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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

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Raikkonen: Nick, o que você está olhando?

Heidfeld: O futuro... lá se vão nossas carreiras...

sábado, 11 de setembro de 2010

Classificação GP da Itália: resultados reveladores

A pista de Monza é única em vários aspectos, mas o que mais diferencia o circuito do restante do calendário é sua média de velocidade muito mais alta que o comum e como as características da pista demonstram claramente que a Red Bull de fato é o melhor carro do campeonato.

Alonso pole: resultado é bom para o campeonato, mas ilusório

De nada adianta fazer uma pole-position cinco décimos mais rápida que o tempo do vice-líder do campeonato, no caso de Alonso sobre Webber, ou do líder, Hamilton, se essa pole vem em uma das pistas mais bizarras da temporada. A diferença entre o tempo de Alonso e do 10º colocado, Rubens Barrichello, foi de 1,3 segundo, um tempo relativamente grande em uma pista que tem um tempo de volta pequeno.

Como em 2009, quando Raikkonen e Fisichella brilharam em Spa, mas apenas lá, este ano Monza volta a mostrar uma distorção com o domínio da Ferrari que, na verdade, só demonstra o quanto a Red Bull é mais eficiente onde realmente importa: curvas. E, é claro, a maioria das pistas da temporada pedem domínio nesse quesito, e não em retas.

Dito tudo isso, é realmente notável a dificuldade da Red Bull de andar bem em grandes retas, quando entra em jogo a potência do motor pura e simples e pouco arrasto aerodinâmico. Mesmo assim, Mark Webber ainda conseguiu se dar bem sobre Lewis Hamilton, que embora tenha cometido um pequeno erro em sua volta rápida, tinha carro para ficar lado a lado com Massa ou Button.

Jenson, aliás, brilhou com sua opção de usar o F-Duct em detrimento de pouca asa, opção da maioria dos pilotos. O inglês foi perfeito e, a exemplo do ano passado, tem boas chances de incomodar Alonso na pole, considerando que ele largue bem da segunda colocação e não perca a posição para Felipe Massa.

A corrida vai ser toda definida na largada, pois, diferentemente de 2009, não haverá estratégias de reabastecimento para manter o mais eficiente na pista. Em Monza, sem reabastecimento, com a pequena diferença relativa entre os carros, passar na pista é ainda mais difícil. Resta segurar o fôlego e esperar uma primeira curva de lascar!

segunda-feira, 19 de julho de 2010

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Raikkonen: Hum... tenho a ligeira impressão de que algo está errado por aqui...Na F1 as coisas eram mais fáceis.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

GP de Mônaco: o franco-atirador

Se você acompanha o Splash-and-go, sabe que este escriba não simpatiza e nunca simpatizou com o polonês Robert Kubica. Se não por seus resultados até 2009 pouco consistentes, pelo simples fato de "Quick" Nick Heidfeld, muito menos badalado, ter batido o polaco em dois dos três anos que correram juntos na BMW, fato este que derruba o frenesi que se causou em cima de Kubica.

Becken Lima aliás fez em seu F1 Around um bom apanhado da disputa entre os dois nesses três anos e apontou de forma clara e inequívoca a derrota do polonês. Além disso, embora Heidfeld nunca tenha vencido, não fosse uma série de desventuras dos primeiros colocados, Kubica também não teria tido sua almejada primeira vitória em Montreal em 2008.

Essa introdução serve apenas para demonstrar que é possível ter uma visão e depois mudá-la. Ser levado pelos fatos a trocar de lado, a rever sua posição e admitir que estava errado. Kubica este ano está simplesmente fora de série. O autor deste blog está quieto no seu canto saboreando uma amarga "humble pie", algo como as "sandálias da humildade" dos britânicos.

Neste post, o Splash-and-go cravou que Kubica nada faria de diferente pela Renault e recíproca seria verdadeira. Mas hoje é justo dizer que, embora provável, tal situação está se mostrando irreal. A Renault tem feito um trabalho incrível e, não fosse Petrov no segundo assento desperdiçando pontos, é provável que estivesse até à frente de Mercedes e McLaren no campeonato de construtores.

Isso não é pouco para uma equipe que, após o campeonato de 2006, se tornou medíocre, mesmo nas mãos do grande Fernando Alonso. Para completar, o escândalo de Cingapura e as péssimas performances de Piquet Jr e Grosjean não ajudaram a levantar o nome da gigante francesa.

Mais eis que surge Robert Kubica com uma performance sensacional, uma tenacidade de campeão, uma motivação de estreante. "Mas Mônaco é uma pista diferenciada. Uma exceção à regra", dirão alguns. É, mas basta uma rápida olhada na tabela de pontos para ver que o polonês está "on fire".

Com 59 pontos, empatado com Hamilton, mas à frente do inglês por conta de critérios de desempate, a dois pontos de Felipe Massa, dois pódios e um quase terceiro lugar na Malásia, Kubica ocupa o sexto lugar na tabela, mas a uma distância curta de Jenson Button, quarto lugar, com 70 pontos.


É razoável dizer que Kubica perdeu o segundo lugar em Mônaco na largada. Preocupado que estava em bloquear Vettel, quase perdeu a posição para Massa, mas conseguiu se manter em terceiro. Foi nítida a falta de grip de Kubica, pois Vettel e Webber largaram na mesma toada e melhor.

