q3, Alonso ficou a distantes seis décimos de segundo do brasileiro enquanto no Q2 a diferença caiu um pouco, para apenas três.

Entretanto, essa difereça de seis décimos é a mesma que muitas vezes Alonso impunha sobre Nelson Piquet Jr. quando ainda na Renault. Seria Massa tão lento quanto Piquet? Ou seria Alonso REALMENTE seis décimos mais rápido que qualquer companheiro de equipe? É bom lembrar que Piquet nunca teve uma chance de realmente se mostrar em uma equipe que lhe tratasse como ao menos um piloto decente.

Felipe Massa foi o único piloto desde 1980 a vencer o GP da Espanha sem nunca ter sido campeão mundial. Todos os outros vencedores levaram o caneco em algum ponto, incluindo Michael Schumacher, que tem impressionantes seis vitórias no circuito catalão.

Acontece que na corrida de amanhã Massa estará tão distante da vitória como em qualquer corrida do ano passado, quando a Ferrari era seguramente um péssimo carro. E Fernando Alonso, oito pontos à frente do brasileiro no campeonato, segue nesta etapa para aumentar a distância e também os rumores de que este será o último ano de Felipe na equipe rossa.

terça-feira, 12 de maio de 2009

GP da Espanha: Schumacher puxa o pé de Rubinho

Como de costume, não vamos nos ater às especulações. No fim das contas, é impossível saber se Ross Brawn errou (e caso tenha errado, se deliberadamente ou não) a chamada “optimum strategy” no GP da Espanha, ou seja, a estratégia ótima, aquela que daria a maior vantagem possível aos carros.

Mas mesmo assim, continua não fazendo sentido fazer seus dois pilotos iniciarem a corrida com uma estratégia de três paradas quando todos os outros competidores entre os 12 primeiros estavam em uma estratégia de duas.

Dito isso, fica uma pergunta: caso Button se mantivesse em primeiro após a largada, será que a estratégia de Barrichello seria mudada para o “plano B”? E assim, será que Rubens venceria? Um excelente cenário do tipo “o que aconteceria se...” para você fazer suas especulações.

Mas como a corrida já aconteceu e Button ganhou com 13 segundos de vantagem, vamos observar o que ocorreu com os dois pilotos. No gráfico a seguir, que você já viu igual neste post, é possível ver as médias de tempos dos pilotos a cada volta.

Exemplo: na volta 31, a média dos tempos de Barrichello até aquele momento era a melhor da corrida, seguida das médias de Button, Vettel e Webber. Depois Massa e Alonso, que ocupava a sexta melhor média de tempos até aquela volta.

Para uma melhor visualização deste gráfico, tenha em mente os seguintes padrões:

  • Uma linha horizontal alta: piloto rápido e consistente
  • Uma linha horizontal baixa: piloto lento consistentemente durante a corrida
  • Uma linha ascendente: um piloto mais consistente do que rápido
  • Uma linha descendente: um piloto rápido, mas inconsistente

Clique para ampliar

Com essas informações, é possível ver claramente o desenrolar da corrida neste gráfico. Repare que a linha de médias de tempos de Felipe Massa cai constantemente durante a corrida, de terceira melhor média para sétima, até terminar em sexto.

Massa estava realmente segurando Sebastian Vettel, que elogiou a defesa de posição do brasileiro ao fim da prova. A partir da 17ª volta, Vettel já era mais rápido que Massa, mas nunca conseguiu ultrapassá-lo.

Outro piloto com uma queda brusca de rendimento durante a corrida é Giancarlo Fisichella. Sua Force India, que ocupou a sexta melhor média de tempos nas primeiras voltas, terminou em 14º com uma descendente clara de baixa performance.

Repare que, ao contrário de Massa e Fisichella, Mark Webber escala devagar e sempre o gráfico, chegando a ter a segunda melhor média depois que Barrichello parou pela terceira vez e colocou os compostos duros.

Webber só não ganhou a posição de Barrichello porque o piloto brasileiro, embora não tenha sido rápido o suficiente, foi bastante constante, mesmo em seu stint mais lento com os pneus duros.

