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segunda-feira, 19 de abril de 2010

GP da China: o que há com Felipe Massa?

Antes de mais nada, é bom deixar claro... Pode ser que não haja NADA com Felipe Massa. O que pode estar havendo é simplesmente a constatação de que Fernando Alonso é um piloto excepecional, muito melhor do que Kimi Raikkonen jamais conseguiria ser.

O carro da Ferrari este ano está meio passo atrás das Red Bull e das McLaren, mas esse meio passo é reversível e a equipe rossa deve vir com tudo no GP da Espanha em Barcelona, daqui a três semanas.

De todo modo, conhecendo Felipe Massa, é mais prudente acreditar que existe algo mais do que simplesmente a diferença de talento entre o brasileiro e o espanhol. Da primeira perna asiática do campeonato, chega-se às seguintes conclusões:
  • Massa está tendo dificuldades tremendas de adaptação ao carro, embora não seja possível dizer a razão;
  • Alonso é simplesmente impecável na adaptação. A exemplo de Jenson Button, Fernando chegou e se aclimatou rapidamente à Ferrari. Parece não ter deixado o mito Ferrari subjugar a equipe Ferrari 2010, que é uma equipe normal, que comete erros e ainda lambe as feridas dos dois últimos campeonatos;
  • a Ferrari sofre sérios problemas com seus motores;
  • a chuva definitivamente não ajuda Felipe Massa;
  • Alonso tem se mostrado, para espanto de alguns, mais rápido na classificação;
  • Alonso cansou de bancar o bonzinho;
  • Massa percebeu, mas não deixa transparecer fora da pista o que sofre dentro dela.
Não há dúvida de que Felipe Massa não sofre nenhuma sequela de seu acidente pavoroso em 2009, mas ao mesmo tempo, parece não conseguir colocar em prática a agressividade pela qual ficou conhecido na Sauber.

Felipe ficou várias voltas preso atrás de Rubens Barrichello e Michael Schumacher com carros muito mais lentos, enquanto Alonso passou facilmente pilotos como Adrian Sutil, que aliás, fez uma tremenda corrida.

Alonso: tolerância zero

Além disso, o incidente na entrada do pit mostrou que Alonso não estava mais afim de ficar preso atrás de um Massa muito mais lento como havia ficado na Austrália e na Malásia. Acabou a paciência!


Com a ultrapassagem, Massa perdeu pelo menos duas posições na pista e Alonso ganhou uma boa vantagem. É a diferença entre um pódio e um décimo lugar representada em uma certeira, embora polêmica, manobra. A decisão de um campeão.

Uma coisa é certa. É por causa das loucas corridas molhadas desta fase europeia que Alonso não está solidamente liderando ou ao menos numa confortável segunda posição no campeonato, e isso não é nada bom para Felipe Massa.

Ainda assim, o asturiano fez o que pode para se recuperar da quebra do seu carro na Malásia e da queimada de largada na China. Já Felipe Massa parecia liderar a tabela mais por circunstância do que por mérito, algo que, aliás, ele sabia bem.

Diante da relação de forças que existe na F1 2010, o sexto lugar ocupado por Felipe Massa hoje é mais representativo do que o brasileiro realmente fez até agora. No apanhado das corridas, não era justo que ele estivesse à frente de Button, Hamilton e Alonso.

São quatro corridas, quatro etapas e 100 pontos distribuídos. Continua cedo para afirmar verdades, mas até quando será cedo? Em algum momento o que era cedo passa a ser tarde demais, e nessa hora, quem não tiver feito o máximo com o que tinha em mãos vai ficar na saudade.

sábado, 17 de abril de 2010

Classificação GP da China: status quo

Vettel mostra o nº 1, mas deveria mostrar o nº quatro...

Segundo o Wikipedia, "Statu quo (da expressão in statu quo res erant ante bellum) é uma expressão latina que designa o estado atual das coisas, seja em que momento for. Na generalidade das vezes em que é utilizada, a expressão aparece como 'manter o statu quo', 'defender o statu quo' ou, ao contrário, 'mudar o statu quo'.

O estado atual das coisas na F1 não mudaria de uma prova para outra antes da temporada europeia. Assim como ocorreu com a Brawn GP ano passado, a Red Bull dominou até com certa facilidade a primeira fase do campeonato de 2010.

Não houve um elemento-chave que pudesse causar uma mudança do status quo. O duto aerodinâmico da McLaren foi novidade no Bahrein, mas na quarta corrida já cheira a coisa velha, com naftalina e tudo.

