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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Robert Kubica: três considerações
Praticamente uma semana depois do acidente do polonês mais rápido da Europa, as discussões se desdobraram em vários outros subassuntos relacionados direta ou indiretamente à Kubica, à F1 e ao rally em geral.
O Splash-and-go faz agora breves comentários sobre três desses assuntos. Você, leitor, também pode contribuir na seção de comentários.
1 - Sobre pilotos de F1 se aventurarem em atividades de alto risco
Pilotos gostam de velocidade. E dentro de qualquer atividade que se relacione à velocidade, existe o risco advindo da possibilidade de falha humana ou falha mecânica (intra ou extra carro) que pode causar sérias consquencias, dentre elas a morte.
Pilotos que praticam esportes perigosos fora daquele que o tornou famoso estão praticando um tipo de auto-indulgência que vai muito além do que o ser humano comum pode compreender. Todas as pessoas têm lá seus momentos de auto-indulgência, mas essas atividades podem ser premiadas com a morte no caso de certos indivíduos.
Dentro dessa realidade, causa espanto a velocidade com que certos fãs correram para crucificar Kubica por seu acidente. Eles esquecem que Kubica é, antes de mais nada, uma pessoa normal como qualquer outra. Mas essa semelhança vai só até um determinado ponto.
Kubica é um dos raros afortunados nessa Terra dos homens que conseguiu ser pleno em uma atividade. Mas não só isso. Ele é pleno e tem a benção de poder praticá-la todos os dias de sua vida, coisa que muitos dos reles mortais jamais se darão o prazer de fazer.
As pessoas veem em Kubica um exemplo, um modelo, e pensar na vida mundana de ir ao trabalho e voltar para casa sem ver o astro correr no domingo é impensável para muitos. Mas Kubica não está nem aí para isso. Ele vive a vida dele e é isso que importa. Quem quiser se identificar, que se identifique. Se não, que vá plantar batatas na Cracóvia.
É por isso que Kubica deveria ser admirado incondicionalmente pelo que fez e faz. Porque ele é autêntico e não segue regras predeterminadas e nem fica se martirizando por estar na posição que está. Ele usa dessa condição de astro para ser feliz fazendo o que gosta. Se alguém não consegue entender isso, é porque está longe de saborear o que de bom a vida pode oferecer.
Se esse for o seu caso, corra para o psicólogo, faça alguns meses de análise e comece a se ocupar do que importa para você e sua felicidade, e não se preocupe com a felicidade e os infortúnios dos outros. Inspire-se e viva.
2 - Sobre a (falta de) segurança no rally
Francamente, discutir segurança no rally não é igual discutir segurança na F1. F1 é praticamente um balão de ensaio. A categoria esportiva mais cara do planeta tem um investimento em segurança diretamente proporcional a esse poderio financeiro. Se ainda é falha ou não, isso não importa. A segurança aumenta todo dia a olhos vistos.
Tudo é controlado na F1. Os novos autódromos são desenhados milimetricamente para que o piloto tenha o maior número de elementos possível que o separe da parede mais próxima.
Lembra do Tilke? Pois é, seus autódromos são chatos? Provavelmente são, mas também são os mais seguros do calendário. Não é à toa que grandes pistas já sumiram da temporada (Ímola lembra alguma coisa?) e outras tendem a sumir se não se adaptarem.
São áreas de escape, chicanes, brita, areia, asfalto mais aderente, zebras menos altas, muros reforçados e protegidos com pneus e mais pneus... a lista é infinita, para não falar dos itens dentro do cockpit.
O rally, embora forte no mundo da velocidae, está longe de ter a mesma preocupação, porque tem bem menos espectadores e, por conseguinte, menos dinheiro. Mas não é só isso.
As pistas são em locais irregulares, uma nunca é igual a outra e muitas vezes os pilotos mal sabem onde e como será a próxima etapa. Eles confiam cegamente em seu escudeiro, o copiloto.
Basta assistir ao vídeo abaixo de Kubica no 34° Rally 1000 Miglia... é possível controlar algum dos elementos fora do carro?
Não.
E mesmo que o guard-rail que empalou seu carro tivesse sido mal instalado, isso não depõe em nada contra a organização de um rally, qualquer que seja. É o chamado freak accident, quando todas as improbabilidades se unem por uma fração de segundo e algo catastrófico acontece. É só estudar a morte de Senna para concluir isso...
Resumo da ópera? A segurança no rally não tem nada a ver com o acidente de Kubica. Muitos vão bater nessa tecla a partir de agora e certamente a segurança na categoria VAI aumentar, mas não vai impedir que acidentes como esse se repitam a cada vez que os planetas do Sistema Solar se alinharem de um determinado jeito em uma determinada hora...
3 - Sobre a substituição de Kubica
Já foi falado neste blog mais de uma vez (aqui e aqui) sobre a maldição que recai sobre o primeiro-sobrinho, Bruno Senna Lalli. Ora, o blog Bandeira Verde postou um brilhante retrospecto da carreira do rapaz que ajuda a ter uma visão mais realista sobre quem é o piloto profissional Bruno Senna... porque da celebridade global, todo mundo já cansou.
Tudo indica que os testes darão a vaga a Nick Heidfeld, um morto-vivo, mais morto do que vivo, que continua rondando o paddock sempre em busca de uma chance... E não é como se o Splash-and-go não gostasse do alemão barbudo...
Pelo contrário, é um excelente piloto e, do ponto de vista do pragmatismo, merece a vaga de fato e de direito. Afinal, bateu Kubica por dois anos em três dos que foram companheiros, e isso não é pouca coisa.
Mas nada tira a sensação de que Bruno não foi talhado para a F1. Se não pelo talento (ou falta dele), por uma maldição... É a segunda vez que Senna tem a chance de entrar na F1 chutando a porta... e pela segunda vez ele deve perder a parada para um velho aposentado.
Primeiro em 2008 na Honda, que acabou sendo comprada por Ross Brawn que recrutou Rubens Barrichello, mesmo elogiando Senna. Agora com a Renault, que vai de novo chutar seu traseiro com vistas a um piloto experiente e rodado...
Os anos longe do automobilismo estão custando muito caro a Bruno, porque caso tivesse seguido a carreira normalmente, teria muito provavelmente chegado na F1 mais cedo e, por agora, teria aí pelo menos três anos de experiência em equipes menores e seria uma opção mais séria para Eric Boullier e a cúpula da equipe...
Mas não foi isso que aconteceu e, a não ser que Bruno encarne seu tio nesse fim de semana em Jerez de la Frontera, provavelmente é a última vez que ele terá uma chance real de pilotar um carro competitivo na F1. E o Brasil mais uma vez estará torcendo por Felipe Massa e... Rubens Barrichello.
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Os ameaçados
Nosso quase-campeão Felipe Massa está definitivamente na posição mais difícil do grid, não só dentro como fora da pista. O brasileiro ocupa hoje o assento mais cobiçado de todo o mundo do esporte a motor. Você, leitor, conseguiria imaginar a pressão?
Olhando a carreira de Massa principalmente dentro da Ferrari, é possível notar que ele sempre fez um trabalho muito bom, embora talvez não tão constante quanto se gostaria. A falta de constância dele em 2008 pesou muito na perda do título para Lewis Hamilton. Em 2009, Massa estava fazendo uma temporada excelente no fraco F60 até o acidente do GP da Hungria, que acabou ofuscando o trabalho do piloto até então.
