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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Robert Kubica: três considerações
Praticamente uma semana depois do acidente do polonês mais rápido da Europa, as discussões se desdobraram em vários outros subassuntos relacionados direta ou indiretamente à Kubica, à F1 e ao rally em geral.
O Splash-and-go faz agora breves comentários sobre três desses assuntos. Você, leitor, também pode contribuir na seção de comentários.
1 - Sobre pilotos de F1 se aventurarem em atividades de alto risco
Pilotos gostam de velocidade. E dentro de qualquer atividade que se relacione à velocidade, existe o risco advindo da possibilidade de falha humana ou falha mecânica (intra ou extra carro) que pode causar sérias consquencias, dentre elas a morte.
Pilotos que praticam esportes perigosos fora daquele que o tornou famoso estão praticando um tipo de auto-indulgência que vai muito além do que o ser humano comum pode compreender. Todas as pessoas têm lá seus momentos de auto-indulgência, mas essas atividades podem ser premiadas com a morte no caso de certos indivíduos.
Dentro dessa realidade, causa espanto a velocidade com que certos fãs correram para crucificar Kubica por seu acidente. Eles esquecem que Kubica é, antes de mais nada, uma pessoa normal como qualquer outra. Mas essa semelhança vai só até um determinado ponto.
Kubica é um dos raros afortunados nessa Terra dos homens que conseguiu ser pleno em uma atividade. Mas não só isso. Ele é pleno e tem a benção de poder praticá-la todos os dias de sua vida, coisa que muitos dos reles mortais jamais se darão o prazer de fazer.
As pessoas veem em Kubica um exemplo, um modelo, e pensar na vida mundana de ir ao trabalho e voltar para casa sem ver o astro correr no domingo é impensável para muitos. Mas Kubica não está nem aí para isso. Ele vive a vida dele e é isso que importa. Quem quiser se identificar, que se identifique. Se não, que vá plantar batatas na Cracóvia.
É por isso que Kubica deveria ser admirado incondicionalmente pelo que fez e faz. Porque ele é autêntico e não segue regras predeterminadas e nem fica se martirizando por estar na posição que está. Ele usa dessa condição de astro para ser feliz fazendo o que gosta. Se alguém não consegue entender isso, é porque está longe de saborear o que de bom a vida pode oferecer.
Se esse for o seu caso, corra para o psicólogo, faça alguns meses de análise e comece a se ocupar do que importa para você e sua felicidade, e não se preocupe com a felicidade e os infortúnios dos outros. Inspire-se e viva.
2 - Sobre a (falta de) segurança no rally
Francamente, discutir segurança no rally não é igual discutir segurança na F1. F1 é praticamente um balão de ensaio. A categoria esportiva mais cara do planeta tem um investimento em segurança diretamente proporcional a esse poderio financeiro. Se ainda é falha ou não, isso não importa. A segurança aumenta todo dia a olhos vistos.
Tudo é controlado na F1. Os novos autódromos são desenhados milimetricamente para que o piloto tenha o maior número de elementos possível que o separe da parede mais próxima.
Lembra do Tilke? Pois é, seus autódromos são chatos? Provavelmente são, mas também são os mais seguros do calendário. Não é à toa que grandes pistas já sumiram da temporada (Ímola lembra alguma coisa?) e outras tendem a sumir se não se adaptarem.
São áreas de escape, chicanes, brita, areia, asfalto mais aderente, zebras menos altas, muros reforçados e protegidos com pneus e mais pneus... a lista é infinita, para não falar dos itens dentro do cockpit.
O rally, embora forte no mundo da velocidae, está longe de ter a mesma preocupação, porque tem bem menos espectadores e, por conseguinte, menos dinheiro. Mas não é só isso.
As pistas são em locais irregulares, uma nunca é igual a outra e muitas vezes os pilotos mal sabem onde e como será a próxima etapa. Eles confiam cegamente em seu escudeiro, o copiloto.
Basta assistir ao vídeo abaixo de Kubica no 34° Rally 1000 Miglia... é possível controlar algum dos elementos fora do carro?
Não.
E mesmo que o guard-rail que empalou seu carro tivesse sido mal instalado, isso não depõe em nada contra a organização de um rally, qualquer que seja. É o chamado freak accident, quando todas as improbabilidades se unem por uma fração de segundo e algo catastrófico acontece. É só estudar a morte de Senna para concluir isso...
Resumo da ópera? A segurança no rally não tem nada a ver com o acidente de Kubica. Muitos vão bater nessa tecla a partir de agora e certamente a segurança na categoria VAI aumentar, mas não vai impedir que acidentes como esse se repitam a cada vez que os planetas do Sistema Solar se alinharem de um determinado jeito em uma determinada hora...
3 - Sobre a substituição de Kubica
Já foi falado neste blog mais de uma vez (aqui e aqui) sobre a maldição que recai sobre o primeiro-sobrinho, Bruno Senna Lalli. Ora, o blog Bandeira Verde postou um brilhante retrospecto da carreira do rapaz que ajuda a ter uma visão mais realista sobre quem é o piloto profissional Bruno Senna... porque da celebridade global, todo mundo já cansou.
Tudo indica que os testes darão a vaga a Nick Heidfeld, um morto-vivo, mais morto do que vivo, que continua rondando o paddock sempre em busca de uma chance... E não é como se o Splash-and-go não gostasse do alemão barbudo...
Pelo contrário, é um excelente piloto e, do ponto de vista do pragmatismo, merece a vaga de fato e de direito. Afinal, bateu Kubica por dois anos em três dos que foram companheiros, e isso não é pouca coisa.
Mas nada tira a sensação de que Bruno não foi talhado para a F1. Se não pelo talento (ou falta dele), por uma maldição... É a segunda vez que Senna tem a chance de entrar na F1 chutando a porta... e pela segunda vez ele deve perder a parada para um velho aposentado.
Primeiro em 2008 na Honda, que acabou sendo comprada por Ross Brawn que recrutou Rubens Barrichello, mesmo elogiando Senna. Agora com a Renault, que vai de novo chutar seu traseiro com vistas a um piloto experiente e rodado...
Os anos longe do automobilismo estão custando muito caro a Bruno, porque caso tivesse seguido a carreira normalmente, teria muito provavelmente chegado na F1 mais cedo e, por agora, teria aí pelo menos três anos de experiência em equipes menores e seria uma opção mais séria para Eric Boullier e a cúpula da equipe...
Mas não foi isso que aconteceu e, a não ser que Bruno encarne seu tio nesse fim de semana em Jerez de la Frontera, provavelmente é a última vez que ele terá uma chance real de pilotar um carro competitivo na F1. E o Brasil mais uma vez estará torcendo por Felipe Massa e... Rubens Barrichello.
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Os ameaçados
Nosso quase-campeão Felipe Massa está definitivamente na posição mais difícil do grid, não só dentro como fora da pista. O brasileiro ocupa hoje o assento mais cobiçado de todo o mundo do esporte a motor. Você, leitor, conseguiria imaginar a pressão?
Olhando a carreira de Massa principalmente dentro da Ferrari, é possível notar que ele sempre fez um trabalho muito bom, embora talvez não tão constante quanto se gostaria. A falta de constância dele em 2008 pesou muito na perda do título para Lewis Hamilton. Em 2009, Massa estava fazendo uma temporada excelente no fraco F60 até o acidente do GP da Hungria, que acabou ofuscando o trabalho do piloto até então.
