Da série "acidentes sem explicação"...
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quarta-feira, 9 de março de 2011
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Os ameaçados
Nosso quase-campeão Felipe Massa está definitivamente na posição mais difícil do grid, não só dentro como fora da pista. O brasileiro ocupa hoje o assento mais cobiçado de todo o mundo do esporte a motor. Você, leitor, conseguiria imaginar a pressão?
Olhando a carreira de Massa principalmente dentro da Ferrari, é possível notar que ele sempre fez um trabalho muito bom, embora talvez não tão constante quanto se gostaria. A falta de constância dele em 2008 pesou muito na perda do título para Lewis Hamilton. Em 2009, Massa estava fazendo uma temporada excelente no fraco F60 até o acidente do GP da Hungria, que acabou ofuscando o trabalho do piloto até então.
Para Felipe Massa, 2011 é um divisor de águas. Para permanecer na Ferrari, ele precisa estar colado em Alonso na tabela de pontos durante todo o ano. Simples assim. Não cabe aqui discutir os benefícios de Massa permanecer ou não na Ferrari. Isso é assunto para outra hora.
Não é nem tanto uma questão de a Mercedes querer vê-lo pelas costas, mas aqui entra, é claro, o próprio Schumacher. Por mais que ele tenha sido o Sr. Sorriso na temporada passada, dizendo aos quatro ventos que estava se divertindo sem nenhuma pressão, a F1 continua sendo um esporte de milhões e milhões de dólares e uma marca como a Mercedes-Benz não pode se dar ao luxo de dar carrinhos de corrida para seu filho mais velho dar voltas em pistas do mundo todo.
Cada ponto na tabela é fundamental e Schumacher deixou de marcar muitos deles em 2010, seja em função do carro não tão bom, seja em função dos pneus, seja em função de sua própria falta de capacidade devido à idade. Em 2010, Schumacher brincou de pilotar. Em 2011, ele vai ter que voltar a pilotar de verdade, ou então vai descobrir que seu heptacampeonato não garante lugar no grid nem para ele, nem para nenhum outro piloto.
Desde 2005 Rubinho sempre esteve na lista de desempregados do ano seguinte, a não ser após a fantástica temporada de 2009 com a Brawn GP. Mas a pressão continua porque Rubens só se manteve na Williams com tanta certeza porque Sir Frank e Patrick Head descolaram os petrodólares de Pastor Maldonado. Por essa razão, o brasileiro terá um 2011 relativamente tranquilo para trabalhar e levar a Williams em direção à Renault e à Mercedes. Mas tem que mostrar o serviço que geralmente mostra para manter a o sonho de ser campeão vivo.
A sorte está lançada para o pessoal presente nesta lista.
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010
2010 - As cinco maiores decepções do ano
Ao menos no Brasil, Felipe Massa chega perto da unanimidade quando o assunto é decepção. Talvez não tanto por ter sido derrotado por Alonso, mas sim pela margem que o espanhol colocou sobre o brasileiro. Foram 108 pontos de diferença, o que significa que o vice-campeão de 2010 marcou em média 5,6 pontos a mais que Massa por corrida. Cinco pontos é quase o que o sétimo lugar ganha ao fim de cada fim-de-semana. Pilotos como Kobayashi, Hulkenberg e Liuzzi tiveram como melhor colocação no ano um sexto lugar enquanto a melhor colocação de Buemi na Toro Rosso foi um oitavo no Canadá. Com a mesma máquina, Felipe teve uma diferença (negativa) constante para Alonso ao longo do ano.
Não interessa aqui apontar as razões para essa performance fraca de Massa, um vice-campeão mundial de F1. O fato é que se esperava mais dele, muito mais. Por ter marcado apenas 57% dos pontos de Fernando Alonso durante o ano, Felipe Massa foi a maior decepção de 2010.
No resto do mundo, a briga é ferrenha entre Schumacher e Massa como maiores decepções do ano. O heptacampeão ganha o benefício da dúvida no entanto por causa de seu hiato de três anos fora da categoria. Isso não impede que houvesse por parte dos fãs da F1 uma grande expectativa sobre a performance do alemão. A exemplo de Massa, ninguém esperava que Schumacher levasse um passeio de Rosberg. E foi um grande passeio. Nico marcou praticamente o dobro de pontos de Schumacher (50,7%) e raramente brigou com o veterano lado a lado na pista, pois largou na frente 13 vezes e se manteve lá, chegando a três pódios no ano. Sempre que foi promessa, Schumacher correspondeu às expectativas. Pela primeira vez Michael não deu conta do recado, mas na F1, como na vida, promessa é dívida. Embora a Mercedes faça mistério e Schumacher diga que os novos pneus vão ajudá-lo, a vida tende sempre a ser mais difícil não só para ele, mas para todo o restante do grid.
Como toda sua carreira, Heidfeld mais uma vez foi discreto como lhe é de costume. Voltou sem barulho, correu quatro corridas e voltou para o ostracismo. Talvez não seja de todo justo colocá-lo nesta lista, mas Quick Nick é o homem que bateu Kimi Raikkonen, Felipe Massa e Robert Kubica. Um currículo invejável na F1 atual. Embora passe despercebido, Heidfeld tem um séquito de seguidores, fãs e admiradores espalhados pelo mundo que torceram como nunca para que ele conquistasse a vaga de titular na Mercedes depois de duas tentativas frustradas de ingressar na McLaren. Quando foi anunciada a substituição de Pedro de la Rosa pelo alemão, muitos vibraram com a perspectiva de vê-lo digladiar-se com Kamui Kobayashi. Mas pura e simplesmente, Kamui bateu Heidfeld em três das quatro corridas, tanto em classificação quanto nas provas. Noves fora, um resultado que certamente foi o último prego no caixão do piloto alemão na F1.