Para Felipe Massa, 2011 é um divisor de águas. Para permanecer na Ferrari, ele precisa estar colado em Alonso na tabela de pontos durante todo o ano. Simples assim. Não cabe aqui discutir os benefícios de Massa permanecer ou não na Ferrari. Isso é assunto para outra hora.
Não é nem tanto uma questão de a Mercedes querer vê-lo pelas costas, mas aqui entra, é claro, o próprio Schumacher. Por mais que ele tenha sido o Sr. Sorriso na temporada passada, dizendo aos quatro ventos que estava se divertindo sem nenhuma pressão, a F1 continua sendo um esporte de milhões e milhões de dólares e uma marca como a Mercedes-Benz não pode se dar ao luxo de dar carrinhos de corrida para seu filho mais velho dar voltas em pistas do mundo todo.
Cada ponto na tabela é fundamental e Schumacher deixou de marcar muitos deles em 2010, seja em função do carro não tão bom, seja em função dos pneus, seja em função de sua própria falta de capacidade devido à idade. Em 2010, Schumacher brincou de pilotar. Em 2011, ele vai ter que voltar a pilotar de verdade, ou então vai descobrir que seu heptacampeonato não garante lugar no grid nem para ele, nem para nenhum outro piloto.
Desde 2005 Rubinho sempre esteve na lista de desempregados do ano seguinte, a não ser após a fantástica temporada de 2009 com a Brawn GP. Mas a pressão continua porque Rubens só se manteve na Williams com tanta certeza porque Sir Frank e Patrick Head descolaram os petrodólares de Pastor Maldonado. Por essa razão, o brasileiro terá um 2011 relativamente tranquilo para trabalhar e levar a Williams em direção à Renault e à Mercedes. Mas tem que mostrar o serviço que geralmente mostra para manter a o sonho de ser campeão vivo.
A sorte está lançada para o pessoal presente nesta lista.
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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Bruno Senna: a maldição leva a melhor
Eis que, finalmente, depois de uma temporada caótica, difícil e injusta, o sobrinho de Ayrton é expulso da F1 pela porta dos fundos. Publicou este blog lá no início de 2010: “(...) parece mesmo que algo atrapalha as pretensões de Bruno de pilotar na F1. Algo ruim, uma espécie de maldição.
Talvez a própria perda do tio já seja maldição o suficiente, mas a partir daí seu afastamento do automobilismo, sua volta mais ou menos bem sucedida, mas sem grandes conquistas, e agora suas frustradas tentativas de ingressar no topo do esporte a motor já seriam algo a se considerar...
Bruno Senna quer a F1, mas será que a F1 quer Bruno Senna?”
No geral, não parece haver consenso entre quem teve uma temporada melhor, Senna ou Chandhok. Tanto o indiano quanto o brasileiro tiveram como melhor colocação um 14º lugar, algo fundamental para a HRT bater a Virgin no campeonato de construtores com o 11º lugar.
Chandhok ganhou o coração de vários fãs da Europa ao se mostrar um camarada gente boa e um excelente comentarista de F1. Após sua saída da HRT para a entrada de Sakon Yamamoto, o indiano foi convidado pela rádio BBC para comentar as corridas e acabou se revelando um grande talento por trás dos microfones e das câmeras.
Entretanto, Narain Karthikeyan (na foto), um dos novos pilotos da HRT, é muito bem conceituado em seu país. Embora sua passagem pela F1 não tenha sido estelar, sua performance em fórmulas inferiores foi digna de respeito, enquanto Chandhok não fez muito de sua carreira. Narain traz potenciais milhões para a equipe para os próximos três ou quatro anos com a montadora Tata, o que deixou seu jovem conterrâneo a pé.
Bruno Senna no entanto não conseguiu angariar novos fãs e ainda teve rusgas durante todo o ano com seu chefe, Collin Kolles. A frase do chefe da equipe quanto à saída de Senna parece maldosa, triunfal, vingativa até: “Definitivamente, posso dizer que o senhor Bruno Senna não vai correr para a HRT. Cem por cento certo que não”.
Do ponto de vista das relações para Bruno Senna a situação já havia se degradado muito com a saída de quem havia lhe contratado inicialmente, no caso, Adrián Fernández. Portanto, com Kolles fazendo a caveira do piloto, é melhor mesmo que saia da equipe.
Há algumas semanas, o mesmo Kolles havia dito que a Lotus só ficou à frente da HRT na temporada por causa dos pilotos, ou seja, Senna e Chandhok não deram no couro.
Mas não parece agora haver lugar na F1 para ele. Como dizem no exterior, “it’s a buyer’s market”, ou seja, quem dá as cartas são os contratantes agora, e não os contratados. Não há nada que difira o Bruno Senna de 2010 do Bruno Senna de 2011.
Por esse motivo, não é leviano dizer que o primeiro-sobrinho enterrou sua carreira na F1 ao optar por correr na HRT em 2010. Uma decisão que talvez ele venha a se arrepender de ter tomado. A maldição se concretiza com toques de crueldade... e Bruno Senna vai ter que procurar outro lugar para mostrar sua velocidade.
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terça-feira, 27 de julho de 2010
Titônio Massa rasga o verbo
Em entrevista à CATVE de Londrina, Paraná, o pai de Felipe condena a atitude da Ferrari.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
USF1: e abre-se o cadafalso
Deu no blog do sempre fantástico James Allen. A FIA puniu severamente a ex-futura equipe USF1. Segundo a entidade, "a equipe, embora bem intencionada, demonstrou má gerência financeira e subestimou os requisitos para apresentar um carro de F1 para a temporada de 2010 a tempo e com os recursos financeiros disponíveis a ela".
A palavra que salta aos olhos é "subestimou". Como diabos um time que nunca participou de um campeonato de F1 pode estimar de forma correta o que significa participar de um? Se alguém estimou errado alguma coisa, foi a própria FIA que, ao dar o ingresso à equipe, superestimou a capacidade desta de montar um carro a tempo.
A atitude arrogante e despropositada da FIA só serve para uma coisa: desencorajar e fechar ainda mais as portas para qualquer pessoa que tenha como plano de negócio ou mesmo um sonho montar uma equipe na categoria.
No decorrer do processo foram poucas as informações precisas que saíram a respeito do status da USF1, o que é condenável, haja visto que um dos chefes da equipe é um renomado jornalista, mas, ao mesmo tempo, a espera pela assinatura do "Concorde Agreement" e a consequente redução no teto orçamentário acabou se tornando um balde de água fria para as pretensões de Peter Windsor e Ken Anderson, que contavam com isso.
Para completar, o corpo de jurados que decidiou pela condenação da equipe, além de banir a USF1 de qualquer evento oficial da FIA e multá-la em mais de R$ 600 mil, ainda foi mais longe.
"(...)os membros do conselho tinham muitas preocupações a respeito do impacto no campeonato, para não falar da privação da oportunidade de outra equipe em prover dois carros para correr no campeonato de 2010 em vez da USF1".
Sim, a culpa de haver dois lugares vagos no grid é da equipe que foi selecionada por um criterioso (?) processo da FIA para escolher novos pleiteantes à F1.
Uma vergonha dupla para a categoria.
