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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Relatos de Interlagos - Parte 3

Nosso amigo Itamar conta agora casos engraçados e curiosos que só aqueles que trabalham no circuito de Interlagos poderiam viver...

Vários casos curiosos aconteceram nesses anos. Um dos GPs mais engraçados talvez tenha sido o de 2003. Tínhamos certa amizade com o motorista do Barrichello e, no sábado, escutamos a transmissão do treino oficial graças ao áudio da Alfa 156 Sportwagon 2.0 do piloto. Curioso que sou, até sentei no banco do motorista para dar uma olhada nos comandos, no volante de madeira, etc.

Itamar testemunhou de perto a pole de Rubinho em 2003

Quando ele marcou a pole, o autódromo veio abaixo. O som da torcida celebrando o momento me deu muito mais arrepios que a Jordan do Takuma Sato. Era dia do meu aniversário, meu piloto preferido estava na pole, eu ouvi o treino dentro do carro dele e ainda tirei um sarro do Gino Rosato que havia me sacaneado na manhã perguntando quem era o nº 1.

Schumacher chegou ao autódromo com uma belezinha como essa...

Respondi que no Brasil era Barrichello e aguardei pacientemente pela sua volta. Ele estava dirigindo para o Schumacher, numa Alfa 156 Sportwagon 2.5 V6 azul. O massagista indiano também costumava chegar junto dos dois. Mas o alemão não circulava no estacionamento; o gordo de cavanhaque o deixava próximo aos boxes.

No domingo de manhã, quase todos os pilotos haviam chegado. Montoya chegou apontando o carro em direção a um rapaz da equipe, que tentou impedir que sua X5 fosse estacionada em local não permitido. Sua educação não permitiu que nutríssemos simpatia por ele; seu então companheiro Ralf, igualmente mala, era muito mais fácil de lidar.

O clombiano respondia “non” a todos que se aproximassem; já Sato e Villeneuve eram os mais populares do estacionamento, sendo que às vezes apareciam caras como Alex Dias Ribeiro. Em um dos anos ele apareceu no autódromo, e alguém me perguntou quem era aquele baixinho de moto. Um absurdo não saber quem era o Alex.

A maioria do pessoal esperava Schumacher, Alonso e Barrichello. Cristiano Da Matta, por exemplo, foi pouco assediado. O público conhecia mais o Pizzonia, esperança brasileira na época.


Voltando ao colombiano, o gorduchinho foi advertido sobre a infração assim que desceu do carro. Correndo, nos deixou falando sozinho, comunicando que voltaria rápido. E a melhor parte foi quando ele abandonou precocemente, se não me falha a memória, na 25ª volta (2003). Voltou bravo e ainda ouviu a gozação do Portuga, o cara mais sangue quente da equipe que gritava em alto e bom som: “Bem que você falou que ia voltar mais cedo mesmo! Você é bração, você se f*deu, %$#@&$#%”. Foi o momento mais hilariante de 2003.

E o colombiano foi vencer em Interlagos nos dois anos seguintes...

Leia os demais relatos de Itamar em Interlagos aqui
e aqui.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

GP do Brasil: análise do discurso

Na comunicação social, um dos objetos de estudo mais discutidos e relevantes é o discurso. Mas não, não é aquele texto que as pessoas preparam para anunciar algo, agradecer, tomar posse, etc, etc, etc. O discurso, na comunicação, é o que se quer dizer quando se passa uma mensagem. Em outras palavras, é o que está nas entrelinhas.

Portanto, quando se analisa um discurso, se atribui um significado à mensagem que ultrapassa aquele das palavras que a compôem. Ou seja, é uma radiografia que revela a intenção, o viés, a agenda política de quem profere aquelas palavras.

E, não por acaso, a F1 está coalhada de discursos. Desde pilotos até mecânicos, passando por chefes de equipe, jornalistas, donos e, claro, os fãs. O discurso dos fãs é quase sempre doentio e unilateral. Não permite o contraditório e, portanto, não toca a realidade como deveria.

Passado o GP do Brasil que, fora um tal de Hulkenberg e um tal de Liuzzi, nada apresentou de extraordinário, diferentemente de outros anos, é curioso perceber o que se esconde por trás das palavras proferidas por cada um que se presta a falar sobre a F1.

Vários textos e depoimentos afirmam com certa veemência que a Red Bull deveria dar prioridade a Mark Webber, sem dúvida o mais próximo dos seus dois pilotos a levar o título. Alguns citam vingança contra a Ferrari. Outros dizem simplesmente que é estupidez não dar prioridade a essa altura do campeonato.

