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segunda-feira, 28 de junho de 2010

GP da Europa: bem-vindo de volta, (velho) Webber

Impressionante. Essa é a palavra que define o episódio de ontem envolvendo Mark Webber. E não, não é porque ele saiu voando como bem demonstra o print-screen acima.

O velho Mark voltou à carga ontem demonstrando ipsis litteris todas as falhas que fazem de Webber um piloto mediano: afobado, cabeça quente e desastrado.

Há um mês o Splash-and-go publicou uma pensata sobre as engrenagens que movem o australiano. Disse o profético texto logo após as acachapantes vitórias de Barcelona e Mônaco: "(...) Webber não demonstrou que consegue manter seu nível de excelência do meio do pilotão para trás. Tudo vai depender então de quantas vezes a RBR e Adrian Newey vão conseguir colocá-lo na primeira fila".

Pois bem, desta feita não foi a má performance na classificação que tirou de Webber o juízo, mas sim uma largada tão ruim que foi digna das bobagens que Rubens Barrichello já tornou rotina em seus dias de prova.

Em algumas curvas, o piloto da Red Bull já estava em um péssimo nono lugar e, na ânsia de recuperar posições, calculou mal, muito mal, a ultrapassagem sobre Heikki Kovalainen.

Para fins de registro, Kovalainen pode e deve defender sua posição. Foi ridículo ver, na transmissão global, narrador e comentaristas criticando Kova por não ter aberto espaço para Webber, sendo que em Mônaco di Grassi fez o mesmo com Alonso e os mesmos narrador e comentaristas bateram palmas. Dois pesos, duas medidas.

Mas voltando ao assunto principal, é por essas e outras que Webber não se estabalece como uma unanimidade. Basta compará-lo a Jenson Button. O britânico vem fazendo um campeonato irretocável, sempre capitalizando sobre suas posições de largada não tão boas.

Consistência: diferentemente de Webber, quantas vezes
você já viu Button fazendo bobagens em uma corrida?


Button vem dado uma aula de consistência este ano e Hamilton uma aula de pilotagem. Não é à toa que a dupla da McLaren lidera o campeonato e ainda mantém sua equipe já a distantes 30 pontos da Red Bull. Consistência é a chave em 2010.


Não se engane. Mark Webber é consistente, mas nos maus resultados. O que quebrou sua consistência foram as duas vitórias seguidas que deram uma falsa impressão de dominância absoluta. Até agora, fora Alonso, os pilotos da McLaren e da Red Bull venceram duas provas cada um.

Mas a McLaren parece estar com o jogo ideal nas mãos. Principalmente quando Webber e Vettel fazem tanta lambança de uma só vez.

Realmente incrível...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Vídeo da semana

O GP da Europa está sendo em Valência, mas em 2007 foi em Nurburgring, na Alemanha.

Sem dúvida, uma das largadas mais confusas e divertidas da história da F1. Comparável a Spa-1997, mas, na opinião deste blog, o GP da Europa de 2007 foi melhor.

Se não pela largada, pelo histórico arranca-rabo entre Alonso e Massa no final.

Antológico!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

GP da Europa: Barrichello à la Schumacher

A maior crítica em relação à F1 moderna advém da falta de ultrapassagens na pista, sendo elas o que, segundo uma vertente de admiradores do esporte a motor, define o automobilismo.

De fato, visualmente as ultrapassagens são algo sensacional de se ver e de se sentir. Mas num esporte em que as margens são cada vez mais ínfimas, é válido analisar, interpretar e admirar os detalhes que os olhos não podem ver.

No domingo, o Grande Prêmio da Europa de F1, abrigado pela nova pista de Valência, na Espanha, assistiu a uma das performances mais cerebrais e precisas que um piloto deu nos últimos 10 anos.

Rubens Barrichello foi muito além da costumeira performance precisa de seu companheiro Jenson Button, que lhe rendeu valiosas vitórias e pontos na primeira metade do campeonato.

O piloto brasileiro foi de uma regularidade assustadora, quase irreal para os seus próprios padrões, tantas vezes responsáveis por suas derrotas dentro da pista.

Não, o pit-stop errado da McLaren não rendeu a vitória a Rubens, como ocorreu com Kovalainen na Hungria em 2008, quando Massa abandonou. Heikki jamais venceria aquela corrida se a Ferrari apenas errasse o pit-stop de Massa.

Já Rubens estava lá na hora e lugar certos. Schumacher deve ter ficado orgulhoso de seu ex-companheiro, atual desafeto. O grande campeão que se preze não é só soberano, absoluto, dentro da pista. Ele também é oportunista.

