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segunda-feira, 30 de maio de 2011

GP de Mônaco: a bandeira vermelha

Quem diria que o GP de Mônaco seria tão sensacional como foi desconsiderando o fato de que, se em anos anteriores sempre o pole não conseguiu vencer, foi porque a corrida foi confusa, mas nunca disputada e emocionante.

Graças a Mônaco, pilotos como Jarno Trulli e Olivier Panis têm em seu currículo uma única vitória na F1, mas pelos motivos errados. Neste domingo, levou a corrida o piloto mais competente e houve disputas genuínas, se não um pouco exageradas, durante toda a prova.

Mas a bandeira vermelha... Ela acabou com um fim de corrida que seria bastante interessante. E muitos fãs ficaram com a pulga atrás da orelha em relação às mudanças de pneus que os carros sofreram enquanto ficaram parados no grid.

Pois bem, Fábio Seixas foi buscar no regulamento e descobriu que é perfeitamente normal que os carros possam trocar os calçados borrachudos enquanto a poeira não baixa, mas o fato é que essa regra existe não para casos como visto no principado.

A real finalidade da regra é que a maioria das interrupções de prova/treinos ocorre devido ao clima. Ou seja, chuva torrencial. Daí, carros podem trocar os pneus por de chuva e podem continuar correndo sem o perigo de se arrebentarem na primeira curva.

Mas essa regra, tão inteligente, foi na direção diametralmente oposta no domingo, causando um efeto mais do que burro no fim da prova. O artigo foi mal redigido e certamente deve ser revisto agora, prevendo que, apenas em casos de chuva torrencial, os carros podem trocar os pneus sob bandeira vermelha.

Se a organização da prova não queria que a corrida terminasse sob a batuta do safety-car, a regra da troca de pneu apenas trocou uma formalidade por outra e permitiu que Vettel selasse sua vitória em um fim de corrida "normal", mas apenas burocrático.

São detalhes... e pela primeira vez em um bom tempo os fãs reclamaram de uma adversidade ocorrendo, em vez de o contrário, quando há apenas alguns meses, todos rezavam para Deus e o mundo para que houvesse uma bandeira amarela, um safety-car, um acidente, para que a corrida fosse chacoalhada e as variáveis realinhadas.

Sinal dos tempos...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Vídeo da semana

Um raro vídeo com imagens de Tiff Needell correndo pela Ensign em 1980 nas ruas de Mônaco. Ele acabou não se classificando para a corrida.

Lindos carros!


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Vídeo da semana

A fantástica pole position de Jarno Trulli no GP de Mônaco de 2004 vista de perto, bem perto.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

GP da Europa: bem-vindo de volta, (velho) Webber

Impressionante. Essa é a palavra que define o episódio de ontem envolvendo Mark Webber. E não, não é porque ele saiu voando como bem demonstra o print-screen acima.

O velho Mark voltou à carga ontem demonstrando ipsis litteris todas as falhas que fazem de Webber um piloto mediano: afobado, cabeça quente e desastrado.

Há um mês o Splash-and-go publicou uma pensata sobre as engrenagens que movem o australiano. Disse o profético texto logo após as acachapantes vitórias de Barcelona e Mônaco: "(...) Webber não demonstrou que consegue manter seu nível de excelência do meio do pilotão para trás. Tudo vai depender então de quantas vezes a RBR e Adrian Newey vão conseguir colocá-lo na primeira fila".

Pois bem, desta feita não foi a má performance na classificação que tirou de Webber o juízo, mas sim uma largada tão ruim que foi digna das bobagens que Rubens Barrichello já tornou rotina em seus dias de prova.

Em algumas curvas, o piloto da Red Bull já estava em um péssimo nono lugar e, na ânsia de recuperar posições, calculou mal, muito mal, a ultrapassagem sobre Heikki Kovalainen.

