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terça-feira, 10 de maio de 2011

GP da Turquia: qual F1 o povo quer?

Antes de mais nada, a pista construída por Hermann Tilke na Turquia vai fazer muita falta para a F1. Por mais que o público seja fraco e o país tenha virado as costas para a categoria, a pista é realmente uma das três obras-primas do designer alemão.

E mais uma vez, após a quarta corrida do ano, o que mais se fala por aí é sobre a artificialidade ou não das corridas, e não das corridas em si. Isso é preocupante, porque está estabalecendo um precedente perigoso.

Realmente, mesmo indo para a quinta etapa do campeonato, agora em solo europeu, fica difícil chegar a uma conclusão sobre os gimmicks utilizados pela FIA/FOTA/FOM para melhorarem as corridas.

Ficam as hipóteses. Se houvesse apenas os pneus Pirelli, eles já teriam dado conta do recado e deixado as corridas mais instáveis. Caso fosse só o KERS, teria resolvido a questão de carros rápidos ficando atrás de carros lentos. Caso fosse a asa móvel, ela também teria dado conta sozinha (até demais) dessa mesma questão...

Reclamou-se do ponto escolhido na pista para o acionamento da asa. Reclamou-se da instabilidade suprema dos pneus italianos, que desencadeou milhares de pit-stops a mais que o previsto. Reclamou-se do fato de a Red Bull, mesmo sem KERS, destruir a concorrência.

Mas continua a pergunta: que F1 o povo quer assistir? Será que dar ao povo o que ele quer significa dar o melhor ao povo? Ou seria melhor educar o povo a receber o que é bom pra ele?

Existe uma claríssima divisão entre os apoiadores dos novos recursos e os que acham que as regras foram longe demais. E há, claro, aqueles que defendem a volta do reabastecimento, que é o caso do autor deste blog ainda hoje.

A verdade é que do ponto de vista da audiência, aparentemente é bom para a F1 que as regras mudem tanto, pois sempre haverá um ar de curiosidade sobre a próxima temporada. O problema com a era Schumacher era justamente a falta de novidades realmente modificadoras do status quo.

Mas fora todo o debate nos bastidores, a corrida foi mais um festival de ultrapassagens. É verdade que a asa móvel tornou algumas ultrapassagens fáceis demais, e o próprio Mark Webber reclamou disso ao dizer que é ótimo se aproximar do carro da frente, mas ultrapassá-lo sem dificuldade são outros quinhentos...

Alonso no pódio: Massa que se cuide

Fernando Alonso foi o grande destaque da prova. Pilotou como um grande campeão, o que começa, mais uma vez, a enterrar as esperanças de Felipe Massa para este ano.

Mas uma coisa não se pode deixar de notar. Todos os pilotos que fizerma ultrapassagens visualmente fáceis não foram ultrapassados novamente na volta seguinte.

Isso significa que o piloto mais rápido continua tendo a vantagem sobre o outro. A diferença é que ele nunca mais vai ficar preso atrás do piloto da frente. Fernando Alonso teria agradecido aos céus por essas novas regras na última corrida do ano em Abu Dhabi, pois teria passado Petrov, Kubica, e provavelmente levaria o caneco pela terceira vez.

Na próxima etapa, em Barcelona, a F1 vira seus olhos de novo para os efeitos dos novos equipamentos e dos pneus Pirelli. A pista é uma das mais difíceis de se ultrapassar e, segundo James Allen, a asa não será o diferencial como foi na Turquia.

Mas será que, se isso acontecer, ela não é na verdade um grande fracasso?

A ver...

sábado, 26 de março de 2011

Classificação GP da Austrália: Red Bull consolida uma nova era


Ainda que não seja inesperada, a dominância da Red Bull nas ruas de Melbourne Park assusta. Assusta porque, ao se analisar a F1, percebe-se que todas as décadas tiveram um carro dominante, uma força de outro mundo que enterrou a concorrência de forma tão absurdamente forte que não se sabia se o melhor era admirar o feito ou reclamar da falta de competitividade.


Em 1988, Senna e Prost engoliram o mundo com o McLaren MP4-4. Venceram tudo e todos sem pena. Naquele ano, apenas Gerhard Berger, então piloto da Ferrari, quebrou a incrível sequência de pole-positions de Ayrton e Alain.


Em 1992, foi a vez de Nigel Mansell dominar a tabela sozinho, tendo apenas Senna para atrapalhá-lo no GP do Canadá, já que Riccardo Patrese marcou a pole no GP da Hungria, mas era seu companheiro de equipe. O FW14 era obra de ninguém menos que Adrian Newey.


Já em 2004, o F2004 da Ferrari destruiu o resto do grid, principalmente em termos de corrida. Na classificação, foram 11 pole-positions em 18 etapas, sendo quatro de Barrichello e sete de Schumacher. Não teve pra ninguém e paradigmas foram mudados depois desse ano apenas para cortar as asas da Ferrari.


Agora é 2011 e, parece, a Red Bull terá um ano ainda mais fácil que 2010, em que o RB6 de Adrian Newey conquistou nada menos que 15 pole-positions em 19 etapas. O ano passado abriu um perigoso precedente que pode se tornar a "Era Red Bull". Será que o RB7 irá além?