A palavra que salta aos olhos é "subestimou". Como diabos um time que nunca participou de um campeonato de F1 pode estimar de forma correta o que significa participar de um? Se alguém estimou errado alguma coisa, foi a própria FIA que, ao dar o ingresso à equipe, superestimou a capacidade desta de montar um carro a tempo.
A atitude arrogante e despropositada da FIA só serve para uma coisa: desencorajar e fechar ainda mais as portas para qualquer pessoa que tenha como plano de negócio ou mesmo um sonho montar uma equipe na categoria.
No decorrer do processo foram poucas as informações precisas que saíram a respeito do status da USF1, o que é condenável, haja visto que um dos chefes da equipe é um renomado jornalista, mas, ao mesmo tempo, a espera pela assinatura do "Concorde Agreement" e a consequente redução no teto orçamentário acabou se tornando um balde de água fria para as pretensões de Peter Windsor e Ken Anderson, que contavam com isso.
Para completar, o corpo de jurados que decidiou pela condenação da equipe, além de banir a USF1 de qualquer evento oficial da FIA e multá-la em mais de R$ 600 mil, ainda foi mais longe.
"(...)os membros do conselho tinham muitas preocupações a respeito do impacto no campeonato, para não falar da privação da oportunidade de outra equipe em prover dois carros para correr no campeonato de 2010 em vez da USF1".
Sim, a culpa de haver dois lugares vagos no grid é da equipe que foi selecionada por um criterioso (?) processo da FIA para escolher novos pleiteantes à F1.
Uma vergonha dupla para a categoria.
segunda-feira, 1 de março de 2010
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Enfim, Heidfeld
Desta forma, a equipe tem agora três pilotos alemães, sendo que Heidfeld já tinha um longo relacionamento com a montadora, a exemplo de Schumacher.
Quick Nick já havia vencido o campeonato alemão de Fórmula 3 em 1997 e sua primeira experiência na F1 foi como piloto de testes da McLaren-Mercedes em 1998 e 99.
Nick, claro, foi diplomático: "Estou satisfeito de fazer parte da Mercedes. Claro que eu preferiria ter um assento como piloto titular, mas estou orgulhoso de estar na equipe, pois vi o comprometimento de todos e me sinto da mesma forma. Vou dar meu melhor para apoiar Michael e Nico este ano".
Acaba então a novela Heidfeld. Se não com um final feliz, com certeza com um final frustrante para o próprio Nick, que dificilmente voltará a participar de uma corrida de F1.
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Ferrari: a hora da verdade
A Ferrari está numa situação particularmente delicada por uma série de razões:
- perdeu o título de pilotos na última curva em 2008;
- começou a temporada de 2009 fazendo lambança;
- perdeu seu então principal piloto no meio da temporada em um acidente;
- venceu apenas uma corrida, resultado que não ocorria desde 2005;
- os substitutos do piloto acidentado decepcionaram e não pontuaram;
- perdeu o quinto lugar no campeonato de pilotos de 2009 por um ponto;
- perdeu o terceiro lugar no campeonato de construtores de 2009 por um ponto;
- demitiu sumariamente o piloto que lhe trouxe o primeiro título mundial depois da era Schumacher e pagou uma fortuna por isso;
- contratou outro piloto por outra fortuna sem ter garantia de retorno;
- não se sabe ao certo a competitividade de seu piloto acidentado;
- perdeu sua mascote oficial, Michael Schumacher, para um grande adversário.
A pergunta que fica é a seguinte: o que vai acontecer com a Ferrari e a F1 em 2011? É certo que 2010 nem começou, mas está a se desenhar uma situação no mínimo estranha, e curiosa, no mercado de pilotos do ano que vem.
Hipótese 1: Alonso vence o campeonato
Felipe Massa tem seu contrato findo este ano. Teoricamente, ano que vem ele estará livre para renovar ou sair. Se Alonso vencer o título mundial sem grandes rusgas com Felipe, é provável que a Ferrari queira renovar com o brasileiro.
Alonso campeão, patrocinadores satisfeitos, Ferrari satisfeita e investimento recuperado. Se depender da Scuderia, Felipe deve permanecer. Ele também provavelmente vai querer ficar, pois ainda vai acreditar que pode bater Alonso e porque a grana é alta. Ferrari é sempre Ferrari, seja você Barrichello ou Massa.
Hipótese 2: Massa leva o título
Essa hipótese deve ser a mais estranha para a Ferrari, pois se eles mandaram embora Kimi Raikkonen e contrataram Alonso a peso de ouro, eles não esperam que Felipe vá vencer campeonato algum. Diante do modus operandi de Maranello, essa hipótese também pode levar a equipe a manter sua dupla para 2011, mas é possível que Alonso não vá aceitar tão bem a idéia de ter tanta igualdade na equipe a ponto de ser batido por Massa ao título. Afinal, ele foi contratado para vencer, e não para perder para Massa.
Entretanto, nessa hipótese, os patrocinadores não ficariam TÃO satisfeitos e Alonso também não. Seria um grande foco de tensão. Mas Felipe Massa se elevaria finalmente ao panteão dos maiores pilotos de F1 da modernidade caso isso ocorresse. E com a vantagem de ter um caminho bem mais aberto em outras equipes, caso a Ferrari cogite em fazer o que a Brawn fez com Jenson Button.
Hipótese 3: Alonso e Massa derrotados, Alonso bate Massa no campeonato
Esse cenário leva quase que inexoravelmente à dispensa de Felipe Massa da Scuderia. Caso não tivesse se acidentado, Massa provavelmente teria garantido a Kimi mais um ano na equipe vermelha, mas como se acidentou, tudo se antecipou e Alonso foi trazido da Renault. Os patrocinadores não ficarão satisfeitos com essa hipótese, mas o potencial de Alonso na equipe é óbvio e Massa, já completando 30 anos em 2011, seria dispensável.
Acontece que dificilmente Felipe pilotaria pela McLaren ou Mercedes, o que lhe sobraria a Red Bull. Mas lá ele teria alguns jovens pilotos para lhe atrapalharem o caminho, além de já estar desacreditado depois do fracasso em 2010. Seria duro para o brasileiro uma derrota total da Ferrari, por mais fiel que ela lhe pareça ser.
Hipótese 4: Alonso e Massa derrotados, Massa bate Alonso no campeonato
A quarta opção aumentaria sobremaneira o crédito de Felipe Massa na F1, ainda que não leve o título, mas mesmo assim, bater Alonso em uma equipe mediana não chamaria tanto a atenção da mesma forma como foi em 2009, quando poucos realmente notaram que Massa estava destruindo Kimi na tabela de pontos.
O fato é que o campeonato é que vale numa equipe grande. Não adianta bater o outro com carros ruins (Barrichello que o diga). Se a vantagem for muito grande, aí sim Alonso iria começar a perder seu nome construído com custo desde seu ingresso na categoria. Se a vantagem for pequena, vão desconsiderar e dizer que o carro era péssimo mesmo e que isso não faz diferença.
De todo modo, 2010 será interessante para descobrir se o carro da Ferrari está mais para um F10 ou mais para um Ctrl + Alt + Del.
Haja coração!
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Mercedes GP: Schumacher, Rosberg e... cadê o Heidfeld?
Até Martin Whitmarsh e o Schumacher mais novo, Ralf, deram as caras... Um dos momentos mais esperados da temporada 2010 foi amplamente festejado, mas... onde está Nick Heidfeld?
