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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Robert Kubica: três considerações

Kubica: a ironia da foto não pode ser desconsiderada

Praticamente uma semana depois do acidente do polonês mais rápido da Europa, as discussões se desdobraram em vários outros subassuntos relacionados direta ou indiretamente à Kubica, à F1 e ao rally em geral.

O Splash-and-go faz agora breves comentários sobre três desses assuntos. Você, leitor, também pode contribuir na seção de comentários.

1 - Sobre pilotos de F1 se aventurarem em atividades de alto risco

Pilotos gostam de velocidade. E dentro de qualquer atividade que se relacione à velocidade, existe o risco advindo da possibilidade de falha humana ou falha mecânica (intra ou extra carro) que pode causar sérias consquencias, dentre elas a morte.

Pilotos que praticam esportes perigosos fora daquele que o tornou famoso estão praticando um tipo de auto-indulgência que vai muito além do que o ser humano comum pode compreender. Todas as pessoas têm lá seus momentos de auto-indulgência, mas essas atividades podem ser premiadas com a morte no caso de certos indivíduos.

Dentro dessa realidade, causa espanto a velocidade com que certos fãs correram para crucificar Kubica por seu acidente. Eles esquecem que Kubica é, antes de mais nada, uma pessoa normal como qualquer outra. Mas essa semelhança vai só até um determinado ponto.

Kubica é um dos raros afortunados nessa Terra dos homens que conseguiu ser pleno em uma atividade. Mas não só isso. Ele é pleno e tem a benção de poder praticá-la todos os dias de sua vida, coisa que muitos dos reles mortais jamais se darão o prazer de fazer.

As pessoas veem em Kubica um exemplo, um modelo, e pensar na vida mundana de ir ao trabalho e voltar para casa sem ver o astro correr no domingo é impensável para muitos. Mas Kubica não está nem aí para isso. Ele vive a vida dele e é isso que importa. Quem quiser se identificar, que se identifique. Se não, que vá plantar batatas na Cracóvia.

É por isso que Kubica deveria ser admirado incondicionalmente pelo que fez e faz. Porque ele é autêntico e não segue regras predeterminadas e nem fica se martirizando por estar na posição que está. Ele usa dessa condição de astro para ser feliz fazendo o que gosta. Se alguém não consegue entender isso, é porque está longe de saborear o que de bom a vida pode oferecer.

Se esse for o seu caso, corra para o psicólogo, faça alguns meses de análise e comece a se ocupar do que importa para você e sua felicidade, e não se preocupe com a felicidade e os infortúnios dos outros. Inspire-se e viva.

2 - Sobre a (falta de) segurança no rally

No rally, o controle sobre a segurança é deveras limitado

Francamente, discutir segurança no rally não é igual discutir segurança na F1. F1 é praticamente um balão de ensaio. A categoria esportiva mais cara do planeta tem um investimento em segurança diretamente proporcional a esse poderio financeiro. Se ainda é falha ou não, isso não importa. A segurança aumenta todo dia a olhos vistos.

Tudo é controlado na F1. Os novos autódromos são desenhados milimetricamente para que o piloto tenha o maior número de elementos possível que o separe da parede mais próxima.

Lembra do Tilke? Pois é, seus autódromos são chatos? Provavelmente são, mas também são os mais seguros do calendário. Não é à toa que grandes pistas já sumiram da temporada (Ímola lembra alguma coisa?) e outras tendem a sumir se não se adaptarem.

São áreas de escape, chicanes, brita, areia, asfalto mais aderente, zebras menos altas, muros reforçados e protegidos com pneus e mais pneus... a lista é infinita, para não falar dos itens dentro do cockpit.

O rally, embora forte no mundo da velocidae, está longe de ter a mesma preocupação, porque tem bem menos espectadores e, por conseguinte, menos dinheiro. Mas não é só isso.

As pistas são em locais irregulares, uma nunca é igual a outra e muitas vezes os pilotos mal sabem onde e como será a próxima etapa. Eles confiam cegamente em seu escudeiro, o copiloto.

Basta assistir ao vídeo abaixo de Kubica no 34° Rally 1000 Miglia... é possível controlar algum dos elementos fora do carro?



Não.

E mesmo que o guard-rail que empalou seu carro tivesse sido mal instalado, isso não depõe em nada contra a organização de um rally, qualquer que seja. É o chamado freak accident, quando todas as improbabilidades se unem por uma fração de segundo e algo catastrófico acontece. É só estudar a morte de Senna para concluir isso...

O rally é uma caixinha de boas e más surpresas

Resumo da ópera? A segurança no rally não tem nada a ver com o acidente de Kubica. Muitos vão bater nessa tecla a partir de agora e certamente a segurança na categoria VAI aumentar, mas não vai impedir que acidentes como esse se repitam a cada vez que os planetas do Sistema Solar se alinharem de um determinado jeito em uma determinada hora...

3 - Sobre a substituição de Kubica

Já foi falado neste blog mais de uma vez (aqui e aqui) sobre a maldição que recai sobre o primeiro-sobrinho, Bruno Senna Lalli. Ora, o blog Bandeira Verde postou um brilhante retrospecto da carreira do rapaz que ajuda a ter uma visão mais realista sobre quem é o piloto profissional Bruno Senna... porque da celebridade global, todo mundo já cansou.

Tudo indica que os testes darão a vaga a Nick Heidfeld, um morto-vivo, mais morto do que vivo, que continua rondando o paddock sempre em busca de uma chance... E não é como se o Splash-and-go não gostasse do alemão barbudo...

Pelo contrário, é um excelente piloto e, do ponto de vista do pragmatismo, merece a vaga de fato e de direito. Afinal, bateu Kubica por dois anos em três dos que foram companheiros, e isso não é pouca coisa.

Mas nada tira a sensação de que Bruno não foi talhado para a F1. Se não pelo talento (ou falta dele), por uma maldição... É a segunda vez que Senna tem a chance de entrar na F1 chutando a porta... e pela segunda vez ele deve perder a parada para um velho aposentado.

Primeiro em 2008 na Honda, que acabou sendo comprada por Ross Brawn que recrutou Rubens Barrichello, mesmo elogiando Senna. Agora com a Renault, que vai de novo chutar seu traseiro com vistas a um piloto experiente e rodado...