Foi uma pena porque depois da largada, Kubica se manteve firme atrás do alemão enquanto Webber sumia à frente. Vettel parecia de fato não estar na sua melhor forma, mas mesmo assim, ele pilotava a mesmíssima Red Bull de Webber que com certeza é um carro bem melhor que o R30 de Kubica.

A Mercedes era considerada a quarta força do campeonato,
mas Kubica está estragando a festa das flechas prateadas


Neste momento, o melhor para o campeonato é assistir à ascensão de Robert Kubica, se colocando firmemente entre as duas McLaren de Hamilton e Button, separando também as duas Ferrari de Massa e Alonso e, o melhor, deixando o chassi W01 de Schumacher e Rosberg para trás.


O GP da Turquia muito provavelmente voltará a ser dominado pelas Red Bull, mas será interessante continuar especulando qual dos times do G4 Kubica vai "partir" ao meio. Não tem nada mais interessante que um franco-atirador com claras chances de título para o campeonato pegar fogo.

Que o diga Kimi Raikkonen em 2007.

sábado, 8 de maio de 2010

Classificação GP da Espanha: continua o calvário de Massa

Era algo meio que aceito entre as rodas de conversa da F1 que Alonso poderia bater Massa durante o ano, mas certamente ninguém esperava a dominância do espanhol sobre o brasileiro nos treinos de classificação, principalmente agora na quinta corrida quando o placar chega a humilhantes 4 a 1 para Fernando.

Felipe Massa sempre foi um piloto muito rápido e suas performances inclusive diante de Kimi Raikkonen mostravam que uma de suas grandes forças são as voltas lançadas em condição de classificação.

A questão agora é: Massa piorou sua performance ou Alonso está realmente colocando o brasileiro em seu lugar? Tanto no Q1 quanto no Q3, Alonso ficou a distantes seis décimos de segundo do brasileiro enquanto no Q2 a diferença caiu um pouco, para apenas três.

Entretanto, essa difereça de seis décimos é a mesma que muitas vezes Alonso impunha sobre Nelson Piquet Jr. quando ainda na Renault. Seria Massa tão lento quanto Piquet? Ou seria Alonso REALMENTE seis décimos mais rápido que qualquer companheiro de equipe? É bom lembrar que Piquet nunca teve uma chance de realmente se mostrar em uma equipe que lhe tratasse como ao menos um piloto decente.

Felipe Massa foi o único piloto desde 1980 a vencer o GP da Espanha sem nunca ter sido campeão mundial. Todos os outros vencedores levaram o caneco em algum ponto, incluindo Michael Schumacher, que tem impressionantes seis vitórias no circuito catalão.

Acontece que na corrida de amanhã Massa estará tão distante da vitória como em qualquer corrida do ano passado, quando a Ferrari era seguramente um péssimo carro. E Fernando Alonso, oito pontos à frente do brasileiro no campeonato, segue nesta etapa para aumentar a distância e também os rumores de que este será o último ano de Felipe na equipe rossa.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Vídeo da semana

Kimi dá uma gargalhada inédita diante das câmeras.



Hahaha, did you steal this?

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Vídeo da semana

Uma lembrança da "perigosa" Ferrari de 2008.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Ferrari: a hora da verdade

Depois do pomposo lançamento do modelo F10, todas as expectativas em relação à Ferrari se viram agora para o Bahrein, quando a equipe finalmente vai mostrar a que veio junto a outras tantas em ambiente competitivo.

A Ferrari está numa situação particularmente delicada por uma série de razões:
  • perdeu o título de pilotos na última curva em 2008;
  • começou a temporada de 2009 fazendo lambança;
  • perdeu seu então principal piloto no meio da temporada em um acidente;
  • venceu apenas uma corrida, resultado que não ocorria desde 2005;
  • os substitutos do piloto acidentado decepcionaram e não pontuaram;
  • perdeu o quinto lugar no campeonato de pilotos de 2009 por um ponto;
  • perdeu o terceiro lugar no campeonato de construtores de 2009 por um ponto;
  • demitiu sumariamente o piloto que lhe trouxe o primeiro título mundial depois da era Schumacher e pagou uma fortuna por isso;
  • contratou outro piloto por outra fortuna sem ter garantia de retorno;
  • não se sabe ao certo a competitividade de seu piloto acidentado;
  • perdeu sua mascote oficial, Michael Schumacher, para um grande adversário.
Se você pensar bem, haverá outros itens que se encaixarão como uma luva na lista acima, mas estes são basicamente os pontos-chave.

A pergunta que fica é a seguinte: o que vai acontecer com a Ferrari e a F1 em 2011? É certo que 2010 nem começou, mas está a se desenhar uma situação no mínimo estranha, e curiosa, no mercado de pilotos do ano que vem.

Senão, vejamos:

Hipótese 1: Alonso vence o campeonato

Felipe Massa tem seu contrato findo este ano. Teoricamente, ano que vem ele estará livre para renovar ou sair. Se Alonso vencer o título mundial sem grandes rusgas com Felipe, é provável que a Ferrari queira renovar com o brasileiro.

Alonso campeão, patrocinadores satisfeitos, Ferrari satisfeita e investimento recuperado. Se depender da Scuderia, Felipe deve permanecer. Ele também provavelmente vai querer ficar, pois ainda vai acreditar que pode bater Alonso e porque a grana é alta. Ferrari é sempre Ferrari, seja você Barrichello ou Massa.