É interessante observar a escalada da RBR porque sabe-se que muitos medalhões do paddock olham com desdém para os boxes comandados por Helmut Marko e Christian Horner. Um nome sem longa tradição no esporte agora pode estar entrando no panteão dos deuses da categoria mais cedo que alguém jamais imaginou.

Embora tenha vencido um campeonato mais do que polêmico em 2010, é hipocrisia ignorar o quanto a F1 foi embaralhada com a dominância da equipe austríaca. E é mais do que bacana ver McLaren, Ferrari, Mercedes, e equipes que um dia dominaram como Williams e Renault, tendo de calçar as sandálias da humildade e correr atrás da solução de seus problemas e ainda evitar de serem humilhadas pela jovem campeã.

Em qualquer esporte, a quebra do status quo é positiva, traz reflexão, desenvolvimento, traz emoção e, principalmente, novos fãs. Acontece que em muitos esportes isso acontece uma vez ou outra por obra de "azarões" para logo tudo voltar à "normalidade".

Acontece que a Red Bull não quer voltar à normalidade e provavelmente não voltará, pois tem muito dinheiro, recursos e talento em seu casting. Dificilmente perderá o status de grande equipe nos anos vindouros e figurará, quer queiram McLaren e Ferrari, quer não, ao lado delas na galeria dos campeões atemporais.

E que comece 2011, (mais um) ano da Red Bull.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Red Bull Racing: a vitória da hipocrisia

Não é de admirar que um alemão esteja no centro de uma das comemorações mais hipócritas de que se tem notícia na F1. Navegando pelos sites e blogs do Brasil e do exterior, é notável nos textos a exaltação da F1, um resultado que ressalta a “lisura” da categoria (como disse o narrador global).

Chega a ser enojante a forma como se tem colocado a Red Bull como uma equipe correta, uma equipe que zela pelo bem do esporte. Dietrich Mateschitz acabou de provar mais uma vez o tamanho do gênio marqueteiro que existe em sua cabeça branca.

Não se discute e nem vai se discutir o mérito do merecimento por aqui. Sebastian Vettel foi magnânimo. Foi cirúrgico. Foi, enfim, campeão. Um rapaz que chega à F1 e faz o que ele faz não merece nada além de todos os louros. Dez pole-positions e 12 vezes largando à frente de Mark Webber não deixam ninguém ser enganado.

Entretanto, parece conveniente esquecer o episódio da Turquia, parece conveniente esquecer o episódio de Silverstone e parece conveniente esquecer o episódio de Interlagos. Mas o que um tem a ver com o outro?

Bom, primeiro, é bom lembrar que uma continha foi feita por aí demonstrando por A + B que, caso Webber tivesse vencido o GP do Brasil com uma ordem de equipe, tanto ele quanto Vettel teriam perdido o campeonato para Alonso e a Ferrari. Correto? Correto.

Mas essa conta é torta, maliciosa, porca até. Porque é muito, mas muito fácil mesmo dizer que a Red Bull é contra ordens de equipe quando seu primeiro piloto é quem está no lugar mais alto do pódio. É aí que mora a hipocrisia.

Este blog nunca foi fã de Vettel, da Red Bull e muito menos de Webber, mas este ano o australiano fez um trabalho irrepreensível, mostrando um talento que desde que chegou à categoria não mostrava.

No decorrer do campeonato, Webber se mostrou verdadeiramente um candidato ao título, e a Red Bull tentou cortar-lhe as asas mais de uma vez. Onde está a lisura nisso? Não existe lisura nisso. Existem má-fé e corporativismo travestido de detalhes técnicos.

Depois do show que Vettel deu este ano, alguém realmente acredita que ele precisa da ajuda de sua equipe contra seu parceiro para vencer alguma coisa? É óbvio que não. O que ele precisa é de um carro confiável. Só isso. O resto ele dá conta, e muito bem, sozinho.

Agora, depois da féria contada, é justo dizer que a Red Bull teve atitudes nobres e que o esporte venceu? Não.

Na opinião deste blog, a Red Bull (leia-se Helmut Marko e, em menor escala, Christian Horner) foi suja, mesquinha e antidesportiva. Do início ao fim do campeonato.

Vettel merece o campeonato que levou, mas a Red Bull não. A Red Bull não merece nenhum dos pontos que Mark Webber lhe deu e, por consequencia, não merece seu campeonato de construtores.

A F1 perde com tudo isso, mas a derrota é personificada em Mark Webber

A hipocrisia que se instalou na blogosfera e também na grande mídia (Globo incluída) é simplesmente chocante. Não há NADA no que a Red Bull fez no fim desta temporada que indique que ela estava ali pelo esporte.

Pode haver discordância quanto a isso, mas este blog não muda de opinião enquanto alguém não provar categórica e cabalmente que a equipe NÃO mandaria Webber encostar para Vettel passar em Interlagos caso os dois estivessem em posições invertidas, tanto na corrida quanto no campeonato.

É uma pena que Vettel tenha de estar ligado a uma equipe tão hipócrita e ele mesmo, por ingenuidade ou mau-caratismo, seja conivente com tamanha palhaçada.

Reste-se registrado: Sebastian Vettel foi o melhor e mais rápido piloto de 2010. E por isso, merece o campeonato. Mas a Red Bull não merece nada além do desprezo deste blog.