Nas últimas semanas, o abnegado piloto alemão teve seu nome relacionado à Renault, à McLaren, à Sauber e outras equipes em menor escala, mas de repente começaram a especular sua presença como terceiro piloto no "time nacional da Alemanha", como salientou Zetsche no seu discurso de abertura.
Seu empresário deixou claro que existem negociações, mas que nada foi fechado ainda. Ocorre que Heidfeld não apareceu e nada foi dito sobre o assunto.
A situação de Quick Nick é especialmente delicada porque fala-se que o veterano alemão pede na casa dos US$ 4 milhões anuais para ceder seus serviços, e as equipes restantes precisam de grana entrando, e não saindo.
É por essa razão, além de sua discrição tanto na pista quanto no paddock, que o barbudo está sem assento. Simplesmente não mostrou a estrela necessária em 10 anos de F1 para chamar a atenção dos grandes.
Fisichella foi contratado como terceiro piloto da Ferrari, mas o italiano já teve mais do que tempo para mostrar a que veio sendo, inclusive, piloto do carro com que Alonso conquistou os campeonatos de 2005 e 2006. Além do que, é mais velho do que Heidfeld e não tinha muito mais a mostrar na carreira.
Heidfeld, por outro lado, ainda poderia tentar mostrar algo, mas se recolher ao posto de terceiro piloto de uma equipe que conta com uma promessa e com a própria lenda da F1 não é bom negócio para um piloto de F1. Para um piloto profissional, talvez, mas pra um competidor, não.
Fato é que algo deve estar emperrando as negociações. A Mercedes anunciou que deve apresentar o terceiro piloto no meio da semana. A ver!
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Pé-no-saco
Para contextualizar, primeiro a frase original de Rubens em inglês, a qual ele disse no vídeo abaixo a partir do minuto 2:52:
I could have said after five years of F1, 'this is a difficult one and I don't know if I'm gonna be doing this', but after such a long time I am still very hungry.
The dream to become world champion is closer than ever. [I am] feet on the ground working as hard as I can and very hungry for success.
Agora a tradução:
Eu poderia dizer após cinco anos de F1, 'isso é muito difícil e não sei se vou continuar fazendo isso', mas depois de tanto tempo, ainda estou muito motivado.
O sonho de ser campeão mundial está mais próximo do que nunca. [Eu estou] com os pés no chão, trabalhando o máximo que posso e ávido pelo sucesso.
A segunda frase foi prontamente metralhada pelos detratores de Barrichello, o que, com toda a honestidade, já beira a paranoia inversa. É um verdadeiro pé-no-saco a excessiva atenção que se dá a tudo que Rubens fala.
Se o objetivo e o sonho de todos é o mesmo, por que não se pode dizer que o sonho está próximo? E o que significa isso? Que "serei campeão" ou que "o sonho está sempre lá, se serei ou não, depende de um milhão de variáveis das quais uma delas sou eu".
O histórico de Barrichello todos conhecem, mas é o cúmulo da "pachequice" ao contrário a infantilidade com que todos os "entendidos", quase sem exceção, metem a língua no que o piloto fala ou deixa de falar.
O mais curioso é que todos embarcam na mesma canoa furada e parecem repetir um discurso pronto só para, no fim de mais uma temporada, vir com o famoso "eu não disse?".
Flávio Gomes e Fábio Seixas, só pra ficar nos dois "famosos" mais chatos do mundinho virtual da F1 brasileira, já deixaram sua marquinha sobre o que o veterano brasileiro disse.
Depois disso outra horda de gente, muitas apenas para não deixar passar a oportunidade, também já se manifestou, seja no Twitter, seja em seus blogs ou seja em qualquer buraco virtual onde ninguém fica sabendo o que acontece.
O mais irônico da história é que, no fundo, todos querem comprar o boi de Rubinho e todos sabem do inferno que ele passou na Ferrari, forçosamente ou não, e todos sempre vêm com o papo de que "ele não aprende".
A pergunta que fica é, se ele "aprendesse", o que aconteceria?
A resposta é nada. Mesmo com 38 anos para serem completados e 17 temporadas completas na F1, o fato é que todo mundo queria ver o cara desencantar e ser o primeiro campeão brasileiro desde Senna, mas o peso da frustração de não vê-lo campeão bate fundo e não têm mais o que fazer a não ser criticá-lo.
Haja paciência com tanta atenção a algo tão ingênuo e despretensioso.
Rifa na F1
Franz Tost, por outro lado, disse que a curva de aprendizado do espanhol foi excelente em 2009 e que 2010 será mais íngreme ainda, e que a Red Bull aposta no garoto por coerência com seu programa de desenvolvimento de jovens pilotos.
Dito isso, faltam quatro assentos para serem preenchidos na F1: dois na USF1, um na Renault e um na Campos. Muitos pilotos estão sondando e sendo sondados, mas não há mais nomes realmente fortes no mercado no momento à exceção de Nick Heidfeld.
O piloto holandês Robert Doornbos falou esta semana que Campos e USF1 pedem no mínimo US$ 5 milhões para um piloto conseguir o assento. Alguns têm esse dinheiro, outros não. Alguns são mais talentosos, outros não.
Por isso o Splash-and-go quer saber a sua opinião na enquete no lado superior direito da página: quem merece uma chance em 2010? Listados estão todos os pilotos que em algum momento foram falados pela imprensa internacional.
Vote em quem e quantos quiser. Veremos quem anda com prestígio entre os leitores deste blog.
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Heidfeld: sem saída
Principalmente depois de Michael Schumacher, que abriu uma avenida para outros jovens pilotos tentarem ocupar o espaço que o heptacampeão deixou em 2006.
Se Heidfeld estiver no grid este ano, 2010 terá o maior número de pilotos alemães desde 2007 e ambos os anos estarão empatados como tendo mais alemães na década, num total de sete.
Alguma razão extraterrena impede que Heidfeld seja efetivamente considerado um grande piloto, mesmo tendo batido a sensação polonesa chamada Robert Kubica em dois dos três anos juntos.
O incrivel recorde de 41 corridas completadas de Heidfeld é um atestado à sua constância e ao seu cuidado no cockpit de um F1, uma commodity rara nos dias de hoje, com novatos destruindo carros e ficando longe dos pontos com muita frequencia.
No decorrer da silly season, este blog torceu muito para que o alemão fosse companheiro de Lewis Hamilton e desencantasse, vencesse sua primeira prova e se mostrasse em uma grande equipe, no caso, a McLaren.
Entretanto, num gracioso e injusto desdobrar dos fatos, Heidfeld é um dos únicos ainda sem assento garantido para esta temporada e, para piorar, Schumacher resolveu voltar e tomar uma de suas chances de ocupar um posto competitivo, no caso, o da Mercedes GP.
Se Heidfeld for para a Renault, ele estará de novo na mesma péssima posição dos últimos três anos, qual seja, em uma equipe meia boca, com um companheiro estrela e com absolutamente nenhuma perspectiva de vitória ou de grandes evoluções sobre sua ex-equipe.
A diferença é que ele agora estará ainda mais velho e menos atraente para as equipes vencedoras, enquanto seu companheiro estará no auge da carreira, pronto para ingressar numa Red Bull, numa McLaren ou, quem sabe, até numa Ferrari no lugar de Felipe Massa, caso as coisas não estejam bem para o brasileiro.
A verdade é que Nick Heidfeld vai sair da F1 em breve (quiçá agora mesmo) sem ter conseguido mostrar todo seu potencial e sem ter alcançado nada relevante na carreira, sendo que brilhou no caminho que leva à categoria.