Hipótese 2: Massa leva o título

Essa hipótese deve ser a mais estranha para a Ferrari, pois se eles mandaram embora Kimi Raikkonen e contrataram Alonso a peso de ouro, eles não esperam que Felipe vá vencer campeonato algum. Diante do modus operandi de Maranello, essa hipótese também pode levar a equipe a manter sua dupla para 2011, mas é possível que Alonso não vá aceitar tão bem a idéia de ter tanta igualdade na equipe a ponto de ser batido por Massa ao título. Afinal, ele foi contratado para vencer, e não para perder para Massa.

Entretanto, nessa hipótese, os patrocinadores não ficariam TÃO satisfeitos e Alonso também não. Seria um grande foco de tensão. Mas Felipe Massa se elevaria finalmente ao panteão dos maiores pilotos de F1 da modernidade caso isso ocorresse. E com a vantagem de ter um caminho bem mais aberto em outras equipes, caso a Ferrari cogite em fazer o que a Brawn fez com Jenson Button.


Hipótese 3: Alonso e Massa derrotados, Alonso bate Massa no campeonato

Esse cenário leva quase que inexoravelmente à dispensa de Felipe Massa da Scuderia. Caso não tivesse se acidentado, Massa provavelmente teria garantido a Kimi mais um ano na equipe vermelha, mas como se acidentou, tudo se antecipou e Alonso foi trazido da Renault. Os patrocinadores não ficarão satisfeitos com essa hipótese, mas o potencial de Alonso na equipe é óbvio e Massa, já completando 30 anos em 2011, seria dispensável.

Acontece que dificilmente Felipe pilotaria pela McLaren ou Mercedes, o que lhe sobraria a Red Bull. Mas lá ele teria alguns jovens pilotos para lhe atrapalharem o caminho, além de já estar desacreditado depois do fracasso em 2010. Seria duro para o brasileiro uma derrota total da Ferrari, por mais fiel que ela lhe pareça ser.


Hipótese 4: Alonso e Massa derrotados, Massa bate Alonso no campeonato

A quarta opção aumentaria sobremaneira o crédito de Felipe Massa na F1, ainda que não leve o título, mas mesmo assim, bater Alonso em uma equipe mediana não chamaria tanto a atenção da mesma forma como foi em 2009, quando poucos realmente notaram que Massa estava destruindo Kimi na tabela de pontos.

O fato é que o campeonato é que vale numa equipe grande. Não adianta bater o outro com carros ruins (Barrichello que o diga). Se a vantagem for muito grande, aí sim Alonso iria começar a perder seu nome construído com custo desde seu ingresso na categoria. Se a vantagem for pequena, vão desconsiderar e dizer que o carro era péssimo mesmo e que isso não faz diferença.


Em todos os casos citados, Massa está sempre em desvantagem porque tem que realmente bater Alonso e ser campeão para se elevar ao nível dos mestres, coisa que as pessoas ainda se recusam a considerá-lo.

De todo modo, 2010 será interessante para descobrir se o carro da Ferrari está mais para um F10 ou mais para um Ctrl + Alt + Del.

Haja coração!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Vídeo da semana

Montoya e Raikkonen mostram do que é feito um piloto de corridas em 2002, na Alemanha.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Vídeo da semana

Desta feita, você vai assistir a alguns vídeos que mostram cabalmente um velho ditado do esporte a motor: nunca, JAMAIS, toque em um piloto que acabou de sair da corrida por erro, colisão ou qualquer outra causa.

As cargas de adrenalina pulsando no corpo do piloto neste momento estão no seu ápice, pois ele acabou de passar por uma situação de extremo estresse mental e físico.

O fato de ter ocorrido uma colisão ou erro faz com que o piloto esteja em um estado ainda mais crítico de alerta, algo que chega a ser perigoso para quem estiver perto.

É a lei do esporte a motor.



No GP da Malásia de 2004, Raikkonen sai frustrado da corrida e agride um fiscal de pista que tenta direcioná-lo. Repare que o fiscal TOCA no piloto, e esse é o grande erro dele.



No GP da Áustria, em 2000, Ricardo Zonta é obrigado a abandonar e, assim que sai do carro, o manobrista do guindaste acerta a cabeça do piloto, que imediatamente reage lançando-lhe o famoso dedo médio.



No GP de Mônaco de 1975, o lendário James Hunt disputava curva a curva, freada a freada, posição com o francês Patrick Depailler. Em uma das cruvas, Hunt é forçado a dar passagem a Depailler e acaba acertando o guard-rail e abandonando a prova.

Visivelmente frustrado e absolutamente tenso, Hunt acaba descontando no pobre fiscal de prova que foi tentar orientá-lo para sair da pista e ficar em segurança. Seu erro: tocar em Hunt.



Por fim, o mesmo James Hunt abandona o GP do Canadá de 1977 e, decepcionado, começa a passear ao lado do carro. O fiscal, prezando pela segurança do piloto, vai mais uma vez atrás dele. Acontece que ele toca em Hunt. O resultado, embora hilário, não é um exemplo de comportamento.

Coincidência ou não, Raikkonen e Hunt, personagens deste post, são conhecidos por serem bad boys que se comportam mal, fumam, bebem e personificam a nostálgica F1 de outrora.

Talvez o ditado tenha que ser modificado: nunca, JAMAIS, toque em Raikkonen e Hunt depois que abandonaram uma prova. Você pode acabar se dando mal.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

F1: distorção de valores

Inimaginável. Essa é a palavra que define o ano de 2009 para a F1 como um todo.