Para Felipe Massa, 2011 é um divisor de águas. Para permanecer na Ferrari, ele precisa estar colado em Alonso na tabela de pontos durante todo o ano. Simples assim. Não cabe aqui discutir os benefícios de Massa permanecer ou não na Ferrari. Isso é assunto para outra hora.
Não é nem tanto uma questão de a Mercedes querer vê-lo pelas costas, mas aqui entra, é claro, o próprio Schumacher. Por mais que ele tenha sido o Sr. Sorriso na temporada passada, dizendo aos quatro ventos que estava se divertindo sem nenhuma pressão, a F1 continua sendo um esporte de milhões e milhões de dólares e uma marca como a Mercedes-Benz não pode se dar ao luxo de dar carrinhos de corrida para seu filho mais velho dar voltas em pistas do mundo todo.
Cada ponto na tabela é fundamental e Schumacher deixou de marcar muitos deles em 2010, seja em função do carro não tão bom, seja em função dos pneus, seja em função de sua própria falta de capacidade devido à idade. Em 2010, Schumacher brincou de pilotar. Em 2011, ele vai ter que voltar a pilotar de verdade, ou então vai descobrir que seu heptacampeonato não garante lugar no grid nem para ele, nem para nenhum outro piloto.
Desde 2005 Rubinho sempre esteve na lista de desempregados do ano seguinte, a não ser após a fantástica temporada de 2009 com a Brawn GP. Mas a pressão continua porque Rubens só se manteve na Williams com tanta certeza porque Sir Frank e Patrick Head descolaram os petrodólares de Pastor Maldonado. Por essa razão, o brasileiro terá um 2011 relativamente tranquilo para trabalhar e levar a Williams em direção à Renault e à Mercedes. Mas tem que mostrar o serviço que geralmente mostra para manter a o sonho de ser campeão vivo.
A sorte está lançada para o pessoal presente nesta lista.
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terça-feira, 7 de dezembro de 2010
2010 - Os cinco melhores pilotos em carros não vencedores
Bob fez o autor deste blog colocar as sandálias da humildade desde o início. Ele foi brilhante. Se estivesse ao lado de Rosberg na Mercedes, poderia até ter vencido alguma prova, dado o que fez com o R30. É uma pena que não tivesse o destaque merecido na TV, pois é muito bom assisti-lo pilotar. Fundamentalmente a Renault era um carro rápido (é só ver o que Petrov fez em algumas classificações e corridas), mas Kubica elevou o nível da equipe. Grande pilotagem!
Não é como se Rosberg tivesse tido uma temporada brilhante, mas ele justificou seu contrato com a Flecha de Prata com boa folga. Faltou ao alemão um pouco de agressividade, tanto em corrida quanto em classificação, e não conseguiu atrair atenção suficiente para si, mas muitos outros pilotos também não conseguiram fazê-lo. Ele é o segundo piloto nesta lista não porque bateu Schumacher, mas porque ele foi o melhor do resto na tabela do campeonato e não poderia ter terminado em nenhum lugar que não acima do que terminou.
Nas corridas que terminou, Koba chegou em média em nono lugar (9,2). Se tivesse terminado as outras oito corridas que desperdiçou por vários problemas, seria um piloto que estaria dividindo Sutil e Barrichello na tabela de pontos, ou mesmo ultrapassando-os (teria marcado 55 pontos se mantivesse a média de pontos das corridas que terminou). Mas não é só isso. Sua vontade de pilotar forte e dar um show é algo mais no grid atual. Fica a esperança de que Kobayashi possa desenvolver sua pilotagem e trazer pódios para a Sauber ano que vem.
Rubens pilotou uma temporada inteira praticamente sem erros. Excluindo Spa, que foi mais um acidente do que um erro, ele foi limpo. É difícil mensurar sua colaboração no desenvolvimento do chassi WF32, mas também é difícil não reconhecer sua contribuição para a temporada de uma equipe fraca. Especialmente considerando o uso do motor Cosworth, que foi muito bem em sua temporada de estréia e melhor ainda na Williams, graças à caixa de câmbio da equipe (não é à toa que a HRT vai usar a mesma caixa em 2011). O veterano estava claramente relaxado e não se preocupou com seu companheiro de equipe, razão pela qual provavelmente pilotou seu melhor, quando se concentra apenas em si mesmo. Que 2011 traga merecidos pódios para Rubens.
Kova foi uma estrela. Pequena, mas brilhante. Seu casamento com a Lotus terminou muito bem e, graças a uma temporada sólida, Heikki vai para 2011 com um chassi empurrado pelos motores Renault, o que pode render ao menos os primeiros pontos da equipe. Bateu Trulli com tranqüilidade e se manteve bem humorado e sempre com um sorriso no rosto. Parece no entanto que Kova não pertence a um time grande, o que é uma pena. Infelizmente ele teve uma grande chance com a McLaren e desperdiçou-a duas vezes, uma por causa de sua falta de velocidade e outra porque teve ao seu lado Hamilton que é, -pasmem!- campeão mundial em seu segundo ano na categoria.
Menções honrosas
Sutil
O alemão destruiu seu companheiro de equipe, mas é difícil saber se ele o fez porque é muito melhor ou porque Liuzzi teve uma temporada para esquecer. Ano passado a Force India era uma força em ascensão, mas parece que falhou ao tentar subir de nível na F1 ao lado da Mercedes e Renault. Por isso, Sutil acabou sendo obliterado por outros pilotos e equipes. Mas deu trabalho pelo menos à Williams e Rubinho.
Hulkenberg
O incrível Hulk é definitivamente o piloto que mais se desenvolveu durante a temporada. Sair de um ponto na primeira metade do campeonato para 21 ponto na segunda é para poucos. Se tivesse marcado 21 pontos na primeira metade, ele estaria apenas três pontos atrás de Rubinho e a Williams estaria bem à frente da Force India na tabela de construtores. Na primeira metade ele simplesmente não conseguiu acompanhar Barrichello, mas encontrou performance na segunda metade e bateu Rubens ocasionalmente em classificação e corrida, o que acaba não sendo algo tão incrível, mas respeitável. Vir forte nos dias de corrida foi algo excelente para Nico. Uma pena que ele possa estar fora do grid em 2011, mas as coisas são assim na F1. Nico não aparece na lista acima porque muito do desenvolvimento do carro que acabou lhe dando pontos e uma pole-position inusitada foi mais trabalho de Rubens e da equipe do que seu próprio.
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terça-feira, 9 de novembro de 2010
Relatos de Interlagos - Parte 3
Nosso amigo Itamar conta agora casos engraçados e curiosos que só aqueles que trabalham no circuito de Interlagos poderiam viver...
Vários casos curiosos aconteceram nesses anos. Um dos GPs mais engraçados talvez tenha sido o de 2003. Tínhamos certa amizade com o motorista do Barrichello e, no sábado, escutamos a transmissão do treino oficial graças ao áudio da Alfa 156 Sportwagon 2.0 do piloto. Curioso que sou, até sentei no banco do motorista para dar uma olhada nos comandos, no volante de madeira, etc.
Quando ele marcou a pole, o autódromo veio abaixo. O som da torcida celebrando o momento me deu muito mais arrepios que a Jordan do Takuma Sato. Era dia do meu aniversário, meu piloto preferido estava na pole, eu ouvi o treino dentro do carro dele e ainda tirei um sarro do Gino Rosato que havia me sacaneado na manhã perguntando quem era o nº 1.
Respondi que no Brasil era Barrichello e aguardei pacientemente pela sua volta. Ele estava dirigindo para o Schumacher, numa Alfa 156 Sportwagon 2.5 V6 azul. O massagista indiano também costumava chegar junto dos dois. Mas o alemão não circulava no estacionamento; o gordo de cavanhaque o deixava próximo aos boxes.