É claro que muitos outros pilotos entraram e saíram com muito menos ou nada da F1, mas o triste na história de Heidfeld é que, fora seus fãs, ninguém fala sobre ele, ninguém especula sobre ele, enfim. É o piloto esquecido.
Até 2008, Rubens Barrichello também tinha o mesmo problema, embora com muito mais pompa na carreira. Reergueu-se na Brawn GP como um milagre, o que Heidfeld poderia ter feito na McLaren, mas o alemão acabou perdendo a chance.
O ostracismo é o golpe mais duro que um esportista pode receber, e mais ainda quando ele AINDA está ativo. É o caso de Heidfeld.
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terça-feira, 12 de janeiro de 2010
A danação de Piquet
Curiosamente, o outro parente de um tricampeão brasileiro, Nelson Piquet Jr., também vive sua própria maldição particular. A exemplo de Bruno Senna, Piquet também ficou a ver navios em 2010, ao menos no que se refere à F1.
Senna ainda não teve a chance de mostrar seu talento em uma verdadeira competição entre os carros da categoria, mas Piquet sim, por 18 corridas. E fez o pior possível dessas chances.
A diferença entre os dois é que Senna não foi tão bem sucedido nas categorias de base, enquanto Piquet Jr. venceu a Formula 3 Sulamericana e a Fórmula 3 britânica.
Isso além de ter conseguido o vice-campeonato da GP2 em 2006, atrás apenas do maior fenômeno do automobilismo mundial nos últimos cinco anos, Lewis Hamilton. Um currículo de fazer inveja ao sobrinho de Ayrton.
Senna também ficou com o vice-campeonato da GP2, mas perdeu para um obscuro Giorgio Pantano, piloto que já havia ido à F1, mas foi rapidamente descartado por maus resultados quando piloto a Jordan. Fora isso, nada que salte aos olhos.
Como já foi exaustivamente discutido, é difícil saber que tipo de pressão e de negociação havia na relação entre Piquet, Briatore e a Renault.
À época da divulgação do escândalo de Cingapura, o Splash-and-go deixou claro seu ponto de vista sobre o assunto com um post intitulado "Piquet Jr.: a única opção".
Passados alguns meses, a opinião não mudou, mas a categoria tratou de julgar e condenar Nelson Piquet ao não lhe permitir mais entrada em suas dependências.
Com o anúncio da ida do piloto à Nascar, nos Estados Unidos, fica claro que, do ponto de vista do automobilismo (F1) e dos objetivos de Piquet, seu destino era mesmo a danação. Por não ter opção dentro do Crashgate em si, Nelsinho não teria também outra chance.
O que mudaria talvez sua trajetória seria sim o que fez para seu ingresso na categoria, quando se envolveu com gente errada em uma equipe que, embora tenha tremenda tradição na F1, era dirigida por uma pessoa de caráter duvidoso.
Por incrível que pareça, a pessoa que parece ter posto Piquet Jr. nesta situação foi seu próprio pai, Nelsão. Ele quem tinha relação com Briatore e ele quem tinha o contato. Ele quem confiava no italiano.
No entanto, numa doce ironia do destino, Piquet pai construiu a carreira do filho passo a passo, dando-lhe carros competitivos e apoio (e que apoio!) técnico e moral, mas no momento da decisão mais delicada e a que ditaria as regras na nova vida do filho na F1, houve o erro de avaliação e tudo o que foi construído visando a categoria desmoronou como um castelo de cartas.
E desse erro, decorreram-se outros do filho que, agora em um ambiente selvagem de pressão e competitividade, não conseguiu deixar aflorar o talento que ele sempre teve -e disso não há dúvida.
Os Piquet buscaram Briatore para a salvação, mas ganharam a danação.
Piquet Jr. quer a F1, mas será que a F1 quer Piquet Jr.?
Nesse caso, você já sabe a resposta.
A diferença entre os dois é que Senna não foi tão bem sucedido nas categorias de base, enquanto Piquet Jr. venceu a Formula 3 Sulamericana e a Fórmula 3 britânica.
Isso além de ter conseguido o vice-campeonato da GP2 em 2006, atrás apenas do maior fenômeno do automobilismo mundial nos últimos cinco anos, Lewis Hamilton. Um currículo de fazer inveja ao sobrinho de Ayrton.
Senna também ficou com o vice-campeonato da GP2, mas perdeu para um obscuro Giorgio Pantano, piloto que já havia ido à F1, mas foi rapidamente descartado por maus resultados quando piloto a Jordan. Fora isso, nada que salte aos olhos.
Como já foi exaustivamente discutido, é difícil saber que tipo de pressão e de negociação havia na relação entre Piquet, Briatore e a Renault.
À época da divulgação do escândalo de Cingapura, o Splash-and-go deixou claro seu ponto de vista sobre o assunto com um post intitulado "Piquet Jr.: a única opção".
Passados alguns meses, a opinião não mudou, mas a categoria tratou de julgar e condenar Nelson Piquet ao não lhe permitir mais entrada em suas dependências.
Com o anúncio da ida do piloto à Nascar, nos Estados Unidos, fica claro que, do ponto de vista do automobilismo (F1) e dos objetivos de Piquet, seu destino era mesmo a danação. Por não ter opção dentro do Crashgate em si, Nelsinho não teria também outra chance.
O que mudaria talvez sua trajetória seria sim o que fez para seu ingresso na categoria, quando se envolveu com gente errada em uma equipe que, embora tenha tremenda tradição na F1, era dirigida por uma pessoa de caráter duvidoso.
Por incrível que pareça, a pessoa que parece ter posto Piquet Jr. nesta situação foi seu próprio pai, Nelsão. Ele quem tinha relação com Briatore e ele quem tinha o contato. Ele quem confiava no italiano.
No entanto, numa doce ironia do destino, Piquet pai construiu a carreira do filho passo a passo, dando-lhe carros competitivos e apoio (e que apoio!) técnico e moral, mas no momento da decisão mais delicada e a que ditaria as regras na nova vida do filho na F1, houve o erro de avaliação e tudo o que foi construído visando a categoria desmoronou como um castelo de cartas.
E desse erro, decorreram-se outros do filho que, agora em um ambiente selvagem de pressão e competitividade, não conseguiu deixar aflorar o talento que ele sempre teve -e disso não há dúvida.
Os Piquet buscaram Briatore para a salvação, mas ganharam a danação.
Nesse caso, você já sabe a resposta.
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
A maldição de Senna
O circo da F1 já mostrou que as coisas nem sempre são o que parecem e que acordos são feitos e desfeitos e mãos são apertadas e estapeadas ao mesmo tempo e na mesma velocidade.
O sobrinho de Ayrton passou 2009 recalculando os passos errados, medindo as expectativas e tentando se assegurar de tomar a melhor decisão possível em 2010.
Certamente não queria passar nem perto do que viu e sentiu na espetacular virada de mesa da Honda/Brawn GP.
Mas ao que tudo indica, a sua situação não está tão confortável quanto, talvez, ele quisesse quando assinou com Ádrian Campos para a correr com a Campos Meta.
Os detalhes da situação da equipe são desconhecidos, mas parece certo agora que a Campos está à venda para salvar seu lugar no grid nesta temporada.