Os anos longe do automobilismo estão custando muito caro a Bruno, porque caso tivesse seguido a carreira normalmente, teria muito provavelmente chegado na F1 mais cedo e, por agora, teria aí pelo menos três anos de experiência em equipes menores e seria uma opção mais séria para Eric Boullier e a cúpula da equipe...

Com o perdão do trocadilho, essa "cena" não se repetirá em 2011

Mas não foi isso que aconteceu e, a não ser que Bruno encarne seu tio nesse fim de semana em Jerez de la Frontera, provavelmente é a última vez que ele terá uma chance real de pilotar um carro competitivo na F1. E o Brasil mais uma vez estará torcendo por Felipe Massa e... Rubens Barrichello.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Os ameaçados

A temporada de 2011 será essencial para uma série de pilotos e equipes que se encontram na famosa “tábua da beirada”. Alguns por razões óbvias, outros por circunstâncias complexas. O cenário é um só: 2011 precisa ser melhor que 2010 para estas personagens. Mas quem são elas?

Nosso quase-campeão Felipe Massa está definitivamente na posição mais difícil do grid, não só dentro como fora da pista. O brasileiro ocupa hoje o assento mais cobiçado de todo o mundo do esporte a motor. Você, leitor, conseguiria imaginar a pressão?

Olhando a carreira de Massa principalmente dentro da Ferrari, é possível notar que ele sempre fez um trabalho muito bom, embora talvez não tão constante quanto se gostaria. A falta de constância dele em 2008 pesou muito na perda do título para Lewis Hamilton. Em 2009, Massa estava fazendo uma temporada excelente no fraco F60 até o acidente do GP da Hungria, que acabou ofuscando o trabalho do piloto até então.

Para Felipe Massa, 2011 é um divisor de águas. Para permanecer na Ferrari, ele precisa estar colado em Alonso na tabela de pontos durante todo o ano. Simples assim. Não cabe aqui discutir os benefícios de Massa permanecer ou não na Ferrari. Isso é assunto para outra hora.

Em outro ponto do paddock, está Michael Schumacher. É hipocrisia dizer que o alemão está “ameaçado”. A situação dentro da Mercedes é outra, mas todos sabem que um 2011 que repita a performance ridícula do heptacampeão em 2010 será quase que garantidamente o motivo de sua segunda aposentadoria.

Não é nem tanto uma questão de a Mercedes querer vê-lo pelas costas, mas aqui entra, é claro, o próprio Schumacher. Por mais que ele tenha sido o Sr. Sorriso na temporada passada, dizendo aos quatro ventos que estava se divertindo sem nenhuma pressão, a F1 continua sendo um esporte de milhões e milhões de dólares e uma marca como a Mercedes-Benz não pode se dar ao luxo de dar carrinhos de corrida para seu filho mais velho dar voltas em pistas do mundo todo.

Cada ponto na tabela é fundamental e Schumacher deixou de marcar muitos deles em 2010, seja em função do carro não tão bom, seja em função dos pneus, seja em função de sua própria falta de capacidade devido à idade. Em 2010, Schumacher brincou de pilotar. Em 2011, ele vai ter que voltar a pilotar de verdade, ou então vai descobrir que seu heptacampeonato não garante lugar no grid nem para ele, nem para nenhum outro piloto.

Outros dois pilotos que estão sempre em vias de dizer adeus à F1 são Rubens Barrichello e Jarno Trulli. O veterano italiano já pôs a boca no trombone este ano dizendo que a Lotus esteve abaixo de suas expectativas. Não é elegante dizer isso quando seu companheiro de equipe lhe deu um relativo banho na pista, mas Trulli o fez. É quase certo que Trulli deixe a F1 em 2011, mas se a Lotus lhe entregar um carro competitivo, pode ser que ele desencante e ganhe motivação para ir além.

Desde 2005 Rubinho sempre esteve na lista de desempregados do ano seguinte, a não ser após a fantástica temporada de 2009 com a Brawn GP. Mas a pressão continua porque Rubens só se manteve na Williams com tanta certeza porque Sir Frank e Patrick Head descolaram os petrodólares de Pastor Maldonado. Por essa razão, o brasileiro terá um 2011 relativamente tranquilo para trabalhar e levar a Williams em direção à Renault e à Mercedes. Mas tem que mostrar o serviço que geralmente mostra para manter a o sonho de ser campeão vivo.

A dupla da Toro Rosso, Jaime e Sébastien, também estão na alça de mira da cúpula da equipe. Diz-se que STR está à venda, o que não foi confirmado pelo todo-poderoso dono da Red Bull. Já está claro que nenhum dos dois jovens pilotos estão no mesmo patamar de Sebastian Vettel, mas hoje ambos têm um importante aliado na busca por novas equipes: experiência. De todo modo, para a Toro Rosso, os dois pilotos não farão diferença se tiverem mais um ano fraco, sem grandes destaques, ainda que o carro que lhes é oferecido não dê condição para tanto.

Por fim, dos que estão sentados no cockpit, o russo Vitaly Petrov é uma das maiores incógnitas da categoria. E talvez, por isso mesmo, tenha a situação mais instável, mesmo com a promessa da expansão do mercado de várias empresas para a Rússia. Vitaly é um excelente piloto, não resta dúvida disso. Entretanto, Kubica é fora de série, o que acaba ofuscando seu talento, e o jovem piloto também precisa trabalhar sua consistência, inclusive terminando mais provas e melhorando consideravelmente nos treinos de classificação. O assento da Renault é importantíssimo no médio prazo para a dança das cadeiras da F1 e Petrov será avaliado duramente no decorrer de seu segundo ano na categoria.

Já entre as equipes, o ano da HRT, não é preciso lembrar, será decisivo. Não se sabe de onde veio, nem para onde vai, mas Carabante, sua família e seus executivos precisam definir prioridades. O objetivo da equipe não parece definido em nenhum aspecto. Se serve de suporte para os negócios de Carabante, se serve como um escape esportivo para a alma competitiva do empresário espanhol, se serve de máquina de lavar dinheiro...

A sorte está lançada para o pessoal presente nesta lista.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Caption this!

Em descontraído evento anual da Ferrari na Itália, Massa reafirma que não é segundo piloto na equipe

Imagem postada originalmente aqui.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Splash-and-go: Feliz Natal e até 2011

O blog agradece a todos os visitantes que coloriram este espaço em 2010.