No domingo de manhã, quase todos os pilotos haviam chegado. Montoya chegou apontando o carro em direção a um rapaz da equipe, que tentou impedir que sua X5 fosse estacionada em local não permitido. Sua educação não permitiu que nutríssemos simpatia por ele; seu então companheiro Ralf, igualmente mala, era muito mais fácil de lidar.
O clombiano respondia “non” a todos que se aproximassem; já Sato e Villeneuve eram os mais populares do estacionamento, sendo que às vezes apareciam caras como Alex Dias Ribeiro. Em um dos anos ele apareceu no autódromo, e alguém me perguntou quem era aquele baixinho de moto. Um absurdo não saber quem era o Alex.
A maioria do pessoal esperava Schumacher, Alonso e Barrichello. Cristiano Da Matta, por exemplo, foi pouco assediado. O público conhecia mais o Pizzonia, esperança brasileira na época.
Voltando ao colombiano, o gorduchinho foi advertido sobre a infração assim que desceu do carro. Correndo, nos deixou falando sozinho, comunicando que voltaria rápido. E a melhor parte foi quando ele abandonou precocemente, se não me falha a memória, na 25ª volta (2003). Voltou bravo e ainda ouviu a gozação do Portuga, o cara mais sangue quente da equipe que gritava em alto e bom som: “Bem que você falou que ia voltar mais cedo mesmo! Você é bração, você se f*deu, %$#@&$#%”. Foi o momento mais hilariante de 2003.
E o colombiano foi vencer em Interlagos nos dois anos seguintes...
Leia os demais relatos de Itamar em Interlagos aqui e aqui.
Vários casos curiosos aconteceram nesses anos. Um dos GPs mais engraçados talvez tenha sido o de 2003. Tínhamos certa amizade com o motorista do Barrichello e, no sábado, escutamos a transmissão do treino oficial graças ao áudio da Alfa 156 Sportwagon 2.0 do piloto. Curioso que sou, até sentei no banco do motorista para dar uma olhada nos comandos, no volante de madeira, etc.
Quando ele marcou a pole, o autódromo veio abaixo. O som da torcida celebrando o momento me deu muito mais arrepios que a Jordan do Takuma Sato. Era dia do meu aniversário, meu piloto preferido estava na pole, eu ouvi o treino dentro do carro dele e ainda tirei um sarro do Gino Rosato que havia me sacaneado na manhã perguntando quem era o nº 1.
Respondi que no Brasil era Barrichello e aguardei pacientemente pela sua volta. Ele estava dirigindo para o Schumacher, numa Alfa 156 Sportwagon 2.5 V6 azul. O massagista indiano também costumava chegar junto dos dois. Mas o alemão não circulava no estacionamento; o gordo de cavanhaque o deixava próximo aos boxes.
No domingo de manhã, quase todos os pilotos haviam chegado. Montoya chegou apontando o carro em direção a um rapaz da equipe, que tentou impedir que sua X5 fosse estacionada em local não permitido. Sua educação não permitiu que nutríssemos simpatia por ele; seu então companheiro Ralf, igualmente mala, era muito mais fácil de lidar.
O clombiano respondia “non” a todos que se aproximassem; já Sato e Villeneuve eram os mais populares do estacionamento, sendo que às vezes apareciam caras como Alex Dias Ribeiro. Em um dos anos ele apareceu no autódromo, e alguém me perguntou quem era aquele baixinho de moto. Um absurdo não saber quem era o Alex.
A maioria do pessoal esperava Schumacher, Alonso e Barrichello. Cristiano Da Matta, por exemplo, foi pouco assediado. O público conhecia mais o Pizzonia, esperança brasileira na época.
Voltando ao colombiano, o gorduchinho foi advertido sobre a infração assim que desceu do carro. Correndo, nos deixou falando sozinho, comunicando que voltaria rápido. E a melhor parte foi quando ele abandonou precocemente, se não me falha a memória, na 25ª volta (2003). Voltou bravo e ainda ouviu a gozação do Portuga, o cara mais sangue quente da equipe que gritava em alto e bom som: “Bem que você falou que ia voltar mais cedo mesmo! Você é bração, você se f*deu, %$#@&$#%”. Foi o momento mais hilariante de 2003.
E o colombiano foi vencer em Interlagos nos dois anos seguintes...
Leia os demais relatos de Itamar em Interlagos aqui e aqui.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
O grid em 2010: um retrato infiel do campeonato
- Vettel - 2,1
- Webber - 2,1
- Hamilton - 5,5
- Massa - 6,5
- Alonso - 6,79
- Button - 7,14
- Kubica - 7,14
- Rosberg - 8,07
- Barrichello - 10,29
- Schumacher - 10,36
Agora compare com os 10 pilotos mais bem posicionados no campeonato:
- Webber - 187
- Hamilton - 182
- Alonso - 166
- Button - 165
- Vettel - 163
- Massa - 124
- Rosberg - 112
- Kubica - 108
- Schumacher - 46
- Sutil - 45
Repare em algumas contradições.
- A primeira, obviamente, é Vettel, que embora tenha feito sete pole positions no ano, ocupa apenas a quinta colocação no campeonato; um baixíssimo aproveitamento de posição de largada em relação aos pontos conquistados.
- A segunda contradição é Massa, que supera Alonso por pouco, mas está muito atrás no campeonato, com 42 pontos a menos que o espanhol. Isso, é claro, com a ingerência da Ferrari, mas não deixa de mostrar a contradição.
- A terceira é o péssimo aproveitamento de classificação de Jenson Button em relação à sua posição na tabela. Com apenas um ponto a menos que Alonso, o inglês ocupa a quarta colocação no campeonato, mas na média das largadas, sai do Top 5 empatando com Robert Kubica, que está nada menos que 57 pontos atrás de Button. O atual campeão do mundo tem feito milagres saindo das posições em que tem saído.
- A quarta é a troca de posições de uma tabela para outra, entre Rosberg e Kubica. Uma clara vantagem do alemão em ritmo de corrida sobre o polonês ao longo da temporada.
- A quinta é a "intrusão" de Sutil na segunda tabela entre os 10 primeiros, enquanto na primeira ele nem aparece. Ao contrário de Rubinho, que aparece entre os 10 na primeira, mas sai na segunda. Isso significa que Sutil capitaliza mais pontos nas corridas enquanto Rubens tem melhor ritmo de classificação.
- Por fim, e isso não é uma contradição se você não considerar o fato de quem estamos falando, Michael Schumacher, que tem a pior média de largada entre os 10 primeiros e ocupa a mesmíssima décima posição na tabela do campeonato. Nada mais justo para o heptacampeão, que faz a temporada mais medíocre de sua carreira, seja por causa do carro ou não.
A primeira tabela demonstra também a capacidade de adaptação universal da Red Bull a qualquer tipo de traçado, o que não ocorre com Ferrari e McLaren, e muito menos com a Mercedes.
É por essas e outras que nas últimas cinco corridas, a Red Bull terá chance de não só manter como melhorar a sua média de posição de largada e, consequentemente, estar em uma posição privilegiada para marcar pontos e vencer.
As pistas de Interlagos e Suzuka são pole positions garantidas para os rubrotaurinos, restando apenas a formalidade de saber qual dos dois pilotos fará as honras da primeira posição.
Abu Dhabi e Cingapura também são territórios positivos para a equipe. A incógnita fica a cargo do circuito da Coreia, mas este, pelo que se viu, não deve dar trabalho a Webber e Vettel.