Colocar um piloto de uma das novas equipes nesta lista é temerário, mas ao se comparar a temporada de todos eles, é fácil perceber que Lucas di Grassi foi o piloto que menos conseguiu combater seu companheiro de equipe, principalmente na classificação. Perder para Glock desta forma diz mais sobre o brasileiro do que sobre Timo, que não é nenhum top de linha da categoria, embora tenha tido seus momentos. Por di Grassi não ser um nome “de grife” no Brasil, sua entrada na F1 foi pouco comentada, mas, ao mesmo tempo, sua condição de franco-atirador lhe dava menos pressão para trabalhar e tentar cavar seu lugar na F1. Ao fim de 2010, di Grassi foi chutado pela Virgin para a entrada do belga Jerome D’Ambrosio. Cereja no bolo.
Ao lado de Hulkenberg e Petrov, o italiano da Force India foi o único piloto a marcar menos da metade dos pontos de seu companheiro. A diferença é que Liuzzi é um piloto experiente, enquanto que Hulkenberg e Petrov estavam em suas temporadas de estreia. Além disso, o alemão, que figurou na lista do Splash-and-go dos melhores pilotos em carros não vencedores, teve uma temporada de ascensão, enquanto Liuzzi começou bem, mas acabou por cima do carro de Schumacher no GP de Abu Dhabi. Quando substituiu Fisichella em 2009, Liuzzi teve boas performances enquanto o enferrujado Luca Badoer e o próprio Fisichella, que correu pela Ferrari substituindo Massa, fizeram corridas para esquecer. Este ano era de se esperar que evoluísse e desse combate ao talentoso Sutil. O que se viu no entanto foi um banho do alemão, principalmente na classificação. O assento de Liuzzi em 2011 talvez estivesse melhor aproveitado por pilotos como o próprio Paul Di Resta, test driver da Force India, ou Bruno Senna, que parece estar cada vez mais próximo da porta de saída da F1.
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terça-feira, 9 de novembro de 2010
Relatos de Interlagos - Parte 3
Nosso amigo Itamar conta agora casos engraçados e curiosos que só aqueles que trabalham no circuito de Interlagos poderiam viver...
Vários casos curiosos aconteceram nesses anos. Um dos GPs mais engraçados talvez tenha sido o de 2003. Tínhamos certa amizade com o motorista do Barrichello e, no sábado, escutamos a transmissão do treino oficial graças ao áudio da Alfa 156 Sportwagon 2.0 do piloto. Curioso que sou, até sentei no banco do motorista para dar uma olhada nos comandos, no volante de madeira, etc.
Quando ele marcou a pole, o autódromo veio abaixo. O som da torcida celebrando o momento me deu muito mais arrepios que a Jordan do Takuma Sato. Era dia do meu aniversário, meu piloto preferido estava na pole, eu ouvi o treino dentro do carro dele e ainda tirei um sarro do Gino Rosato que havia me sacaneado na manhã perguntando quem era o nº 1.
Respondi que no Brasil era Barrichello e aguardei pacientemente pela sua volta. Ele estava dirigindo para o Schumacher, numa Alfa 156 Sportwagon 2.5 V6 azul. O massagista indiano também costumava chegar junto dos dois. Mas o alemão não circulava no estacionamento; o gordo de cavanhaque o deixava próximo aos boxes.
No domingo de manhã, quase todos os pilotos haviam chegado. Montoya chegou apontando o carro em direção a um rapaz da equipe, que tentou impedir que sua X5 fosse estacionada em local não permitido. Sua educação não permitiu que nutríssemos simpatia por ele; seu então companheiro Ralf, igualmente mala, era muito mais fácil de lidar.
O clombiano respondia “non” a todos que se aproximassem; já Sato e Villeneuve eram os mais populares do estacionamento, sendo que às vezes apareciam caras como Alex Dias Ribeiro. Em um dos anos ele apareceu no autódromo, e alguém me perguntou quem era aquele baixinho de moto. Um absurdo não saber quem era o Alex.
A maioria do pessoal esperava Schumacher, Alonso e Barrichello. Cristiano Da Matta, por exemplo, foi pouco assediado. O público conhecia mais o Pizzonia, esperança brasileira na época.
Voltando ao colombiano, o gorduchinho foi advertido sobre a infração assim que desceu do carro. Correndo, nos deixou falando sozinho, comunicando que voltaria rápido. E a melhor parte foi quando ele abandonou precocemente, se não me falha a memória, na 25ª volta (2003). Voltou bravo e ainda ouviu a gozação do Portuga, o cara mais sangue quente da equipe que gritava em alto e bom som: “Bem que você falou que ia voltar mais cedo mesmo! Você é bração, você se f*deu, %$#@&$#%”. Foi o momento mais hilariante de 2003.
E o colombiano foi vencer em Interlagos nos dois anos seguintes...
Leia os demais relatos de Itamar em Interlagos aqui e aqui.
Vários casos curiosos aconteceram nesses anos. Um dos GPs mais engraçados talvez tenha sido o de 2003. Tínhamos certa amizade com o motorista do Barrichello e, no sábado, escutamos a transmissão do treino oficial graças ao áudio da Alfa 156 Sportwagon 2.0 do piloto. Curioso que sou, até sentei no banco do motorista para dar uma olhada nos comandos, no volante de madeira, etc.
Quando ele marcou a pole, o autódromo veio abaixo. O som da torcida celebrando o momento me deu muito mais arrepios que a Jordan do Takuma Sato. Era dia do meu aniversário, meu piloto preferido estava na pole, eu ouvi o treino dentro do carro dele e ainda tirei um sarro do Gino Rosato que havia me sacaneado na manhã perguntando quem era o nº 1.
Respondi que no Brasil era Barrichello e aguardei pacientemente pela sua volta. Ele estava dirigindo para o Schumacher, numa Alfa 156 Sportwagon 2.5 V6 azul. O massagista indiano também costumava chegar junto dos dois. Mas o alemão não circulava no estacionamento; o gordo de cavanhaque o deixava próximo aos boxes.