Para fins de registro, Kovalainen pode e deve defender sua posição. Foi ridículo ver, na transmissão global, narrador e comentaristas criticando Kova por não ter aberto espaço para Webber, sendo que em Mônaco di Grassi fez o mesmo com Alonso e os mesmos narrador e comentaristas bateram palmas. Dois pesos, duas medidas.

Mas voltando ao assunto principal, é por essas e outras que Webber não se estabalece como uma unanimidade. Basta compará-lo a Jenson Button. O britânico vem fazendo um campeonato irretocável, sempre capitalizando sobre suas posições de largada não tão boas.

Consistência: diferentemente de Webber, quantas vezes
você já viu Button fazendo bobagens em uma corrida?


Button vem dado uma aula de consistência este ano e Hamilton uma aula de pilotagem. Não é à toa que a dupla da McLaren lidera o campeonato e ainda mantém sua equipe já a distantes 30 pontos da Red Bull. Consistência é a chave em 2010.


Não se engane. Mark Webber é consistente, mas nos maus resultados. O que quebrou sua consistência foram as duas vitórias seguidas que deram uma falsa impressão de dominância absoluta. Até agora, fora Alonso, os pilotos da McLaren e da Red Bull venceram duas provas cada um.

Mas a McLaren parece estar com o jogo ideal nas mãos. Principalmente quando Webber e Vettel fazem tanta lambança de uma só vez.

Realmente incrível...

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Vídeo da semana

Maravilhoso vídeo de Jean Alesi domando sua nervosa Tyrrell nas ruas de Mônaco em 1990.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Vídeo da semana

Clique para ampliar

Ainda no ritmo do GP de Mônaco, um vídeo interessantíssimo, muito bonito e curioso de Patrick Depailler pilotando o bizarro P34 da Tyrrell nas ruas do principado.


Repare na estranha posição da câmera onboard, nas imagens de Mônaco há mais de 30 anos e também no fato de o carro estar sem a carenagem (na foto acima, toda a parte branca do carro), expondo o corpo do piloto praticamente inteiro.

É possível ver o trabalho de mudança de marchas e também o footwork de Depailler no acelerador, embreagem e freio. Um vídeo para se valorizar a arte de se pilotar nas ruas de Monte Carlo em alta velocidade.

terça-feira, 18 de maio de 2010

GP de Mônaco: Barrichello e o volante

No exterior, foi e está sendo muito mais falado que no Brasil o episódio em que Barrichello simplesmente joga seu volante para fora do carro após o forte acidente que teve na subida da Beau Rivage entrando na Massanet, em Mônaco.

A opinião quase unânime é de que o brasileiro tinha de ser punido. Nada justifica atirar o volante para fora do cockpit e em acidentes muito mais graves e traumatizantes, pilotos calmamente colocaram de volta seus volantes, conforme reza a regra.

O artigo 30.5 do regulamento diz que "O piloto que abandona o carro deve deixá-lo em ponto morto ou desengatado, com o KERS desativado e o volante colocado no lugar". Barrichello claramente não fez isso, conforme pode ser visto no vídeo abaixo.



No Twitter, Rubens disse que jogou o volante porque queria sair rápido do carro, mas conhecendo o temperamento do piloto e também sua atitude, o que se percebe é um piloto frustrado e com raiva do que acabou de acontecer, talvez um pouco desorientado pelo forte impacto em duas partes da pista, e que simplesmente joga longe o volante, que é inclusive interceptado pela Hispania de Karun Chandhok e de Bruno Senna mais adiante.

Fora as óbvias consequencias de um objeto desses sob o assoalho de um carro de F1 a menos de cinco centímetros do chão, o fato é que Rubens fez o que fez sim por raiva e frustração. Se não, observe esse vídeo de uma batida entre ele e Mark Blundell em 1995.



Da mesmíssima forma, Rubens desta feita nem joga o volante, mas o isola num claro ato de frustração, sem nenhum impacto aparente do carro em nada sólido ou mesmo uma situação iminente de perigo. Se se analisar com base nos precendentes, Barrichello é culpado do mesmo jeito.

