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quinta-feira, 29 de abril de 2010

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A danação de Piquet

Curiosamente, o outro parente de um tricampeão brasileiro, Nelson Piquet Jr., também vive sua própria maldição particular. A exemplo de Bruno Senna, Piquet também ficou a ver navios em 2010, ao menos no que se refere à F1.

Senna ainda não teve a chance de mostrar seu talento em uma verdadeira competição entre os carros da categoria, mas Piquet sim, por 18 corridas. E fez o pior possível dessas chances.

A diferença entre os dois é que Senna não foi tão bem sucedido nas categorias de base, enquanto Piquet Jr. venceu a Formula 3 Sulamericana e a Fórmula 3 britânica.

Isso além de ter conseguido o vice-campeonato da GP2 em 2006, atrás apenas do maior fenômeno do automobilismo mundial nos últimos cinco anos, Lewis Hamilton. Um currículo de fazer inveja ao sobrinho de Ayrton.


Senna também ficou com o vice-campeonato da GP2, mas perdeu para um obscuro Giorgio Pantano, piloto que já havia ido à F1, mas foi rapidamente descartado por maus resultados quando piloto a Jordan. Fora isso, nada que salte aos olhos.

Os Piquet e Briatore: relações perigosas

Como já foi exaustivamente discutido, é difícil saber que tipo de pressão e de negociação havia na relação entre Piquet, Briatore e a Renault.


À época da divulgação do escândalo de Cingapura, o Splash-and-go deixou claro seu ponto de vista sobre o assunto com um post intitulado "Piquet Jr.: a única opção".

Passados alguns meses, a opinião não mudou, mas a categoria tratou de julgar e condenar Nelson Piquet ao não lhe permitir mais entrada em suas dependências.

Com o anúncio da ida do piloto à Nascar, nos Estados Unidos, fica claro que, do ponto de vista do automobilismo (F1) e dos objetivos de Piquet, seu destino era mesmo a danação. Por não ter opção dentro do Crashgate em si, Nelsinho não teria também outra chance.

O que mudaria talvez sua trajetória seria sim o que fez para seu ingresso na categoria, quando se envolveu com gente errada em uma equipe que, embora tenha tremenda tradição na F1, era dirigida por uma pessoa de caráter duvidoso.

Por incrível que pareça, a pessoa que parece ter posto Piquet Jr. nesta situação foi seu próprio pai, Nelsão. Ele quem tinha relação com Briatore e ele quem tinha o contato. Ele quem confiava no italiano.

No entanto, numa doce ironia do destino, Piquet pai construiu a carreira do filho passo a passo, dando-lhe carros competitivos e apoio (e que apoio!) técnico e moral, mas no momento da decisão mais delicada e a que ditaria as regras na nova vida do filho na F1, houve o erro de avaliação e tudo o que foi construído visando a categoria desmoronou como um castelo de cartas.

E desse erro, decorreram-se outros do filho que, agora em um ambiente selvagem de pressão e competitividade, não conseguiu deixar aflorar o talento que ele sempre teve -e disso não há dúvida.

Os Piquet buscaram Briatore para a salvação, mas ganharam a danação.

Piquet Jr. quer a F1, mas será que a F1 quer Piquet Jr.?

Nesse caso, você já sabe a resposta.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Todos os caminhos levam à Ferrari - Parte 2

Confirmada a ida de Alonso para a Ferrari, está na hora de colocar na mesa mais semelhanças e coincidências entre Schumacher e o espanhol. É impressionante, para não dizer assustador...

Senão, vejamos:


Schumacher inicia sua carreira em 1991, em uma equipe pequena.

Alonso inicia sua carreira em 2001, em uma equipe pequena.

Schumacher corre três temporadas com equipes pequenas e mal sucedidas e termina em quarto lugar no campeonato no seu terceiro ano.

Alonso corre três temporadas com equipes pequenas e mal sucedidas e termina em quarto lugar no campeonato no seu terceiro ano.

Em seu quarto ano como piloto de F1, Michael vence o campeonato de pilotos sob o comando de Flavio Briatore e sua equipe em um carro que venceu oito corridas no ano.

Em seu quarto ano como piloto de F1, Fernando vence o campeonato de pilotos sob o comando de Flavio Briatore e sua equipe em um carro que venceu oito corridas no ano.

Schumacher complementa seu título com outro na mesma equipe no ano seguinte e se torna o mais jovem bicampeão mundial da história da F1.