Daqui a alguns dias o Splash-and-go está de volta com o conteúdo que você já se acostumou a ver por aqui.

Um feliz Natal e um 2011 vibrante! Para fechar o ano, só ilustrando com o mico que alguns dos nossos pilotos preferidos têm de pagar por ganharem milhões de dólares por ano...

Clique para ampliar

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

2010 - As cinco maiores decepções do ano

1 – Massa

Ao menos no Brasil, Felipe Massa chega perto da unanimidade quando o assunto é decepção. Talvez não tanto por ter sido derrotado por Alonso, mas sim pela margem que o espanhol colocou sobre o brasileiro. Foram 108 pontos de diferença, o que significa que o vice-campeão de 2010 marcou em média 5,6 pontos a mais que Massa por corrida. Cinco pontos é quase o que o sétimo lugar ganha ao fim de cada fim-de-semana. Pilotos como Kobayashi, Hulkenberg e Liuzzi tiveram como melhor colocação no ano um sexto lugar enquanto a melhor colocação de Buemi na Toro Rosso foi um oitavo no Canadá. Com a mesma máquina, Felipe teve uma diferença (negativa) constante para Alonso ao longo do ano.

A temporada de Massa se resume em sua ausência da foto acima

Não interessa aqui apontar as razões para essa performance fraca de Massa, um vice-campeão mundial de F1. O fato é que se esperava mais dele, muito mais. Por ter marcado apenas 57% dos pontos de Fernando Alonso durante o ano, Felipe Massa foi a maior decepção de 2010.

2 – Schumacher

No resto do mundo, a briga é ferrenha entre Schumacher e Massa como maiores decepções do ano. O heptacampeão ganha o benefício da dúvida no entanto por causa de seu hiato de três anos fora da categoria. Isso não impede que houvesse por parte dos fãs da F1 uma grande expectativa sobre a performance do alemão. A exemplo de Massa, ninguém esperava que Schumacher levasse um passeio de Rosberg. E foi um grande passeio. Nico marcou praticamente o dobro de pontos de Schumacher (50,7%) e raramente brigou com o veterano lado a lado na pista, pois largou na frente 13 vezes e se manteve lá, chegando a três pódios no ano. Sempre que foi promessa, Schumacher correspondeu às expectativas. Pela primeira vez Michael não deu conta do recado, mas na F1, como na vida, promessa é dívida. Embora a Mercedes faça mistério e Schumacher diga que os novos pneus vão ajudá-lo, a vida tende sempre a ser mais difícil não só para ele, mas para todo o restante do grid.

3 – Heidfeld

Como toda sua carreira, Heidfeld mais uma vez foi discreto como lhe é de costume. Voltou sem barulho, correu quatro corridas e voltou para o ostracismo. Talvez não seja de todo justo colocá-lo nesta lista, mas Quick Nick é o homem que bateu Kimi Raikkonen, Felipe Massa e Robert Kubica. Um currículo invejável na F1 atual. Embora passe despercebido, Heidfeld tem um séquito de seguidores, fãs e admiradores espalhados pelo mundo que torceram como nunca para que ele conquistasse a vaga de titular na Mercedes depois de duas tentativas frustradas de ingressar na McLaren. Quando foi anunciada a substituição de Pedro de la Rosa pelo alemão, muitos vibraram com a perspectiva de vê-lo digladiar-se com Kamui Kobayashi. Mas pura e simplesmente, Kamui bateu Heidfeld em três das quatro corridas, tanto em classificação quanto nas provas. Noves fora, um resultado que certamente foi o último prego no caixão do piloto alemão na F1.

4 – di Grassi

Colocar um piloto de uma das novas equipes nesta lista é temerário, mas ao se comparar a temporada de todos eles, é fácil perceber que Lucas di Grassi foi o piloto que menos conseguiu combater seu companheiro de equipe, principalmente na classificação. Perder para Glock desta forma diz mais sobre o brasileiro do que sobre Timo, que não é nenhum top de linha da categoria, embora tenha tido seus momentos. Por di Grassi não ser um nome “de grife” no Brasil, sua entrada na F1 foi pouco comentada, mas, ao mesmo tempo, sua condição de franco-atirador lhe dava menos pressão para trabalhar e tentar cavar seu lugar na F1. Ao fim de 2010, di Grassi foi chutado pela Virgin para a entrada do belga Jerome D’Ambrosio. Cereja no bolo.

5 – Liuzzi

Ao lado de Hulkenberg e Petrov, o italiano da Force India foi o único piloto a marcar menos da metade dos pontos de seu companheiro. A diferença é que Liuzzi é um piloto experiente, enquanto que Hulkenberg e Petrov estavam em suas temporadas de estreia. Além disso, o alemão, que figurou na lista do Splash-and-go dos melhores pilotos em carros não vencedores, teve uma temporada de ascensão, enquanto Liuzzi começou bem, mas acabou por cima do carro de Schumacher no GP de Abu Dhabi. Quando substituiu Fisichella em 2009, Liuzzi teve boas performances enquanto o enferrujado Luca Badoer e o próprio Fisichella, que correu pela Ferrari substituindo Massa, fizeram corridas para esquecer. Este ano era de se esperar que evoluísse e desse combate ao talentoso Sutil. O que se viu no entanto foi um banho do alemão, principalmente na classificação. O assento de Liuzzi em 2011 talvez estivesse melhor aproveitado por pilotos como o próprio Paul Di Resta, test driver da Force India, ou Bruno Senna, que parece estar cada vez mais próximo da porta de saída da F1.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Vídeo da semana

Massa tropeça a caminho do pódio no GP da Coreia. Um instantâneo que simboliza a temporada do brasileiro...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Vídeo da semana

Para quebrar o gelo, Massa e Alonso visitaram o Ferrari World em Abu Dhabi, um dos maiores centros de entretenimento tendo como tema o esporte a motor no mundo.

O parque foi inaugurado em 4 de novembro e conta com essa belezinha em que os pilotos estão, a montanha-russa mais rápida do planeta.

Simplesmente HILÁRIO!!!