A punição em si é irrelevante, pois mesmo que haja uma multa, o próprio volante já custa mais de 30 mil dólares e, incrivelmente, segundo Chandhok no Twitter, está funcionando normalmente, se não com alguns arranhões e botões arrancados.

Mas o ato de punir neste caso teria de ser levado a cabo, pois regras são regras e precedentes são sempre perigosos para a idoneidade do esporte.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

GP de Mônaco: o franco-atirador

Se você acompanha o Splash-and-go, sabe que este escriba não simpatiza e nunca simpatizou com o polonês Robert Kubica. Se não por seus resultados até 2009 pouco consistentes, pelo simples fato de "Quick" Nick Heidfeld, muito menos badalado, ter batido o polaco em dois dos três anos que correram juntos na BMW, fato este que derruba o frenesi que se causou em cima de Kubica.

Becken Lima aliás fez em seu F1 Around um bom apanhado da disputa entre os dois nesses três anos e apontou de forma clara e inequívoca a derrota do polonês. Além disso, embora Heidfeld nunca tenha vencido, não fosse uma série de desventuras dos primeiros colocados, Kubica também não teria tido sua almejada primeira vitória em Montreal em 2008.

Essa introdução serve apenas para demonstrar que é possível ter uma visão e depois mudá-la. Ser levado pelos fatos a trocar de lado, a rever sua posição e admitir que estava errado. Kubica este ano está simplesmente fora de série. O autor deste blog está quieto no seu canto saboreando uma amarga "humble pie", algo como as "sandálias da humildade" dos britânicos.

Neste post, o Splash-and-go cravou que Kubica nada faria de diferente pela Renault e recíproca seria verdadeira. Mas hoje é justo dizer que, embora provável, tal situação está se mostrando irreal. A Renault tem feito um trabalho incrível e, não fosse Petrov no segundo assento desperdiçando pontos, é provável que estivesse até à frente de Mercedes e McLaren no campeonato de construtores.

Isso não é pouco para uma equipe que, após o campeonato de 2006, se tornou medíocre, mesmo nas mãos do grande Fernando Alonso. Para completar, o escândalo de Cingapura e as péssimas performances de Piquet Jr e Grosjean não ajudaram a levantar o nome da gigante francesa.

Mais eis que surge Robert Kubica com uma performance sensacional, uma tenacidade de campeão, uma motivação de estreante. "Mas Mônaco é uma pista diferenciada. Uma exceção à regra", dirão alguns. É, mas basta uma rápida olhada na tabela de pontos para ver que o polonês está "on fire".

Com 59 pontos, empatado com Hamilton, mas à frente do inglês por conta de critérios de desempate, a dois pontos de Felipe Massa, dois pódios e um quase terceiro lugar na Malásia, Kubica ocupa o sexto lugar na tabela, mas a uma distância curta de Jenson Button, quarto lugar, com 70 pontos.


É razoável dizer que Kubica perdeu o segundo lugar em Mônaco na largada. Preocupado que estava em bloquear Vettel, quase perdeu a posição para Massa, mas conseguiu se manter em terceiro. Foi nítida a falta de grip de Kubica, pois Vettel e Webber largaram na mesma toada e melhor.

Foi uma pena porque depois da largada, Kubica se manteve firme atrás do alemão enquanto Webber sumia à frente. Vettel parecia de fato não estar na sua melhor forma, mas mesmo assim, ele pilotava a mesmíssima Red Bull de Webber que com certeza é um carro bem melhor que o R30 de Kubica.

A Mercedes era considerada a quarta força do campeonato,
mas Kubica está estragando a festa das flechas prateadas


Neste momento, o melhor para o campeonato é assistir à ascensão de Robert Kubica, se colocando firmemente entre as duas McLaren de Hamilton e Button, separando também as duas Ferrari de Massa e Alonso e, o melhor, deixando o chassi W01 de Schumacher e Rosberg para trás.