No domingo de manhã, quase todos os pilotos haviam chegado. Montoya chegou apontando o carro em direção a um rapaz da equipe, que tentou impedir que sua X5 fosse estacionada em local não permitido. Sua educação não permitiu que nutríssemos simpatia por ele; seu então companheiro Ralf, igualmente mala, era muito mais fácil de lidar.
O clombiano respondia “non” a todos que se aproximassem; já Sato e Villeneuve eram os mais populares do estacionamento, sendo que às vezes apareciam caras como Alex Dias Ribeiro. Em um dos anos ele apareceu no autódromo, e alguém me perguntou quem era aquele baixinho de moto. Um absurdo não saber quem era o Alex.
A maioria do pessoal esperava Schumacher, Alonso e Barrichello. Cristiano Da Matta, por exemplo, foi pouco assediado. O público conhecia mais o Pizzonia, esperança brasileira na época.
Voltando ao colombiano, o gorduchinho foi advertido sobre a infração assim que desceu do carro. Correndo, nos deixou falando sozinho, comunicando que voltaria rápido. E a melhor parte foi quando ele abandonou precocemente, se não me falha a memória, na 25ª volta (2003). Voltou bravo e ainda ouviu a gozação do Portuga, o cara mais sangue quente da equipe que gritava em alto e bom som: “Bem que você falou que ia voltar mais cedo mesmo! Você é bração, você se f*deu, %$#@&$#%”. Foi o momento mais hilariante de 2003.
E o colombiano foi vencer em Interlagos nos dois anos seguintes...
Leia os demais relatos de Itamar em Interlagos aqui e aqui.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
O grid em 2010: um retrato infiel do campeonato
- Vettel - 2,1
- Webber - 2,1
- Hamilton - 5,5
- Massa - 6,5
- Alonso - 6,79
- Button - 7,14
- Kubica - 7,14
- Rosberg - 8,07
- Barrichello - 10,29
- Schumacher - 10,36
Agora compare com os 10 pilotos mais bem posicionados no campeonato:
- Webber - 187
- Hamilton - 182
- Alonso - 166
- Button - 165
- Vettel - 163
- Massa - 124
- Rosberg - 112
- Kubica - 108
- Schumacher - 46
- Sutil - 45
Repare em algumas contradições.
- A primeira, obviamente, é Vettel, que embora tenha feito sete pole positions no ano, ocupa apenas a quinta colocação no campeonato; um baixíssimo aproveitamento de posição de largada em relação aos pontos conquistados.
- A segunda contradição é Massa, que supera Alonso por pouco, mas está muito atrás no campeonato, com 42 pontos a menos que o espanhol. Isso, é claro, com a ingerência da Ferrari, mas não deixa de mostrar a contradição.
- A terceira é o péssimo aproveitamento de classificação de Jenson Button em relação à sua posição na tabela. Com apenas um ponto a menos que Alonso, o inglês ocupa a quarta colocação no campeonato, mas na média das largadas, sai do Top 5 empatando com Robert Kubica, que está nada menos que 57 pontos atrás de Button. O atual campeão do mundo tem feito milagres saindo das posições em que tem saído.
- A quarta é a troca de posições de uma tabela para outra, entre Rosberg e Kubica. Uma clara vantagem do alemão em ritmo de corrida sobre o polonês ao longo da temporada.
- A quinta é a "intrusão" de Sutil na segunda tabela entre os 10 primeiros, enquanto na primeira ele nem aparece. Ao contrário de Rubinho, que aparece entre os 10 na primeira, mas sai na segunda. Isso significa que Sutil capitaliza mais pontos nas corridas enquanto Rubens tem melhor ritmo de classificação.
- Por fim, e isso não é uma contradição se você não considerar o fato de quem estamos falando, Michael Schumacher, que tem a pior média de largada entre os 10 primeiros e ocupa a mesmíssima décima posição na tabela do campeonato. Nada mais justo para o heptacampeão, que faz a temporada mais medíocre de sua carreira, seja por causa do carro ou não.
A primeira tabela demonstra também a capacidade de adaptação universal da Red Bull a qualquer tipo de traçado, o que não ocorre com Ferrari e McLaren, e muito menos com a Mercedes.
É por essas e outras que nas últimas cinco corridas, a Red Bull terá chance de não só manter como melhorar a sua média de posição de largada e, consequentemente, estar em uma posição privilegiada para marcar pontos e vencer.
As pistas de Interlagos e Suzuka são pole positions garantidas para os rubrotaurinos, restando apenas a formalidade de saber qual dos dois pilotos fará as honras da primeira posição.
Abu Dhabi e Cingapura também são territórios positivos para a equipe. A incógnita fica a cargo do circuito da Coreia, mas este, pelo que se viu, não deve dar trabalho a Webber e Vettel.
O carro que Adrian Newey desenhou para seus pilotos é algo fora do normal e vai ser muito, mas muito difícil tirar o título das mãos de um dos pilotos da equipe. Mark Webber está muito próximo de ser o primeiro australiano campeão do mundo desde 1980. Vai ser coroado rei da Austrália caso isso ocorra.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Splash-and-go: de visita no Blog Fórmula 1
Você provavelmente já conhece o jovem Tomás, mas, se não conhece, corra lá no blog dele para ver o que um prodígio pode fazer com as palavras com apenas 14 anos de idade, a serem completados no fim deste mês.
Difícil conhecer um garoto nessa idade que escreva em um português consistente, com desenvoltura e entusiasmo, sobre um assunto que, muitas vezes, passa longe de ser simples: a F1.
Por isso, é uma honra ter um texto publicado em um espaço tão caprichado como o blog do jovem Motta.
Visite já o Blog Fórmula 1 e salve nos seus favoritos!
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Vídeo da semana
Se você encontrasse este garoto na escola, você acharia que ele faz parte do grupo dos nerds ou dos valentões filhinhos de papai?
Pois é...
Pois é...
sexta-feira, 16 de julho de 2010
O que aconteceria se Rubinho desse uma de Webber na Ferrari?