Alonso complementa seu título com outro na mesma equipe no ano seguinte e se torna o mais jovem bicampeão mundial da história da F1.

Após seu segundo título, Michael vai para uma nova e mais famosa equipe e termina em terceiro no campeonato de pilotos. O campeonato é vencido por um piloto que nunca foi campeão, Damon Hill, que passou os últimos quatro anos sendo muito bem sucedido, mas seu melhor resultado foi ficar em segundo lugar no campeonato de pilotos por duas vezes.

Após seu segundo título, Fernando vai para uma nova e mais famosa equipe e termina em terceiro no campeonato de pilotos. O campeonato é vencido por um piloto que nunca foi campeão, Kimi Raikkonen, que passou os últimos quatro anos sendo muito bem sucedido, mas seu melhor resultado foi ficar em segundo lugar no campeonato de pilotos por duas vezes.

Em sua segunda temporada consecutiva sem vencer o campeonato de pilotos, Michael se vê em controvérsias relacionadas a um acidente intencional orquestrado por sua equipe. Embora houvesse mantido todos os seus pontos e vitórias naquela temporada, sua equipe é levada a depor diante do WSMC para determinar se a desclassificação do campeonato é necessária.

Em sua segunda temporada consecutiva sem vencer o campeonato de pilotos, Fernando se vê em controvérsias relacionadas a um acidente intencional orquestrado por sua equipe. Embora houvesse mantido todos os seus pontos e vitórias naquela temporada, sua equipe é levada a depor diante do WSMC para determinar se a desclassificação do campeonato é necessária.

Schumacher fica os próximos três anos montando a equipe a seu gosto ao levar engenheiros e pessoal de sua ex-equipe, e em seu quarto ano desde que deixou a equipe de Flavio Briatore, ele vence o primeiro de cinco títulos consecutivos de pilotos com a Scuderia Ferrari.

Alonso fica os próximos três anos montando a equipe a seu gosto (Renault) ao levar engenheiros e pessoal de sua ex-equipe, e em seu quarto ano desde que foi campeão, assina com a Scuderia Ferrari...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Todos os caminhos levam à Ferrari

O sonho de 11 em cada 10 torcedores do Príncipe de Astúrias está prestes a se confirmar com o anúncio da ida de Fernando Alonso para a Ferrari em 2010.

O contrato do espanhol terá duração de cinco anos, extensíveis por mais um, o que vai render ao piloto um total aproximado de absurdos R$ 400 milhões, fora patrocínios.

As semelhanças de sua jornada na F1 com a de Michael Schumacher são interessantes.

Ambos entraram na F1 jovens -Alonso foi o terceiro piloto mais jovem a estrear na categoria, com 19 anos. Schumacher entrou com 22, porque seu empresário, Willi Weber, achava melhor que o alemão participasse de outros campeonatos profissionais antes de fazer o salto para a F1.

Briatore logo tomou conhecimento do alemão e levou-o para a Benetton no restante da temporada de 1991, quando marcou de cara quatro pontos em três corridas, um feito e tanto para a época.

Alonso já entrou na F1 gerenciado por Briatore e, depois de um período de boas performances na Sauber, Flavio quis trazê-lo para a Renault.

Na Renault-Benetton, tanto Schumacher quanto Alonso, responsáveis pelo reaparecimento do amor da Alemanha e Espanha pelo automobilismo, venceram dois campeonatos consecutivos, não sem terem problemas por nunca terem realmente o melhor carro durante todo o ano.

Schumi e Alonso: semelhanças não são coincidências

Nesse meio tempo, boatos dos dois pilotos na Ferrari já eram de praxe no paddock. Schumacher foi para a equipe vermelha e, embora tenha demorado quatro anos para vencer o campeonato, posteriormente foi o piloto mais dominante da história do automobilismo.

Já Alonso, que não chegou a ir para a Ferrari no seu período de jejum de títulos, passou um frustrante ano na McLaren e outros dois na Renault. Em 2010, segue para Maranello.

A pergunta que fica é a seguinte: será que a F1 está diante de um novo período de dominância? Será que as coincidências vão continuar?

Ano que vem, a resposta.

O certo é que pouca gente aposta em uma Ferrari fraca em 2010. A exceção de 2009 veio para delinear a regra: Ferrari competitiva, disputando vitórias e títulos.