Acontece que a mídia deu muita atenção ao F-duct, o que acabou desviando o olhar de todos a Lewis Hamilton. E o que houve nos treinos do GP da China? O campeão de 2008, além de perder a pole, ainda larga atrás do campeão de 2009, o sempre discreto e ultra-eficiente Jenson Button.

Como dito no post abaixo sobre o que esperar para o GP da China, o carro a ser batido era a Red Bull. E a equipe não contradisse essa afirmação, pois, embora discreta nos treinos livres, no Q1 e no Q2, quando chegou a hora, enterraram as chances de Ferrari, McLaren e Mercedes.

E este jornalista mantém sua posição. Se a "Luscious Liz" não estiver de TPM, Vettel dispara para sua segunda vitória consecutiva, que deveria ser, sempre é bom lembrar, o QUARTO triunfo do alemãozinho, não fossem os caprichos de uma senhorita danada de temperamental.

Coisas da F1...

terça-feira, 13 de abril de 2010

GP da China: o que esperar para o fim-de-semana

Setenta e cinco. Seria esse o número de pontos que Sebastian Vettel teria amealhado caso seu RB6 não o tivesse deixado na mão nas duas primeiras corridas do ano. Ainda assim, o alemão ocupa a terceira colocação no campeonato com o mesmo número de pontos que Fernando Alonso.

Caso as outras três grandes do G4 não reajam, a cena acima, no GP da China em 2009, corre o risco de ficar perigosamente comum em 2010

Em 2009, a Red Bull conseguiu sua primeira dobradinha justamente na China, debaixo de muita chuva. Vettel, que havia vencido pela primeira vez com a Toro Rosso em uma encharcada corrida em Monza em 2008 deu o mesmo show de pilotagem e consistência sem um único erro sequer.


Este ano, a prova de Xangai é a quarta corrida da temporada. De novo, a Red Bull conseguiu sua primeira dobradinha na terceira corrida e agora segue em direção a uma prova que dominou de ponta a ponta ano passado. Ou seja, dobradinha à vista de novo, caso não chova loucamente como na Malásia, principalmente na classificação.

Na volta à Europa, as equipes vão trazer fortes pacotes aerodinâmicos, mas mesmo que isso ocorra, dessa vez não existe uma Brawn GP com um forte subterfúgio como o difusor duplo para ganhar a distância necessária da equipe energética.

Quem dá as cartas é a Red Bull e ela que determinou o benchmark deste ano desde a primeira corrida no Bahrein. A dominância da equipe de Adrian Newey não se deve a um ponto específico, mas a um conjunto de elementos fundamentalmente corretos e eficientes que dão à Red Bull uma vantagem muito mais consistente e palpável do que a da Brawn ano passado.

Além disso, há no volante Sebastian Vettel, um piloto que cada vez mais se assemelha a Schumacher no que diz respeito a passar por cima dos adversários sem dar chance a ninguém.

Se Ferrari e McLaren não reagirem, corremos o risco de não mais ver Vettel na nossa TV, não porque ele vai abandonar ou não fazer show, mas sim porque ele vai estar lá na frente, apenas administrando a monstruosa vantagem que tem como piloto e também de seu carro.

Na China, a Red Bull vai continuar fazendo uso de suas longas asas.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

GP da China: ascensão e queda de Felipe Massa

Diz o ditado que a história que conhecemos não é cem por cento fiel à realidade porque quem a conta são sempre os vencedores dos grandes conflitos humanos. Pois bem, é válido podermos contar a história dos perdedores, sejam eles os de sempre, sejam eles os gigantes, como Felipe Massa.

O GP da China de Fórmula 1, terceira etapa da temporada 2009, ia ter início para o vice-campeão de 2008 com vários pontos contra. Senão, vejamos:
  1. não usaria o Kers;
  2. largaria atrás de seu companheiro de equipe;
  3. largaria na 13ª posição;
  4. largaria sob chuva cerrada, algo temerário pelo histórico do piloto;
  5. largaria com nenhum ponto na tabela;
  6. largaria com a pressão de, além de pontuar para si, pontuar para a Ferrari.
Estes pontos listados acima são apenas os mais óbvios. Isso sem contar o rebuliço causado pela troca de figuras importantes no staff da equipe e de péssimas atuações nas duas primeiras provas, o que causava ainda mais expectativas sobre performance do piloto. A pressão vermelha da Ferrari deve ser, sem dúvida, uma engolidora de vários incautos pilotos que já passaram por lá. Ivan Capelli, um promissor piloto à sua época, foi um deles, para ficar em exemplos mais conhecidos.