Ao lado de Ron Groo e seu inimitável blog, surgiu a ideia de colocar o tão amado quanto odiado piloto brasileiro na situação de Webber (ou seria o contrário?) e analisar os desdobramentos. Cada qual do seu jeito, é claro. Groo –pasmém!– até trata bem Rubens em sua bem humorada análise. Corra lá e confira.
Mas então, seria possível Rubinho dando uma de Webber na Ferrari?
Pode-se observar um hipotético motim de Barrichello através de dois prismas.
O primeiro é o da realidade. Rubinho tinha 27 anos quando assinou com a Ferrari um milionário contrato que era o sonho de qualquer piloto em ascensão na época. O brasileiro era uma real promessa na categoria, fez milagres na Jordan e na Stewart, conseguiu pontos, pódios e pole-positions quando ninguém apostaria nisso.
Já Michael Schumacher, com avançados 31 anos, era uma estrela de primeira grandeza. A ideia de reconstruir a Ferrari e levá-la ao caminho do sucesso estava indo de vento em popa e o alemão, já estabelecido como bicampeão mundial, era o grande nome da categoria. Talvez não soubesse o período de dominância que vinha adiante, mas com certeza era para isso que ele e a Scuderia trabalhavam.
No press release da corrida na época, a própria FIA reconheceu isso dizendo que “(o conselho) condena a forma com a qual as ordens de equipe foram dadas e executadas no GP da Áustria. Mesmo assim, é impossível penalizar os dois pilotos, pois eles são obrigados a executar contratualmente as ordens dadas pela equipe”.
Comparativamente, Mark Webber é o piloto mais velho e mais experiente da Red Bull, além de já estar lá antes do próprio Vettel. A promessa, no caso, é o alemãozinho. Outro aspecto é que, embora a marca Red Bull seja enorme, a equipe de F1 não tem tradição nenhuma. Não é nada perto da Ferrari. É uma situação diametralmente oposta à de Rubens e Michael. Além disso, uma diferença fundamental coloca as duas situações em choque: enquanto Mark Webber de fato tem batido Vettel de forma consistente, Rubens nunca foi capaz de tal feito.
Some-se então a situação de um jovem piloto, de olho em sua natureza competitiva e de olho, claro, num futuro promissor, além de estar em um contrato multimilionário, com a insegurança de realmente peitar a maior equipe da história do automobilismo e é possível ter um pouco mais de empatia com o que Rubens passou na Ferrari.
É bom lembrar que Rubens NUNCA conseguiu bater Michael. Ele talvez acreditasse que conseguisse, mas sua posição de um piloto menos eficiente o deixava em uma situação delicada. E é aí que a situação entre Webber e Vettel se diferencia ainda mais. Webber está batendo Vettel e impondo respeito como Rubens talvez tenha feito em no máximo cinco corridas contra Michael. Como se rebelar contra a equipe nesse contexto?
Em 2001, Rubens já teve um gosto amargo quando, apenas na sexta corrida do ano, Jean Todt (no vídeo acima), sem se preocupar com as câmeras, pediu ao brasileiro: “deixe Michael passar pelo campeonato”. Consternado, claro, Rubinho deixou o segundo lugar que ocupara para Schumacher, com Coulthard vencendo a corrida. Foi nessa época, após o GP da Malásia, que a Ferrari colocou a sua assessoria de imprensa para “filtrar” o que o piloto falava.
Em 2002, no mesmo GP da Áustria, a maior farsa explícita da história da F1 ocorreu diante dos olhos de milhões de fãs da categoria no mundo. Com o banimento das ordens de equipe devido a esse acontecimento, está claro que Barrichello imaginou que os dias de segundo piloto estavam terminados. Ele agora seria piloto igual ao outro, “1B”, disse inocentemente, e ganharia ou perderia por méritos.
Mas não foi bem isso que se viu. E não foi bem porque a Ferrari não deixava ou não queria, mas sim porque Barrichello nunca teve competência para bater Michael e, assim, lhe dar o pretexto para dar uma de Webber e jogar a casa abaixo, ou mesmo abandonar a equipe.
Ao partir das pressuposições acima, é válido dizer que a decisão de Rubens Barrichello foi acertada na medida em que lhe garantiu vários anos em uma equipe vencedora, muita experiência, muito dinheiro e, claro, o potencial de ser campeão caso houvesse algum problema com Schumacher ou mesmo ele, Rubens, conseguisse evoluir a ponto de bater o heptacampeão na pista.
OK, mas qual é o segundo prisma?
O segundo prisma parte do princípio de que Rubens:
- sentisse que era capaz de bater Schumacher em outra equipe;
- sentisse que seu caminho seria mais fácil em outra equipe;
- sentisse que ia ganhar mais dinheiro em outra equipe.
Rubinho, com o mesmo equipamento, perdeu para Michael e, no pentacampeonato ferrarista com Schumi, Barrichello foi vice em apenas duas ocasiões, o que significa que em três outras ele foi pior que pilotos em outros equipamentos também.
No segundo ponto, Rubinho, que é um ótimo acertador de carros, sabia que adaptar-se a uma nova equipe seria muito difícil, ainda mais lutando contra Schumacher que, ao fim de 2002, completaria seu sétimo ano com a Ferrari. Harmonia maior não havia no grid. Rubens sair da Ferrari seria um passo para trás do ponto de vista do entrosamento.
Por fim, havia outras estrelas como Montoya, Raikkonen, Button, Alonso, todos com mais potencial comercial e de resultados que Rubens. Barrichello só sairia da Ferrari se tivesse uma proposta financeiramente muito superior. Aparentemente ele nunca teve e, caso tivesse tido, os rumores teriam dado conta dela na época.
Dito isso, se Rubens REALMENTE tivesse dado uma de Webber, xingado, gritado e esperneado contra a Ferrari e Schumacher, ele seria demitido (talvez por justa causa). Ao fim de 2002, o ano em que ele teoricamente sairia da Scuderia, haveria talvez três equipes para correr que lhe dariam o mínimo de competitividade: Williams, McLaren e Benetton.