Estar à venda não significa automaticamente a solução dos problemas, mas, a essa altura do campeonato, se a equipe não conseguir os fundos necessários, Senna estará, mais uma vez, a pé.
E é surpreendente que Lucas Di Grassi tenha optado pela Virgin GP e vá de fato estar no grid enquanto seu colega pode de novo ficar a ver navios.
De todo modo, parece mesmo que algo atrapalha as pretensões de Bruno de pilotar na F1. Algo ruim, uma espécie de maldição.
Talvez a própria perda do tio já seja maldição o suficiente, mas a partir daí seu afastamento do automobilismo, sua volta mais ou menos bem sucedida, mas sem grandes conquistas, e agora suas frustradas tentativas de ingressar no topo do esporte a motor já seriam algo a se considerar...
Bruno Senna quer a F1, mas será que a F1 quer Bruno Senna?
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
F1: distorção de valores
Inimaginável. Essa é a palavra que define o ano de 2009 para a F1 como um todo.
Muitos textos e bate-papos sobre a categoria começaram este ano com o bom e velho "Ninguém imaginava...", quando a Honda saiu, quando a Brawn foi criada, quando Barrichello voltou dos mortos, quando a equipe dominou os treinos de inverno, fez pole e venceu na Austrália.
Quando a Ferrari e McLaren se deram mal, quando as regras foram postas em dúvida, quando ameaçaram acabar com a F1, quando ameaçaram criar uma nova categoria, quando a BMW anunciou sua saída, quando assinaram o pacto de concórdia, quando Massa sofreu um grave acidente, quando Hamilton venceu uma corrida, quando Raikkonen venceu uma corrida.
Quando Badoer e depois Fisichella substituíram Massa, quando Schumacher quase substituiu Massa, quando Fisichella marcou a pole position com uma Force India, quando descobriram que Nelsinho Piquet bateu de propósito para Alonso vencer, quando baniram Briatore do esporte. E ninguém imaginava (quer dizer, imaginava, mas não se sabia quando) que Fernando Alonso finalmente iria para a Ferrari liberando Raikkonen para procurar outra equipe.
Quando Rubinho fez uma pole espetacular em Interlagos com Button largando em 14º, quando finalmente Button e a Brawn GP venceram o campeonato, quando Abu Dhabi estreou com pompa, quando Kobayashi deu show e quando a Toyota resolveu sair da F1 na esteira da BMW, deixando Glock, Trulli e Kobayashi a ver navios.
Ninguém imaginava nada disso há um ano.
Mas ninguém imaginava mais ainda que a Brawn iria nascer e morrer em apenas oito meses. E que a Mercedes GP seria criada. E que Rubens Barrichello pilotaria pela velha Williams. E que Jenson Button sairia da equipe que lhe deu um título incrível para pilotar pela poderosa McLaren ao lado de Lewis Hamilton em 2010.
Mas acima de tudo, ninguém imaginava que Kimi Raikkonen não estaria no grid em 2010.
A temporada de 2010 promete ser realmente uma das mais incríveis dos últimos 20 anos, com quatro equipes com reais chances de disputar as primeiras posições, pilotos de ponta nas quatro delas e uma real busca pela supremacia depois de uma temporada totalmente atípica.
Mas a F1 sem Kimi Raikkonen?
Que tipo de F1 é essa que expurga de seus bólidos o último piloto à moda antiga? Que tipo de categoria é essa que mantém um de seus melhores pilotos longe do grid? Que tipo de automobilismo é esse que deixa de lado o piloto que tem uma das três maiores comunidades de fãs do mundo?
O fã de Kimi Raikkonen não torce pelo piloto, mas sim por um estilo de vida. Por uma atitude. Pelo que é autêntico.
O fã de Kimi não busca tanto o resultado, mas sim o que se vê na pista. O finlandês cravou mais voltas mais rápidas que qualquer piloto no atual grid. É o piloto mais destemido da F1, o mais tranquilo, o mais relaxado.
E ainda assim pilota no limite todas as vezes, corrida após corrida, atacando as curvas como se seu carro fosse infalível, como se a aderência aerodinâmica fosse parte integrante de si mesmo.
Não importa se em 15º, 7º ou primeiro. A melhor volta quase sempre vem, a pressão sobre o pedal do acelerador, o trabalho incansável, seja no melhor carro (McLaren 2005, Ferrari 2007 e 2008), seja no pior carro (Sauber 2001, Ferrari 2009).
Kimi Raikkonen não é um piloto. É um prolífico artista da velocidade. Uma celebridade e uma personalidade que não se apoia em máscaras, mas sim em ações e atitudes. O suposto desinteresse do finlandês quanto a tudo na verdade é a maior prova de que ele se interessa apenas pelo que importa: o carro, a pista e a velocidade. Precisa de algo mais?
É por isso que a F1 em 2010 não será a temporada mais incrível dos últimos 20 anos. Será ótima, será eletrizante, recheada de disputas por poder nos bastidores. Mas será apenas um filme sem seu protagonista. Excepcionalmente, o Oscar de melhor ator não será entregue no fim da temporada do ano que vem porque não haverá melhor ator.
Haverá apenas efeitos especiais, e desses os fãs da F1 já estão de saco cheio.
Em 2010, o Iceman vai congelar outras paragens.
Muitos textos e bate-papos sobre a categoria começaram este ano com o bom e velho "Ninguém imaginava...", quando a Honda saiu, quando a Brawn foi criada, quando Barrichello voltou dos mortos, quando a equipe dominou os treinos de inverno, fez pole e venceu na Austrália.
Quando a Ferrari e McLaren se deram mal, quando as regras foram postas em dúvida, quando ameaçaram acabar com a F1, quando ameaçaram criar uma nova categoria, quando a BMW anunciou sua saída, quando assinaram o pacto de concórdia, quando Massa sofreu um grave acidente, quando Hamilton venceu uma corrida, quando Raikkonen venceu uma corrida.
Quando Badoer e depois Fisichella substituíram Massa, quando Schumacher quase substituiu Massa, quando Fisichella marcou a pole position com uma Force India, quando descobriram que Nelsinho Piquet bateu de propósito para Alonso vencer, quando baniram Briatore do esporte. E ninguém imaginava (quer dizer, imaginava, mas não se sabia quando) que Fernando Alonso finalmente iria para a Ferrari liberando Raikkonen para procurar outra equipe.
Quando Rubinho fez uma pole espetacular em Interlagos com Button largando em 14º, quando finalmente Button e a Brawn GP venceram o campeonato, quando Abu Dhabi estreou com pompa, quando Kobayashi deu show e quando a Toyota resolveu sair da F1 na esteira da BMW, deixando Glock, Trulli e Kobayashi a ver navios.
Ninguém imaginava nada disso há um ano.
Mas ninguém imaginava mais ainda que a Brawn iria nascer e morrer em apenas oito meses. E que a Mercedes GP seria criada. E que Rubens Barrichello pilotaria pela velha Williams. E que Jenson Button sairia da equipe que lhe deu um título incrível para pilotar pela poderosa McLaren ao lado de Lewis Hamilton em 2010.
Mas acima de tudo, ninguém imaginava que Kimi Raikkonen não estaria no grid em 2010.
A temporada de 2010 promete ser realmente uma das mais incríveis dos últimos 20 anos, com quatro equipes com reais chances de disputar as primeiras posições, pilotos de ponta nas quatro delas e uma real busca pela supremacia depois de uma temporada totalmente atípica.