Nasce uma nova Ferrari.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

GP do Brasil: análise do discurso

Na comunicação social, um dos objetos de estudo mais discutidos e relevantes é o discurso. Mas não, não é aquele texto que as pessoas preparam para anunciar algo, agradecer, tomar posse, etc, etc, etc. O discurso, na comunicação, é o que se quer dizer quando se passa uma mensagem. Em outras palavras, é o que está nas entrelinhas.

Portanto, quando se analisa um discurso, se atribui um significado à mensagem que ultrapassa aquele das palavras que a compôem. Ou seja, é uma radiografia que revela a intenção, o viés, a agenda política de quem profere aquelas palavras.

E, não por acaso, a F1 está coalhada de discursos. Desde pilotos até mecânicos, passando por chefes de equipe, jornalistas, donos e, claro, os fãs. O discurso dos fãs é quase sempre doentio e unilateral. Não permite o contraditório e, portanto, não toca a realidade como deveria.

Passado o GP do Brasil que, fora um tal de Hulkenberg e um tal de Liuzzi, nada apresentou de extraordinário, diferentemente de outros anos, é curioso perceber o que se esconde por trás das palavras proferidas por cada um que se presta a falar sobre a F1.

Vários textos e depoimentos afirmam com certa veemência que a Red Bull deveria dar prioridade a Mark Webber, sem dúvida o mais próximo dos seus dois pilotos a levar o título. Alguns citam vingança contra a Ferrari. Outros dizem simplesmente que é estupidez não dar prioridade a essa altura do campeonato.

Isso nada mais é do que uma demonstração clara de como quem fala sobre F1 tem dois pesos e duas medidas. Mas aí não é só uma questão simples de ajudar ou não um piloto em detrimento de outro. Nesse caso específico, são três os pilotos envolvidos: Sebastian Vettel, Mark Webber e Fernando Alonso.


"OK, mas e daí?", você, leitor, pergunta.

E daí que, no Brasil, por exemplo, existe toda uma revolta velada (ou não) contra Felipe Massa ter dado passagem a Alonso em Hockenheim. Mas mais do que isso, existe uma raiva de Fernando Alonso, assim como sempre existiu de Michael Schumacher. Pilotos que sistematicamente arrebentaram seus companheiros de equipe. Veja bem... esses companheiros são brasileiros. Não existe coincidência neste caso. Existe a realidade.

No caso de Webber e Vettel, o público em geral parece de fato guardar uma antipatia do alemãozinho e, mais do que nunca em 2010, uma grande empatia com o canguru Webber por motivos bem expostos aqui pelo Splash-and-go.

Então o discurso reinante é de que a Red Bull colocou seus pilotos em uma posição difícil e se prejudicou no processo... que deveriam ter priorizado Webber no GP do Brasil que, então, dependeria exclusivamente de sua vitória.


No entanto, basta colocar Vettel no lugar de Webber na tabela atual que o discurso mudaria radicalmente. "A Red Bull deveria deixar seus dois pilotos livres para competir em Abu Dhabi. É um absurdo a RBR dar prioridade a Vettel quando Mark Webber pode vencer o campeonato na última corrida com uma simples falha no carro do companheiro..."

O discurso é devidamente empenado de acordo com quem o profere, da maneira que lhe convier e no momento em que lhe for apropriado. Fernando Alonso está próximo de vencer um campeonato histórico na Ferrari, sendo seu terceiro na F1.

Alonso foi um grande cavalheiro com Felipe Massa em 2010

O piloto espanhol se recuperou de forma brilhante na segunda etapa do campeonato, foi paciente com Massa no início, dando-lhe a chance de se defender, de se manter na frente em mais de uma corrida e, com isso, perdendo potntos importantes.

Mas hoje, quem depende apenas de si para vencer o campeonato é o asturiano. Massa foi massacrado, dizimado, humilhado. Não resta muito do vice-campeão de 2008 em 2010. Fernando Alonso foi soberano e hoje demonstra ser definitivamente o piloto mais completo, versátil e tenaz da F1 desde Michael Schumacher.

Um piloto não pode merecer um ponto, uma vitória ou um campeonato por ser ou não carismático, mas sim por ser o melhor. Vettel tem grandes chances de ter jogado fora sua segunda oportunidade de ter levado o título, um pouco por sua causa, um pouco por causa de seu equipamento.

Webber, o franco atirador, ganhou a simpatia de todos e também correspondeu com pilotagens dignas de um grande campeão, mas sua inconstância, assim como a de seu companheiro, o coloca numa situação dependente do terceiro oponente nesta briga triangular...

...que é Fernando Alonso. O espanhol não pode ter o título tirado de si porque seu companheiro foi obrigado a deixá-lo passar. Alonso passaria Massa em todas as oportunidades que teve.

A questão é se Massa deixaria passar sem levar a equipe a correr riscos. Então, para não correr riscos, a Ferrari mandou o brasileiro encostar... mas reste-se confirmado de que Alonso passaria de qualquer maneira, porque é o melhor piloto (e muito mais rápido, diga-se de passagem).