A corrida de Valência em tudo lembrou a Ferrari dominante da primeira metade da década. A diferença é que o carro era branco e o piloto era Barrichello, e não Schumi.

A precisão foi tamanha que Barrichello, antes de seu primeiro pit-stop, melhorou seu tempo consistentemente a partir da terceira volta da prova, mesmo atrás da McLaren de Kova.

Na tabela abaixo, estão marcadas em quadros as voltas em que Barrichello girou no mesmo décimo de segundo consecutivamente ou muito próximo disso.

Também estão marcados as sequencias de tempos em que ele constantemente melhorou suas voltas (praticamente a corrida toda).

Após a primeira parada, a história se repetiu e Rubens só girou mais lento no momento em que pegou o primeiro retardatário, precisamente Luca Badoer, na volta 35.

Mesmo assim, como um relógio, o brasileiro na volta seguinte já virou um décimo mais rápido que na volta anterior ao seu encontro com o ferrarista.

E continuou melhorando seu tempo, quando seu engenheiro, Jock Clear, gritou no rádio: "That's it Rubens! Hamilton is in! Give me five qualifying laps! FIVE QUALIFYING LAPS!!!". E assim Rubens fez, marcando inclusive sua melhor volta na corrida e a melhor da prova àquela altura.

No total, o brasileiro tirou quase 10 segundos de Hamilton, contanto o erro de pit-stop do inglês e o excelente trabalho da equipe Brawn GP nos boxes.

É por isso que muitos defendem a hipótese de que Barrichello voltaria à frente de Hamilton de qualquer jeito, principalmente se tivesse ficado mais uma ou duas voltas na pista, como deveria ter ocorrido.

Os 10 segundos que Barrichello tirou de Lewis eram mais do que suficientes pra compensar o erro do pit-stop da McLaren (total de 5,5 segundos de perda) e a diferença de ambos antes da parada do atual campeão (3,6 segundos).

Para provar de uma vez por todas que seu carro estava irretocável, Barrichello correu um terceiro stint rigorosamente preciso como os dois primeiros melhorando seu tempo a cada volta, mas já mantendo uma velocidade de cruzeiro.

Hamilton acabou marcando sua melhor volta da corrida no último giro, mas a vitória não mais escaparia das mãos de Rubens Barrichello, merecidamente.

Pode-se dizer que os grandes campeões fazem o que Rubens fez com a diferença de tornarem isso um hábito corrida a corrida, mas é fato que a maioria dos pilotos jamais conseguiu manter um ritmo alucinante como esse durante uma corrida inteira no decorrer de suas carreiras. Poucos fazem isso com tanta autoridade quanto Rubens fez em Valência.

É difícil dizer que ele pode repetir a dose.
É difícil dizer se poderá realmente fazer frente a Button no fim do campeonato.

Mas essa vitória, além de todas as efemérides relacionadas, demonstra que, aos 37 anos, não é qualquer piloto que encontra força e concentração o suficiente, principalmente em uma situação adversa, para entregar uma performance arrebatadora como essa.


Não houve ultrapassagens, não houve brigas na pista, não houve manobras ousadas, mas reste-se registrada neste blog a corrida mais perfeita já feita por Rubens Gonçalves Barrichello.

Apenas quem olha além da pista vai poder apreciar tal feito e sabemos que poucos estão interessados em fazê-lo, mas a F1 moderna é feita disso e é isso que deve ser destacado e imortalizado.

Parabéns Rubens.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Vídeo da semana

Hoje o blog relembra uma das belas disputas da temporada de 2007, aquela em que Alonso e Hamilton dividiram a garagem da McLaren, mas acabaram jogando o título no colo de Kimi Raikkonen. O GP da Europa daquela temporada foi disputado em Nurburgring, na Alemanha. A corrida foi muito movimentada, com chuva intermitente e muitas trocas de posições.

Como toda corrida molhada, há sempre um azarão em uma boa posição devido às circunstâncias e o da vez foi o novato alemão Markus Winkelhock e sua Spyker (na foto ao lado, à frente de Massa e Alonso), que liderou em casa com 33 segundos de vantagem para o segundo colocado.

Entretanto, nas voltas finais, a disputa ficou entre Felipe Massa e Fernando Alonso. Com um show de pilotagem, Massa segurava a posição e Alonso atacava. Ambos estavam com pneus diferentes e o circuito apresentava muitas condições de pista, com seco total até molhado extremo, o que deixou tudo mais divertido.



No fim, na ida para o pódio, ambos os pilotos protagonizaram uma cena tensa, mas curiosa, advinda da acirrada disputa entre os dois na pista. Confira no vídeo abaixo.