Isso, é claro, sem contar o piloto que substituiria Rubens na Ferrari que, com certeza, daria trabalho também para os outros pilotos do grid.
A conclusão da bíblia que você acabou de ler é que, quando você é bom, você é bom, mas quando você é campeão, tem tino de campeão, talento de campeão e capacidade de campeão, nenhuma equipe vai impedir com que você alcance o topo.
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quarta-feira, 16 de junho de 2010
GP do Canadá: cadê Schumacher?
Mas dentre todas as estranhices ocorridas na prova, a mais esquisita foi de fato assistir a Michael Schumacher entrando nos boxes mais de uma vez em menos de 15 voltas. E terminar guiando sobre os péssimos pneus macios (para a pista de Montreal).
Em determinado momento da prova, na primeira metade, era possível vislumbrar o alemão beliscando seu primeiro pódio na temporada, já que pilotava bem e sua posição real na pista era um excelente terceiro lugar.
Acontece que aparentemente (mesmo, pois as fotos que foram divulgadas não mostram nada), Schumi teve um dano em sua asa frontal logo após ter trocado os pneus para os mais duros, quando mantinha um bom ritmo.
Dessa forma, teve de voltar aos boxes e aí, inexplicavelmente, voltaram com os pneus macios em sua Mercedes e, a partir daí, um abraço. Trinta e sete voltas nos compostos moles provaram ser um calvário para o velho campeão, que teve uma de suas piores pilotagens até hoje.
A asa danificada dificultaria a vida de Schumacher, mas não a ponto de acabar com sua corrida, como foi o caso. É sempre triste ver um cara da estirpe do campeão lutando com carros no meio do pelotão e de forma duvidosa. Isso demonstra o quão fora do lugar Schumi deve estar se sentindo.
mas ainda assim foi uma disputa desastrada,
fazendo ambos saírem da pista na chicane seguinte
Suas disputas com Kubica e Massa foram no mínimo desastradas, ainda que fossem tentativas genuínas de defesa de posição. Ninguém gosta de ceder lugar numa corrida de carros, mas quantas vezes Schumacher cortou a chicane antes da linha de chegada?
Será que Schumacher voltou à F1 porque realmente não tinha nada para fazer? Será que ele ainda mantém a chama do campeão? Onde vai dar essa história?
Uma coisa é certa, a estratégia de pneus utilizada pela Mercedes foi um fiasco que há muito não se via. Lamentável.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
GP de Mônaco: o franco-atirador
Becken Lima aliás fez em seu F1 Around um bom apanhado da disputa entre os dois nesses três anos e apontou de forma clara e inequívoca a derrota do polonês. Além disso, embora Heidfeld nunca tenha vencido, não fosse uma série de desventuras dos primeiros colocados, Kubica também não teria tido sua almejada primeira vitória em Montreal em 2008.
Neste post, o Splash-and-go cravou que Kubica nada faria de diferente pela Renault e recíproca seria verdadeira. Mas hoje é justo dizer que, embora provável, tal situação está se mostrando irreal. A Renault tem feito um trabalho incrível e, não fosse Petrov no segundo assento desperdiçando pontos, é provável que estivesse até à frente de Mercedes e McLaren no campeonato de construtores.
Isso não é pouco para uma equipe que, após o campeonato de 2006, se tornou medíocre, mesmo nas mãos do grande Fernando Alonso. Para completar, o escândalo de Cingapura e as péssimas performances de Piquet Jr e Grosjean não ajudaram a levantar o nome da gigante francesa.
Mais eis que surge Robert Kubica com uma performance sensacional, uma tenacidade de campeão, uma motivação de estreante. "Mas Mônaco é uma pista diferenciada. Uma exceção à regra", dirão alguns. É, mas basta uma rápida olhada na tabela de pontos para ver que o polonês está "on fire".
Com 59 pontos, empatado com Hamilton, mas à frente do inglês por conta de critérios de desempate, a dois pontos de Felipe Massa, dois pódios e um quase terceiro lugar na Malásia, Kubica ocupa o sexto lugar na tabela, mas a uma distância curta de Jenson Button, quarto lugar, com 70 pontos.
É razoável dizer que Kubica perdeu o segundo lugar em Mônaco na largada. Preocupado que estava em bloquear Vettel, quase perdeu a posição para Massa, mas conseguiu se manter em terceiro. Foi nítida a falta de grip de Kubica, pois Vettel e Webber largaram na mesma toada e melhor.
Foi uma pena porque depois da largada, Kubica se manteve firme atrás do alemão enquanto Webber sumia à frente. Vettel parecia de fato não estar na sua melhor forma, mas mesmo assim, ele pilotava a mesmíssima Red Bull de Webber que com certeza é um carro bem melhor que o R30 de Kubica.
mas Kubica está estragando a festa das flechas prateadas
Neste momento, o melhor para o campeonato é assistir à ascensão de Robert Kubica, se colocando firmemente entre as duas McLaren de Hamilton e Button, separando também as duas Ferrari de Massa e Alonso e, o melhor, deixando o chassi W01 de Schumacher e Rosberg para trás.
O GP da Turquia muito provavelmente voltará a ser dominado pelas Red Bull, mas será interessante continuar especulando qual dos times do G4 Kubica vai "partir" ao meio. Não tem nada mais interessante que um franco-atirador com claras chances de título para o campeonato pegar fogo.
Que o diga Kimi Raikkonen em 2007.
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terça-feira, 11 de maio de 2010
GP da Espanha: Mercedes se complica
Em 2010, Rosberg fez até a quarta corrida o que dele se esperava. Conseguiu pontuar em todas, beliscou um pódio e não fez a Mercedes passar vergonha. Isso tudo além de bater consistentemente seu estelar companheiro Michael Schumacher.
Já Schumacher fez apenas 10% dos pontos disponíveis e simplesmente esteve irreconhecível. A F1 se arrepiou ao ver o heptacampeão tomando 'X' da Virgin de Timo Glock e levando banho de Jamie Alguersuari na Toro Rosso.