Desta forma, com o filtro dos discursos devidamente acionado nós concluímos que:
  • do ponto de vista da Red Bull, após o escândalo da Ferrari em julho, o melhor é deixar que os dois pilotos se digladiem na pista; do ponto de vista de Vettel, o melhor que a Red Bull faz é deixá-los brigarem para que o alemão ainda tenha uma chance;
  • do ponto de vista de Webber, a RBR deveria lhe dar prioridade, pois suas chances serão exponencialmente maiores com Vettel seu escudeiro;
  • do ponto de vista de Alonso, a ajuda de Massa nada mais foi do que uma decisão lógica e focada no campeonato, o que lhe rende frutos mais do que vistosos na última corrida do campeonato;
  • do ponto de vista da Ferrari, estava claro que Massa estava em má fase e não se recuperaria, o que de fato não ocorreu, ainda qe a decisão de lhe mandar abrir possa ter abalado sua confiança.
Repare como existem muitos interesses de quem inclusive gera discursos que serão absorvidos e refletidos em novos discursos na mídia, entre os fãs e outras personalidades relacionadas ao esporte.

É muito difícil concatenar tudo para alcançar um denominador comum, mas é importante saber dessa relação de forças que se dá por trás de cada palavra solta no ar, impressa no papel ou projetada na tela do computador.

Dito tudo isso, e você, qual seu ponto de vista sobre o assunto?

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

GP de Cingapura: como Vettel poderia ter batido Alonso?

No momento do pit-stop dos dois líderes da corrida, Fernando Alonso e Sebastian Vettel, todo mundo ficou coçando a cabeça tentando descobrir qual o motivo da decisão da Red Bull de chamar seu piloto para os boxes ao mesmo tempo em que a Ferrari.

A hipótese reza que, caso Vettel se mantivesse na pista, conseguiria a posição do espanhol e, consquentemente, a vitória. Mas as circunstâncias não mostram bem isso.

Segundo Andrew Davies, no momento em que a Ferrari levava seus mecânicos para fora se preparando para o pit-stop, a Red Bull ainda não havia dado pinta de querer trazer Vettel também. Até aí tudo bem, pois era o consenso entre todo mundo que essa era a melhor estratégia.

Entretanto, alguns segundos depois, os mecânicos da RBR correram para fora para receber o alemão, denotando uma decisão de pronto, provavelmente baseada na telemetria dos carros.

Pois bem, mas dois aspectos comprovam que a Red Bull talvez se desse bem trazendo Vettel ANTES de Alonso, mas não depois. Trazê-lo na mesma hora ao menos garantiria ao germânico o segundo lugar livre de dores de cabeça.

O primeiro aspecto é o safety car da volta 32. Alonso e Vettel pararam na virada da volta 29 para a volta 30. É claro que fala-se aqui de suposições, mas se o safety car for dado como certo na batida de Kamui Kobayashi e Bruno Senna nesta suposição, Vettel não teria TEMPO de tirar a diferença entre ele e Alonso depois que o espanhol fizesse seu pit-stop.

Além dos pneus já desgastados, o alemão teria que tirar a diferença em uma volta e entrar nos boxes na volta seguinte, o que, para todos os efeitos, seria algo quase impossível dada a performance campeã de Fernando Alonso.

Para se ter uma ideia, nas cinco voltas anteriores ao seu pit-stop, Vettel rodou mais rápido que Alonso em quatro, tirando por volta de um segundo e três décimos do espanhol, conforme o quadro abaixo no destaque em vermelho.

Entretanto, a volta mais rápida de Vettel girou em torno de 1:51.2. Na volta imediatamente após a outlap de Alonso, ou seja a volta que ele dá depois da saída dos boxes, o espanhol girou em 1:51.0.

Só aí já demonstra que ele na verdade andaria mais rápido que Vettel que, na nossa hipótese, ainda não teria parado e estaria tentando tirar a diferença para roubar de Alonso a posição.

Alonso: brilhante, mas graças à falta de ousadia da Red Bull

Isso nos leva ao segundo aspecto. Como Alonso já girou mais rápido com pneus duros que Vettel com pneus macios, mas desgastados, se Vettel tivesse entrado três voltas antes de Alonso, é muito provável que rodaria mais rápido que o espanhol com pneus usados e lhe tomaria a dianteira quando Alonso parasse.

Nas voltas 26 e 27, que era onde Vettel poderia ter parado, ele tinha uma confortável vantagem média de 26 segundos para o terceiro colocado, o que o traria para pista limpa e, portanto, com condições de fazer voltas rápidas para tomar o lugar de Alonso.

Mas a corrida se desenrolou como se viu e o espanhol, de forma justíssima, levou a taça e, de lambuja, uma posição fortíssima no campeonato, tanto psicológica quanto matematicamente. A vitória dada de bandeja por Felipe Massa a Alonso pode lhe render um doce fruto no fim do campeonato.

A ver.

sábado, 11 de setembro de 2010

Classificação GP da Itália: resultados reveladores

A pista de Monza é única em vários aspectos, mas o que mais diferencia o circuito do restante do calendário é sua média de velocidade muito mais alta que o comum e como as características da pista demonstram claramente que a Red Bull de fato é o melhor carro do campeonato.

Alonso pole: resultado é bom para o campeonato, mas ilusório

De nada adianta fazer uma pole-position cinco décimos mais rápida que o tempo do vice-líder do campeonato, no caso de Alonso sobre Webber, ou do líder, Hamilton, se essa pole vem em uma das pistas mais bizarras da temporada. A diferença entre o tempo de Alonso e do 10º colocado, Rubens Barrichello, foi de 1,3 segundo, um tempo relativamente grande em uma pista que tem um tempo de volta pequeno.