Muitos textos e bate-papos sobre a categoria começaram este ano com o bom e velho "Ninguém imaginava...", quando a Honda saiu, quando a Brawn foi criada, quando Barrichello voltou dos mortos, quando a equipe dominou os treinos de inverno, fez pole e venceu na Austrália.

Quando a Ferrari e McLaren se deram mal, quando as regras foram postas em dúvida, quando ameaçaram acabar com a F1, quando ameaçaram criar uma nova categoria, quando a BMW anunciou sua saída, quando assinaram o pacto de concórdia, quando Massa sofreu um grave acidente, quando Hamilton venceu uma corrida, quando Raikkonen venceu uma corrida.

Quando Badoer e depois Fisichella substituíram Massa, quando Schumacher quase substituiu Massa, quando Fisichella marcou a pole position com uma Force India, quando descobriram que Nelsinho Piquet bateu de propósito para Alonso vencer, quando baniram Briatore do esporte. E ninguém imaginava (quer dizer, imaginava, mas não se sabia quando) que Fernando Alonso finalmente iria para a Ferrari liberando Raikkonen para procurar outra equipe.

Quando Rubinho fez uma pole espetacular em Interlagos com Button largando em 14º, quando finalmente Button e a Brawn GP venceram o campeonato, quando Abu Dhabi estreou com pompa, quando Kobayashi deu show e quando a Toyota resolveu sair da F1 na esteira da BMW, deixando Glock, Trulli e Kobayashi a ver navios.

Ninguém imaginava nada disso há um ano.

Mas ninguém imaginava mais ainda que a Brawn iria nascer e morrer em apenas oito meses. E que a Mercedes GP seria criada. E que Rubens Barrichello pilotaria pela velha Williams. E que Jenson Button sairia da equipe que lhe deu um título incrível para pilotar pela poderosa McLaren ao lado de Lewis Hamilton em 2010.

Mas acima de tudo, ninguém imaginava que Kimi Raikkonen não estaria no grid em 2010.

A temporada de 2010 promete ser realmente uma das mais incríveis dos últimos 20 anos, com quatro equipes com reais chances de disputar as primeiras posições, pilotos de ponta nas quatro delas e uma real busca pela supremacia depois de uma temporada totalmente atípica.

Mas a F1 sem Kimi Raikkonen?

Que tipo de F1 é essa que expurga de seus bólidos o último piloto à moda antiga? Que tipo de categoria é essa que mantém um de seus melhores pilotos longe do grid? Que tipo de automobilismo é esse que deixa de lado o piloto que tem uma das três maiores comunidades de fãs do mundo?

O fã de Kimi Raikkonen não torce pelo piloto, mas sim por um estilo de vida. Por uma atitude. Pelo que é autêntico.

O fã de Kimi não busca tanto o resultado, mas sim o que se vê na pista. O finlandês cravou mais voltas mais rápidas que qualquer piloto no atual grid. É o piloto mais destemido da F1, o mais tranquilo, o mais relaxado.

E ainda assim pilota no limite todas as vezes, corrida após corrida, atacando as curvas como se seu carro fosse infalível, como se a aderência aerodinâmica fosse parte integrante de si mesmo.

Não importa se em 15º, 7º ou primeiro. A melhor volta quase sempre vem, a pressão sobre o pedal do acelerador, o trabalho incansável, seja no melhor carro (McLaren 2005, Ferrari 2007 e 2008), seja no pior carro (Sauber 2001, Ferrari 2009).

Kimi Raikkonen não é um piloto. É um prolífico artista da velocidade. Uma celebridade e uma personalidade que não se apoia em máscaras, mas sim em ações e atitudes. O suposto desinteresse do finlandês quanto a tudo na verdade é a maior prova de que ele se interessa apenas pelo que importa: o carro, a pista e a velocidade. Precisa de algo mais?

É por isso que a F1 em 2010 não será a temporada mais incrível dos últimos 20 anos. Será ótima, será eletrizante, recheada de disputas por poder nos bastidores. Mas será apenas um filme sem seu protagonista. Excepcionalmente, o Oscar de melhor ator não será entregue no fim da temporada do ano que vem porque não haverá melhor ator.

Haverá apenas efeitos especiais, e desses os fãs da F1 já estão de saco cheio.

Em 2010, o Iceman vai congelar outras paragens.



quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O valor dos pilotos na nova F1

O assunto em voga nas últimas semanas é o salário dos pilotos. O fato de Kimi Raikkonen, um fenômeno da F1, ter se tornado free agent causou um rebuliço na categoria.

Será que Kimi se supervaloriza a ponto de ficar de fora da F1 em 2010?

O finlandês ainda está sem equipe e parece estar decidido a não aceitar salários menores do que espera receber, o que é ruim para todo mundo, inclusive para ele como piloto.


Agora, o grande protagonista das bancas de negociação é Jenson Button. O campeão desta temporada tem jogado duro com Ross Brawn em relação a seu salário.

Button não aceita continuar com o salário de 2009 depois de ter vencido o campeonato; espera no mínimo receber o que recebia antes na Honda.

Fala-se que o salário do inglês este ano foi de £3 milhões, £5 milhões a menos que em 2008.

Entretanto, Ross Brawn está irredutível em não mexer no salário de Button, o que causou ainda mais uma trava na dança das cadeiras da F1.

A McLaren aguarda pacientemente as negociações de Raikkonen e Button e não perderá a chance de ter algum dos dois pilotos para substituir Kovalainen.