Isso nada mais é do que uma demonstração clara de como quem fala sobre F1 tem dois pesos e duas medidas. Mas aí não é só uma questão simples de ajudar ou não um piloto em detrimento de outro. Nesse caso específico, são três os pilotos envolvidos: Sebastian Vettel, Mark Webber e Fernando Alonso.


"OK, mas e daí?", você, leitor, pergunta.

E daí que, no Brasil, por exemplo, existe toda uma revolta velada (ou não) contra Felipe Massa ter dado passagem a Alonso em Hockenheim. Mas mais do que isso, existe uma raiva de Fernando Alonso, assim como sempre existiu de Michael Schumacher. Pilotos que sistematicamente arrebentaram seus companheiros de equipe. Veja bem... esses companheiros são brasileiros. Não existe coincidência neste caso. Existe a realidade.

No caso de Webber e Vettel, o público em geral parece de fato guardar uma antipatia do alemãozinho e, mais do que nunca em 2010, uma grande empatia com o canguru Webber por motivos bem expostos aqui pelo Splash-and-go.

Então o discurso reinante é de que a Red Bull colocou seus pilotos em uma posição difícil e se prejudicou no processo... que deveriam ter priorizado Webber no GP do Brasil que, então, dependeria exclusivamente de sua vitória.


No entanto, basta colocar Vettel no lugar de Webber na tabela atual que o discurso mudaria radicalmente. "A Red Bull deveria deixar seus dois pilotos livres para competir em Abu Dhabi. É um absurdo a RBR dar prioridade a Vettel quando Mark Webber pode vencer o campeonato na última corrida com uma simples falha no carro do companheiro..."

O discurso é devidamente empenado de acordo com quem o profere, da maneira que lhe convier e no momento em que lhe for apropriado. Fernando Alonso está próximo de vencer um campeonato histórico na Ferrari, sendo seu terceiro na F1.

Alonso foi um grande cavalheiro com Felipe Massa em 2010

O piloto espanhol se recuperou de forma brilhante na segunda etapa do campeonato, foi paciente com Massa no início, dando-lhe a chance de se defender, de se manter na frente em mais de uma corrida e, com isso, perdendo potntos importantes.

Mas hoje, quem depende apenas de si para vencer o campeonato é o asturiano. Massa foi massacrado, dizimado, humilhado. Não resta muito do vice-campeão de 2008 em 2010. Fernando Alonso foi soberano e hoje demonstra ser definitivamente o piloto mais completo, versátil e tenaz da F1 desde Michael Schumacher.

Um piloto não pode merecer um ponto, uma vitória ou um campeonato por ser ou não carismático, mas sim por ser o melhor. Vettel tem grandes chances de ter jogado fora sua segunda oportunidade de ter levado o título, um pouco por sua causa, um pouco por causa de seu equipamento.

Webber, o franco atirador, ganhou a simpatia de todos e também correspondeu com pilotagens dignas de um grande campeão, mas sua inconstância, assim como a de seu companheiro, o coloca numa situação dependente do terceiro oponente nesta briga triangular...

...que é Fernando Alonso. O espanhol não pode ter o título tirado de si porque seu companheiro foi obrigado a deixá-lo passar. Alonso passaria Massa em todas as oportunidades que teve.

A questão é se Massa deixaria passar sem levar a equipe a correr riscos. Então, para não correr riscos, a Ferrari mandou o brasileiro encostar... mas reste-se confirmado de que Alonso passaria de qualquer maneira, porque é o melhor piloto (e muito mais rápido, diga-se de passagem).


Desta forma, com o filtro dos discursos devidamente acionado nós concluímos que:
  • do ponto de vista da Red Bull, após o escândalo da Ferrari em julho, o melhor é deixar que os dois pilotos se digladiem na pista; do ponto de vista de Vettel, o melhor que a Red Bull faz é deixá-los brigarem para que o alemão ainda tenha uma chance;
  • do ponto de vista de Webber, a RBR deveria lhe dar prioridade, pois suas chances serão exponencialmente maiores com Vettel seu escudeiro;
  • do ponto de vista de Alonso, a ajuda de Massa nada mais foi do que uma decisão lógica e focada no campeonato, o que lhe rende frutos mais do que vistosos na última corrida do campeonato;
  • do ponto de vista da Ferrari, estava claro que Massa estava em má fase e não se recuperaria, o que de fato não ocorreu, ainda qe a decisão de lhe mandar abrir possa ter abalado sua confiança.
Repare como existem muitos interesses de quem inclusive gera discursos que serão absorvidos e refletidos em novos discursos na mídia, entre os fãs e outras personalidades relacionadas ao esporte.