Todavia, os únicos pilotos que ascenderam durante a corrida sem terem uma recaída foram Jenson Button e Fernando Alonso. É aqui então que vamos tentar fazer uma análise mais atenta da corrida do inglês.

É importante notar que este gráfico representa apenas as médias dos tempos a cada volta, ou seja, não considera performance do carro e estratégia durante a corrida, estado dos pneus, tráfego e outros problemas. Por essa razão, ele pode apenas aferir a constância, mas não efetivamente a performance de cada piloto diante dos outros competidores.

Rubens Barrichello se mantém com a melhor média da corrida até a volta 55, mas isso não condiz com a realidade da prova porque o piloto correu praticamente o tempo todo mais leve que os outros. Isso significa que a média dele tinha que ser melhor que as dos outros de qualquer maneira.

Entretanto, no momento em que teve que entregar a performance que efetivamente lhe daria a vitória, Barrichello simplesmente não conseguiu se manter rápido o suficiente para bater Jenson Button. É importante ressaltar que Rubinho esteve rápido durante toda a prova. Só não rápido o suficiente.

Na tabela abaixo, você verá uma comparação entre os dois pilotos da Brawn durante toda a corrida a partir da quinta volta, quando o safety car saiu da pista.

As voltas sublinhadas em vermelho marcam os dois pit-stops de Jenson Button e as sublinhadas em azul marcam os três pit-stops de Barrichello.

Nas 27 primeiras voltas após a saída do safety car, Barrichello ganhou tempo de Button em 19 delas. Seu stint após o primeiro pit-stop é especialmente brilhante, pois ele abriu uma vantagem média de nove décimos por volta do inglês, isso em todas as voltas! A vitória nesse momento parecia assegurada, mesmo com a estratégia de duas paradas do carro número 22 da Brawn GP.

Entretanto, tudo se inverteu após o segundo pit-stop de Barrichello. Repare que das voltas 20 a 30, Rubens abriu vantagem em todas. Após o seu segundo pit-stop, Button foi quem diminuiu a vantagem durante 10 voltas seguidas, mesmo com os pneus já gastos durante nove voltas desde seu primeiro pit-stop e com excesso de peso de 38,5 kg de combustível, colocado em sua parada de oito segundos.

É claro que Jenson tirou muito menos tempo do que Rubens no seu segundo stint, mas repare o quão constante e incrivelmente preciso foi o piloto inglês após a segunda parada do carro 23 de Rubinho.

Nas 17 voltas após a parada de Barrichello, excluindo as duas últimas voltas (47 e 48), que são justamente a volta de entrada nos boxes e a volta em que o inglês efetivamente fica parado para o pit-stop, Button girou nove voltas abaixo de 1:23.500, enquanto Rubens só girou duas. Todo o resto de suas voltas foram em 1:23 alto e duas acima de 1:24.

Justamente neste momento, em que Rubens precisava “sentar a bota”, como diz o narrador global, Button resolveu se apressar para o chá das cinco e destruiu qualquer chance de as três paradas de Barrichello darem certo.

Para fechar, os dois pilotos fizeram suas últimas paradas apenas com duas voltas de diferença, o que selou a vitória do inglês, já que, de pneus duros e com praticamente o mesmo combustível que seu companheiro, abriu uma absurda vantagem média de cerca de seis décimos por volta.

É possível que o carro de Rubens Barrichello tenha sido sorteado com algum problema durante a corrida, porque a queda de rendimento do chassi BGP002 é simplesmene anormal, principalmente ao se levar em conta os dois primeiros stints de Barrichello, que foram absurdamente velozes e lhe renderam, inclusive, a melhor volta da prova.

Entretanto, não é só isso que rendeu a Button a vitória. O inglês aproveitou a chance de reverter uma péssima largada em algo positivo e, geralmente, o que faz a diferença entre o campeão e os outros é justamente isso: aproveitar o erro do oponente, o baixo rendimento, um golpe de azar, um percalço qualquer. Ser oportunista.

Michael Schumacher deve estar orgulhoso de Jenson Button.