Na edição de hoje do The Guardian, jornal inglês, Brawn deu uma entrevista dizendo que vai dar a Button uma "maior proporção de liberdade ao piloto e é o que provavelmente vamos fazer".

Isso significa que Button deve capitalizar ele mesmo sobre seu recém-vencido campeonato e conseguir patrocinadores por conta própria. Em outras palavras, ele vai correr atrás do próprio salário.

Na negociação, sorrisos são inúteis

Ross Brawn não é noviço nas pistas e muito menos ingênuo no mundo dos negócios. O dirigente abre um interessante precedente para os anos vindouros.

A questão não é que Button vale pouco. São os outros pilotos que andam valendo demais e cujos valores de mercado estão distorcidos.

Sabedor deste contexto, Brawn está simplesmente negociando em patamares realistas condizentes com o orçamento de uma equipe ainda em fase de estabilização.

Se ele paga o que Button quer, se quiser se manter no topo com a Brawn GP, terá que pagar a outros pilotos quantias faraônicas quando tiver que substituir o inglês.

Brawn está agindo como um verdadeiro garagista, como Frank Williams, que sempre foi considerado "pão-duro". Mas ninguém comenta que a Williams é a única equipe tradicional de garagem na categoria, e isso se deve a uma gerência impecável de Sir Frank.

Ross Brawn segue agora o mesmo caminho para manter sua equipe dentro de níveis realistas de custos.

Dentro da nova F1 do teto orçamentário, os pilotos vão obrigatoriamente precisar repensar seu posicionamento nas negociações e saber buscar valor onde ele realmente é dado.

A chance de Button assinar com a Brawn é grande por causa do histórico entre eles, mas é cada vez mais provável que o piloto não terá o que está pleiteando. Ponto para Ross Brawn.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Trulli x Sutil: o vídeo

Chegou ao YouTube o vídeo da discussão entre Jarno Trulli e Adrian Sutil na entrevista coletiva dos pilotos antes do GP de Abu Dhabi.

As caras e bocas de Kimi Raikkonen e Fernando Alonso são IMPAGÁVEIS! Diversão garantida!

GP de Abu Dhabi: como Kamui Kobayashi conseguiu o sexto lugar

O japonês Kamui Kobayashi foi sem dúvida a sensação deste final de temporada.

Com a régua passada e a féria ganha, os pilotos provavelmente queriam apenas se divertir, embora o traçado de Herman Tilke não tenha ajudado muito nesse quesito.

Coube então ao japonês dar espetáculo tanto em Interlagos como em Yas Marina. E o piloto não decepcionou.

No Brasil, deu show de pilotagem, não sem sua dose de controvérsia como todo bom japonês, e em Abu Dhabi mostrou para quem quisesse ver que tem consistência e velocidade na medida certa.

Koba não se intimidou e mais uma vez correu a corrida de sua vida, colocando voltas rápidas sucessivamente e pilotando de forma limpa.

A Toyota esteve melhor que a Ferrari, mas essa diferença poderia facilmente ser ofuscada pela tremenda qualidade de Kimi Raikkonen sobre o estreante da terra do sol nascente.

Acontece que Raikkonen largou na frente de Kamui, em 11º, com um tempo apenas 51 centésimos mais rápido e 2,3 quilos mais pesado.

E no fim, Kimi chegou uma posição atrás de onde largou e Koba chegou seis posições à frente, marcando três pontos.

Mas, com quase o mesmo peso e a mesma estratégia de uma parada, qual foi a diferença entre os dois?

A verdade é que, primeiro, Kamui fez uma ultrapassagem vital sobre Raikkonen na saída da primeira curva logo após a largada. Aí ele já ganhou uma posição fundamental para ser bem sucedido sobre o finlandês.

Segundo que o japonês foi sempre mais rápido que Kimi e, quando precisou, deixou para trás carros mais lentos. Prova disso foi a bela e rápida ultrapassagem sobre a recém-abastecida Brawn de Button.

Essa ultrapassagem valeu ao japonês várias posições. Caso se mantivesse atrás do inglês, Koba perderia oito décimos por volta em média, que foi a diferença de tempo entre os dois desde o seu encontro na saída dos pits de Button até a entrada de Kobayashi.

Já Raikkonen teve o azar (ou foi lento demais) para conseguir se antecipar à parada das duas Brawn e acabou tendo não só Button como Barrichello à sua frente logo depois do pit-stop de ambos.

Uma volta antes de sua parada, Kimi já estava a distantes 10 segundos de Kobayashi e quando ambos saíram de seus pit-stops, a distância já havia aumentado para 15 segundos.

De todo modo, especialmente rápido foi o segundo stint do japonês em relação a Raikkonen. Ao se analisar os tempos de volta após o pit-stop dos dois (Kimi na 29ª volta e Kamui na 30ª), constata-se que em várias voltas subsequentes à parada, Kobayashi foi até um segundo mais rápido que o finlandês, o que acabava com qualquer chance da Ferrari número 4 disputar posições.

Quando veio a segunda rodada de pit-stops do pessoal na estratégia de duas paradas, vários pilotos entraram entre Raikkonen e Kobayashi, e daí a distância entre os dois extrapolou em muito os 20 segundos, a ponto de, na última volta, estar em 26 segundos, justamente no momento em que o japonês cravou seu melhor giro na prova, em 1:40.779, 64 milésimos mais rápido que a melhor de Raikkonen, cujo tempo veio uma volta antes.