O carro que Adrian Newey desenhou para seus pilotos é algo fora do normal e vai ser muito, mas muito difícil tirar o título das mãos de um dos pilotos da equipe. Mark Webber está muito próximo de ser o primeiro australiano campeão do mundo desde 1980. Vai ser coroado rei da Austrália caso isso ocorra.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
GP da Itália: Hulk detona Barrichello
Até agora, a jovem promessa alemã chegou quatro vezes na frente de Rubinho contra cinco do brasileiro quando ambos terminaram a prova. Um bom placar, embora o veterano já tenha conseguido um quarto e um quinto lugar consecutivos enquanto as melhores colocações de Nico foram um sexto e um sétimo.
Já na classificação, notoriamente o ponto forte de Barrichello, Nico tem até se dado bem. Das 14 provas até agora, Hulk largou na frente de Rubinho em cinco delas, inclusive nas duas pistas em que Barrichello venceu ano passado e também no GP da Espanha, onde Rubinho é sempre muito rápido.
No campeonato, Rubinho capitalizou bem mais e tem praticamente o dobro de pontos do companheiro: 31 a 16.
No GP da Itália deste ano, Hulkenberg não foi só mais rápido, mas muito mais rápido que Rubens. Para se ter uma ideia, o alemão rodou dez voltas em um tempo mais rápido que a volta mais rápida do brasileiro.
Não é pouca coisa. A volta mais rápida de Nico foi sete décimos mais rápida que o melhor giro de Barrichello. Entretanto, no frigir dos ovos, o resultado absoluto de ambos foi o mesmo, o que releva um pouco a forte corrida do novato da Williams.
Depõe a favor de Barrichello também o fato de o brasileiro ter optado por utilizar um motor velho enquanto Hulkenberg usou um novo em folha, o que dá uma boa diferença no montante de uma corrida intensa como a que ocorre na pista de Monza.
Além disso, ambos largaram e terminaram quase que rigorosamente na mesma posição. A diferença é que Nico herdou uma posição devido ao vacilo que Hamilton deu na primeira volta. Largou em oitavo e terminou em sétimo. Rubens largou em décimo e terminou em décimo.
Trocando em miúdos, o alemão andou bem quando de nada adiantava andar bem. Além de ter errado muito ao cortar a primeira chicane do circuito mais de uma vez, protagonizou uma briga com Mark Webber que poderia ter acabo em lascas de fibra de carbono pela pista, o que gerou reclamação do veterano da Red Bull.
De todo modo, ao que tudo indica, ano que vem a Williams volta com a mesma dupla de pilotos. Se Hulkenberg não é uma sensação como foi Hamilton ou Vettel, ele certamente não é nenhum pé-de-boi e a Williams vai lucrar com isso e também com a boa e velha experência de Barrichello. A equipe evolui a passos largos e consistentes, algo importante no competitivo mundo da F1.
sábado, 11 de setembro de 2010
Classificação GP da Itália: resultados reveladores
A pista de Monza é única em vários aspectos, mas o que mais diferencia o circuito do restante do calendário é sua média de velocidade muito mais alta que o comum e como as características da pista demonstram claramente que a Red Bull de fato é o melhor carro do campeonato.
De nada adianta fazer uma pole-position cinco décimos mais rápida que o tempo do vice-líder do campeonato, no caso de Alonso sobre Webber, ou do líder, Hamilton, se essa pole vem em uma das pistas mais bizarras da temporada. A diferença entre o tempo de Alonso e do 10º colocado, Rubens Barrichello, foi de 1,3 segundo, um tempo relativamente grande em uma pista que tem um tempo de volta pequeno.
Como em 2009, quando Raikkonen e Fisichella brilharam em Spa, mas apenas lá, este ano Monza volta a mostrar uma distorção com o domínio da Ferrari que, na verdade, só demonstra o quanto a Red Bull é mais eficiente onde realmente importa: curvas. E, é claro, a maioria das pistas da temporada pedem domínio nesse quesito, e não em retas.
Dito tudo isso, é realmente notável a dificuldade da Red Bull de andar bem em grandes retas, quando entra em jogo a potência do motor pura e simples e pouco arrasto aerodinâmico. Mesmo assim, Mark Webber ainda conseguiu se dar bem sobre Lewis Hamilton, que embora tenha cometido um pequeno erro em sua volta rápida, tinha carro para ficar lado a lado com Massa ou Button.
Jenson, aliás, brilhou com sua opção de usar o F-Duct em detrimento de pouca asa, opção da maioria dos pilotos. O inglês foi perfeito e, a exemplo do ano passado, tem boas chances de incomodar Alonso na pole, considerando que ele largue bem da segunda colocação e não perca a posição para Felipe Massa.
A corrida vai ser toda definida na largada, pois, diferentemente de 2009, não haverá estratégias de reabastecimento para manter o mais eficiente na pista. Em Monza, sem reabastecimento, com a pequena diferença relativa entre os carros, passar na pista é ainda mais difícil. Resta segurar o fôlego e esperar uma primeira curva de lascar!
De nada adianta fazer uma pole-position cinco décimos mais rápida que o tempo do vice-líder do campeonato, no caso de Alonso sobre Webber, ou do líder, Hamilton, se essa pole vem em uma das pistas mais bizarras da temporada. A diferença entre o tempo de Alonso e do 10º colocado, Rubens Barrichello, foi de 1,3 segundo, um tempo relativamente grande em uma pista que tem um tempo de volta pequeno.
Como em 2009, quando Raikkonen e Fisichella brilharam em Spa, mas apenas lá, este ano Monza volta a mostrar uma distorção com o domínio da Ferrari que, na verdade, só demonstra o quanto a Red Bull é mais eficiente onde realmente importa: curvas. E, é claro, a maioria das pistas da temporada pedem domínio nesse quesito, e não em retas.
Dito tudo isso, é realmente notável a dificuldade da Red Bull de andar bem em grandes retas, quando entra em jogo a potência do motor pura e simples e pouco arrasto aerodinâmico. Mesmo assim, Mark Webber ainda conseguiu se dar bem sobre Lewis Hamilton, que embora tenha cometido um pequeno erro em sua volta rápida, tinha carro para ficar lado a lado com Massa ou Button.
Jenson, aliás, brilhou com sua opção de usar o F-Duct em detrimento de pouca asa, opção da maioria dos pilotos. O inglês foi perfeito e, a exemplo do ano passado, tem boas chances de incomodar Alonso na pole, considerando que ele largue bem da segunda colocação e não perca a posição para Felipe Massa.
A corrida vai ser toda definida na largada, pois, diferentemente de 2009, não haverá estratégias de reabastecimento para manter o mais eficiente na pista. Em Monza, sem reabastecimento, com a pequena diferença relativa entre os carros, passar na pista é ainda mais difícil. Resta segurar o fôlego e esperar uma primeira curva de lascar!
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segunda-feira, 30 de agosto de 2010
GP da Bélgica: bom, mas nem tanto
A corrida de Spa deste ano não foi o espetáculo de tensão que foi em 2008. A chuva veio fraca, sem fazer com que os pilotos tivessem que correr grandes riscos.
O único que tentou tirar um coelho da cartola foi Alonso, devido à porrada que levou de Rubens Barrichello na Bus Stop logo no fim da primeira volta. A estratégia do espanhol de colocar os intermediários prevendo uma chuva mais forte deu errado e ele logo teve de voltar para os slicks algumas voltas depois.
Mas o que vai ficar desta prova, e quiçá de todo o campeonato, foi o fato de Sebastian Vettel estar fazendo um esforço sobreumano para jogar fora um título que deveria ser seu por ser um dos três pilotos mais rápidos do grid.