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O grid em 2010: um retrato infiel do campeonato

Observe a tabela abaixo:
  1. Vettel - 2,1
  2. Webber - 2,1
  3. Hamilton - 5,5
  4. Massa - 6,5
  5. Alonso - 6,79
  6. Button - 7,14
  7. Kubica - 7,14
  8. Rosberg - 8,07
  9. Barrichello - 10,29
  10. Schumacher - 10,36
Os números acima representam a posição média em que cada um desses pilotos largou até agora no campeonato. Por uma coincidência incrível, os dois pilotos que mais largaram na frente este ano dividem a primeira posição com uma média exatamente igual.

Agora compare com os 10 pilotos mais bem posicionados no campeonato:
  1. Webber - 187
  2. Hamilton - 182
  3. Alonso - 166
  4. Button - 165
  5. Vettel - 163
  6. Massa - 124
  7. Rosberg - 112
  8. Kubica - 108
  9. Schumacher - 46
  10. Sutil - 45
Vettel: número 1 de mentirinha

Repare em algumas contradições.
  • A primeira, obviamente, é Vettel, que embora tenha feito sete pole positions no ano, ocupa apenas a quinta colocação no campeonato; um baixíssimo aproveitamento de posição de largada em relação aos pontos conquistados.
  • A segunda contradição é Massa, que supera Alonso por pouco, mas está muito atrás no campeonato, com 42 pontos a menos que o espanhol. Isso, é claro, com a ingerência da Ferrari, mas não deixa de mostrar a contradição.
  • A terceira é o péssimo aproveitamento de classificação de Jenson Button em relação à sua posição na tabela. Com apenas um ponto a menos que Alonso, o inglês ocupa a quarta colocação no campeonato, mas na média das largadas, sai do Top 5 empatando com Robert Kubica, que está nada menos que 57 pontos atrás de Button. O atual campeão do mundo tem feito milagres saindo das posições em que tem saído.
  • A quarta é a troca de posições de uma tabela para outra, entre Rosberg e Kubica. Uma clara vantagem do alemão em ritmo de corrida sobre o polonês ao longo da temporada.
  • A quinta é a "intrusão" de Sutil na segunda tabela entre os 10 primeiros, enquanto na primeira ele nem aparece. Ao contrário de Rubinho, que aparece entre os 10 na primeira, mas sai na segunda. Isso significa que Sutil capitaliza mais pontos nas corridas enquanto Rubens tem melhor ritmo de classificação.
  • Por fim, e isso não é uma contradição se você não considerar o fato de quem estamos falando, Michael Schumacher, que tem a pior média de largada entre os 10 primeiros e ocupa a mesmíssima décima posição na tabela do campeonato. Nada mais justo para o heptacampeão, que faz a temporada mais medíocre de sua carreira, seja por causa do carro ou não.
A primeira tabela explica em parte porque a Red Bull tem a melhor chance de vencer ambos os campeonatos esse ano. A diferença de 2,1 de Vettel e Webber para 5,5 de Hamilton é abismal. É claro que o inglês tem sido mais eficiente nas corridas, pois mesmo com essa performance, está a apenas cinco pontos do líder, que larga em média três posições À FRENTE de Lewis.

A primeira tabela demonstra também a capacidade de adaptação universal da Red Bull a qualquer tipo de traçado, o que não ocorre com Ferrari e McLaren, e muito menos com a Mercedes.

É por essas e outras que nas últimas cinco corridas, a Red Bull terá chance de não só manter como melhorar a sua média de posição de largada e, consequentemente, estar em uma posição privilegiada para marcar pontos e vencer.


As pistas de Interlagos e Suzuka são pole positions garantidas para os rubrotaurinos, restando apenas a formalidade de saber qual dos dois pilotos fará as honras da primeira posição.

Abu Dhabi e Cingapura também são territórios positivos para a equipe. A incógnita fica a cargo do circuito da Coreia, mas este, pelo que se viu, não deve dar trabalho a Webber e Vettel.


O carro que Adrian Newey desenhou para seus pilotos é algo fora do normal e vai ser muito, mas muito difícil tirar o título das mãos de um dos pilotos da equipe. Mark Webber está muito próximo de ser o primeiro australiano campeão do mundo desde 1980. Vai ser coroado rei da Austrália caso isso ocorra.

sábado, 11 de setembro de 2010

Classificação GP da Itália: resultados reveladores

A pista de Monza é única em vários aspectos, mas o que mais diferencia o circuito do restante do calendário é sua média de velocidade muito mais alta que o comum e como as características da pista demonstram claramente que a Red Bull de fato é o melhor carro do campeonato.

Alonso pole: resultado é bom para o campeonato, mas ilusório

De nada adianta fazer uma pole-position cinco décimos mais rápida que o tempo do vice-líder do campeonato, no caso de Alonso sobre Webber, ou do líder, Hamilton, se essa pole vem em uma das pistas mais bizarras da temporada. A diferença entre o tempo de Alonso e do 10º colocado, Rubens Barrichello, foi de 1,3 segundo, um tempo relativamente grande em uma pista que tem um tempo de volta pequeno.

Como em 2009, quando Raikkonen e Fisichella brilharam em Spa, mas apenas lá, este ano Monza volta a mostrar uma distorção com o domínio da Ferrari que, na verdade, só demonstra o quanto a Red Bull é mais eficiente onde realmente importa: curvas. E, é claro, a maioria das pistas da temporada pedem domínio nesse quesito, e não em retas.

Dito tudo isso, é realmente notável a dificuldade da Red Bull de andar bem em grandes retas, quando entra em jogo a potência do motor pura e simples e pouco arrasto aerodinâmico. Mesmo assim, Mark Webber ainda conseguiu se dar bem sobre Lewis Hamilton, que embora tenha cometido um pequeno erro em sua volta rápida, tinha carro para ficar lado a lado com Massa ou Button.

Jenson, aliás, brilhou com sua opção de usar o F-Duct em detrimento de pouca asa, opção da maioria dos pilotos. O inglês foi perfeito e, a exemplo do ano passado, tem boas chances de incomodar Alonso na pole, considerando que ele largue bem da segunda colocação e não perca a posição para Felipe Massa.

A corrida vai ser toda definida na largada, pois, diferentemente de 2009, não haverá estratégias de reabastecimento para manter o mais eficiente na pista. Em Monza, sem reabastecimento, com a pequena diferença relativa entre os carros, passar na pista é ainda mais difícil. Resta segurar o fôlego e esperar uma primeira curva de lascar!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Vídeo da semana

Que Massa parou seu carro fora do seu gridbox na largada do GP da Bélgica, ninguém duvida e o vídeo está aí para provar.