De embalo no ensejo, responda na enquete no canto superior direito do seu monitor se você acha que 2010 será a temporada mais eletrizante desde Senna/Prost.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Renault: reinício

Bob Bell: convicção na reviravolta

Pergunta: Até que ponto você tem de ser um gerenciador de crise neste momento?

Bob Bell: Não sei. Eu penso que há tantos momentos hoje em dia em que você sente que precisa de um livro de direito em vez de um livro de engenharia quando você vai ao trabalho de manhã. É um triste reflexo da F1, mas é um fato da vida.

O chefe interino da despedaçada Renault deu uma valiosa entrevista ao site Autosport em que soltou o desabafo que você lê acima.

No F1 Around, Becken Lima exortou a equipe a se reencontrar e voltar às origens. Despir-se das mortalhas de outrora e se purificar.

Na realidade, quer a Renault F1 queira, quer não, isso já está em curso e a ironia está no fato de que o próprio motivo para isso acontecer (Flavio Briatore) é o principal propulsor dessa nova era para a escuderia francesa.

Por incrível que pareça, a sensação que fica é que a Renault precisa se livrar de Alonso para começar de novo.

É importante que a equipe tenha um piloto dominante, mas não é necessário que ele seja o espanhol. Seu ciclo se fechou e seu protetor se foi.

Infelizmente, na temporada de 2007, quando Alonso foi para a McLaren, a Renault optou por uma das duplas mais medíocres do grid, Kovalainen e Fisichella, que mal fizeram jus à equipe duas vezes campeã nos dois anos anteriores.

As perspectivas de um bom piloto, que fique longe de polêmicas, ocupar o cockpit da equipe em 2010 é boa, e ela tem que agarrar com unhas e dentes.

Bob Bell disse que não pode esperar Alonso decidir o que fazer, então seria realmente muito bom ver Robert Kubica ou mesmo Kimi Raikkonen sentando em dos carros da equipe.

Pode ser que seja tudo demagogia da escuderia, que diz que vai se manter focada e comprometida com a categoria, mas o fato é que talvez a F1 esteja testemunhando a reestruturação de uma das equipes mais vitoriosas dos últimos 20 anos.

Nunca é tarde para mudar. O motivo nº 1 para antipatizar com a Renault já deu adeus (Briatore). Agora é hora de o outro motivo também se despedir (Alonso). Que venha 2010.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Crashgate: a FIA resolve

O veredicto: Renault perdoada, Piquet Jr. e Alonso inocentados, Symonds suspenso por cinco anos e Briatore expulso da F1.

As penas para Briatore e Symonds foram distintas porque Symonds admitiu o fato e se desculpou, mas Briatore negou até o fim.

Nelson Piquet Sr. disse que ficou sem falar com seu filho por dois meses após ficar sabendo da patacoada, pouco depois do GP de Cingapura.

Nelsão disse ter ficado decepcionado e, nesse meio tempo, procurou Charlie Whiting, chefe dos comissários da FIA, que disse nada poder fazer sem a palavra do Piquet filho.

Continua sem resposta a razão de Piquet Jr. ter demorado tanto para colocar a boca no trombone e delatar o velho Briatore.

Mas a sensação que fica agora é que Nelson Piquet Sr. ficou de fato triste e com raiva ao saber da situação em que seu filho se encontrava.

Continua muito difícil, por caráter mais azedo que Nelsão tenha, acreditar que o tricampeão pudesse coadunar com uma coisa tão feia para a F1.

Mas o que aparenta também é que, já que a coisa já havia sido feita, Nelsinho e Nelsão resolveram jogar pesado, se uniram e tiveram como objetivo derrubar Briatore.

Não foi nada mais do que um pai realmente protegendo um filho depois de uma coisa mal feita. Quantos pais não fazem isso, mesmo sem razão?

E para quem acha que eles puxaram o tapete esquecendo que estavam em cima, não se iluda. Eles sabiam que os resultados seriam desastrosos para eles mesmos.

Mas sabiam também que não havia escolha. Optaram por não ficarem calados, pois no fim das contas, 2010 seria um ano provavelmente difícil de voltar à F1 para Nelsinho.

O fato é que, principalmente depois do comunicado de Nelsinho, as chances do jovem piloto na F1 minguaram a quase zero.

É um triste fim para a carreira antes promissora de um menino que teve muito apoio, mas teve que ralar muito para chegar onde chegou.

Reiterando, não há santos na F1. Nada foi feito pelo bem apenas e tão somente do esporte. Os interesses são fortes.