Com o resultado da prova, o campeonato passa a ser mais polarizado, mesmo faltando ainda seis provas para o final. Se não pelas chances matemáticas, Button, Alonso e Vettel têm de vencer em Monza de qualquer maneira para manterem um momento de confiança e solidez na próxima etapa até o fim do campeonato.
É inegável a agressividade pura com que Vettel escala o grid quando têm de vir de trás, mas sua ansiedade e afobação têm feito com que a cada degrau vencido, dois são perdidos para o jovem alemão. O custo-benefício de suas pilotagens têm sido com certeza o pior entre os líderes do campeonato.
Na pontuação velha, Vettel estaria a apenas 12 pontos do líder, o que é uma distância bem menor, por exemplo, do que Rubens chegou a estar de Button ano passado na Brawn. As chances de Vettel ainda são bastante altas, mas para levar a taça ao final, ele precisa terminar constantemente no pódio até o fim do campeonato.
Webber: o normal seria que ele ajudasse Vettel, mas o alemão está fazendo todo o trabalho sujo, deixando Mark com uma mão na taça
Diante do mega equipamento que tem a mãos, é uma tarefa relativamente fácil... para Mark Webber! Sim, porque o australiano tem muito mais condições de fazer isso e, claro, ainda vencer mais algumas corridas, do que o alemão.
O fato é que, dentro da Red Bull, Webber tem toda a vantagem psicológica num momento crucial do campeonato. Vettel de uma vez só derrubou a si próprio e a Jenson Button no GP da Bélgica, abrindo caminho para que Webber conquistasse o segundo lugar mesmo tendo uma largada para se esquecer.
No fim das contas, o melhor piloto venceu a corrida, e este piloto foi Lewis Hamilton. Correu como gente grande, fez tudo certo, foi muito rápido, deixou Button pra trás com autoridade no início da prova e, depois que choveu, fora a escapada que deu (que seria normal pra qualquer piloto dadas as condições), venceu de ponta a ponta apenas a segunda corrida em sua carreira. A primeira foi no GP da China em 2007.
O único que tentou tirar um coelho da cartola foi Alonso, devido à porrada que levou de Rubens Barrichello na Bus Stop logo no fim da primeira volta. A estratégia do espanhol de colocar os intermediários prevendo uma chuva mais forte deu errado e ele logo teve de voltar para os slicks algumas voltas depois.
Mas o que vai ficar desta prova, e quiçá de todo o campeonato, foi o fato de Sebastian Vettel estar fazendo um esforço sobreumano para jogar fora um título que deveria ser seu por ser um dos três pilotos mais rápidos do grid.
Com o resultado da prova, o campeonato passa a ser mais polarizado, mesmo faltando ainda seis provas para o final. Se não pelas chances matemáticas, Button, Alonso e Vettel têm de vencer em Monza de qualquer maneira para manterem um momento de confiança e solidez na próxima etapa até o fim do campeonato.
É inegável a agressividade pura com que Vettel escala o grid quando têm de vir de trás, mas sua ansiedade e afobação têm feito com que a cada degrau vencido, dois são perdidos para o jovem alemão. O custo-benefício de suas pilotagens têm sido com certeza o pior entre os líderes do campeonato.
Na pontuação velha, Vettel estaria a apenas 12 pontos do líder, o que é uma distância bem menor, por exemplo, do que Rubens chegou a estar de Button ano passado na Brawn. As chances de Vettel ainda são bastante altas, mas para levar a taça ao final, ele precisa terminar constantemente no pódio até o fim do campeonato.
Diante do mega equipamento que tem a mãos, é uma tarefa relativamente fácil... para Mark Webber! Sim, porque o australiano tem muito mais condições de fazer isso e, claro, ainda vencer mais algumas corridas, do que o alemão.
O fato é que, dentro da Red Bull, Webber tem toda a vantagem psicológica num momento crucial do campeonato. Vettel de uma vez só derrubou a si próprio e a Jenson Button no GP da Bélgica, abrindo caminho para que Webber conquistasse o segundo lugar mesmo tendo uma largada para se esquecer.
No fim das contas, o melhor piloto venceu a corrida, e este piloto foi Lewis Hamilton. Correu como gente grande, fez tudo certo, foi muito rápido, deixou Button pra trás com autoridade no início da prova e, depois que choveu, fora a escapada que deu (que seria normal pra qualquer piloto dadas as condições), venceu de ponta a ponta apenas a segunda corrida em sua carreira. A primeira foi no GP da China em 2007.
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terça-feira, 3 de agosto de 2010
GP da Hungria: testemunha ocular
No GP da Alemanha de 2009, Mark Webber teve uma largada ruim e perdeu a posição para Rubens Barrichello. Na briga até a primeira curva com Rubens, o australiano foi desleixado, jogou o carro em cima da Brawn e acabou punido com um drive-through.
Mesmo com a punição, Webber ainda foi rápido o suficiente para fechar em cima de Rubinho, destruir a estratégia de três paradas do brasileiro e vencer a folgados nove segundos de Vettel e 15 de Felipe Massa, o primeiro piloto de outra equipe que não a Red Bull.
Esta dominância foi amplificada este ano. No GP da Hungria, a RBR alcançou o maior domínio em uma corrida até agora. Para se ter uma ideia da disparidade, em 2009 algumas corridas tinham os 10 primeiros separados por no máximo sete décimos de segundo.
Em Hungaroring, pista que só não é menor que Monte Carlo, Interlagos e Montreal, a pole de Vettel era astronômicos três segundos mais rápida do que o 10º colocado, Nico Hulkenberg. Essa diferença de performance em um esporte altamente competitivo como a F1 é considerada estapafúrdia. Não à toa, os adversários estão de olho no carro dos rubrotaurinos desde o início do ano para saber se há algo de errado com ele
É bom lembrar que o fato de uma pista ser pequena relativiza a distância entre os competidores. Quanto menor a pista, menor será a distância nominal entre um e outro.
Em outras palavras, uma distância de dois segundos na Bélgica (uma pista longa) seria o mesmo que um segundo em Interlagos (uma pista curta). Então, a distância de três segundos de Vettel sobre Hulkenberg seria de mais de cinco segundos numa pista longa como Spa-Francorchamps. Sim, mais de CINCO segundos para o DÉCIMO colocado.
Mas mais do que isso, como provado ano passado e em outros anos, o verdadeiro campeão é aquele que, ao ter à sua disposição o melhor carro, amplia sua vantagem para os outros de forma exponencial. Ao contrário de Vettel, Webber, quando dominou, o fez de tal forma que a concorrência foi esmagada, atrofiada, desfigurada.
Existe um certo desânimo das outras equipes de ver a RBR tão rápida, mas é bonito de se ver uma equipe sendo elevada ao topo por um piloto que, se não é consistente, é destruidor no seu dia de rei. Mark Webber não tem quatro vitórias à toa e teria tido uma quinta na Turquia caso Vettel não tivesse jogado tudo para as cucuias.
O campeonato continua apertado por questão de detalhes, mas a verdade é que Mark Webber merece mais do que nunca levantar o troféu ao fim do ano e entrar para o panteão dos grandes. Sua união com a Red Bull finalmente lhe renderá os frutos que, talvez, nem ele acreditasse que um dia colheria.
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domingo, 25 de julho de 2010
Felipe Massa: * 25 de abril de 1981 - † 25 de julho de 2010
É uma coincidência fúnebre, para ficar nos trocadilhos mortais, mas o que se viu hoje no GP da Alemanha é triste, é sem graça, é simplesmente contra o senso do esporte, da disputa limpa e justa.