O GP da Turquia muito provavelmente voltará a ser dominado pelas Red Bull, mas será interessante continuar especulando qual dos times do G4 Kubica vai "partir" ao meio. Não tem nada mais interessante que um franco-atirador com claras chances de título para o campeonato pegar fogo.

Que o diga Kimi Raikkonen em 2007.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Wallpaper, NOW!

Sem dúvida, um dos carros mais bonitos da F1 em muitos e muitos anos.

Clique para ampliar (bastante)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Vídeo da semana

Mônaco é demais, realmente. Um local maravilhoso, inspirador. Até quando se joga games de F1 a pista é mais legal de se correr do que em outras.

Para esquentar os motores, aí vai uma sequência de imagens incríveis e maravilhosas do pitlane da prova de 1996, com direito à Jordan dourada de Rubens Barrichello.

MARAVILHOSO!!!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Vídeo da semana

O vídeo de hoje é um excelente opposite onboard na Williams de Damon Hill dando conta da cena imortalizada abaixo.

O ano era 1995. Na largada do GP de Mônaco, a câmera instalada na traseira do carro do piloto inglês mostra a tremenda lambança em que se meteu David Coulthard e as duas Ferraris de Jean Alesi e Gerhard Berger. Simplesmente sensacional!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Vídeo da semana

Desta feita, você vai assistir a alguns vídeos que mostram cabalmente um velho ditado do esporte a motor: nunca, JAMAIS, toque em um piloto que acabou de sair da corrida por erro, colisão ou qualquer outra causa.

As cargas de adrenalina pulsando no corpo do piloto neste momento estão no seu ápice, pois ele acabou de passar por uma situação de extremo estresse mental e físico.

O fato de ter ocorrido uma colisão ou erro faz com que o piloto esteja em um estado ainda mais crítico de alerta, algo que chega a ser perigoso para quem estiver perto.

É a lei do esporte a motor.



No GP da Malásia de 2004, Raikkonen sai frustrado da corrida e agride um fiscal de pista que tenta direcioná-lo. Repare que o fiscal TOCA no piloto, e esse é o grande erro dele.



No GP da Áustria, em 2000, Ricardo Zonta é obrigado a abandonar e, assim que sai do carro, o manobrista do guindaste acerta a cabeça do piloto, que imediatamente reage lançando-lhe o famoso dedo médio.



No GP de Mônaco de 1975, o lendário James Hunt disputava curva a curva, freada a freada, posição com o francês Patrick Depailler. Em uma das cruvas, Hunt é forçado a dar passagem a Depailler e acaba acertando o guard-rail e abandonando a prova.

Visivelmente frustrado e absolutamente tenso, Hunt acaba descontando no pobre fiscal de prova que foi tentar orientá-lo para sair da pista e ficar em segurança. Seu erro: tocar em Hunt.



Por fim, o mesmo James Hunt abandona o GP do Canadá de 1977 e, decepcionado, começa a passear ao lado do carro. O fiscal, prezando pela segurança do piloto, vai mais uma vez atrás dele. Acontece que ele toca em Hunt. O resultado, embora hilário, não é um exemplo de comportamento.

Coincidência ou não, Raikkonen e Hunt, personagens deste post, são conhecidos por serem bad boys que se comportam mal, fumam, bebem e personificam a nostálgica F1 de outrora.

Talvez o ditado tenha que ser modificado: nunca, JAMAIS, toque em Raikkonen e Hunt depois que abandonaram uma prova. Você pode acabar se dando mal.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Vídeo da semana

David Coulthard vs. Enrique Bernoldi em 2001, no GP de Mônaco.

Na classificação, Coulthard era pole, mas seu carro teve problemas e o escocês não conseguiu ir para a volta de apresentação.