Isso demonstra também que ambos estavam pisando fundo mesmo nas últimas voltas da corrida e que Kamui estava realmente mais rápido e consistente que o finlandês.

Glock e Kobayashi: o alemão foi substituído à altura

O resultado foi uma pontuação forte, convincente, algo que Timo Glock dificilmente faria melhor caso estivesse recuperado de seu acidente.

É por isso que Kamui Kobayashi surpreendeu. E é por isso que a comunidade fã da F1 lamenta profundamente que Kamui possa ter perdido sua chance de ouro de ser piloto titular de uma grande equipe em 2010.

Duas corridas são pouco para analisar um piloto, pois Kazuki Nakajima também brilhou na sua estreia no GP do Brasil em 2007. Entretanto, o tempo foi implacável com Naka.

O mundo certamente não precisa de mais um sushiman, mas precisa de Kamui Kobayashi pilotando na F1.

Fica a torcida.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Trulli x Sutil: basta!

Algum desavisado (ou talvez alguém mal-intencionado) colocou Sutil e Trulli um ao lado do outro na primeira entrevista coletiva dos pilotos em Abu Dhabi.

O arranca-rabo entre os dois no GP do Brasil está sendo requentado por Trulli, que continua convicto de que foi jogado para fora da pista.

Essa discussão é complicada, mas uma regra de ouro do automobilismo diz que se você está na frente e está no traçado correto da pista, você não precisa sair do lugar para dar a posição a outro piloto. A isso, chamam de defesa de posição.

Basicamente, o que ocorreu foi que Trulli veio por fora na curva, ou seja, fora do traçado, e resolveu achar que Sutil tinha que lhe dar espaço, mesmo não estando na frente de fato.

Aí ocorreu o que ocorreu. E Trulli não é nenhum santo na defesa de posição. Seu título de "piloto mais difícil de ultrapassar" na F1 não veio à toa.

Mas mesmo que Sutil estivesse errado, Trulli está sendo hipócrita, e é surpreendente que duas semanas depois seu sangue italiano ainda siga fervendo diante do piloto alemão.

O episódio não vai dar em nada, mas, se Trulli continuar, pode até ser advertido pela FIA.

O fato é que a cena deve ter sido hilária. Para se ter uma ideia, até o inabalável Kimi Raikkonen riu! Impagável!

domingo, 25 de outubro de 2009

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Fotógrafo: Ponha as mãos pra cima quem tem equipe pro ano que vem!

Raikkonen: ...

sábado, 24 de outubro de 2009

Raikkonen: vale o quanto pesa?

Já há algum tempo a F1 não tinha um free agent do calibre de Kimi Raikkonen. O finlandês viu seu contrato ser rasgado em frente a seus olhos pela Ferrari após uma parceria de resultado duvidoso.

A diferença entre Alonso e Raikkonen foi que o espanhol assinou contrato com a McLaren enquanto estava bem empregado pela Renault e foi bicampeão do mundo.

Já o finlandês, que ainda tinha mais uma temporada de serviços a serem prestados para Maranello, foi terminantemente excluído dos quadros da equipe antes mesmo de pensar se havia outro lugar para ele. Ou seja, está desempregado.

O fato é que há vários chefes de equipe ávidos para terem Kimi Raikkonen dirigindo seus carros, mas aparentemente as negociações com os empresários de Kimi, os Robertson (David, o pai, e Steve, o filho), estão ferrenhas.

Os Robertson são conhecidos por conseguirem contratos vultosos para seus representados e são mestres na arte da barganha e da venda.

Entretanto, pela segunda vez um chefe de equipe parece cortar as asas dos Robertson e de Raikkonen.

O chefe da Toyota, John Howett, já havia dito esta semana que o preço de Kimi estava exagerado e que a proposta da Toyota está na mesa, se o finlandês quiser.

Já Norbert Haug mandou um recado que, se não teve endereço certo, não é difícil saber de quem se trata.

Disse ele: "Kimi é uma opção, mas há várias outras opções por aí. Mas uma coisa é certa: caras que estão à procura de dinheiro não são os certos para nós, quem quer que eles sejam".

O dirigente da Mercedes disse que não ia citar nomes, mas que queria alguém 100% comprometido com o sucesso, "e não alguém dizendo ´sou um grande nome. Pague-me muito dinheiro e vou pilotar para vocês´".

"A McLaren tem que estar convencida de que o piloto está ávido, motivado, focado, e que seu primeiro objetivo não pode ser o dinheiro", disse Haug.

O recém-coroado campeão da F1, Jenson Button, chegou à categoria trazido pelos mesmos Robertson. Entretanto, em algum momento nos seus primeiros anos na F1, resolveu romper com os empresários.

O suposto motivo seria que a agressividade na banca de negociação dos dois negociantes estava se tornando contraproducente, ou seja, o delicado balanço entre oferta e demanda foi rompido e oportunidades excelentes começaram a ser perdidas.

Os Robertson fizeram de Kimi Raikkonen um piloto milionário, um dos mais bem pagos da cateogoria após a aposentadoria de Schumacher.

Entretanto, essa mesma habilidade pode acabar fazendo com que um dos pilotos mais brilhantes da F1 fique de fora do grid em 2010.

Aparentemente, para Raikkonen, isso não é problema, mas para o automobilismo, para os fãs e para a F1, isso seria um desastre.

Resta saber se o dinheiro é mais importante para Kimi do que correr. Ele já deixou claro que não quer correr em uma equipe para disputar o 10º lugar.