Pode haver muitas causas para a largada de Felipe. Uma delas é uma soliticação prévia à direção de prova para desalinhar devido a uma mancha de óleo no chão, por exemplo. Note que de fato existe uma mancha negra onde estariam os pneus traseiros (os que dão tração) do carro de Massa.


Entretanto, caso Massa realmente tenha cometido um equívoco, muitos disseram que a FIA nada fez por causa de vários precedentes. Este ano mesmo Mark Webber largou de fora do seu lugar e em outros anos aconteceu o mesmo com outros pilotos.

De todo modo, nos anos 70 a coisa não era bem assim. Além de totalmente desalinhados, os carros muitas vezes queimavam a largada, largavam em movimento ou bizarrices do tipo.

Assista a esse incrível vídeo com a as cenas originais transmitidas no dia da largada do GP da Inglaterra de 1973 e delicie-se com a doce irresponsabilidade da F1 de outrora.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Titônio Massa rasga o verbo

Em entrevista à CATVE de Londrina, Paraná, o pai de Felipe condena a atitude da Ferrari.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

GP da Alemanha: qual seria a punição adequada?

No exterior, há quem diga que os únicos a serem punidos deveriam ser Domenicali, Rob Smedley e o próprio Massa. Felipe recebeu grande parte das (más) atenções por ter deixado Alonso passar e, também, dizer que foi decisão sua de deixá-lo passar.

Depois da multa máxima dada pelos comissários à Ferrari de US$ 100 mil, qual seria a punição mais correta a ser imposta pelo conselho em setembro?

Na opinião deste blog, Ferrari, Alonso e Massa deveriam ser desclassificados do GP da Alemanha, ou seja, perderiam todos os pontos do campeonato de construtores e de pilotos que ganharam naquela corrida.

Desta forma, o objetivo único e principal da equipe ao dar as ordens -os pontos- não seria alcançado e a Scuderia passaria em branco. Uma multa mais pesada também não poderia ser decartada, mas ela sozinha não é suficiente para impedir que a equipe faça isso de novo

Em 2002, quando ocorreu a patuscada da Áustria, a Ferrari não recebeu punição pelas ordens em si, já que eram legais, mas apenas pela quebra de protocolo no pódio a equipe amargou um prejuízo de US$ 1 milhão, o que, há de se convir, é uma multa já mais significativa do ponto de vista financeiro.


Uma "suspended race ban" também não seria de todo má, ou seja, o banimento da equipe de uma corrida nos próximos 12 meses (ou mais) caso a ação seja repetida. É um banimento condicional (por isso se chama SUSPENDED ban).

É apenas uma forma de deixar a espada de Dâmocles sempre sobre a cabeça de Domenicali e cia. Faria com que eles pensassem duas vezes antes de destilar bobagens na pista.

E na sua opinião, qual seria a punição mais adequada para a Ferrari (se é que você a considera culpada)? Responda na enquete ao lado e dê seu parecer nos comentários.

domingo, 25 de julho de 2010

Felipe Massa: * 25 de abril de 1981 - † 25 de julho de 2010

Quem diria... Exatamente um ano depois de sua experiência de quase morte no GP da Hungria, Felipe Massa se jogou em um jazigo, agora esportivo, e matou um dos esportistas mais respeitados que o Brasil já teve.

É uma coincidência fúnebre, para ficar nos trocadilhos mortais, mas o que se viu hoje no GP da Alemanha é triste, é sem graça, é simplesmente contra o senso do esporte, da disputa limpa e justa.

Tudo isso é clichê para este e outras centenas de blogs, sites, jornais, revistas, fóruns, etc., claro. Mas o fato de ser possível testemunhar a morte de um esportista do calibre de Felipe Massa de forma tão insossa torna a F1 ainda menos colorida, menos vibrante, menos veloz.

Não cabe discutir os contratos, as circunstâncias, os companheiros de equipe, as próprias equipes... independentemente disso tudo, o dia 25 de julho viu mais um piloto brasileiro morrer abruptamente.

Talvez nem o campeonato mundial possa fazê-lo ressucitar, mas, caso haja essa possibilidade, não será na Ferrari que Felipe Massa terá sua ressurreição como esportista.

E não será também ao lado de Fernando Alonso que, de forma também coincidente, era companheiro de outro brasileiro, Nelsinho Piquet, que morreu há pouco menos de dois anos no GP da Cingapura, quando ambos corriam pela Renault.

Então, descanse em paz Felipe Massa. Não cabe aqui julgá-lo, mas cabe decretar, de forma inexorável, sua morte. É uma pena que você vá efetivamente passar desta para uma melhor só ao fim do ano que vem, quando acaba seu contrato com a Ferrari. Será um limbo e tanto.

Hoje, o Brasil todo volta a torcer para o Rubinho, que deve estar gargalhando no motorhome da Williams, nem tanto por Felipe, seu amigo, mas sim por todos os brasileiros que também o viram morrer no GP da Áustria em 2002. Nada como um dia, ou um giro, depois do outro...

sábado, 3 de julho de 2010

Caption this!

di Grassi: Hmmmm, a Ferrari pode ser melhor que a Virgin, mas nosso mobiliário tem muito mais estilo... que cadeiras horrorosas!

Dudu Massa: Será que se eu virar o rosto assim de perfil eu fico mais parecido com meu irmão famoso...?

Felipe Massa: Se eu puser meu pulso nessa posição o fotógrafo vai pegar meu relógio direitinho e ainda tampar o símbolo da Nike... nunca ganhei dinheiro tão fácil!

Senna: Meu carro é um lixo, mas minha vida é boa pra %#$@%#$@!!!

Barrichello: Caramba, estão garfando o Brasil!!! Tenho certeza que o juiz se chama Brawn!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Felipe Massa: por que a Ferrari acertou

A notícia de que a Scuderia Rossa renovou com Felipe Massa por mais dois anos caiu como uma bomba para uma grande parcela dos fãs da F1 no exterior. Na atual forma de Webber e Kubica, parecia claro que Massa, que não tem se dado tão bem contra Alonso, perderia seu posto ao fim do ano para um desses dois pilotos.