Largando em último, Coulthard logo encontrou a Arrows de Bernoldi e iniciou-se uma das mais hilárias disputas de posição da F1 moderna.

Mais hilária ainda porque o piloto da McLaren tinha um dos melhores carros do grid ao lado da Ferrari de Schumacher e Barrichello.

E disputava ponto a ponto o campeonato contra a Ferrari.

E tomou uma volta de Schumacher.

E outra de Barrichello.

E mesmo assim, Bernoldi se manteve firme e forte.

Depois da corrida, Norbert Haug disse que o brasileiro tinha de ser banido do esporte e Ron Dennis falou na cara de Bernoldi que ele poderia destruir sua carreira na hora que quisesse, pois tinha os meios para isso.



Abaixo, Enrique Bernoldi sobre o ocorrido para o site Grande Prêmio.

GP: É impossível falar de seu primeiro ano da F-1 sem citar as 44 voltas de disputa com David Coulthard no GP de Mônaco de 2001. Hoje, quase sete anos depois, como você avalia aquele episódio? Teria feito algo diferente?

EB: Naquela época, a Arrows era como a Super Aguri de hoje em dia. É difícil você ter alguma visibilidade, principalmente porque naquele tempo somente os seis primeiros marcavam pontos. Por exemplo, se fosse com o regulamento de hoje, eu teria somado pontos naquele ano.

Atualmente, você vê que a diferença do primeiro para o último não é tão grande. Na minha época, era de quase quatro segundos. Com a minha Arrows, era de dois a dois segundos e meio mais lento que a Ferrari do (Michael) Schumacher. Então, não tinha muito que fazer, o negócio era procurar ser mais rápido do que seu companheiro de equipe, o que consegui fazer.

Nas disputas por posições do grid de largada, fiz 11 a 6 no Jos Verstappen, que já corria havia anos na F-1. Estava fazendo bem o meu papel, a equipe gostava do meu trabalho, a Red Bull gostava de mim, todos estavam contentes comigo, mas para o mundo, eu ainda não estava lá. Além disso, o carro quebrava sempre. Aí aconteceu de o David Coulthard aparecer atrás de mim naquele GP, mas aquilo deu visibilidade, porque ele ficou ali durante 44 voltas e a TV ficou em mim aquele tempo todo.

Já estava bem cansado, porque meu carro não tinha volante hidráulico ainda... Era pesado, e tudo. Mas ele chegou atrás de mim e, na verdade, ele não tentou me passar. Sabia que ele estava atrás, mas estava disputando posição, então por que eu deveria deixá-lo passar? Aí ele deu três voltas só colocando o bico do carro... Eu pensei comigo: “Cara, hoje você vai ficar aí atrás. Se você quiser me passar, vai ter que fazer mais que isso, vai ter que chegar do meu lado”. Se ele colocasse do lado, jamais jogaria sujo, mas ele em nenhum momento se colocou em uma posição que pudesse me ultrapassar.

Aí comecei a pegar gosto pela disputa e, ao invés de ser uma corrida monótona, aquilo me incentivou. E essa empolgação passou para a equipe. Senti que os engenheiros começaram a gostar e eles nunca falaram tanto pelo rádio comigo como naquela corrida. E eles diziam: “Vai, vai!”.

Quando o Schumacher começou a se aproximar de nós, eles me diziam os tempos para eu ter noção de onde o Schumacher estava para conseguir deixá-lo passar, mas sem dar chance para o Coulthard, porque certamente ele iria aproveitar a passagem do Schumacher para me ultrapassar, já que ele também era tão rápido quanto o alemão.

Então, isso virou a nossa corrida, porque a McLaren é uma das melhores equipes da F-1, você olha os boxes deles e os motorhomes são lindos, mas eles têm esse ar de superioridade. Vi que aquilo tomou conta de toda a equipe, o cara que segurava a placa nos boxes, vibrava toda a vez que eu cruzava a reta. E se tivesse que fazer tudo de novo, faria exatamente da mesma forma.