"Se eu quero correr, quero ter um carro que esteja pronto ano que vem para vencer o campeonato. Quero pelo menos me dar a chance. Depois é deixar comigo e com a equipe pra ver o que vai acontecer. Mas pelo menos você tem de ter um carro que lhe dê a chance de vencer".

Uma coisa é certa: em 2010, a F1 sem Kimi Raikkonen vai ser bem chatinha...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Raikkonen: querido preterido

A história mais marcante deste final de temporada não é o Crashgate, não é a recuperação de Massa, não é Alonso na Ferrari e nem Barrichello na Williams.

A história que custa a encaixar é a da dispensa de Kimi Raikkonen por Maranello.

Há vários cenários para justificar o encerramento precoce do contrato de Kimi com a Scuderia, mas nenhum deles é realmente compreensível do ponto de vista lógico.

Não existe em nenhuma esfera premonitória a garantia de que Fernando Alonso vai trazer à Ferrari o que dizem que vai trazer.

No limite, é possível dizer que Alonso vai trazer controvérsias, como trouxe a todos os times em que correu.

Raikkonen, por outro lado, trouxe o primeiro e único título de pilotos que a Ferrari venceu depois da era Schumacher.

Embora frio e distante, o piloto nunca entrou em polêmicas dentro da F1. Sua preferência por uma boa vodca e rally nunca foi segredo e tampouco atrapalhou seu desempenho na pista.

É claro que Raikkonen ficou triste e chateado por ser preterido por Alonso. Isso não faz bem ao ego de nenhum piloto, por mais finlandês seja.

A questão é que Kimi deu azar e o timing das coisas não ocorreu para seu benefício. A Ferrari fez uma bomba de carro em 2009 e o finlandês não se deu bem com o F60 no início do ano. Entretanto, quando o piloto começava sua ascensão, Felipe Massa sofreu seu acidente.

E foi nesse momento que a Ferrari mostrou claramente que não queria mais Raikkonen na sua folha de pagamento. Aproveitando-se do mal momento da equipe no ano, Domenicali falou que não mais investiriam no desenvolvimento do carro para o resto da temporada.

Foi o último golpe para Kimi Raikkonen.

Disse Domenicali: "eu considero Raikkonen, em todos os sentidos, no mesmo nível de Fernando, Felipe, Lewis. Então, por que mudar? Porque tenho certeza que nossa equipe, a Ferrari, necessita de um homem parecido com Schumi no trato com a equipe.

Kimi é muito rápido, muito competitivo, mas também muito fechado, introvertido. Não é uma limitação ou defeito: é o seu temperamento. Com um carro vencedor ele é perfeito. Com um carro para desenvolver e uma equipe para liderar, eu acredito que Alonso é superior. Eu expliquei isso para Raikkonen: ele não ficou feliz, mas entendeu."

É muito difícil entender o que Domenicali quis dizer com isso, pois, segundo várias fontes, Felipe Massa, para todos os efeitos, é a liderança que a Ferrari precisa. Com dois líderes casca-grossa, temperamentais, competitivos e desbocados, o que vai ser da equipe?

A lógica seria trocar Alonso por Massa, e não Raikkonen. Massa sofreu um acidente, havia dúvidas sobre sua recuperação plena (principalmente nas semanas após o acidente), é desbocado, impetuoso e competitivo.

Já Raikkonen é o campeão mundial da equipe, é rápido, preciso, introvertido e, em linhas gerais, fácil de lidar. Se a equipe precisava de um líder, que chamasse Alonso e apenas desse o carro para Kimi pilotar. É o que ele faz melhor. E a equipe veria os resultados vindo como nunca.

Kimi Raikkonen não tem pressa, pois sabe que seu passe vale ouro. Por ele, a Ferrari seria sua equipe em 2010 e ele poderia encerrar sua carreira por lá, quem sabe com um bicampeoanto.

Agora, embora ele diga que não, permanecer na F1 é uma questão de honra. E, avaliando suas opções, a McLaren é a única que pode fazer frente à Ferrari e sua explosiva dupla ano que vem.

Com Hamilton, Raikkonen faria a dupla perfeita, e duplas perfeitas vencem campeonatos, dão espetáculo e, claro, destroem duplas menos perfeitas como Alonso e Massa.

Mas isso, só o futuro dirá.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

2010: previsões – Parte 2

Leia a Parte 1 aqui.

Por motivos lógicos, você não verá nada sobre as novas equipes. Apenas sobre as nove equipes definidas no grid (a décima é a BMW, que anunciou sua saída e nada foi definido sobre sua substituta).

Renault | Kubica & Kovalainen

Robert Kubica é um dos pilotos mais superestimados do grid na opinião do Splash-and-go. Depois de sua circunstancial vitória em 2008, o polonês nada fez para justificar o oba-oba em torno de si mesmo.

Mesmo que a BMW tenha entrado em processo de queda livre ano passado, Kubica tem demonstrado ser um piloto afoito e geralmente pouco confiável.

Este ano se envolveu em vários incidentes em corrida e tem sido invariavelmente batido por seu companheiro super discreto Nick Heidfeld, tanto em classificação como em corrida, além de ter marcado menos pontos.

Por essa razão é difícil entender todo o frisson que se causa quando se fala em Kubica. Mas como há gosto para tudo, a Renault acredita que o piloto será a solução de seus problemas.