É muito difícil concatenar tudo para alcançar um denominador comum, mas é importante saber dessa relação de forças que se dá por trás de cada palavra solta no ar, impressa no papel ou projetada na tela do computador.

Dito tudo isso, e você, qual seu ponto de vista sobre o assunto?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Relatos de Interlagos - Parte 2

Nosso amigo Itamar conta agora qual era sua função no traçado de Interlagos quando trabalhou por lá.

Fala Itamar:

Como parte do staff, eu trabalhava controlando o acesso das pessoas e dos carros que adentravam o autódromo. Passava a maior parte do tempo no F1 Personnel, estacionamento exclusivo dos pilotos, chefes de equipe e mecânicos.

Mas quando tinha carro na pista, óbvio, não precisávamos ficar ali. Então ficávamos perto do asfalto para que nenhum maluco tentasse invadir a pista. Quando tinha visita nos boxes, era outro caso, ficávamos tomando conta dos equipamentos.

Era a melhor parte, pois dava pra conversar com os mecânicos, ouvir motores funcionando, sentir o cheiro da gasolina, que nada tem a ver com o que estamos acostumados a cheirar nos postos e refinarias daqui.

A primeira vez que vi um F1 rasgando a reta foi na primeira sessão de treinos livres, sexta feira, 9h da manhã. Takuma Sato saiu dos boxes com a Jordan. Na hora que esticou até a descida do lago, aquele barulho me arrepiou o corpo inteiro. Sensação indescritível!

No próximo post, Itamar conta casos dos bastidores da F1 no GP do Brasil.

sábado, 30 de outubro de 2010

Relatos de Interlagos - Parte 1

Em menos de uma semana os carros da F1 urrarão no asfalto quente (e muitas vezes úmido) de Interlagos, no nosso, e apenas nosso, Grande Prêmio do Brasil de F1.

Em 2009, o Splash-and-go trouxe um relato especial de um conhecedor e entusiasta da categoria, Paulo Meyge, sobre os anos em que viu correr ninguém menos que Ayrton Senna em terra brasilis. Se você quiser conferi-lo, acesse aqui e aqui.

Pois bem, depois deste relato extrapista, desta feita este blog traz a você um relato exclusivo intrapista.

Entre os admiradores da F1, o sonho de assistir a uma corrida de perto provavelmente é suplantado pelo sonho de participar da organização e segurança de uma prova, e é um relato neste sentido que você vai ler no decorrer da próxima semana, começando hoje.


Itamar Morais é leitor do Splash-and-go, tem 28 anos, é administrador e natural de Taubaté. Casado, tem um filho de seis anos que provavelmente seguirá o mesmo caminho. É fanático por esportes a motor, futebol e o simulador rFactor.

Itamar, a palavra está com você.

Sempre gostei muito de automobilismo. Quando fiz oito anos (temporada de 1990), comecei a acompanhar o circo com mais empolgação. Havia, na época a euforia da imprensa em relação às disputas do Senna.

O país respirava F1 e tínhamos na época jornais e revistas que eram boas fontes de informação. Fui lendo, formando minhas opiniões e elegendo meus favoritos, que eram, além de Senna e Nelsão, Alesi, De Cesaris, Mansell, Alboreto, Capelli, Moreno, entre outros.

Em vários anos torcendo, guardo na memória alguns grandes prêmios inesquecíveis. Os pilotos sempre foram meus heróis. Eu os idolatrava e, claro, sonhava um dia disputar corridas, me tornar um deles, embora não tivesse dinheiro, tampouco talento.

Acompanhava o que a TV transmitia (F1, Indy e um pouco de DTM, na voz do Edgard Melo Filho). Lembro-me de alguns GPs inesquecíveis, como Suzuka 1990 (Moreno e Piquet no pódio; Senna bicampeão), Interlagos 1991 (Senna), Canadá 1991 (Piquet), Interlagos 1993 (Senna), Indianápolis 1993 (Emerson), Donington 1993 (Senna), Jerez 1997 e sua primeira fila inédita, Nurburgring 1998 (show de Hakkinen), Hockenheim 2000 (Rubens fazendo milagre), etc.