Mas o que tiro de válido daquela corrida, o mais importante mesmo, não foi ele ter ficado 44 voltas atrás de mim, mas, sim, o fato de ter guiado sob pressão em Mônaco sem ter cometido um único erro. Não dei nenhuma chance para ele me passar. Eu o dominei o tempo inteiro e isso foi o saldo positivo daquilo tudo.


GP: Como foi enfrentar a fúria de Ron Dennis após a corrida? Ficou alguma mágoa daquele dia? Ou algo que faltou dizer a ele?

EB: Bom, naquela corrida, como eu tinha um tanque menor, sabia que iria parar antes deles. Também sabia que não iria precisar agüentá-lo até a última volta atrás de mim. Pensei: “Quando tiver que ir para os boxes, ele vai permanecer na pista e no momento em que eu voltar, ele não estará mais atrás”. Tanto que na volta em que entrei, ele fez a volta mais rápida da corrida... Quase três segundos mais rápido! Aí, quando voltei, a TV saiu de mim e voltou para os líderes, normal.

Mas essa corrida, para mim, ainda teve uma segunda parte. Quando eu retornei dos boxes, dei umas três voltas e chegou o Raikkonen, com a Sauber, atrás, que também era mais rápido. Então, minha segunda parte da prova também foi sob pressão e já estava bem cansado. Tinha perdido o tubo da bebida na volta de apresentação, meu carro não tinha o volante hidráulico, quer dizer, não via a hora de acabar.

Quando finalizou a prova, meu carro parou sem combustível um pouco antes da entrada do túnel, voltei com o safety-car para os boxes. Mas eu estava tão cansado que não conseguia segurar nem a garrafinha da bebida. Depois da pesagem, quando estava indo para a garagem da equipe, o meu box era um dos últimos e o da McLaren um dos primeiros. E eu fiz de tudo para ninguém perceber que estava passando, mas foi impossível, ainda mais com aquele macacão laranja!

Aí o Ron Dennis veio falar comigo. “O que você acha que estava fazendo hoje aqui?”, ele me perguntou. Eu tinha uns oito anos de idade e lembro que ele era o chefe de equipe do (Ayrton) Senna, então tinha uma outra imagem dele. Além disso, nunca havia falado com ele antes. E se eu fosse falar com ele sobre uma coisa boa, acho já seria estressante, então imagine o que foi aquilo.

Mas eu respondi e disse que estava correndo. E ele: “Ah é? Você acha que segurar um dos líderes do campeonato pela oitava posição é correr de modo esportivo?”. Eu devolvi dizendo que não tinha feito nada de errado e que existiam regras naquele esporte. Se tivesse feito algo de errado, certamente teria sido punido. Ele, não contente, ainda retrucou afirmando que se eu não aprendesse a guiar de forma “correta”, ele poderia “acabar com a minha carreira amanhã”, porque tinha “poder suficiente para isso”. “Se seu carro perdeu a corrida hoje, não foi por minha culpa, mas porque ele ficou parado no grid”, eu disse, e fui embora.

Cheguei na minha equipe, todo mundo estava feliz, comemorando e falei para o Tom o que havia acontecido. Aí ele foi até a McLaren e disse para o Ron Dennis: “Ron, o dia que você pagar os meus pilotos, você pode dizer a eles o que devem fazer, mas enquanto eu pagar, mando eu”.

Na corrida seguinte, no Canadá, eu estava na lista para a entrevista coletiva oficial. Eu, David Coulthard, Michael Schumacher e o Ron Dennis. Aí pensei: “Só me faltava essa”. Quando cheguei na sala de entrevista, o meu microfone estava entre o Coulthard e o Schumacher. O Dennis iria se sentar atrás, mas ele não foi e mandou outra pessoa no lugar. Aí a primeira pergunta, depois daquele bafafá todo, foi para mim. Perguntaram o que eu tinha achado da corrida de Mônaco, principalmente sobre a disputa com o Coulthard.