Que tipo de F1 é essa que expurga de seus bólidos o último piloto à moda antiga? Que tipo de categoria é essa que mantém um de seus melhores pilotos longe do grid? Que tipo de automobilismo é esse que deixa de lado o piloto que tem uma das três maiores comunidades de fãs do mundo?
O fã de Kimi Raikkonen não torce pelo piloto, mas sim por um estilo de vida. Por uma atitude. Pelo que é autêntico.
O fã de Kimi não busca tanto o resultado, mas sim o que se vê na pista. O finlandês cravou mais voltas mais rápidas que qualquer piloto no atual grid. É o piloto mais destemido da F1, o mais tranquilo, o mais relaxado.
E ainda assim pilota no limite todas as vezes, corrida após corrida, atacando as curvas como se seu carro fosse infalível, como se a aderência aerodinâmica fosse parte integrante de si mesmo.
Não importa se em 15º, 7º ou primeiro. A melhor volta quase sempre vem, a pressão sobre o pedal do acelerador, o trabalho incansável, seja no melhor carro (McLaren 2005, Ferrari 2007 e 2008), seja no pior carro (Sauber 2001, Ferrari 2009).
É por isso que a F1 em 2010 não será a temporada mais incrível dos últimos 20 anos. Será ótima, será eletrizante, recheada de disputas por poder nos bastidores. Mas será apenas um filme sem seu protagonista. Excepcionalmente, o Oscar de melhor ator não será entregue no fim da temporada do ano que vem porque não haverá melhor ator.
Haverá apenas efeitos especiais, e desses os fãs da F1 já estão de saco cheio.
Em 2010, o Iceman vai congelar outras paragens.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Mercedes Grand Prix: nasce uma nova força
Depois da saída de três montadoras da categoria e o titubeio de mais uma, a volta com força total da Mercedes como uma equipe de F1 é um forte sinal de que uma das marcas mais famosas de automóveis no globo tem de fato um caso de amor com o esporte.
A aquisição da Brawn nada mais é que a consolidação do casamento entre Mercedes e F1 depois de anos de paixão e namoro arrebatadores.
Em uma época de receio, desconfiança e negócios cambaleantes, a movimentação da Mercedes parece ser uma jogada de mestre, pois embora campeã, a Brawn deve ter feito um preço mais do que camarada para os alemães.
Interessante será saber qual o tamanho do poder de Ross Brawn e Nick Fry dentro da nova equipe, que deve manter a fábrica em Brackley, mas com certeza terá muito mais ingerência por parte de Norbert Haug e cia.
Interessante também saber que, a exemplo da Ferrari, a Mercedes vai se tornar equipe e vai continuar cedendo propulsores para outros times. Será que a Red Bull vai conseguir contrato com os alemães?
O poder da Brawn GP acaba de ser multiplicado por mil, mas estranho também é o fato da mudaça de nome, embora, claro, seja uma consequencia óbvia.
Com a compra, a Brawn GP entra para a história definitivamente como a primeira e única equipe com 100% de aproveitamento tanto no campeonato de construtores como no campeonato de pilotos.
O piloto que vai comandar um dos cockpits da nova equipe, como alardeado há algumas semanas, será Nico Rosberg, o que ratifica este post do Splash-and-go.
O outro piloto está para ser anunciado, mas decerto o assento da nova Brawn ficou MUITO mais atraente para todos os pilotos, inclusive para o próprio Jenson Button.
Fato é que muitas pessoas queriam ver Jenson na McLaren, ao lado de Hamilton numa dupla campeã mundial, mas quem precisa de McLaren quando você pode pilotar sua própria Mercedes?
Bem-vinda Mercedes GP, e que sua trajetória seja tão vitoriosa como equipe como foi como parceira da McLaren.
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quarta-feira, 11 de novembro de 2009
O valor dos pilotos na nova F1
O finlandês ainda está sem equipe e parece estar decidido a não aceitar salários menores do que espera receber, o que é ruim para todo mundo, inclusive para ele como piloto.
Agora, o grande protagonista das bancas de negociação é Jenson Button. O campeão desta temporada tem jogado duro com Ross Brawn em relação a seu salário.
Button não aceita continuar com o salário de 2009 depois de ter vencido o campeonato; espera no mínimo receber o que recebia antes na Honda.
Fala-se que o salário do inglês este ano foi de £3 milhões, £5 milhões a menos que em 2008.
Entretanto, Ross Brawn está irredutível em não mexer no salário de Button, o que causou ainda mais uma trava na dança das cadeiras da F1.
A McLaren aguarda pacientemente as negociações de Raikkonen e Button e não perderá a chance de ter algum dos dois pilotos para substituir Kovalainen.
Na edição de hoje do The Guardian, jornal inglês, Brawn deu uma entrevista dizendo que vai dar a Button uma "maior proporção de liberdade ao piloto e é o que provavelmente vamos fazer".
Isso significa que Button deve capitalizar ele mesmo sobre seu recém-vencido campeonato e conseguir patrocinadores por conta própria. Em outras palavras, ele vai correr atrás do próprio salário.
Ross Brawn não é noviço nas pistas e muito menos ingênuo no mundo dos negócios. O dirigente abre um interessante precedente para os anos vindouros.
A questão não é que Button vale pouco. São os outros pilotos que andam valendo demais e cujos valores de mercado estão distorcidos.
Sabedor deste contexto, Brawn está simplesmente negociando em patamares realistas condizentes com o orçamento de uma equipe ainda em fase de estabilização.
Se ele paga o que Button quer, se quiser se manter no topo com a Brawn GP, terá que pagar a outros pilotos quantias faraônicas quando tiver que substituir o inglês.
Brawn está agindo como um verdadeiro garagista, como Frank Williams, que sempre foi considerado "pão-duro". Mas ninguém comenta que a Williams é a única equipe tradicional de garagem na categoria, e isso se deve a uma gerência impecável de Sir Frank.
Ross Brawn segue agora o mesmo caminho para manter sua equipe dentro de níveis realistas de custos.
Dentro da nova F1 do teto orçamentário, os pilotos vão obrigatoriamente precisar repensar seu posicionamento nas negociações e saber buscar valor onde ele realmente é dado.
A chance de Button assinar com a Brawn é grande por causa do histórico entre eles, mas é cada vez mais provável que o piloto não terá o que está pleiteando. Ponto para Ross Brawn.
sábado, 24 de outubro de 2009
Raikkonen: vale o quanto pesa?
A diferença entre Alonso e Raikkonen foi que o espanhol assinou contrato com a McLaren enquanto estava bem empregado pela Renault e foi bicampeão do mundo.
Já o finlandês, que ainda tinha mais uma temporada de serviços a serem prestados para Maranello, foi terminantemente excluído dos quadros da equipe antes mesmo de pensar se havia outro lugar para ele. Ou seja, está desempregado.
O fato é que há vários chefes de equipe ávidos para terem Kimi Raikkonen dirigindo seus carros, mas aparentemente as negociações com os empresários de Kimi, os Robertson (David, o pai, e Steve, o filho), estão ferrenhas.
Os Robertson são conhecidos por conseguirem contratos vultosos para seus representados e são mestres na arte da barganha e da venda.
Entretanto, pela segunda vez um chefe de equipe parece cortar as asas dos Robertson e de Raikkonen.