Como em 2009, quando Raikkonen e Fisichella brilharam em Spa, mas apenas lá, este ano Monza volta a mostrar uma distorção com o domínio da Ferrari que, na verdade, só demonstra o quanto a Red Bull é mais eficiente onde realmente importa: curvas. E, é claro, a maioria das pistas da temporada pedem domínio nesse quesito, e não em retas.

Dito tudo isso, é realmente notável a dificuldade da Red Bull de andar bem em grandes retas, quando entra em jogo a potência do motor pura e simples e pouco arrasto aerodinâmico. Mesmo assim, Mark Webber ainda conseguiu se dar bem sobre Lewis Hamilton, que embora tenha cometido um pequeno erro em sua volta rápida, tinha carro para ficar lado a lado com Massa ou Button.

Jenson, aliás, brilhou com sua opção de usar o F-Duct em detrimento de pouca asa, opção da maioria dos pilotos. O inglês foi perfeito e, a exemplo do ano passado, tem boas chances de incomodar Alonso na pole, considerando que ele largue bem da segunda colocação e não perca a posição para Felipe Massa.

A corrida vai ser toda definida na largada, pois, diferentemente de 2009, não haverá estratégias de reabastecimento para manter o mais eficiente na pista. Em Monza, sem reabastecimento, com a pequena diferença relativa entre os carros, passar na pista é ainda mais difícil. Resta segurar o fôlego e esperar uma primeira curva de lascar!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

GP da Bélgica: bom, mas nem tanto

A corrida de Spa deste ano não foi o espetáculo de tensão que foi em 2008. A chuva veio fraca, sem fazer com que os pilotos tivessem que correr grandes riscos.

O único que tentou tirar um coelho da cartola foi Alonso, devido à porrada que levou de Rubens Barrichello na Bus Stop logo no fim da primeira volta. A estratégia do espanhol de colocar os intermediários prevendo uma chuva mais forte deu errado e ele logo teve de voltar para os slicks algumas voltas depois.

Mas o que vai ficar desta prova, e quiçá de todo o campeonato, foi o fato de Sebastian Vettel estar fazendo um esforço sobreumano para jogar fora um título que deveria ser seu por ser um dos três pilotos mais rápidos do grid.

Com o resultado da prova, o campeonato passa a ser mais polarizado, mesmo faltando ainda seis provas para o final. Se não pelas chances matemáticas, Button, Alonso e Vettel têm de vencer em Monza de qualquer maneira para manterem um momento de confiança e solidez na próxima etapa até o fim do campeonato.

É inegável a agressividade pura com que Vettel escala o grid quando têm de vir de trás, mas sua ansiedade e afobação têm feito com que a cada degrau vencido, dois são perdidos para o jovem alemão. O custo-benefício de suas pilotagens têm sido com certeza o pior entre os líderes do campeonato.

Na pontuação velha, Vettel estaria a apenas 12 pontos do líder, o que é uma distância bem menor, por exemplo, do que Rubens chegou a estar de Button ano passado na Brawn. As chances de Vettel ainda são bastante altas, mas para levar a taça ao final, ele precisa terminar constantemente no pódio até o fim do campeonato.

Webber: o normal seria que ele ajudasse Vettel, mas o alemão está fazendo todo o trabalho sujo, deixando Mark com uma mão na taça

Diante do mega equipamento que tem a mãos, é uma tarefa relativamente fácil... para Mark Webber! Sim, porque o australiano tem muito mais condições de fazer isso e, claro, ainda vencer mais algumas corridas, do que o alemão.

O fato é que, dentro da Red Bull, Webber tem toda a vantagem psicológica num momento crucial do campeonato. Vettel de uma vez só derrubou a si próprio e a Jenson Button no GP da Bélgica, abrindo caminho para que Webber conquistasse o segundo lugar mesmo tendo uma largada para se esquecer.

No fim das contas, o melhor piloto venceu a corrida, e este piloto foi Lewis Hamilton. Correu como gente grande, fez tudo certo, foi muito rápido, deixou Button pra trás com autoridade no início da prova e, depois que choveu, fora a escapada que deu (que seria normal pra qualquer piloto dadas as condições), venceu de ponta a ponta apenas a segunda corrida em sua carreira. A primeira foi no GP da China em 2007.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O que aconteceria se Rubinho desse uma de Webber na Ferrari?

Talvez nem todo mundo tenha se perguntado isso na esteira da polêmica entre Webber e Vettel, mas com certeza, no fundo, a maioria dos fãs brasileiros da F1 adoraria que Rubens Barrichello tivesse levantado a voz contra a Ferrari quando foi companheiro de Michael Schumacher.

Ao lado de Ron Groo e seu inimitável blog, surgiu a ideia de colocar o tão amado quanto odiado piloto brasileiro na situação de Webber (ou seria o contrário?) e analisar os desdobramentos. Cada qual do seu jeito, é claro. Groo –pasmém!– até trata bem Rubens em sua bem humorada análise. Corra lá e confira.

Mas então, seria possível Rubinho dando uma de Webber na Ferrari?

Pode-se observar um hipotético motim de Barrichello através de dois prismas.

O primeiro é o da realidade. Rubinho tinha 27 anos quando assinou com a Ferrari um milionário contrato que era o sonho de qualquer piloto em ascensão na época. O brasileiro era uma real promessa na categoria, fez milagres na Jordan e na Stewart, conseguiu pontos, pódios e pole-positions quando ninguém apostaria nisso.