Em 2002 apareceu a oportunidade de acompanhar de perto o evento, trabalhando em Interlagos nos dias do Grande Prêmio. Na verdade, de quarta a domingo, praticamente trabalho escravo. Chegávamos as 6h da manhã e só íamos embora próximo das 20h.

Meu pai conseguiu esse "nobre" ofício quase sem querer. Estava participando de uma reunião em algum hotel ou restaurante e começou a ver várias pessoas ligadas a F1. Ele comentou com um dos amigos sobre mim, o filho fanático por velocidade. O cara pegou o celular e, em cerca de cinco minutos, estava contratado para a corrida...

Leia aqui a segunda parte deste relato.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Trulli x Sutil: basta!

Algum desavisado (ou talvez alguém mal-intencionado) colocou Sutil e Trulli um ao lado do outro na primeira entrevista coletiva dos pilotos em Abu Dhabi.

O arranca-rabo entre os dois no GP do Brasil está sendo requentado por Trulli, que continua convicto de que foi jogado para fora da pista.

Essa discussão é complicada, mas uma regra de ouro do automobilismo diz que se você está na frente e está no traçado correto da pista, você não precisa sair do lugar para dar a posição a outro piloto. A isso, chamam de defesa de posição.

Basicamente, o que ocorreu foi que Trulli veio por fora na curva, ou seja, fora do traçado, e resolveu achar que Sutil tinha que lhe dar espaço, mesmo não estando na frente de fato.

Aí ocorreu o que ocorreu. E Trulli não é nenhum santo na defesa de posição. Seu título de "piloto mais difícil de ultrapassar" na F1 não veio à toa.

Mas mesmo que Sutil estivesse errado, Trulli está sendo hipócrita, e é surpreendente que duas semanas depois seu sangue italiano ainda siga fervendo diante do piloto alemão.

O episódio não vai dar em nada, mas, se Trulli continuar, pode até ser advertido pela FIA.

O fato é que a cena deve ter sido hilária. Para se ter uma ideia, até o inabalável Kimi Raikkonen riu! Impagável!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Relatos de Interlagos - parte 2

Paulo Meyge continua com os relatos de sua saga em Interlagos, cujo início você pode ler neste post.

Fala PMeyge:

Sobre minhas experiências em Interlagos, tenho mais algumas imagens interessantes para compartilhar (acredito que fotos antigas e analógicas valham mais nessa brincadeira).

Após a temporada de 1992, fiquei quatro anos ausente de Interlagos por diversas razões, mas a principal em todos os casos foi grana (exceto 1994, quando não consegui o ingresso).

1996

Voltei à pista em 1996 e tive uma agradável surpresa: o autódromo estava bem mais bem cuidado do que nas duas edições anteriores que tinha ido (1991 e 1992).

Pela primeira vez havia uma organização boa de trânsito para chegar à pista e, nessa ocasião, assisti pela segunda vez à corrida no setor G (que é o mais barato e pior na minha opinião).

A corrida foi emocionante, mas os carros sofreram uma alteração sensível desde a última vez que tinha ido. O bico de tubarão era padrão em todas as equipes com exceção da Ferrari que, naquele ano, utilizou o bico convencional.


Vale a a observação de que o modelo da Ferrari de 1996, até o meio da temporada, foi um dos carros de corrida mais belos feitos até hoje.

As rodas e pneus eram mais estreitos e os carros menores. Este padrão não mudou muito até a temporada de 2009 acredito.

A corrida de 1996 foi emocionante, em especial o pega entre Barrichello e Schumacher pelo terceiro lugar. Fiquei na primeira perna da curva do Lago, onde Villeneuve errou e abandonou, e onde Barrichello também errou e abandonou em um pega alucinante com o grande Schumi.

Uma coisa a se notar é o período de vacas magras que foram estes anos da F1 para o Brasil, entre a morte de Senna e a ida de Barrichello para a Ferrari. Em 1996, a vitória acabou ficando com o grande Damon Hill, piloto para quem eu torcia na época.

1997

Em 1997 mais uma vez voltei a Interlagos (para depois viver um jejum de 10 anos e voltar somente em 2006) e desta vez assisti à corrida no setor A (dentro dos setores economicamente viáveis, sem dúvida a melhor opção de visibilidade da pista).