A grande interrogação nas rodas de discussão é a seguinte: não deveria a Ferrari esperar mais do que sete corridas para de fato avaliar o custo-benefício de se ter uma dupla explosiva como Massa e Alonso na mesma equipe não por mais uma, mas por mais DUAS temporadas?

Até agora, a equipe parece estar em uma espécie de limbo, inclusive tendo Alonso declarado que a corrida da Turquia foi a pior da Ferrari até agora. Não é muito bom que outras equipes como Renault e Mercedes estejam evoluindo enquanto, na sétima etapa do campeonato, sua estrela classifique a performance do seu time como fraca.

Aparentemente 100% das dúvidas que se tinha em relação à volta de Massa às pistas foram dirimidas. O piloto continua rápido e consistente. Alonso é MAIS rápido, mas está MAIS inconsistente. Fernando deveria seguramente estar muito mais próximo da liderança do campeonato não fosse sua série de infortúnios este ano.

Mas então, por que a Ferrari acertou? Felipe Massa não é Rubens Barrichello e talvez não seja inclusive tão bom quanto o veterano foi em seu auge na Stewart e na própria Ferrari, mas o fato é que a Scuderia sempre valorizou pilotos que considerem-na MAIOR do que eles mesmos. Alonso parece estar consicente disso e Massa sempre esteve.

Felipe Massa é um guerreiro e um piloto de uma humildade marcante. Não é à toa que a Ferrari o pegou para criar e até hoje o mantém em seus quadros. Seria idiotice trazer Fernando Alonso, uma estrela de primeira grandeza e que nunca conheceu o ethos da equipe e no ano seguinte trazer outro novo piloto do nada. A estrutura poderia ser comprometida.

Ao renovar com Massa, a Ferrari garante que poderá controlar ao menos uma garagem no seu pitbox em caso de conflito e sabe exatamente o quão rápido e competitivo Massa pode ser tanto em situações de calmaria como de alta pressão. É uma aposta nos fundamentos, uma aposta conservadora e prudente. A aposta de alto risco eles já fizeram ao ficar com Fernando Alonso.

Parabéns Massa!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

GP de Mônaco: o franco-atirador

Se você acompanha o Splash-and-go, sabe que este escriba não simpatiza e nunca simpatizou com o polonês Robert Kubica. Se não por seus resultados até 2009 pouco consistentes, pelo simples fato de "Quick" Nick Heidfeld, muito menos badalado, ter batido o polaco em dois dos três anos que correram juntos na BMW, fato este que derruba o frenesi que se causou em cima de Kubica.

Becken Lima aliás fez em seu F1 Around um bom apanhado da disputa entre os dois nesses três anos e apontou de forma clara e inequívoca a derrota do polonês. Além disso, embora Heidfeld nunca tenha vencido, não fosse uma série de desventuras dos primeiros colocados, Kubica também não teria tido sua almejada primeira vitória em Montreal em 2008.

Essa introdução serve apenas para demonstrar que é possível ter uma visão e depois mudá-la. Ser levado pelos fatos a trocar de lado, a rever sua posição e admitir que estava errado. Kubica este ano está simplesmente fora de série. O autor deste blog está quieto no seu canto saboreando uma amarga "humble pie", algo como as "sandálias da humildade" dos britânicos.

Neste post, o Splash-and-go cravou que Kubica nada faria de diferente pela Renault e recíproca seria verdadeira. Mas hoje é justo dizer que, embora provável, tal situação está se mostrando irreal. A Renault tem feito um trabalho incrível e, não fosse Petrov no segundo assento desperdiçando pontos, é provável que estivesse até à frente de Mercedes e McLaren no campeonato de construtores.

Isso não é pouco para uma equipe que, após o campeonato de 2006, se tornou medíocre, mesmo nas mãos do grande Fernando Alonso. Para completar, o escândalo de Cingapura e as péssimas performances de Piquet Jr e Grosjean não ajudaram a levantar o nome da gigante francesa.

Mais eis que surge Robert Kubica com uma performance sensacional, uma tenacidade de campeão, uma motivação de estreante. "Mas Mônaco é uma pista diferenciada. Uma exceção à regra", dirão alguns. É, mas basta uma rápida olhada na tabela de pontos para ver que o polonês está "on fire".

Com 59 pontos, empatado com Hamilton, mas à frente do inglês por conta de critérios de desempate, a dois pontos de Felipe Massa, dois pódios e um quase terceiro lugar na Malásia, Kubica ocupa o sexto lugar na tabela, mas a uma distância curta de Jenson Button, quarto lugar, com 70 pontos.


É razoável dizer que Kubica perdeu o segundo lugar em Mônaco na largada. Preocupado que estava em bloquear Vettel, quase perdeu a posição para Massa, mas conseguiu se manter em terceiro. Foi nítida a falta de grip de Kubica, pois Vettel e Webber largaram na mesma toada e melhor.

Foi uma pena porque depois da largada, Kubica se manteve firme atrás do alemão enquanto Webber sumia à frente. Vettel parecia de fato não estar na sua melhor forma, mas mesmo assim, ele pilotava a mesmíssima Red Bull de Webber que com certeza é um carro bem melhor que o R30 de Kubica.

A Mercedes era considerada a quarta força do campeonato,
mas Kubica está estragando a festa das flechas prateadas


Neste momento, o melhor para o campeonato é assistir à ascensão de Robert Kubica, se colocando firmemente entre as duas McLaren de Hamilton e Button, separando também as duas Ferrari de Massa e Alonso e, o melhor, deixando o chassi W01 de Schumacher e Rosberg para trás.


O GP da Turquia muito provavelmente voltará a ser dominado pelas Red Bull, mas será interessante continuar especulando qual dos times do G4 Kubica vai "partir" ao meio. Não tem nada mais interessante que um franco-atirador com claras chances de título para o campeonato pegar fogo.

Que o diga Kimi Raikkonen em 2007.

sábado, 8 de maio de 2010

Classificação GP da Espanha: continua o calvário de Massa

Era algo meio que aceito entre as rodas de conversa da F1 que Alonso poderia bater Massa durante o ano, mas certamente ninguém esperava a dominância do espanhol sobre o brasileiro nos treinos de classificação, principalmente agora na quinta corrida quando o placar chega a humilhantes 4 a 1 para Fernando.