Já Michael Schumacher, com avançados 31 anos, era uma estrela de primeira grandeza. A ideia de reconstruir a Ferrari e levá-la ao caminho do sucesso estava indo de vento em popa e o alemão, já estabelecido como bicampeão mundial, era o grande nome da categoria. Talvez não soubesse o período de dominância que vinha adiante, mas com certeza era para isso que ele e a Scuderia trabalhavam.

O contrato de Rubens Barrichello NÃO tinha uma “cláusula de segundo piloto”. Ele trabalhava na, e era subordinado à, Ferrari. Até o infame episódio do GP da Áustria em 2002, ordens de equipe eram PERMITIDAS e NORMAIS. Portanto, a Ferrari podia dizer que iria dar tratamento igual, mas de fato não o fazer e nada poderia ser feito contra ela.

No press release da corrida na época, a própria FIA reconheceu isso dizendo que “(o conselho) condena a forma com a qual as ordens de equipe foram dadas e executadas no GP da Áustria. Mesmo assim, é impossível penalizar os dois pilotos, pois eles são obrigados a executar contratualmente as ordens dadas pela equipe”.

Comparativamente, Mark Webber é o piloto mais velho e mais experiente da Red Bull, além de já estar lá antes do próprio Vettel. A promessa, no caso, é o alemãozinho. Outro aspecto é que, embora a marca Red Bull seja enorme, a equipe de F1 não tem tradição nenhuma. Não é nada perto da Ferrari. É uma situação diametralmente oposta à de Rubens e Michael. Além disso, uma diferença fundamental coloca as duas situações em choque: enquanto Mark Webber de fato tem batido Vettel de forma consistente, Rubens nunca foi capaz de tal feito.

Some-se então a situação de um jovem piloto, de olho em sua natureza competitiva e de olho, claro, num futuro promissor, além de estar em um contrato multimilionário, com a insegurança de realmente peitar a maior equipe da história do automobilismo e é possível ter um pouco mais de empatia com o que Rubens passou na Ferrari.

É bom lembrar que Rubens NUNCA conseguiu bater Michael. Ele talvez acreditasse que conseguisse, mas sua posição de um piloto menos eficiente o deixava em uma situação delicada. E é aí que a situação entre Webber e Vettel se diferencia ainda mais. Webber está batendo Vettel e impondo respeito como Rubens talvez tenha feito em no máximo cinco corridas contra Michael. Como se rebelar contra a equipe nesse contexto?



Em 2001, Rubens já teve um gosto amargo quando, apenas na sexta corrida do ano, Jean Todt (no vídeo acima), sem se preocupar com as câmeras, pediu ao brasileiro: “deixe Michael passar pelo campeonato”. Consternado, claro, Rubinho deixou o segundo lugar que ocupara para Schumacher, com Coulthard vencendo a corrida. Foi nessa época, após o GP da Malásia, que a Ferrari colocou a sua assessoria de imprensa para “filtrar” o que o piloto falava.

Em 2002, no mesmo GP da Áustria, a maior farsa explícita da história da F1 ocorreu diante dos olhos de milhões de fãs da categoria no mundo. Com o banimento das ordens de equipe devido a esse acontecimento, está claro que Barrichello imaginou que os dias de segundo piloto estavam terminados. Ele agora seria piloto igual ao outro, “1B”, disse inocentemente, e ganharia ou perderia por méritos.

Mas não foi bem isso que se viu. E não foi bem porque a Ferrari não deixava ou não queria, mas sim porque Barrichello nunca teve competência para bater Michael e, assim, lhe dar o pretexto para dar uma de Webber e jogar a casa abaixo, ou mesmo abandonar a equipe.

Ao partir das pressuposições acima, é válido dizer que a decisão de Rubens Barrichello foi acertada na medida em que lhe garantiu vários anos em uma equipe vencedora, muita experiência, muito dinheiro e, claro, o potencial de ser campeão caso houvesse algum problema com Schumacher ou mesmo ele, Rubens, conseguisse evoluir a ponto de bater o heptacampeão na pista.

OK, mas qual é o segundo prisma?

O segundo prisma parte do princípio de que Rubens:
  1. sentisse que era capaz de bater Schumacher em outra equipe;
  2. sentisse que seu caminho seria mais fácil em outra equipe;
  3. sentisse que ia ganhar mais dinheiro em outra equipe.
O primeiro talvez fosse o único ponto no qual Barrichello realmente acreditava, mas, sinceramente, algum outro piloto da época bateu Michael Schumacher na Ferrari entre 2000 e 2004? Não.

Rubinho, com o mesmo equipamento, perdeu para Michael e, no pentacampeonato ferrarista com Schumi, Barrichello foi vice em apenas duas ocasiões, o que significa que em três outras ele foi pior que pilotos em outros equipamentos também.

No segundo ponto, Rubinho, que é um ótimo acertador de carros, sabia que adaptar-se a uma nova equipe seria muito difícil, ainda mais lutando contra Schumacher que, ao fim de 2002, completaria seu sétimo ano com a Ferrari. Harmonia maior não havia no grid. Rubens sair da Ferrari seria um passo para trás do ponto de vista do entrosamento.