Quando comecei, bem timidamente, a responder, o Schumacher puxou o meu microfone, ele nunca perdia uma chance de alfinetar os seus adversários, e disse: “A gente tem regras aqui, temos câmeras, fiscais de pista e diretor de prova. O Enrique não fez nada além de correr e lutar pela posição que lhe era de direito. Se eu estivesse no lugar dele, teria feito a mesma coisa. Na verdade, vocês deveriam parabenizá-lo e não criticá-lo por correr”. Acabou aí minha participação na entrevista coletiva.

O Schumacher me defendeu, mas fazendo isso era uma forma de atingir a McLaren, que era sua principal rival naquele ano. Depois disso, o Coulthard ainda veio falar comigo e meio que ensaiou um pedido de desculpas. Mas eu falei na corrida seguinte, se fosse o Senna ou o próprio Schumacher atrás mim, eles teriam conseguido a ultrapassagem em três voltas.

terça-feira, 26 de maio de 2009

GP de Mônaco: a cruzada silenciosa de Alonso

Considerado por muitos o melhor piloto do grid na atualidade, o espanhol Fernando Alonso é um guerreiro. Com a paciência de quem se sabe um grande campeão, o asturiano luta segundo a segundo, ponto a ponto, corrida a corrida, contra os fantasmas que assolam a garagem da Renault.

Embora nunca deixado de lado por nenhum fã da F1 que se preze, o bicampeão mundial quase sempre faz corridas discretas, é muito realista quanto à sua atual situação e devagar vai coletando pontos valiosos para si e sua equipe sem grande estardalhaço.

Foi assim em 2008, quando, numa ascendente digna dos gênios incansáveis, saiu do pelotão do meio no GP da Alemanha para, a partir do GP da Hungria, vencer duas provas, conseguir um segundo lugar e quatro quartos lugares amealhando nada menos que 48 pontos de 80 possíveis. Superou inclusive Felipe Massa que, no mesmo período, venceu três provas e teve um segundo lugar.

É assim, comendo quieto como um bom mineiro faria, que Alonso flerta com a Ferrari e espera pacientemente seu retorno à esfera dos campeões. E mesmo passando dificuldades, mesmo se irritando com seu carro, mesmo nunca tendo chances reais de vitória, o espanhol guia sempre como se fosse seu último GP.

Em Mônaco, com a corrida já definida, com os vencedores vencendo e os perdedores perdidos, Fernando Alonso deu um show de consistência e velocidade.

Não que tenha sido mais rápido que todos os outros, até porque, muitos, como Button, Raikkonen e Massa, já haviam tirado o pé, mas mesmo assim o bicampeão fez voltas rápidas em praticamente todas as últimas 25 voltas da corrida.


É difícil saber se queria alcançar Rosberg, se queria provar algo para si mesmo, mas o certo é que Alonso não se deixou abater por mais um sétimo lugar. Pisou fundo no acelerador do seu bólido e ficou ainda mais íntimo dos guard-rails do principado, algo temeroso dado o desequilíbrio de sua Renault.

Na tabela abaixo, você verá como Alonso dominou os tempos após a parada de Giancarlo Fisichella, que até então o estava impedindo de fazer tempos melhores no estreito traçado monegasco.

Na tabela, os tempos de Alonso são comparados aos tempos de Raikkonen e Massa, que estavam imprimindo um ritmo forte até aquele ponto, Nico Rosberg, com quem Alonso disputava diretamente a sexta posição, e Rubens Barrichello, que mesmo com a corrida decidida a favor de Button, não chegou a tirar o pé como o inglês fez.

Das 23 voltas dadas no stint final da corrida após a segunda parada de Barrichello, das duas Ferrari e da Williams de Rosberg, Alonso fez a melhor volta deste grupo em 16 delas, sendo que duas correspondem ao momento em que o espanhol fez seu pit-stop. Ou seja, efetivamente, foram 21 voltas de corrida limpa na pista, quando o piloto fez ainda sua melhor volta na prova.