Felipe Massa sempre foi um piloto muito rápido e suas performances inclusive diante de Kimi Raikkonen mostravam que uma de suas grandes forças são as voltas lançadas em condição de classificação.

A questão agora é: Massa piorou sua performance ou Alonso está realmente colocando o brasileiro em seu lugar? Tanto no Q1 quanto no Q3, Alonso ficou a distantes seis décimos de segundo do brasileiro enquanto no Q2 a diferença caiu um pouco, para apenas três.

Entretanto, essa difereça de seis décimos é a mesma que muitas vezes Alonso impunha sobre Nelson Piquet Jr. quando ainda na Renault. Seria Massa tão lento quanto Piquet? Ou seria Alonso REALMENTE seis décimos mais rápido que qualquer companheiro de equipe? É bom lembrar que Piquet nunca teve uma chance de realmente se mostrar em uma equipe que lhe tratasse como ao menos um piloto decente.

Felipe Massa foi o único piloto desde 1980 a vencer o GP da Espanha sem nunca ter sido campeão mundial. Todos os outros vencedores levaram o caneco em algum ponto, incluindo Michael Schumacher, que tem impressionantes seis vitórias no circuito catalão.

Acontece que na corrida de amanhã Massa estará tão distante da vitória como em qualquer corrida do ano passado, quando a Ferrari era seguramente um péssimo carro. E Fernando Alonso, oito pontos à frente do brasileiro no campeonato, segue nesta etapa para aumentar a distância e também os rumores de que este será o último ano de Felipe na equipe rossa.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

GP da China: o que há com Felipe Massa?

Antes de mais nada, é bom deixar claro... Pode ser que não haja NADA com Felipe Massa. O que pode estar havendo é simplesmente a constatação de que Fernando Alonso é um piloto excepecional, muito melhor do que Kimi Raikkonen jamais conseguiria ser.

O carro da Ferrari este ano está meio passo atrás das Red Bull e das McLaren, mas esse meio passo é reversível e a equipe rossa deve vir com tudo no GP da Espanha em Barcelona, daqui a três semanas.

De todo modo, conhecendo Felipe Massa, é mais prudente acreditar que existe algo mais do que simplesmente a diferença de talento entre o brasileiro e o espanhol. Da primeira perna asiática do campeonato, chega-se às seguintes conclusões:
  • Massa está tendo dificuldades tremendas de adaptação ao carro, embora não seja possível dizer a razão;
  • Alonso é simplesmente impecável na adaptação. A exemplo de Jenson Button, Fernando chegou e se aclimatou rapidamente à Ferrari. Parece não ter deixado o mito Ferrari subjugar a equipe Ferrari 2010, que é uma equipe normal, que comete erros e ainda lambe as feridas dos dois últimos campeonatos;
  • a Ferrari sofre sérios problemas com seus motores;
  • a chuva definitivamente não ajuda Felipe Massa;
  • Alonso tem se mostrado, para espanto de alguns, mais rápido na classificação;
  • Alonso cansou de bancar o bonzinho;
  • Massa percebeu, mas não deixa transparecer fora da pista o que sofre dentro dela.
Não há dúvida de que Felipe Massa não sofre nenhuma sequela de seu acidente pavoroso em 2009, mas ao mesmo tempo, parece não conseguir colocar em prática a agressividade pela qual ficou conhecido na Sauber.

Felipe ficou várias voltas preso atrás de Rubens Barrichello e Michael Schumacher com carros muito mais lentos, enquanto Alonso passou facilmente pilotos como Adrian Sutil, que aliás, fez uma tremenda corrida.

Alonso: tolerância zero

Além disso, o incidente na entrada do pit mostrou que Alonso não estava mais afim de ficar preso atrás de um Massa muito mais lento como havia ficado na Austrália e na Malásia. Acabou a paciência!


Com a ultrapassagem, Massa perdeu pelo menos duas posições na pista e Alonso ganhou uma boa vantagem. É a diferença entre um pódio e um décimo lugar representada em uma certeira, embora polêmica, manobra. A decisão de um campeão.

Uma coisa é certa. É por causa das loucas corridas molhadas desta fase europeia que Alonso não está solidamente liderando ou ao menos numa confortável segunda posição no campeonato, e isso não é nada bom para Felipe Massa.

Ainda assim, o asturiano fez o que pode para se recuperar da quebra do seu carro na Malásia e da queimada de largada na China. Já Felipe Massa parecia liderar a tabela mais por circunstância do que por mérito, algo que, aliás, ele sabia bem.

Diante da relação de forças que existe na F1 2010, o sexto lugar ocupado por Felipe Massa hoje é mais representativo do que o brasileiro realmente fez até agora. No apanhado das corridas, não era justo que ele estivesse à frente de Button, Hamilton e Alonso.

São quatro corridas, quatro etapas e 100 pontos distribuídos. Continua cedo para afirmar verdades, mas até quando será cedo? Em algum momento o que era cedo passa a ser tarde demais, e nessa hora, quem não tiver feito o máximo com o que tinha em mãos vai ficar na saudade.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Por que a F1 atual precisa do reabastecimento

A F1 é um esporte de precisão. Um esporte onde as margens são ínfimas, a janela operacional dos carros é mínima e o espaço para erro praticamente inexistente.

A evolução da tecnologia levou os pilotos a se tornarem máquinas ainda mais precisas que aquelas que guiam fim-de-semana após fim-de-semana. Horas de simuladores, treino físico pesado e muitos testes fazem dos pilotos praticamente robôs. A diferença de performance entre o melhor e o pior piloto do grid é muito menor que a diferença de performance entre o melhor e o pior carro.

Os motivos acima, além de outros menos importantes, mas não menos decisivos, são a causa concreta da falta de ultrapassagens na F1. O resto são apenas conjecturas sem sentido.

Se uma disputa não pode ser resolvida na pista, ela tem que ser resolvida fora dela. A habilidade de ultrapassar, ser agressivo, frear mais tarde, intimidar, “mostrar o bico do carro”, tudo isso foi trocado pela habilidade do quartzo, aquele mineral colocado dentro do relógio que mantém o tic-tac preciso e constante durante décadas.