Por fim, havia outras estrelas como Montoya, Raikkonen, Button, Alonso, todos com mais potencial comercial e de resultados que Rubens. Barrichello só sairia da Ferrari se tivesse uma proposta financeiramente muito superior. Aparentemente ele nunca teve e, caso tivesse tido, os rumores teriam dado conta dela na época.

Dito isso, se Rubens REALMENTE tivesse dado uma de Webber, xingado, gritado e esperneado contra a Ferrari e Schumacher, ele seria demitido (talvez por justa causa). Ao fim de 2002, o ano em que ele teoricamente sairia da Scuderia, haveria talvez três equipes para correr que lhe dariam o mínimo de competitividade: Williams, McLaren e Benetton.

Na Williams, Rubinho correria contra Ralf Schumacher ou Juan Pablo Montoya. Montoya nunca foi um exemplo de comportamento e talvez ambos fossem ter problemas sérios. Contra Ralf, que foi um excelente piloto, Rubinho talvez vencesse mais, mas não brilharia em momento nenhum.

Na McLaren, a parceria com Coulthard seria impossível, porque ambos fariam o mesmo papel. Então o mais lógico seria Rubinho substituir David e correr contra um incrível Kimi Raikkonen em seu auge. Rubinho também estaria em excelente forma, mas o Raikkonen daquela época era imbatível, se Schumacher não existisse...

Por fim, na Benetton, o brasileiro entraria como companheiro de ninguém menos que Fernando Alonso que, como todos sabem, é pupilo de Flavio Briatore. Alguém acredita que Rubinho se daria bem na equipe mais obscura com o piloto mais mimado do grid? É claro que não. Seria trocar cebola.

Isso, é claro, sem contar o piloto que substituiria Rubens na Ferrari que, com certeza, daria trabalho também para os outros pilotos do grid.

A conclusão da bíblia que você acabou de ler é que, quando você é bom, você é bom, mas quando você é campeão, tem tino de campeão, talento de campeão e capacidade de campeão, nenhuma equipe vai impedir com que você alcance o topo.

Mark Webber está provando que isso é possível, e de forma estupenda. Se ele será campeão no final do ano, não se sabe, mas o que ele fez até agora lhe dá o pleno direito de se rebelar, pois mesmo com uma desvantagem explícita, ele corre mais rápido, pisa mais fundo e vence. O resumo de um campeão.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Caption this!

Vettel: A asa é minha. A Red Bull que deu e ninguém tasca!

terça-feira, 13 de julho de 2010

Webber e Vettel: reflexo e identificação

O GP da Inglaterra deu mais dicas do que nunca à cúpula da Red Bull, e aos adversários, de como funciona o canguru mais famoso da F1.

Mark Webber mais uma vez foi brilhante, irretocável, inabalável, pilotou como um verdadeiro campeão, coisa que Jenson Button, mesmo com um carro quase tão dominante quanto o RB6, não demonstrou em 2009 com a Brawn GP.

Como já estão todos cansados de saber, Mark Webber é assim, 8 ou 80. Não tem meio termo com o australiano. Ou ele está para Nigel Mansell e a Williams de outro mundo circa 1992 ou está para um dentre as dezenas de japoneses que fizeram lambança na F1.

O mais curioso é que Vettel também é assim. Dificilmente se vê o alemãozinho no meio termo, em cima do muro. Ou é nocaute no primeiro assalto ou é desclassificação por WO.

Quanto mais nervoso Vettel fica, quanto mais "faca nos dentes" ele está, mais Webber se supera. O simples sucesso de Webber parece desestabilizar Vettel de uma forma tal que o pobre menino de apenas 23 anos não consegue suportar. Faz lambança de verdade, lambança de gente grande.

Por outro lado, o sucesso de Vettel não desestabiliza Webber, mas tampouco o faz brilhar. Parece que em determinados momentos, um espírito medíocre baixa no velho Mark, fazendo com que ele não seja muito diferente de qualquer outro dos trocentos pilotos que já entraram na F1.

E geralmente, quando esse espírito aparece, é Vettel quem está brilhando lá na frente. Parece haver um nexo causal em tudo isso, uma relação de causa e efeito lógica, sequencial, inexorável.

Desequilíbrio: o sucesso de Webber é a decadência de Vettel

Observar a dupla da Red Bull é quase tão fascinante quanto observar Senna e Prost na McLaren de 1988 e 89. Mansell e Piquet em 1987. Alonso e Hamilton em 2007. Existe um componente humano incrivelmente imprevisível e atraente na relação de ambos que faz o campeonato de 2010 estar rapidamente se tornando um clássico acima de qualquer crítica.


O esporte é assim. A tendência de quem acompanha os esportes é de apoiar os underdogs, ou aqueles que têm menos chances de ganhar. O comportamento da Red Bull continua fazendo com que a simpatia geral em relação Mark Webber seja cada vez maior, um piloto que até dois anos atrás era um zé-ninguém na categoria.

Hoje, centenas de fóruns, enquetes, sites buscam apoiar o velho veterano contra a jovem promessa que, desde que venceu o molhado GP da Itália em 2008 magistralmente a bordo de uma Toro Rosso, perdeu muitos fãs e muito da empatia que Lewis Hamilton ainda hoje tem.

Há uma pitada de cretinice no comportamento de Sebastian Vettel que em muito lembra o de Michael Schumacher, e é esse comportamento, aliado a uma equipe que não consegue gerenciar seu próprio sucesso, que faz com que Mark Webber esteja mais perto do que nunca de ser campeão mundial de F1.