A performance de Alonso permitiu que, até o momento em que fizesse seu pit-stop na volta 66, recuperasse quase 10 segundos em relação a Barrichello e 12 em relação a Kimi Raikkonen. Tão forte era o ritmo impresso pelo espanhol que, a duas voltas da bandeirada, sua diferença para Rosberg era de apenas dois segundos, sendo que na volta 70, era de 8,4 segundos. Alonso tirou uma média de 1,2 segundos por volta!

Entretanto, descontando estratégias que poderiam ter levado Alonso a uma posição mais adiantada na linha de chegada, a análise do gráfico do ranking de melhores médias de tempo a cada volta mostra que o espanhol decaiu durante a corrida justamente por causa do fato de ter largado mais pesado para ter dois stints iniciais muito longos (28 e 38 voltas respectivamente).

Clique para ampliar

No gráfico, é interessante notar também como o piloto que mais evoluiu durante a corrida foi Rubens Barrichello, mas muito pelo fato de seu primeiro stint ter sido prejudicado pelo graining dos pneus traseiros causado, segundo ele e Ross Brawn, por ter seguido Button de perto.

Jenson Button e Mark Webber também aparecem em duas situações atípicas. O inglês perdeu rendimento no meio da prova, enquanto o australiano manteve a melhor média de tempos durante incríveis 44 voltas, mesmo chegando em quinto lugar no final. Uma performance incrível de Webber, que vem virando rotina em suas provas.

Já Button teve queda em seu rendimento, mas muito em função de seu "controle de risco". Quando a corrida se aproximava do fim, Button fez uma rápida escalada nas médias de tempo e ocupou o primeiro lugar de novo, que lhe é de direito aliás.

De todo modo, como é claro desde sempre, Mônaco não é referência para nada em termos de performance média de campeonato. Na próxima prova em Istambul, na Turquia, os carros da Red Bull devem ter boa performance pois as longas curvas de média para alta velocidade são amigas da equipe energética. Brawn será sempre favorita e as Ferrari vêm tentar sua primeira vitória do ano em um traçado onde os passos para o primeiro lugar no pódio são íntimos da Scuderia italiana.

Fernando Alonso vai continuar até o fim do ano como franco atirador. Se houver uma oportunidade, o espanhol vai estar lá para aproveitá-la. Enquanto isso não acontece, o que resta é o prazer de ver um grande piloto domar um carro medíocre com a tenacidade incansável que só os grandes campeões trazem consigo.

Ayrton Senna que o diga.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Vídeo da semana

Graham Hill em Mônaco, 1968 (arte por Chummy)

Com o mais tradicional traçado da F1 recebendo o circo maior do automobilismo neste fim-de-semana, nada melhor do que assistir a um vídeo de mais de 40 anos de idade dos treinos e da corrida de 1968.


O sensacional vídeo que você vai assistir abaixo todo em cores foi filmado em Super 8 de diferentes pontos do traçado e mostra como a falta de asas aerodinâmicas no bico e na traseira dos carros os tornavam difíceis de controlar nas curvas.


As imagens mostram também como os pilotos tinham muita habilidade para domar os bólidos e desviar dos perigosos guard-rails à espreita após cada chicane. Como disse Nelson Piquet Sr. certa vez, dirigir um F1 em Mônaco é "como pilotar um helicóptero no seu quarto".

Dos 16 pilotos que largaram, apenas cinco terminaram a prova e só dois terminaram na mesma volta (o inglês Richard Atwood terminou a apenas dois segundos do compatriota Graham Hill, que aparece em detalhe a partir de 1m15 do vídeo com seu icônico capacete).

O vídeo infelizmente não tem o áudio, pois o cinegrafista não tinha a tecnologia necessária. O som que você ouve é o do projetor do filme.

Divirta-se!