Michael Schumacher

David Coulthard

Heinz-Harald Frentzen

Mika Hakkinen

Mika Salo

Ao chegar no autódromo, uma das mais agradáveis surpresas que já tive como amante de F1: o modelo da Ferrari de Schumacher de 1996 estava exposto em um estande na parte de trás da arquibancada no setor A.

Foi a primeira vez que pude chegar perto de um carro de F1, encostar nos pneus, apreciar os detalhes. Foi realmente emocionante. A corrida em si, naquele ano, foi um pouco sem graça, com uma vitória muito fácil de Villeneuve.

Mas vale a pena pelas imagens.

domingo, 18 de outubro de 2009

Jenson Button: Campeão Mundial de F1 2009

É, não deu pra Barrichello...

Jenson Button produziu hoje uma daquelas pilotagens que dificilmente são esquecidas.

Se ano passado Lewis Hamilton levou a taça, mas não sem antes colocar uma colônia inteira de pulgas atrás da orelha de todo mundo, este ano Button fez o contrário.

O piloto da Brawn #22 foi incrível, rápido, convincente, agressivo, seguro, enfim. Todos os adjetivos que cabem a um campeão podem ser usados para descrever Jenson.

A comparação entre Hamilton e Button cabe apenas ao GP de Interlagos, claro. O GP que decidiu o campeonato tanto ano passado como este.

Mas Button foi determinado para não correr o risco de colocar tudo a perder em Abu Dhabi. E fez certo. E fez bem.

E a sorte deu uma mão danada pro inglês. Como Rubinho cansou de dizer este fim de semana, "só se tem sorte quando se trabalha".

Hoje Button trabalhou muito. Trabalhou demais. Arregaçou as mangas e meteu a mão na massa. E, claro, a sorte veio faceira, sorridente, feliz de abraçar quem fez por merecer.

A festa de Button foi bonita. Foi emocionante ver o abraço de Button pai e Button filho, porque quem reconhece o trabalho e o talento do outro sempre fica tocado quando esse trabalho gera resultado. Os frutos são sempre mais doces.

Hoje não cabe análise de tempo de volta, de pit-stop, de stints, estratégia de pneus ou penalidades.

Hoje cabe apenas parabenizar à Brawn GP e Jenson Button pelo irrepreensível campeonato. Irrepreensível porque não interessa em que ponto do certame a Brawn foi dominante. O que importa é que no somatório, a constância foi premiada.

E, claro, não dá pra não parabenizar Rubens Barrichello, que mais uma vez se mostrou um ativo magnífico para a equipe da qual faz parte.

Sem ele, a Brawn GP certamente teria muito mais dificuldade para ganhar o título. Quiçá a possibilidade de vencê-lo diante da Red Bull. Mas Rubens é assunto para outro post.

Hoje é dia de Jenson Alexander Lyons Button, 29 anos, piloto da Brawn GP e Campeão Mundial de F1 2009.

Congratulations, Jenson!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

GP do Brasil: treinos elucidativos

Se sexta-feira é incógnita na maioria das pistas, em Interlagos ela foi o retrato da temporada, mostrando claramente quem está na frente por ser rápido e quem está tirando onda.

Vêm fortes para a classificação Vettel, Webber, Barrichello, Button, Trulli, Hamilton e Kovalainen.

A pole pode cair no colo de qualquer um desses pilotos.

Entretanto, a corrida vai ser um universo à parte. Flávio Gomes notou no Twitter aqui que muitos, inclusive o autor deste blog, destacaram o quão próximos os pilotos estão entre si, com apenas nove décimos separando o primeiro do vigésimo.

Mas o jornalista contrapôes esta informação aqui dizendo que Interlagos é uma das pistas mais curtas do calendário e, proporcionalmente ao tempo de volta, a diferença entre os pilotos é normal.

Tem lógica a afirmação de Gomes, mas não deixa de ser um indicativo de que a corrida de fato vai ser muito disputada, nos mínimos detalhes.

James Allen notou que os pneus macios, claramente muito mais rápidos que os duros nos treinos de hoje, estavam sofrendo graining em stints maiores.

Isso significa que os pilotos vão ter que ser inteligentes no gerenciamento dos pneus, principalmente se não chover.

Rubinho passou mais de uma hora da segunda sessão de treinos fazendo stints com o composto mais duro e, por causa disso, se manteve sempre na rabeira da tabela.

Foi só trocá-los pelos macios faltando 10 minutos, para poder simular a classificação, que fez o terceiro tempo, em apenas duas ou três tentativas.