Enfim, a análise da corrida de Felipe Massa demonstra que, se a Ferrari acabou deixando o brasileiro na mão com o equipamento, dessa vez sua estratégia tinha tudo para dar certo, como estava dando até o momento de seu abandono, na 21ª volta. Mas Felipe Massa tem pelo menos 70% da responsabilidade sobre a jogada da Scuderia italiana.

Massa iniciou o GP da China mais pesado que todos à sua frente, com exceção de Heikki Kovalainen, que largou em 12º e pesou exatos sete quilos a mais que o carro nº 3 da Ferrari. Com 690 quilos, a Ferrari esperava fazer sua primeira e única parada após a 30ª volta. Nesse meio tempo, ficaria a cargo do piloto ganhar o máximo de posições possível e tirar proveito de sua estratégia. É claro que ninguém contava com a chuva, mas a Ferrari conseguiu pensar rápido e aproveitar as oito voltas com o Safety Car na pista e economizar o carro para o resto da corrida.

O brasileiro tratou de pisar fundo no acelerador do seu F60 e passou, logo na 9ª volta, Kovalainen. Massa se aproveitou também erros de outros pilotos, como Nick Heidfeld, que escapou na volta 10, para ir escalando as posições. Na volta 12, Buemi e Massa passaram Raikkonen e logo na 14ª volta aproveitaram o momento lento da Toyota de Trulli e passaram o italiano. Neste momento, Massa era o 6º colocado.

Nas voltas 14 e 15, Vettel e Webber fizeram seu primeiro pit-stop. Massa estava a 28 segundos do alemão, tempo suficiente para que ele voltasse à frente do brasileiro. Webber no entanto acabou saindo dos boxes atrás de Massa, que ganhou mais uma posição.

Na volta 19, foi a vez da Toro Rosso de Buemi ir para os boxes, e Massa ganhou mais uma posição. Por fim, Button e Barrichello também pararam na volta 19. O inglês voltou na frente, mas Barrichello ficou atrás e Massa se viu numa surpreendente terceira colocação com mais pelo menos 10 voltas de combustível no tanque.

A escalada de Massa pode ser vista na tabela a seguir, onde o número do carro do piloto foi grifado de vermelho:

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A média dos tempos de volta de Vettel, Button, Barrichello, Raikkonen e Massa diz muito sobre o ritmo de prova do brasileiro:


Já descontados os pit-stops dos pilotos nos tempos médios acima, o ritmo de Massa estava apenas um segundo mais lento que o líder Vettel, embora três segundos mais lento que Button e dois mais lento que Barrichello. Isso significa que, após o pit-stop das duas Brawn, Massa estaria numa posição confortável para brigar pelo menos com Barrichello por posições, pois ambos teriam de fazer apenas mais um pit-stop para completarem a corrida. O brasileiro conseguiu inclusive fazer a melhor volta entre os cinco pilotos no 16º giro, conforme tabela abaixo:

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Na tabela acima é possível ver também onde exatamente Rubens Barrichello perdeu a posição para Jenson Button. A TV não mostrou, mas a volta 11 de Rubinho foi sete segundos mais lenta do que a de Button, o que com certeza explica a perda de posição do brasileiro e, consequentemente, a perda da chance de lutar pelo pódio e de chegar à frente do companheiro pela primeira vez em 2009.

Quanto à Massa, dava tudo certo para ele até a pane elétrica de seu carro, que o obrigou a jogar fora mais uma oportunidade de, quem sabe, finalmente iniciar o campeonato. As duas provas em que não pontuou ano passado já viraram boas recordações diante do novo cenário que se desenhou este ano na Fórmula 1. Resta o consolo de saber que o brasileiro tem superado Raikkonen na pista, ainda que as classificações não tenham contado essa mesma história.

Espera-se que a Ferrari use todos os dados e conhecimentos adquiridos nos testes de inverno no Bahrein para poder pontuar pela primeira vez este ano. Felipe Massa venceu lá nas duas últimas temporadas. Há quem diga que apostar em sua vitória este ano é uma estupidez, mas o fato é que o combo Ferrari x Massa deve ser mais competitivo por lá.

A ver.