Os melhores pilotos hoje são as pedras de quartzo mais precisas. Aqueles que conseguem manter um nível de concentração, precisão e constância mais alto e inabalável possível são recompensados.

Então adianta Alonso andar mais que Massa, mas não ultrapassa-lo? Adianta Hamilton andar mais que Alonso e não ultrapassa-lo? Adianta Massa andar mais que Kubica e não ultrapassa-lo?

Por mais que o GP da Austrália tenha sido excelente para o (tele)espectador, os pilotos acima viveram estas situações durante toda a corrida. Então, se a tecnologia não vai andar para trás e os carros vão continuar muito semelhantes e criando dificuldades de ultrapassar, como resolver o problema?

O reabastecimento é a resposta.

O reabastecimento é a única forma, na F1 moderna, de recompensar a constância do melhor piloto. É por meio dele que as posições são trocadas e os pilotos realmente merecedores ocupam seus lugares de direito na bandeirada final.

Veja bem, leitor, que o reabastecimento não faz o espetáculo, mas ele é uma saída para que a F1 se mantenha competitiva do ponto de vista do campeonato, dos pontos, da mobilidade de um piloto e uma equipe dentro da tabela de pontos.

O CONTEXTO da F1 atual é que torna o reabastecimento um elemento imprescindível para se ter uma competição sadia e justa entre equipes e pilotos.

Não é exagero dizer que acompanhar corridas pelo Live Timing se tornou algo praticamente inútil. Não interessa quantos segundos um carro está mais rápido que outro (alguém se lembra do Bahrein?).

Não interessa se o carro tem mais ou menos performance com o pneu duro ou macio. Não interessa se o cara vai parar na volta 15 ou 20. Quando um parar, todos vão parar junto, pois agora a desvantagem é de quem para depois.


Tudo isso se torna irrelevante se a posição na pista não pode ser mudada pelos motivos elencados acima.

Se a F1 estivesse nos anos 1980, o reabastecimento seria inútil. Mas a F1 da era Schumacher, o reabastecimento é onde está a competição.

Muito se falou que as estratégias tornavam a F1 um esporte inacessível para o leigo, pois o que se via na TV não é o que de fato um instantâneo da prova (carros fora de posição, em "estratégias diferentes", etc.), mas ocorre que a F1 evoluiu demais e nas atuais condições, é impossível voltar atrás e tornar o esporte mais simples, pelo simples fato de ele NÃO O SER.

Em um dos textos do jornalista James Allen, um dos seus leitores postou a seguinte pensata sobre o reabastecimento:

O problema das novas regras é que se você tem um carro mais rápido e não pode ultrapassar na pista, não há NENHUMA estratégia de pitstop que o coloque na frente do outro piloto. Não há nada que possa ser feito. É realmente deprimente.

Por exemplo, se houvesse reabastecimento no GP da Austrália, Button poderia ter tomado sua decisão da mesma forma e alcançado a liderança, Massa e Alonso poderiam ter tomado a posição de Kubica. Alonso poderia ter passado Massa e Hamilton e Webber poderiam estar muito mais próximos dos primeiros.

O reabastecimento tem o poder de fazer com que o vislumbre da melhor estratégia seja muito mais difícil. Isso porque um carro mais leve com pneus novos é tão mais rápido que um carro cheio de combustível que é possível ultrapassar e ganhar uma vantagem.

Com as regras atuais, há uma solução de equilíbrio em que é SEMPRE melhor não parar para troca de pneus depois do primeiro pitstop, a não ser que todo mundo faça isso também. Ninguém vai fazer a parada a não ser que os pneus não consigam aguentar até o fim da corrida sem explodir. Não é esse o caso porque a Bridgestone cria os pneus para serem duráveis e eles estão na F1 para vender pneus!

Outro aspecto é o de que esses caras são os melhores pilotos do mundo. Eles VÃO tornar a ultrapassagem muito difícil porque eles têm a habilidade para fazer isso. [As soluções sugeridas] podem ser o caminho, mas ultrapassar um carro um pouco mais lento vai continuar sendo muito difícil, não importa o que seja feito. Então o reabastecimento e a oportunidade de passar outro carro por meio da estratégia são necessários para manter a F1 interessante.

Essa discussão continuará cerrada nos próximos meses, mas a princípio, a F1 urge repensar sua condição de esporte evoluído. É diante do contexto que o esporte deve se adaptar, e não de forma retrógrada ou reativa.

E você, o que pensa sobre isso?

sábado, 27 de março de 2010

Classificação GP da Austrália: o mágico de Oz

Os australianos são comumente chamados de ´Aussies´ em inglês, que vem de uma abreviação do nome Austrália. O país aliás é carinhosamente chamado de ´Aus´.

Com a pronúncia australiana sendo puxada de um forte inglês britânico, quando eles falam ´Aus´, parece na verdade estarem falando ´Oz´, que é por fim o apelido informal do país.

Na terra do canguru, quem fez a festa foi Vettel, que deixou para trás seu companheiro de equipe e um certo Fernando Alonso. E numa performance digna de um mago.

A Red Bull é um carrão, mas Vettel o leva ao limite, assim como Alonso, cujos sete décimos de vantagem sobre Massa tem mais a ver com o braço do que com o carro.

O pouco mais de um décimo de diferença entre Webber e Vettel deveria ser mais de três, pois é claro que o alemão cometeu dois erros em sua volta. Esses décimos estão no piloto, e não no carro.

Na largada amanhã Alonso vai tentar dar o bote em Webber e manter Vettel na alça de mira. O espanhol tem chance de vencer, mas terá de ser muito agressivo para não perder contato com o carro da Red Bull.

Lá atrás, Massa verá a vantagem de Alonso aumentar no campeonato, Button estará de franco atirador, Schumacher também vai tentar atacar Rosberg na largada e Rubinho almejará apenas os pontos, como no Bahrein. Aliás, belo treino do nosso veterano favorito.

No mais, olho vivo em Kubica e Sutil, os dois maiores focos de incêndio na largada de amanhã, e Lewis Hamilton, claro, que fará uma bela corrida de recuperação.

Numa nota engraçada, ao sair do carro, Kubica falou em italiano na TV: "Estamos perto do Sutil, então temos de estar atentos". A fina ironia sobre a já temida reputação de Adrian Sutil de car crasher.

Haja guaraná em pó e cafezinho para segurar o sono até lá!