Este blog acredita que não, e acredita ainda que ano que vem Kubica não fará nada diferente do que fez este ano, mesmo porque dificilmente a Renault vai produzir um carro tão bom quanto acha que pode.

Para ser companheiro do polonês, a Renault deve recrutar de volta seu ex-piloto Hekki Kovalainen. Kova até hoje não mostrou a que veio na F1, venceu uma corrida por pura sorte, não apresenta resultados consistentes e simplesmente não vai fazer melhor do que fez na super McLaren de 2008, ou seja, nada.

O finlandês é a gentileza em pessoa, muito diferente de seu conterrâneo Raikkonen. É sorridente, brincalhão e se dá muito bem com a McLaren, mas nada justifica uma equipe do calibre da Renault, que já teve o piloto antes, traze-lo de volta.

A dupla da Renault será uma das mais chatas e estagnadas da F1 ano que vem, e isso é triste para uma equipe que foi campeã mundial há três anos. Merecia algo melhor, ainda mais agora sem Briatore e Alonso.

Williams | Barrichello & Hulkenberg

Rubinho chega à Williams dez anos atrasado. No auge de sua ascensão ao estrelato (1996 a 1999) Barrichello foi assediado pelas três maiores equipes da F1. Todas venceram campeonatos na época com carros maravilhosos, mas Rubens acabou optando pelo dinheiro, embora diga que não.

Depois disso, sua carreira declinou, ainda que tenha produzido pilotagens do mais alto calibre na Ferrari. Na Honda, nada mais foi do que um piloto enchendo o grid, assim como seu companheiro Jenson Button.

Na Brawn, Rubens teve a chance que queria, mas sua adaptação ao carro foi lenta demais e reagiu muito tarde, apenas para ver seu companheiro mais uma vez arrematando o título mundial com que o piloto brasileiro tanto sonhou.

O casamento entre Williams e Barrichello é bonito e cheira à tradição da F1 que todo brasileiro gosta, do fim dos anos 1980 e início de 1990. Entretanto, a capacidade da Williams de produzir um carro vencendor nunca mais foi a mesma depois que Juan Pablo Montoya pilotou para Sir Frank.

É tentador pensar que a equipe de Grove tem um bom projeto nas mãos, mas o mais provável é que veremos Rubinho ocupando o meio do grid como Nico Rosberg faz agora, mas com menos consistência.

Já Nico Hulkenberg é mais um piloto da GP2 que chega à F1 com toda pompa. Entretanto é fácil enxergar que apenas Lewis Hamilton conseguiu algo realmente estupendo na F1. Todos os outros pilotos oriundos da GP2 cumprem tabela. Seria “the Hulk” mais uma exceção à regra?

Hulkenberg provavelmente vai tomar aulas de direção de Rubinho ano que vem, mas pelo menos tende a aprender mais rápido com o brasileiro boa-praça e congregador, além de contar com sua vasta experiência. Será uma dupla interessante de se observar, se a TV deixar.

Toyota | ?

A equipe japonesa acaba de produzir seus dois melhores resultados no ano bem no momento em que praticamente demite sua dedicada dupla de pilotos.

Há algo de ironia nisso, pois dificilmente a escuderia nipônica será capaz de montar uma dupla como essa para a temporada 2010.

Há quem diga que Kazuki Nakajima vai finalmente pilotar para a montadora que o empurrou para a Williams, o que seria algo triste do ponto de vista dos resultados.

Já Kamui Kobayashi tem a chance de ser promovido, mas conta com um histórico humilde no automobilismo.

A Toyota se veria no céu com uma dupla de pilotos japoneses, mas a verdade é que se veria ao mesmo tempo no inferno com resultados pífios e seu nome na lama da F1.

McLaren | Hamilton & Raikkonen

O atual campeão da F1 fez uma temporada vencedora e se redimiu dos pecados australianos no início do ano.

Hamilton correspondeu ao árduo trabalho de Woking com pilotagens de primeira categoria, venceu duas provas até agora e não deixou, é claro, de cometer seus erros de jovem afobado.

Ano que vem, será realmente um dos grandes favoritos ao título.

Já Kimi Raikkonen foi vítima do outro lado de Maranello, o lado frio, hostil, “just business”. O finlandês, fiel à equipe, fez de tudo para levar a Scuderia ao topo do pódio. E conseguiu com a incrível pilotagem do GP da Bélgica.

Depois de ser preterido por Alonso, Raikkonen só pode ter a McLaren como destino. E a volta do Iceman seria ótimo para os fãs, para a F1 e para o automobilismo.

Kimi é um piloto completo, rápido, destemido, consistente. É um prazer assisti-lo pilotar com toda sua precisão e velocidade.

Sua dupla com Hamilton será fascinante. A relação entre os dois deve ser amistosa e tranquila, e Raikkonen não costuma guardar mágoas de disputas na pista, mas com certeza vai querer fazer a Ferrari provar do próprio veneno e, de quebra, levar a McLaren mais uma vez ao campeonato de construtores.

Além disso, Hamilton terá finalmente um companheiro que trará perspectiva às suas performances, mas sem implodir as coisas na equipe inglesa, como foi com Alonso.

Dificilmente os dois se prejudicarão ou jogarão sujo um com o outro. Vai ser uma disputa limpa de uma dupla que, com certeza, tende a bater Massa e Alonso, se a McLaren produzir um carro rápido.

É por isso que 2010 deve ser a temporada mais eletrizante dos últimos anos.

Resta apenas esperar.