Mas o Splash-and-go acredita firmemente no que publicou neste post, independentemente de qualquer coisa que tenha ocorrido depois.

Só se espera agora que domingo que vem Alonso não largue de tanque vazio na 15ª posição e Grosjean bata milagrosamente na 14ª volta para a saída do safety car...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Piquet Jr.: a única opção

O Splash-and-go quer fugir do assunto, mas o assunto não foge dele. O caso Renault está envolto em nuvens e só se saberá do arranjo feito entre a montadora e a FIA na segunda-feira.

Entretanto, é necessário que este blog deixe registrada sua opinião sobre o assunto, mesmo que ele esteja mais do que saturado e tudo seja especulação.

O sentimento deste escriba é que Piquet Jr. não tinha escolha. Por uma série de fatores, Nelsinho foi induzido a fazer algo que, acredite, leitor, ele com certeza não queria e nunca quis.

Senão, vejamos suas opções:

1 - Denunciar Briatore e Symonds tão logo a proposta foi feita antes de a corrida acontecer

Caso Nelsinho tivesse feito isso, como ele provaria sua acusação? É claro que ele não gravou a conversa, e nem tinha necessidade disso, pois provavelmente não sabia do que ia ocorrer no briefing.

Além disso, sem telemetria para mostrar suas ações, sem estratégias malucas (Alonso com certeza voltaria à estratégia comum de largar com combustível até o capacete), ele mostraria o que?

Se Piquet Jr. desse com a língua nos dentes, seria considerado louco, conspirador, mentiroso e apenas um moleque mimado filho de um tricampeão tentando se fazer notar.

Seria demitido, se não na mesma hora, com certeza antes da corrida seguinte. Briatore e Symonds sairiam como vítimas e Nelsinho Piquet encerraria sua carreira na F1 de forma ridícula, sem nenhum crédito e com resultados pífios.

2 - Desobedecer à ordem da batida e correr a corrida normalmente

Neste cenário, Nelsinho provavelmente terminaria a temporada, mas não seria mantido na equipe por “deslealdade”. Briatore simplesmente não renovaria seu contrato e o piloto, que teve um ano produtivo nos pontos para um rookie (19), mas medíocre em relação a Alonso, se veria fora da F1 sem equipe.

Todos sabem o que ocorreu em 2009 e o quão estável foi a transição do ano, com apenas Buemi entrando na F1 na Toro Rosso e David Coulthard saindo da Red Bull. Vagas zero e, portanto, Nelsinho fora.

3 - Obedecer e bater para a vitória de Alonso

Foi o que ocorreu, mas essa opção permitiria com que Piquet Jr. tivesse uma moeda de troca. Ele sabia que, caso batesse, teria um indício técnico na telemetria, além de sua palavra que, sozinha, embora desencadeie uma investigação, não gera provas.

Nessa opção, Nelsinho sabia que poderia negociar sua permanência na categoria, pois fez o que a equipe (Briatore, Symonds) quis, foi leal e ainda teria uma grande arma contra possíveis traições.

O que se conclui com isso?

Os Piquet: segredos em família

Primeiro que a F1 não é feita de santos e anjos. O papel de Nelsão nessa história ainda está muito mal explicado e é muito provável que ele possa ter manipulado a situação de forma a ganhar muitas coisas. Difícil achar que o tricampeão ia ficar quieto nessa.

Segundo que Nelsinho não tinha opção mesmo. Era isso ou isso para se manter lá. Lembrando sempre que Briatore era seu manager, e isso significa que Piquet Jr. confiava nele. Mas talvez Piquet Sr. Já não confiasse tanto...

Por fim, a batalha de gigantes entre Briatore e Piquet tem um grande vencedor –Max Mosley. A F1 nunca será livre de escândalos, e nada melhor para Mosley do que sair por cima da presidência da FIA, derrubando, na sequência, a Honda, a BMW, Ron Dennis, Flavio Briatore e, por pouco, a Renault.

Está claro que vemos apenas a ponta do iceberg, e vai ficar nisso mesmo, mas a sensação de que o poder dos Piquet aumentou muito em detrimento de sua imagem pública junto à FIA é latente.

Briatore e Symonds, mais Briatore, estão liquidados da F1 e não voltarão aos paddocks.

Piquet Jr. vai ter muito trabalho nos próximos meses se quiser voltar à F1. Deve ser por isso que seu perfil no Twitter anda tão abandonado.