Tudo isso é clichê para este e outras centenas de blogs, sites, jornais, revistas, fóruns, etc., claro. Mas o fato de ser possível testemunhar a morte de um esportista do calibre de Felipe Massa de forma tão insossa torna a F1 ainda menos colorida, menos vibrante, menos veloz.
Não cabe discutir os contratos, as circunstâncias, os companheiros de equipe, as próprias equipes... independentemente disso tudo, o dia 25 de julho viu mais um piloto brasileiro morrer abruptamente.
Talvez nem o campeonato mundial possa fazê-lo ressucitar, mas, caso haja essa possibilidade, não será na Ferrari que Felipe Massa terá sua ressurreição como esportista.
E não será também ao lado de Fernando Alonso que, de forma também coincidente, era companheiro de outro brasileiro, Nelsinho Piquet, que morreu há pouco menos de dois anos no GP da Cingapura, quando ambos corriam pela Renault.
Então, descanse em paz Felipe Massa. Não cabe aqui julgá-lo, mas cabe decretar, de forma inexorável, sua morte. É uma pena que você vá efetivamente passar desta para uma melhor só ao fim do ano que vem, quando acaba seu contrato com a Ferrari. Será um limbo e tanto.
Hoje, o Brasil todo volta a torcer para o Rubinho, que deve estar gargalhando no motorhome da Williams, nem tanto por Felipe, seu amigo, mas sim por todos os brasileiros que também o viram morrer no GP da Áustria em 2002. Nada como um dia, ou um giro, depois do outro...
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sexta-feira, 16 de julho de 2010
O que aconteceria se Rubinho desse uma de Webber na Ferrari?
Ao lado de Ron Groo e seu inimitável blog, surgiu a ideia de colocar o tão amado quanto odiado piloto brasileiro na situação de Webber (ou seria o contrário?) e analisar os desdobramentos. Cada qual do seu jeito, é claro. Groo –pasmém!– até trata bem Rubens em sua bem humorada análise. Corra lá e confira.
Mas então, seria possível Rubinho dando uma de Webber na Ferrari?
Pode-se observar um hipotético motim de Barrichello através de dois prismas.
O primeiro é o da realidade. Rubinho tinha 27 anos quando assinou com a Ferrari um milionário contrato que era o sonho de qualquer piloto em ascensão na época. O brasileiro era uma real promessa na categoria, fez milagres na Jordan e na Stewart, conseguiu pontos, pódios e pole-positions quando ninguém apostaria nisso.
Já Michael Schumacher, com avançados 31 anos, era uma estrela de primeira grandeza. A ideia de reconstruir a Ferrari e levá-la ao caminho do sucesso estava indo de vento em popa e o alemão, já estabelecido como bicampeão mundial, era o grande nome da categoria. Talvez não soubesse o período de dominância que vinha adiante, mas com certeza era para isso que ele e a Scuderia trabalhavam.
No press release da corrida na época, a própria FIA reconheceu isso dizendo que “(o conselho) condena a forma com a qual as ordens de equipe foram dadas e executadas no GP da Áustria. Mesmo assim, é impossível penalizar os dois pilotos, pois eles são obrigados a executar contratualmente as ordens dadas pela equipe”.
Comparativamente, Mark Webber é o piloto mais velho e mais experiente da Red Bull, além de já estar lá antes do próprio Vettel. A promessa, no caso, é o alemãozinho. Outro aspecto é que, embora a marca Red Bull seja enorme, a equipe de F1 não tem tradição nenhuma. Não é nada perto da Ferrari. É uma situação diametralmente oposta à de Rubens e Michael. Além disso, uma diferença fundamental coloca as duas situações em choque: enquanto Mark Webber de fato tem batido Vettel de forma consistente, Rubens nunca foi capaz de tal feito.
Some-se então a situação de um jovem piloto, de olho em sua natureza competitiva e de olho, claro, num futuro promissor, além de estar em um contrato multimilionário, com a insegurança de realmente peitar a maior equipe da história do automobilismo e é possível ter um pouco mais de empatia com o que Rubens passou na Ferrari.
É bom lembrar que Rubens NUNCA conseguiu bater Michael. Ele talvez acreditasse que conseguisse, mas sua posição de um piloto menos eficiente o deixava em uma situação delicada. E é aí que a situação entre Webber e Vettel se diferencia ainda mais. Webber está batendo Vettel e impondo respeito como Rubens talvez tenha feito em no máximo cinco corridas contra Michael. Como se rebelar contra a equipe nesse contexto?
Em 2001, Rubens já teve um gosto amargo quando, apenas na sexta corrida do ano, Jean Todt (no vídeo acima), sem se preocupar com as câmeras, pediu ao brasileiro: “deixe Michael passar pelo campeonato”. Consternado, claro, Rubinho deixou o segundo lugar que ocupara para Schumacher, com Coulthard vencendo a corrida. Foi nessa época, após o GP da Malásia, que a Ferrari colocou a sua assessoria de imprensa para “filtrar” o que o piloto falava.
Em 2002, no mesmo GP da Áustria, a maior farsa explícita da história da F1 ocorreu diante dos olhos de milhões de fãs da categoria no mundo. Com o banimento das ordens de equipe devido a esse acontecimento, está claro que Barrichello imaginou que os dias de segundo piloto estavam terminados. Ele agora seria piloto igual ao outro, “1B”, disse inocentemente, e ganharia ou perderia por méritos.
Mas não foi bem isso que se viu. E não foi bem porque a Ferrari não deixava ou não queria, mas sim porque Barrichello nunca teve competência para bater Michael e, assim, lhe dar o pretexto para dar uma de Webber e jogar a casa abaixo, ou mesmo abandonar a equipe.
Ao partir das pressuposições acima, é válido dizer que a decisão de Rubens Barrichello foi acertada na medida em que lhe garantiu vários anos em uma equipe vencedora, muita experiência, muito dinheiro e, claro, o potencial de ser campeão caso houvesse algum problema com Schumacher ou mesmo ele, Rubens, conseguisse evoluir a ponto de bater o heptacampeão na pista.
OK, mas qual é o segundo prisma?
O segundo prisma parte do princípio de que Rubens:
- sentisse que era capaz de bater Schumacher em outra equipe;
- sentisse que seu caminho seria mais fácil em outra equipe;
- sentisse que ia ganhar mais dinheiro em outra equipe.
Rubinho, com o mesmo equipamento, perdeu para Michael e, no pentacampeonato ferrarista com Schumi, Barrichello foi vice em apenas duas ocasiões, o que significa que em três outras ele foi pior que pilotos em outros equipamentos também.
No segundo ponto, Rubinho, que é um ótimo acertador de carros, sabia que adaptar-se a uma nova equipe seria muito difícil, ainda mais lutando contra Schumacher que, ao fim de 2002, completaria seu sétimo ano com a Ferrari. Harmonia maior não havia no grid. Rubens sair da Ferrari seria um passo para trás do ponto de vista do entrosamento.
Por fim, havia outras estrelas como Montoya, Raikkonen, Button, Alonso, todos com mais potencial comercial e de resultados que Rubens. Barrichello só sairia da Ferrari se tivesse uma proposta financeiramente muito superior. Aparentemente ele nunca teve e, caso tivesse tido, os rumores teriam dado conta dela na época.