Na quinta corrida, no entanto, tudo se inverteu, entre Schumi e Nico, e se complicou para a equipe. Schumacher fez uma corrida decente, constante e bastante decidida. Pela primeira vez bateu Rosberg e por uma boa margem tanto nos treinos quanto na prova.
Entretanto, para desespero dos fãs da Mercedes, Rosberg teve uma prova para esquecer. Ele não fazia (ou sofria) tanta lambança assim desde o GP de Cingapura do ano passado, quando jogou fora um pódio certo pela Williams.
O carro da Mercedes foi todo modificado para Schumacher e Rosberg se deu mal. Coincidência? Talvez não, mas Ross Brawn disse que fundamentalmente os mesmos elementos que fazem Schumacher pilotar bem fazerm Rosberg pilotar bem, então uma mudança no chassi W01 não implicaria imediatamente em um aumento de rendimento de Michael e uma queda de performance de Nico.
Mas seria isso uma verdade ou apenas um elemento para desviar a atenção da mudança de direção do time em favor de Schumacher?
Fato é que, após a quinta etapa do campeonato, a Mercedes GP amarga um quarto lugar no campeonato de construtores, mais de 40 pontos atrás da terceira colocada, a toda-poderosa Red Bull Racing.
Para esquentar a disputa, o GP de Mônaco vem aí, e não será bolinho para nenhuma das equipes do G4. Ano passado, a Brawn GP foi maravilhosa e soberana no principado. Conseguirá a Mercedes ao menos honrar a sombra da equipe que lhe deu origem?
sábado, 8 de maio de 2010
Classificação GP da Espanha: continua o calvário de Massa
Felipe Massa sempre foi um piloto muito rápido e suas performances inclusive diante de Kimi Raikkonen mostravam que uma de suas grandes forças são as voltas lançadas em condição de classificação.
A questão agora é: Massa piorou sua performance ou Alonso está realmente colocando o brasileiro em seu lugar? Tanto no Q1 quanto no Q3, Alonso ficou a distantes seis décimos de segundo do brasileiro enquanto no Q2 a diferença caiu um pouco, para apenas três.
Felipe Massa foi o único piloto desde 1980 a vencer o GP da Espanha sem nunca ter sido campeão mundial. Todos os outros vencedores levaram o caneco em algum ponto, incluindo Michael Schumacher, que tem impressionantes seis vitórias no circuito catalão.
Acontece que na corrida de amanhã Massa estará tão distante da vitória como em qualquer corrida do ano passado, quando a Ferrari era seguramente um péssimo carro. E Fernando Alonso, oito pontos à frente do brasileiro no campeonato, segue nesta etapa para aumentar a distância e também os rumores de que este será o último ano de Felipe na equipe rossa.
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terça-feira, 6 de abril de 2010
GP da Malásia: Alguersuari e o toque de Deus
A batalha direta entre os jovens Alguersuari, Petrov e Hulkenberg foi digna de aplausos. A ultrapassagem do espanhol em cima do Hulk caracterizou a melhor disputa da prova de longe. A manobra lembrou muito a ultrapassagem de Piquet Jr. em Hamilton ano passado, em que dividiram três curvas lado a lado.
Jaime Alguersuari caiu de paraquedas na F1 ano passado ao ser convocado para substituir Sébastien Bourdais na Toro Rosso. O garoto não conseguiu pontuar e ainda andou atrás do outro Sebastian, o Buemi, praticamente o tempo todo.
Este ano Buemi parecia estar na posição de continuar batendo Jaime, mas quem tem dado show, além de pontuar primeiro, foi Alguersuari.
Segundo o piloto espanhol, o divisor de águas foi sua acirrada disputa durante quase 20 voltas com ninguém menos que Michael Schumacher no GP da Austrália.
"Michael me mostrou como pilotar um carro de F1 no limite com os outros pilotos", disse o espanhol. "Terminar o GP da Austrália e lutar contra ele me mostrou o caminho - como ser agressivo com outros pilotos. A corrida da Malásia funcionou desta forma com o (Vitaly) Petrov e o Nico (Hulkenberg). Foram brigas maravilhosas e muito limpas, como deve ser na F1".
A Toro Rosso parece estar especialmente rápida, embora, de acordo com Alguersuari, ainda tenha que trabalhar mais no setup de classificação.
Nas corridas no entanto o carro parece ser muito constante e bastante potente já que carros bem melhores como a Ferrari e a Mercedes não conseguiram ultrapassá-los nas corridas.
A distribuição de forças no meio do pelotão está bastante equiparada no que diz respeito ao ritmo de corrida. Ter mais um piloto como Alguersuari se colocando combativo e competitivo só vai servir para melhorar o espetáculo da F1.
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sábado, 27 de março de 2010
Classificação GP da Austrália: o mágico de Oz
Com a pronúncia australiana sendo puxada de um forte inglês britânico, quando eles falam ´Aus´, parece na verdade estarem falando ´Oz´, que é por fim o apelido informal do país.
Na terra do canguru, quem fez a festa foi Vettel, que deixou para trás seu companheiro de equipe e um certo Fernando Alonso. E numa performance digna de um mago.
A Red Bull é um carrão, mas Vettel o leva ao limite, assim como Alonso, cujos sete décimos de vantagem sobre Massa tem mais a ver com o braço do que com o carro.
O pouco mais de um décimo de diferença entre Webber e Vettel deveria ser mais de três, pois é claro que o alemão cometeu dois erros em sua volta. Esses décimos estão no piloto, e não no carro.
Na largada amanhã Alonso vai tentar dar o bote em Webber e manter Vettel na alça de mira. O espanhol tem chance de vencer, mas terá de ser muito agressivo para não perder contato com o carro da Red Bull.
Lá atrás, Massa verá a vantagem de Alonso aumentar no campeonato, Button estará de franco atirador, Schumacher também vai tentar atacar Rosberg na largada e Rubinho almejará apenas os pontos, como no Bahrein. Aliás, belo treino do nosso veterano favorito.