O chefe da Toyota, John Howett, já havia dito esta semana que o preço de Kimi estava exagerado e que a proposta da Toyota está na mesa, se o finlandês quiser.
Já Norbert Haug mandou um recado que, se não teve endereço certo, não é difícil saber de quem se trata.
Disse ele: "Kimi é uma opção, mas há várias outras opções por aí. Mas uma coisa é certa: caras que estão à procura de dinheiro não são os certos para nós, quem quer que eles sejam".
O dirigente da Mercedes disse que não ia citar nomes, mas que queria alguém 100% comprometido com o sucesso, "e não alguém dizendo ´sou um grande nome. Pague-me muito dinheiro e vou pilotar para vocês´".
"A McLaren tem que estar convencida de que o piloto está ávido, motivado, focado, e que seu primeiro objetivo não pode ser o dinheiro", disse Haug.
O recém-coroado campeão da F1, Jenson Button, chegou à categoria trazido pelos mesmos Robertson. Entretanto, em algum momento nos seus primeiros anos na F1, resolveu romper com os empresários.
O suposto motivo seria que a agressividade na banca de negociação dos dois negociantes estava se tornando contraproducente, ou seja, o delicado balanço entre oferta e demanda foi rompido e oportunidades excelentes começaram a ser perdidas.
Os Robertson fizeram de Kimi Raikkonen um piloto milionário, um dos mais bem pagos da cateogoria após a aposentadoria de Schumacher.
Entretanto, essa mesma habilidade pode acabar fazendo com que um dos pilotos mais brilhantes da F1 fique de fora do grid em 2010.
Aparentemente, para Raikkonen, isso não é problema, mas para o automobilismo, para os fãs e para a F1, isso seria um desastre.
Resta saber se o dinheiro é mais importante para Kimi do que correr. Ele já deixou claro que não quer correr em uma equipe para disputar o 10º lugar.
Uma coisa é certa: em 2010, a F1 sem Kimi Raikkonen vai ser bem chatinha...
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Massa x Alonso: a onça é brava e a vara é curta
Depois do bafafá causado pelos comentários de Felipe Massa em almoço com jornalistas brasileiros, a mídia internacional correu para cutucar Alonso nesta quinta-feira.
Ao contrário do que alguém poderia esperar, Alonso foi absolutamente diplomático e cordial. Na verdade, ficou a sensação de que o espanhol conversou com a cúpula da Ferrari antes de se manifestar.
Em entrevista publicada hoje pelo site Autosport, Alonso negou que a guerra tenha começado entre ele e o brasileiro. "Para começo de conversa, eu não sei o que é verdade ou não. Talvez tenha sido um mal entendido com o Felipe ou a mídia, enfim. Depois ele disse outra coisa. Não é importante para mim e não me preocupei muito".
Alonso disse que a Ferrari é uma família e que, na equipe, "o grupo é mais importante que o indivíduo". É, Barrichello sabe muito bem disso. Será que Massa sabe?
Perguntado se ia falar com Felipe no fim de semana, Alonso disse que, se falarem, não será sobre este assunto. E bancou o humilde. "Ele está há três ou quatro anos na Ferrari. Preciso aprender e pegar essa experiência que ele tem no início para me adaptar um pouco mais rápido se for possível", argumentou.
No geral, Alonso foi irretocável em sua entrevista e demonstra estar muito tranquilo, tanto no tocante ao Crashgate quanto à sua ida a Maranello em 2010.
Ao contrário do que anda se falando, Felipe Massa não está com a "batata assando", mas certamente está muito ansioso para marcar seu território e voltar ao volante da Ferrari.
O que vai ditar o seu rumo dentro da Scuderia certamente será o sucesso (ou a falta dele) de Alonso e como o brasileiro vai lidar com os chiliques do espanhol ano que vem.
A vantagem é que tudo pode ser resolvido na pista. Resta saber quem é o melhor e o mais rápido. A partir daí, as máscaras cairão rapidamente.
Raikkonen: querido preterido
A história que custa a encaixar é a da dispensa de Kimi Raikkonen por Maranello.
Há vários cenários para justificar o encerramento precoce do contrato de Kimi com a Scuderia, mas nenhum deles é realmente compreensível do ponto de vista lógico.
Não existe em nenhuma esfera premonitória a garantia de que Fernando Alonso vai trazer à Ferrari o que dizem que vai trazer.
No limite, é possível dizer que Alonso vai trazer controvérsias, como trouxe a todos os times em que correu.
Raikkonen, por outro lado, trouxe o primeiro e único título de pilotos que a Ferrari venceu depois da era Schumacher.
Embora frio e distante, o piloto nunca entrou em polêmicas dentro da F1. Sua preferência por uma boa vodca e rally nunca foi segredo e tampouco atrapalhou seu desempenho na pista.
É claro que Raikkonen ficou triste e chateado por ser preterido por Alonso. Isso não faz bem ao ego de nenhum piloto, por mais finlandês seja.
A questão é que Kimi deu azar e o timing das coisas não ocorreu para seu benefício. A Ferrari fez uma bomba de carro em 2009 e o finlandês não se deu bem com o F60 no início do ano. Entretanto, quando o piloto começava sua ascensão, Felipe Massa sofreu seu acidente.
E foi nesse momento que a Ferrari mostrou claramente que não queria mais Raikkonen na sua folha de pagamento. Aproveitando-se do mal momento da equipe no ano, Domenicali falou que não mais investiriam no desenvolvimento do carro para o resto da temporada.
Foi o último golpe para Kimi Raikkonen.
Disse Domenicali: "eu considero Raikkonen, em todos os sentidos, no mesmo nível de Fernando, Felipe, Lewis. Então, por que mudar? Porque tenho certeza que nossa equipe, a Ferrari, necessita de um homem parecido com Schumi no trato com a equipe.
Kimi é muito rápido, muito competitivo, mas também muito fechado, introvertido. Não é uma limitação ou defeito: é o seu temperamento. Com um carro vencedor ele é perfeito. Com um carro para desenvolver e uma equipe para liderar, eu acredito que Alonso é superior. Eu expliquei isso para Raikkonen: ele não ficou feliz, mas entendeu."
É muito difícil entender o que Domenicali quis dizer com isso, pois, segundo várias fontes, Felipe Massa, para todos os efeitos, é a liderança que a Ferrari precisa. Com dois líderes casca-grossa, temperamentais, competitivos e desbocados, o que vai ser da equipe?
A lógica seria trocar Alonso por Massa, e não Raikkonen. Massa sofreu um acidente, havia dúvidas sobre sua recuperação plena (principalmente nas semanas após o acidente), é desbocado, impetuoso e competitivo.
Já Raikkonen é o campeão mundial da equipe, é rápido, preciso, introvertido e, em linhas gerais, fácil de lidar. Se a equipe precisava de um líder, que chamasse Alonso e apenas desse o carro para Kimi pilotar. É o que ele faz melhor. E a equipe veria os resultados vindo como nunca.
Kimi Raikkonen não tem pressa, pois sabe que seu passe vale ouro. Por ele, a Ferrari seria sua equipe em 2010 e ele poderia encerrar sua carreira por lá, quem sabe com um bicampeoanto.
Agora, embora ele diga que não, permanecer na F1 é uma questão de honra. E, avaliando suas opções, a McLaren é a única que pode fazer frente à Ferrari e sua explosiva dupla ano que vem.
Mas isso, só o futuro dirá.
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