Dito isso, se Rubens REALMENTE tivesse dado uma de Webber, xingado, gritado e esperneado contra a Ferrari e Schumacher, ele seria demitido (talvez por justa causa). Ao fim de 2002, o ano em que ele teoricamente sairia da Scuderia, haveria talvez três equipes para correr que lhe dariam o mínimo de competitividade: Williams, McLaren e Benetton.
Isso, é claro, sem contar o piloto que substituiria Rubens na Ferrari que, com certeza, daria trabalho também para os outros pilotos do grid.
A conclusão da bíblia que você acabou de ler é que, quando você é bom, você é bom, mas quando você é campeão, tem tino de campeão, talento de campeão e capacidade de campeão, nenhuma equipe vai impedir com que você alcance o topo.
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sábado, 3 de julho de 2010
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Dudu Massa: Será que se eu virar o rosto assim de perfil eu fico mais parecido com meu irmão famoso...?
Felipe Massa: Se eu puser meu pulso nessa posição o fotógrafo vai pegar meu relógio direitinho e ainda tampar o símbolo da Nike... nunca ganhei dinheiro tão fácil!
Senna: Meu carro é um lixo, mas minha vida é boa pra %#$@%#$@!!!
Barrichello: Caramba, estão garfando o Brasil!!! Tenho certeza que o juiz se chama Brawn!
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quarta-feira, 16 de junho de 2010
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Uma das melhores ultrapassagens de 2009. Dá-lhe Spa!
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quinta-feira, 27 de maio de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
GP de Mônaco: Barrichello e o volante
No exterior, foi e está sendo muito mais falado que no Brasil o episódio em que Barrichello simplesmente joga seu volante para fora do carro após o forte acidente que teve na subida da Beau Rivage entrando na Massanet, em Mônaco.
A opinião quase unânime é de que o brasileiro tinha de ser punido. Nada justifica atirar o volante para fora do cockpit e em acidentes muito mais graves e traumatizantes, pilotos calmamente colocaram de volta seus volantes, conforme reza a regra.
O artigo 30.5 do regulamento diz que "O piloto que abandona o carro deve deixá-lo em ponto morto ou desengatado, com o KERS desativado e o volante colocado no lugar". Barrichello claramente não fez isso, conforme pode ser visto no vídeo abaixo.
No Twitter, Rubens disse que jogou o volante porque queria sair rápido do carro, mas conhecendo o temperamento do piloto e também sua atitude, o que se percebe é um piloto frustrado e com raiva do que acabou de acontecer, talvez um pouco desorientado pelo forte impacto em duas partes da pista, e que simplesmente joga longe o volante, que é inclusive interceptado pela Hispania de Karun Chandhok e de Bruno Senna mais adiante.
Fora as óbvias consequencias de um objeto desses sob o assoalho de um carro de F1 a menos de cinco centímetros do chão, o fato é que Rubens fez o que fez sim por raiva e frustração. Se não, observe esse vídeo de uma batida entre ele e Mark Blundell em 1995.
Da mesmíssima forma, Rubens desta feita nem joga o volante, mas o isola num claro ato de frustração, sem nenhum impacto aparente do carro em nada sólido ou mesmo uma situação iminente de perigo. Se se analisar com base nos precendentes, Barrichello é culpado do mesmo jeito.
A punição em si é irrelevante, pois mesmo que haja uma multa, o próprio volante já custa mais de 30 mil dólares e, incrivelmente, segundo Chandhok no Twitter, está funcionando normalmente, se não com alguns arranhões e botões arrancados.
Mas o ato de punir neste caso teria de ser levado a cabo, pois regras são regras e precedentes são sempre perigosos para a idoneidade do esporte.
A opinião quase unânime é de que o brasileiro tinha de ser punido. Nada justifica atirar o volante para fora do cockpit e em acidentes muito mais graves e traumatizantes, pilotos calmamente colocaram de volta seus volantes, conforme reza a regra.
O artigo 30.5 do regulamento diz que "O piloto que abandona o carro deve deixá-lo em ponto morto ou desengatado, com o KERS desativado e o volante colocado no lugar". Barrichello claramente não fez isso, conforme pode ser visto no vídeo abaixo.
No Twitter, Rubens disse que jogou o volante porque queria sair rápido do carro, mas conhecendo o temperamento do piloto e também sua atitude, o que se percebe é um piloto frustrado e com raiva do que acabou de acontecer, talvez um pouco desorientado pelo forte impacto em duas partes da pista, e que simplesmente joga longe o volante, que é inclusive interceptado pela Hispania de Karun Chandhok e de Bruno Senna mais adiante.
Fora as óbvias consequencias de um objeto desses sob o assoalho de um carro de F1 a menos de cinco centímetros do chão, o fato é que Rubens fez o que fez sim por raiva e frustração. Se não, observe esse vídeo de uma batida entre ele e Mark Blundell em 1995.
Da mesmíssima forma, Rubens desta feita nem joga o volante, mas o isola num claro ato de frustração, sem nenhum impacto aparente do carro em nada sólido ou mesmo uma situação iminente de perigo. Se se analisar com base nos precendentes, Barrichello é culpado do mesmo jeito.
A punição em si é irrelevante, pois mesmo que haja uma multa, o próprio volante já custa mais de 30 mil dólares e, incrivelmente, segundo Chandhok no Twitter, está funcionando normalmente, se não com alguns arranhões e botões arrancados.
Mas o ato de punir neste caso teria de ser levado a cabo, pois regras são regras e precedentes são sempre perigosos para a idoneidade do esporte.
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quarta-feira, 12 de maio de 2010
Vídeo da semana
Mônaco é demais, realmente. Um local maravilhoso, inspirador. Até quando se joga games de F1 a pista é mais legal de se correr do que em outras.
Para esquentar os motores, aí vai uma sequência de imagens incríveis e maravilhosas do pitlane da prova de 1996, com direito à Jordan dourada de Rubens Barrichello.
MARAVILHOSO!!!
Para esquentar os motores, aí vai uma sequência de imagens incríveis e maravilhosas do pitlane da prova de 1996, com direito à Jordan dourada de Rubens Barrichello.
MARAVILHOSO!!!
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sábado, 27 de março de 2010
Classificação GP da Austrália: o mágico de Oz
Com a pronúncia australiana sendo puxada de um forte inglês britânico, quando eles falam ´Aus´, parece na verdade estarem falando ´Oz´, que é por fim o apelido informal do país.
Na terra do canguru, quem fez a festa foi Vettel, que deixou para trás seu companheiro de equipe e um certo Fernando Alonso. E numa performance digna de um mago.
A Red Bull é um carrão, mas Vettel o leva ao limite, assim como Alonso, cujos sete décimos de vantagem sobre Massa tem mais a ver com o braço do que com o carro.
O pouco mais de um décimo de diferença entre Webber e Vettel deveria ser mais de três, pois é claro que o alemão cometeu dois erros em sua volta. Esses décimos estão no piloto, e não no carro.
Na largada amanhã Alonso vai tentar dar o bote em Webber e manter Vettel na alça de mira. O espanhol tem chance de vencer, mas terá de ser muito agressivo para não perder contato com o carro da Red Bull.
Lá atrás, Massa verá a vantagem de Alonso aumentar no campeonato, Button estará de franco atirador, Schumacher também vai tentar atacar Rosberg na largada e Rubinho almejará apenas os pontos, como no Bahrein. Aliás, belo treino do nosso veterano favorito.
Numa nota engraçada, ao sair do carro, Kubica falou em italiano na TV: "Estamos perto do Sutil, então temos de estar atentos". A fina ironia sobre a já temida reputação de Adrian Sutil de car crasher.
Haja guaraná em pó e cafezinho para segurar o sono até lá!