Numa nota engraçada, ao sair do carro, Kubica falou em italiano na TV: "Estamos perto do Sutil, então temos de estar atentos". A fina ironia sobre a já temida reputação de Adrian Sutil de car crasher.
Haja guaraná em pó e cafezinho para segurar o sono até lá!
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sexta-feira, 19 de março de 2010
F1: o enigma da ultrapassagem
Entretanto, os anos se vão rápidos e engenheiros, pilotos, dirigentes e figuras importantes do automobilismo parecem bater cabeça constantemente quanto a este verdadeiro enigma esportivo.
Vários são os debates e as soluções propostas e vários também são os interesses envolvidos em tomar ou não alguma decisão que influa diretamente nessa espécie de “cereja do bolo” do esporte a motor.
Talvez por isso a clareza dos argumentos não seja devidamente alcançada e apreciada por quem assiste de fora. Afinal, as ultrapassagens dependem de vácuo? De aderência aerodinâmica? Ou seria mecânica? Seriam os circuitos que não ajudam?
É claro que um amálgama de tudo isso resulta nas modorrentas corridas que já se assiste há alguns anos. Mas de todas as possíveis causas, a que parece ser mais tangível de fato é que a F1 hoje é um esporte mais “fácil” do que há 20 anos.
Michael Schumacher disse ao fim do GP do Bahrein que ultrapassar era impossível e o que se podia fazer era manter o ritmo e esperar o erro do adversário. Não é exatamente a receita para uma boa corrida.
Dito isso, James Allen publicou um extenso post em seu blog dando a palavra a Frank Dernie, um dos aerodinamicistas mais ativos da F1 nos últimos 30 anos. Se tem algo que Dernie sabe, é sobre as variáveis da F1.
Segundo Dernie, “quando havia ultrapassagens no passado, elas se deviam principalmente à baixa aderência dos pneus contribuindo para um traçado do carro na pista mais aberto e grandes distâncias de frenagem combinados com carros muito mais difíceis de guiar devido à baixa aderência e aos câmbios manuais. Por isso, havia mais erros”.
Isso parece realmente lógico. E vai na contramão do que a F1 se tornou hoje. Um esporte de alta performance, alta confiabilidade, um carro que permite aos pilotos serem muito mais iguais entre si do ponto de vista da habilidade e um universo muito menor de variáveis a influenciarem no resultado de uma corrida e, claro, nas ultrapassagens.
Acontece que muitos pilotos, ex-pilotos, dirigentes e engenheiros são contra essa ideia por uma infinidade de razões.
Ainda de acordo com Dernie, “muitas pessoas influentes na mídia não querem essas mudanças que certamente funcionaram no passado. Os pilotos odeiam pneus duros, embora eles sejam 50% da solução, e os engenheiros amam câmbios semiautomáticos, os outros 50%...”
Esta semana, Lucas di Grassi respondeu a uma pergunta direta sobre isso no Twitter. Ele disse não concordar que a solução esteja na volta dos câmbios manuais e pneus menos eficientes e mais instáveis.
A verdade é que pilotar um F1 continua difícil, mas a dificuldade não é tão grande a ponto de destacar um grande piloto de um medíocre. Ou seja, mais do que nunca, o carro é que faz o campeão.
A imagem de Senna vencendo em Interlagos com um carro com algumas marchas a menos e o esgotamento físico do campeão é coisa do passado. Isso não existe mais e é provavelmente o motivo mais forte para que a F1 seja tão parada.
E você? Acredita que a volta às origens na F1 destacaria os pilotos mais habilidosos e geraria mais ultrapassagens?
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quarta-feira, 3 de março de 2010
Vídeo da semana
A menos de duas semanas do início do campeonato, nada melhor que lembrar o ronco absurdo dos motores V12 em comparação com os V8 atuais e os V10 de outrora.
Em 2003, Schumacher treina em Fiorano na época em que testes eram comuns. Em pleno maio, o então pentacampeão mundial acelerava firme sua barulhenta Ferrari F2002 F51 V10.
No segundo vídeo, Jean Alesi e Nicola Larini treinam em Fiorano com a Ferrari F1 412T1. Se existe música na F1, ela é tocada por este motor V12. Sublime.
Em 2003, Schumacher treina em Fiorano na época em que testes eram comuns. Em pleno maio, o então pentacampeão mundial acelerava firme sua barulhenta Ferrari F2002 F51 V10.
No segundo vídeo, Jean Alesi e Nicola Larini treinam em Fiorano com a Ferrari F1 412T1. Se existe música na F1, ela é tocada por este motor V12. Sublime.
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sábado, 27 de fevereiro de 2010
Mercedes GP: o ´X´ da questão
Uma equipe campeã do mundo em 2009, com uma grande promessa e um heptacampeão como pilotos, simplesmente não dá indícios de sua real força nem de sua real fraqueza.
Ross Brawn já disse que seu difusor “oficial” só será usado no Bahrein. A performance da equipe tem sido regular nos testes, se comparada com Ferrari e Red Bull.
Rosberg e Schumacher já pararam na pista mais de uma vez por problemas hidráulicos, elétricos e outros que não foram bem explicados. Nada, absolutamente NADA, fez com que a Mercedes se destacasse nestes testes, além do próprio Michael Schumacher.
Estaria a equipe escondendo uma carta na manga à la Brawn GP? Rosberg se diz confiante, enquanto Schumacher afirma que o carro não é rápido o suficiente para almejar vitórias nas primeiras corridas.
O desencontro entre algumas declarações de Rosberg e Schumacher é especialmente interessante porque embora o contrato do veterano alemão tenha duração de três anos, é difícil imaginar que ele tenha sido convencido a voltar para fazer o que fez na Ferrari de 1996 a 1999.