A questão é que, aparentemente, as Brawn não se comportaram muito bem com pneus duros e tanque cheio, mas esse é o problema de não saber os programas que os outros carros estão seguindo. Neste caso, não dá pra saber se a média das voltas do brasileiro está de acordo com as médias dos outros pilotos.

A diferença brutal entre pneus duros e macios vai ser o fator determinante no domingo para o desenrolar da corrida. Inteligência e regularidade vão ser os segredos para a busca da vitória, sempre lembrando que isso ocorrerá caso não chova.

Se chover, aí é outra história...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Vídeo da semana

Para continuar no clima de Interlagos 1992, um pequeno acidente envolvendo Senna e Mansell nos treinos classificatórios para o GP do Brasil daquele ano.

Senna disse que foi um "mal entendido", que ambos não chegaram a tocar e que Mansell provavelmente errou a curva.

Já Mansell disse que Senna simplesmente não deixou espaço suficiente para ele fazer a ultrapassagem.

Como todo bom campeão, o orgulho de ambos os pilotos sempre foi maior que sua humildade e os dois jamais admitiriam o erro ou o ato pensado de forma a prejudicar o oponente.

Grandes personalidades da F1, mas, ao mesmo tempo, grandes cretinos.

Relatos de Interlagos

O Grande Prêmio do Brasil de F1 mexe com o imaginário de dezenas de milhares de torcedores e admiradores do automobilismo que um dia sonharam em pilotar um carro de corrida.

Ver a categoria máxima tão de perto é uma experiência que alguns poucos afortunados podem se gabar de terem tido, ainda que a F1 visite o país toda temporada há 37 anos.

Os preços geralmente são proibitivos para a grande maioria, fora a dimensão continental do Brasil, o que dificulta e encarece o transporte oriundo de outras regiões para prestigiar o evento.

Mas isso não impede que Interlagos, o circuito que abriga a F1 em território nacional, seja considerado um dos mais interessantes, desafiadores e tradicionais circuitos do automobilismo mundial.

Hoje você vai ler o relato de um grande conhecedor e admirador da F1, Paulo Meyge. Seu piloto preferido foi Ayrton Senna, e ele guarda com emoção as memórias de ter visto o "Chefe" correr e vencer em casa.

Fala PMeyge:

Meu nome é Paulo Meyge e, como muitos, sou um grande amante de Fórmula 1. Nesta semana resolvi, a pedido do Daniel, amigo de longa data, compartilhar recordações de algumas edições do GP Brasil de F1.

A primeira vez que fui a Interlagos foi em 1991, na companhia de um primo e um tio. Assisti à corrida no Setor G, que fica na reta oposta, e pude conferir de perto a primeira vitória do grande Ayrton Senna em casa.

Sempre escutei pessoas mais velhas falando sobre assistir a Pelé, Garrincha e outros grandes do esporte.

Eu vi Senna.

Sempre terei isso na minha memória como uma das coisas mais especiais que me ocorreram. Nenhum outro esportista influenciou tanto a minha personalidade. Nunca vi nada parecido com aquilo. Infelizmente perdi, em uma mudança, as fotos do ano de 1991.

Porém, ainda tenho as fotos de 1992 que, na verdade, são as melhores fotos que já tirei até hoje. Nesta ocasião, vale ressaltar, assiti à corrida do Setor B, onde não se tem uma visibilidade muito boa do resto da pista e fica em frente aos boxes.

No entanto, em termos de sensação de barulho e velocidade, não ha nada parecido. O barulho dos motores V10 e V12 do início dos anos 1990 era consideravelmente mais ensurdecedor, assim como os carros eram maiores.

Mansell e Patrese terminaram a uma volta do terceiro colocado,
um certo Michael Schumacher


Foi uma corrida amplamente dominada pelas Williams, com destaque para o pega entre Senna e um jovem ousado chamado Schumacher pelo terceiro lugar.

Naquele ano de 1992, ficou evidente que aquele jovem era diferenciado, que ele era especial. Foi impressionante o desempenho dele nas pistas onde corria pela primeira vez, e na época não existiam os simuladores de hoje.


Érik Comas em sua Ligier-Renault Gitanes

O austríaco Karl Wendlinger, promessa que nunca deslanchou

Vale registrar que, na época, a organização do GP Brasil era vergonhosa. Nada se comparado a hoje. Nas duas ocasiões, foi quase uma hora de caminhada até o autódromo, uma verdadeira confusão. Hoje São Paulo dá um show nesse aspecto.

Fotos: Paulo Meyge