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sábado, 13 de março de 2010
Classificação GP do Bahrein: a importância do S2
Na sua volta para a pole, Vettel rodou no S1 apenas um décimo mais rápido que o melhor tempo que Alonso colocou no início do Q3.
Entretanto, na segunda parte do traçado, o alemãozinho rodou sete décimos mais rápido que o espanhol, sendo que no S3 ele apenas assegurou a pole.
Para se ter uma ideia, Rubens Barrichello rodou, no S1, dois décimos acima do melhor tempo do Q2 em sua última volta lançada. No setor seguinte, seu tempo já alcançava um segundo de desvantagem em relação ao tempo de Alonso naquela sessão, que aera o melhor no momento.
Dito isso, parece claro que a Red Bull e a Ferrari usaram mais asa para a classificação, para aumentar a eficiência de frenagem/aceleração no setor mais lento.
Tanto é que no speed trap da pista, as velocidades aferidas de ambas as equipes eram menores que as maiores velocidades alcançadas.
Mas aparentemente a importância do S2 foi subestimada por equipes como McLaren, Mercedes, Renault e Williams.
Outro aspecto notável da classificação foi o tamanho da distância entre os 10 primeiros. Já entre o primeiro e o quarto, já há um segundo de diferença. Não é possível buscar a razão exata dessa diferença que, ano passado, cobriria quase a totalidade do grid em muitas provas.
Os pneus serão fundamentais para a melhor estratégia amanhã, principalmente nas condições de temperatura no Bahrein, mas o fato é que Red Bull e Ferrari começam em larga vantagem, pois têm na manga a carta do S2.
Se Vettel, Alonso e Massa dispararem de cinco décimos a um segundo por volta na frente das McLaren e Mercedes, dificilmente a vitória sairá das mãos desses três.
Entre eles, a vitória será disputada pelo que melhor souber cuidar dos seus pneus. Aparentemente, Vettel é o menos favorecido nesse caso, mas tudo dependerá do seu ritmo de corrida frente à Scuderia Rossa.
A corrida promete!
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Pé-no-saco
Para contextualizar, primeiro a frase original de Rubens em inglês, a qual ele disse no vídeo abaixo a partir do minuto 2:52:
I could have said after five years of F1, 'this is a difficult one and I don't know if I'm gonna be doing this', but after such a long time I am still very hungry.
The dream to become world champion is closer than ever. [I am] feet on the ground working as hard as I can and very hungry for success.
Agora a tradução:
Eu poderia dizer após cinco anos de F1, 'isso é muito difícil e não sei se vou continuar fazendo isso', mas depois de tanto tempo, ainda estou muito motivado.
O sonho de ser campeão mundial está mais próximo do que nunca. [Eu estou] com os pés no chão, trabalhando o máximo que posso e ávido pelo sucesso.
A segunda frase foi prontamente metralhada pelos detratores de Barrichello, o que, com toda a honestidade, já beira a paranoia inversa. É um verdadeiro pé-no-saco a excessiva atenção que se dá a tudo que Rubens fala.
Se o objetivo e o sonho de todos é o mesmo, por que não se pode dizer que o sonho está próximo? E o que significa isso? Que "serei campeão" ou que "o sonho está sempre lá, se serei ou não, depende de um milhão de variáveis das quais uma delas sou eu".
O histórico de Barrichello todos conhecem, mas é o cúmulo da "pachequice" ao contrário a infantilidade com que todos os "entendidos", quase sem exceção, metem a língua no que o piloto fala ou deixa de falar.
O mais curioso é que todos embarcam na mesma canoa furada e parecem repetir um discurso pronto só para, no fim de mais uma temporada, vir com o famoso "eu não disse?".
Flávio Gomes e Fábio Seixas, só pra ficar nos dois "famosos" mais chatos do mundinho virtual da F1 brasileira, já deixaram sua marquinha sobre o que o veterano brasileiro disse.
Depois disso outra horda de gente, muitas apenas para não deixar passar a oportunidade, também já se manifestou, seja no Twitter, seja em seus blogs ou seja em qualquer buraco virtual onde ninguém fica sabendo o que acontece.
O mais irônico da história é que, no fundo, todos querem comprar o boi de Rubinho e todos sabem do inferno que ele passou na Ferrari, forçosamente ou não, e todos sempre vêm com o papo de que "ele não aprende".
A pergunta que fica é, se ele "aprendesse", o que aconteceria?
A resposta é nada. Mesmo com 38 anos para serem completados e 17 temporadas completas na F1, o fato é que todo mundo queria ver o cara desencantar e ser o primeiro campeão brasileiro desde Senna, mas o peso da frustração de não vê-lo campeão bate fundo e não têm mais o que fazer a não ser criticá-lo.
Haja paciência com tanta atenção a algo tão ingênuo e despretensioso.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Heidfeld: sem saída
Principalmente depois de Michael Schumacher, que abriu uma avenida para outros jovens pilotos tentarem ocupar o espaço que o heptacampeão deixou em 2006.
Se Heidfeld estiver no grid este ano, 2010 terá o maior número de pilotos alemães desde 2007 e ambos os anos estarão empatados como tendo mais alemães na década, num total de sete.
Alguma razão extraterrena impede que Heidfeld seja efetivamente considerado um grande piloto, mesmo tendo batido a sensação polonesa chamada Robert Kubica em dois dos três anos juntos.
O incrivel recorde de 41 corridas completadas de Heidfeld é um atestado à sua constância e ao seu cuidado no cockpit de um F1, uma commodity rara nos dias de hoje, com novatos destruindo carros e ficando longe dos pontos com muita frequencia.
No decorrer da silly season, este blog torceu muito para que o alemão fosse companheiro de Lewis Hamilton e desencantasse, vencesse sua primeira prova e se mostrasse em uma grande equipe, no caso, a McLaren.
Entretanto, num gracioso e injusto desdobrar dos fatos, Heidfeld é um dos únicos ainda sem assento garantido para esta temporada e, para piorar, Schumacher resolveu voltar e tomar uma de suas chances de ocupar um posto competitivo, no caso, o da Mercedes GP.
Se Heidfeld for para a Renault, ele estará de novo na mesma péssima posição dos últimos três anos, qual seja, em uma equipe meia boca, com um companheiro estrela e com absolutamente nenhuma perspectiva de vitória ou de grandes evoluções sobre sua ex-equipe.
A diferença é que ele agora estará ainda mais velho e menos atraente para as equipes vencedoras, enquanto seu companheiro estará no auge da carreira, pronto para ingressar numa Red Bull, numa McLaren ou, quem sabe, até numa Ferrari no lugar de Felipe Massa, caso as coisas não estejam bem para o brasileiro.
A verdade é que Nick Heidfeld vai sair da F1 em breve (quiçá agora mesmo) sem ter conseguido mostrar todo seu potencial e sem ter alcançado nada relevante na carreira, sendo que brilhou no caminho que leva à categoria.
É claro que muitos outros pilotos entraram e saíram com muito menos ou nada da F1, mas o triste na história de Heidfeld é que, fora seus fãs, ninguém fala sobre ele, ninguém especula sobre ele, enfim. É o piloto esquecido.
Até 2008, Rubens Barrichello também tinha o mesmo problema, embora com muito mais pompa na carreira. Reergueu-se na Brawn GP como um milagre, o que Heidfeld poderia ter feito na McLaren, mas o alemão acabou perdendo a chance.
O ostracismo é o golpe mais duro que um esportista pode receber, e mais ainda quando ele AINDA está ativo. É o caso de Heidfeld.
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