Ao ser perguntado se o carro pode levá-lo a disputar vitórias desde a primeira corrida, Michael disse: "Talvez não. É difícil julgar outros times especificamente. No momento, não estamos na posição em que gostaríamos, de sermos competitivos e vencer a primeira corrida de cara. O principal objetivo é o de não estar muito atrás (das outras equipes)."
Que posição é essa que eles querem estar se não conseguem se comparar às outras equipes? O principal objetivo é não andar muito atrás? Quão atrás? E como isso pode ser constatado?
Ross Brawn deve ter dado algum tipo de garantia de performance e potencial para que Schumacher aceitasse voltar. Ele não voltaria no escuro e tampouco voltaria para perder seu tempo andando no meio do grid até que o carro fosse desenvolvido e se tornasse um autêntico campeão.
O carro já demonstrou ter o mesmo fundamental problema da Brawn em aquecer os pneus, e isso será um grande obstáculo para a flecha de prata principalmente nas voltas lançadas de classificação.
Além disso, o W01 também tem apresentado queda de rendimento em stints longos, tanto com Rosberg quanto com Schumacher, algo que não acontece com a Ferrari.
Diante de tudo isso, pode até ser que o GP do Bahrein não traga as respostas que a Mercedes busca, mas o fato é que o carro da Mercedes GP será um gigantesco ´X´ no traçado barenita daqui a duas semanas.
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Enfim, Heidfeld
Desta forma, a equipe tem agora três pilotos alemães, sendo que Heidfeld já tinha um longo relacionamento com a montadora, a exemplo de Schumacher.
Quick Nick já havia vencido o campeonato alemão de Fórmula 3 em 1997 e sua primeira experiência na F1 foi como piloto de testes da McLaren-Mercedes em 1998 e 99.
Nick, claro, foi diplomático: "Estou satisfeito de fazer parte da Mercedes. Claro que eu preferiria ter um assento como piloto titular, mas estou orgulhoso de estar na equipe, pois vi o comprometimento de todos e me sinto da mesma forma. Vou dar meu melhor para apoiar Michael e Nico este ano".
Acaba então a novela Heidfeld. Se não com um final feliz, com certeza com um final frustrante para o próprio Nick, que dificilmente voltará a participar de uma corrida de F1.
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Testes: Ferrari começa bem dentro e fora das pistas
Ferrari: Os carros da equipe fizeram os melhores tempos dos testes. Embora os treinos não sejam conclusivos, a equipe italiana sai um passo à frente no quesito psicológico.
Alonso foi quase três décimos mais rápido que Massa e sete mais rápido que os surpreendentes carros da Sauber.
Do lado de fora da pista, Alonso foi respeitoso em relação a Massa e comedido, sem contar vantagem ou dizer nada que lhe desabone.
Disse o bicampeão: "A primeira impressão foi boa, mas sou muito cauteloso. Foi um ótimo primeiro dia, mas também porque o carro estava fácil de guiar, já que o Felipe correu por dois dias e eu tenho pegado informações dele que foram de valia. Se eu corresse nos primeiros dias, talvez fosse mais difícil para mim".
Mercedes: Nico Rosberg já sentiu o drama. Schumacher rodou quatro décimos mais rápido que o jovem piloto e disse estar se sentindo ótimo. Nico deu várias entrevistas e já ficou nervoso com as declarações de Rubinho. Será muito interessante o desenvolvimento da relação entre os dois alemães.
McLaren: Hamilton rodou sete décimos mais rápido que Button, mas ambos não falaram muito nem apareceram. A McLaren está bem discreta e isso talvez seja vantagem pro time de Woking.
Sauber: Interessante a performance da ex-BMW. Muita cautela, pois essa equipe não tem o DNA da Brawn. Entretanto, ninguém ousará dizer que a equipe vai vencer no Bahrein ou, pelo contrário, vai afundar. Será ótimo ver mais uma equipe inesperada no pelotão da frente, principalmente com Kobayashi.
As outras equipes não tiveram nada de extraordinário para se comentar, mas foi bom ver Hulkenberg e Petrov correndo e estreando num bólido da F1. Que sejam competitivos em 2010.
Veja abaixo o ranking de tempos combinados nos três dias.
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Mercedes GP: Schumacher, Rosberg e... cadê o Heidfeld?
Até Martin Whitmarsh e o Schumacher mais novo, Ralf, deram as caras... Um dos momentos mais esperados da temporada 2010 foi amplamente festejado, mas... onde está Nick Heidfeld?
Nas últimas semanas, o abnegado piloto alemão teve seu nome relacionado à Renault, à McLaren, à Sauber e outras equipes em menor escala, mas de repente começaram a especular sua presença como terceiro piloto no "time nacional da Alemanha", como salientou Zetsche no seu discurso de abertura.
Seu empresário deixou claro que existem negociações, mas que nada foi fechado ainda. Ocorre que Heidfeld não apareceu e nada foi dito sobre o assunto.
A situação de Quick Nick é especialmente delicada porque fala-se que o veterano alemão pede na casa dos US$ 4 milhões anuais para ceder seus serviços, e as equipes restantes precisam de grana entrando, e não saindo.
É por essa razão, além de sua discrição tanto na pista quanto no paddock, que o barbudo está sem assento. Simplesmente não mostrou a estrela necessária em 10 anos de F1 para chamar a atenção dos grandes.
Fisichella foi contratado como terceiro piloto da Ferrari, mas o italiano já teve mais do que tempo para mostrar a que veio sendo, inclusive, piloto do carro com que Alonso conquistou os campeonatos de 2005 e 2006. Além do que, é mais velho do que Heidfeld e não tinha muito mais a mostrar na carreira.
Heidfeld, por outro lado, ainda poderia tentar mostrar algo, mas se recolher ao posto de terceiro piloto de uma equipe que conta com uma promessa e com a própria lenda da F1 não é bom negócio para um piloto de F1. Para um piloto profissional, talvez, mas pra um competidor, não.
Fato é que algo deve estar emperrando as negociações. A Mercedes anunciou que deve apresentar o terceiro piloto no meio da semana. A ver!
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