Existe a chance de ele voltar sim, mas a essa altura do campeonato, talvez Nelsão nem esteja mais pensando nisso. Ele fez o que tinha que fazer e, com isso, deve ter aberto inúmeras outras portas comerciais e esportivas para o sobrenome de sua família e suas empresas.

Está se vendo a versão Monopoly da F1 bem diante dos olhos e de inocente esse jogo não tem nada.

sábado, 5 de setembro de 2009

Caption this!

O que Briatore teria dito a Nelsinho para causar o acidente e a entrada do safety-car em Cingapura-08?

Briatore: Nelson, não sei como lhe dizer isso, mas... eu... eu sou seu PAI!

Piquet Jr. (gritando): O que?!?!

(som de cantada de pneu e de pancada no muro)

Briatore: Rá! Pegadinha do Mallandro!!! O chato do seu pai está aqui. Você acha mesmo que eu ia fazer algo tão mal feito?

Piquet Jr.: (...)

Briatore: Alonso é o filho que eu sempre quis ter. Esse brilha muito! Alonso, câmbio! P1, câmbio!

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Renault: diplomacia ou cinismo?

Algo curioso chamou a atenção no divórcio entre Piquet Jr. e Renault. Lembra um pouco o que houve na época da separação entre Barrichello e a Ferrari.

A guerra de palavras por meio da imprensa entre Piquet e Briatore foi intensa, verborrágica e cínica.

Por mais que seja interessante ver um piloto dizendo o que pensa, ou um dirigente, é difícil ver de fato o que Piquezinho ganhou com o que falou.

Ainda que o piloto seja filho de um tricampeão pra lá de influente, é Briatore quem comanda uma das mais bem sucedidas equipes da moderna F1 há 20 anos.

Além disso, levou Michael Schumacher aos seus dois primeiros títulos e, como se não bastasse, Fernando Alonso ao seu também debutante bicampeonato.

Argumente-se o contrário, mas Alonso e Schumacher são os dois melhores pilotos dos mesmos últimos 20 anos na categoria.

Dito isso, com a confirmação de Romain Grosjean no lugar de Nelsinho, a Renault soltou um comunicado curto e conciso sobre a transição.

Muito diferente da longa carta aberta que Piquet publicou em seu site oficial, justificando, lamuriando e atacando sua ex-equipe.

O comunicado da Renault (leia na íntegra aqui) diz exatamente o seguinte:

A equipe ING Renault F1 anunciou hoje que Nelson Piquet foi liberado de suas obrigações para com a equipe com efeito imediato. A saída de Nelson segue um acordo mútuo sobre o fato de este curso de ação estar nos melhores interesses de ambas as partes.

E mais:

Estamos felizes de dar a Romain a chance de começar a correr com a equipe. Ele é um jovem talento de destaque e esperamos que ele mostre suas habilidades na direção ao lado de Fernando enquanto tomamos uma postura mais agressiva para a segunda metade da temporada. Também gostaríamos de agradecer a Nelson por sua contribuição durante o tempo em que esteve conosco e desejamos a ele tudo de melhor no futuro.

Ponto final.

Duas frases.


Nenhuma palavra de agressão, de remorso, nenhuma palavra negativa.

Pode-se dizer que a assessoria de imprensa da equipe trabalhou bem? Sim.


Mas o fato é que, no âmbito geral, ficou muito feio para Nelsinho Piquet ter chorado tanto após sua saída.

O melhor que tinha a fazer era ficar calado e manter o pé no chão (ou afundá-lo no acelerador, como queira).

As chances de a Renault se dar bem na F1 são inversamente proporcionais às chances de a eventual equipe de Nelson Piquet Sr. se dar mal com seu filho no cockpit.


Nelson Piquet, o tricampeão, tanto criticou Rubens Barrichello por ser lento e falastrão, mas perdeu a oportunidade de fazer com que seu filho fosse o oposto.

Até agora, Nelsinho Piquet foi apenas isso: lento e falastrão.

É justamente nessa hora que Felipe Massa, rápido, carismático e calado, faz mais falta.

Cínica ou diplomata, a Renault lidou muito bem com a situação entre Briatore e Piquet Jr. No fim das contas, quem tinha que mostrar serviço de fato era Piquet, e não o polêmico italiano.

E nisso, a roda da história da F1 gira, não sem antes esmagar alguns ossos.