A Red Bull mexe todos os pauzinhos para ver Vettel campeão, mas cada pauzinho tirado do lugar é um sopro a mais de força e motivação para Mark Webber, que parece mais centrado do que nunca em mostrar à equipe que o projetou que ele vale a pena tanto quanto seu mimado companheiro.

A luta de Mark Webber é a luta de várias pessoas contra o corporativismo enojante que impregna nosso sistema capitalista. É a luta de cada um pela simples e eficiente meritocracia e a igualdade de condições em casa, no trabalho, na vida. Uma luta injusta, mas genuína, autêntica. Uma luta nobre.

O fã da F1 se vê mais na pele de Webber de que de Vettel. A maioria se identifica com as situações difíceis e adversas, pois é contra elas que todos têm de se rebelar todo dia. E quem diria que, entre duplas improváveis como Hamilton e Button, Alonso e Massa, Schumacher e Rosberg, as atenções se virariam para a insossa dupla Vettel e Webber.

É claro que em parte porque pilotam o melhor carro do grid, mas também em parte porque é uma dupla passional, explosiva, forte. Humana enfim.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

GP da Europa: bem-vindo de volta, (velho) Webber

Impressionante. Essa é a palavra que define o episódio de ontem envolvendo Mark Webber. E não, não é porque ele saiu voando como bem demonstra o print-screen acima.

O velho Mark voltou à carga ontem demonstrando ipsis litteris todas as falhas que fazem de Webber um piloto mediano: afobado, cabeça quente e desastrado.

Há um mês o Splash-and-go publicou uma pensata sobre as engrenagens que movem o australiano. Disse o profético texto logo após as acachapantes vitórias de Barcelona e Mônaco: "(...) Webber não demonstrou que consegue manter seu nível de excelência do meio do pilotão para trás. Tudo vai depender então de quantas vezes a RBR e Adrian Newey vão conseguir colocá-lo na primeira fila".

Pois bem, desta feita não foi a má performance na classificação que tirou de Webber o juízo, mas sim uma largada tão ruim que foi digna das bobagens que Rubens Barrichello já tornou rotina em seus dias de prova.

Em algumas curvas, o piloto da Red Bull já estava em um péssimo nono lugar e, na ânsia de recuperar posições, calculou mal, muito mal, a ultrapassagem sobre Heikki Kovalainen.

Para fins de registro, Kovalainen pode e deve defender sua posição. Foi ridículo ver, na transmissão global, narrador e comentaristas criticando Kova por não ter aberto espaço para Webber, sendo que em Mônaco di Grassi fez o mesmo com Alonso e os mesmos narrador e comentaristas bateram palmas. Dois pesos, duas medidas.

Mas voltando ao assunto principal, é por essas e outras que Webber não se estabalece como uma unanimidade. Basta compará-lo a Jenson Button. O britânico vem fazendo um campeonato irretocável, sempre capitalizando sobre suas posições de largada não tão boas.

Consistência: diferentemente de Webber, quantas vezes
você já viu Button fazendo bobagens em uma corrida?


Button vem dado uma aula de consistência este ano e Hamilton uma aula de pilotagem. Não é à toa que a dupla da McLaren lidera o campeonato e ainda mantém sua equipe já a distantes 30 pontos da Red Bull. Consistência é a chave em 2010.


Não se engane. Mark Webber é consistente, mas nos maus resultados. O que quebrou sua consistência foram as duas vitórias seguidas que deram uma falsa impressão de dominância absoluta. Até agora, fora Alonso, os pilotos da McLaren e da Red Bull venceram duas provas cada um.

Mas a McLaren parece estar com o jogo ideal nas mãos. Principalmente quando Webber e Vettel fazem tanta lambança de uma só vez.

Realmente incrível...

segunda-feira, 31 de maio de 2010

GP da Turquia: loucura, loucura, loucura...

A simpatia deste blog por Mark Webber quintuplicou após a corrida em Istambul. Graças a uma manobra cabeçuda de Vettel, que já se especializou em jogar tudo fora tanto quando está na frente como quando larga atrás.

Mark Webber nunca impressionou ninguém, mas a terceira pole seguida e a vitória garantida (até o menino alemão começar a fazer birra) agora realmente coloca o australiano a caminho do título mundial da F1 em 2010.

Guardadas as proporções, o que Webber faz hoje é o que Button fez em 2009, mas a diferença é que a Red Bull é muito melhor, mas até então muito mais propensa a quebras que a super confiável Brawn GP.

Não há o que discutir. Independentemente das “ordens de equipe” que, aliás, quase causaram um estrago também na corrida da McLaren, o fato é que Vettel errou, perdeu a cabeça, quis passar onde não dava e, o pior, subestimou Webber.

E é por causa disso que agora o Splash-and-go espera e torce para que Mark Webber trucide Vettel a partir de agora em todas as classificações e corridas que estão por vir. É necessário que o menino aprenda com o homem.

É claro que Vettel levou uma bordoada da assessoria de imprensa logo após a corrida, mas a forma como Horner, Newey e cia. ficaram dando beijinhos e abraços em Vettel após a prova diz muito sobre seu status dentro da Red Bull.

Foi dito inclusive que Horner e Helmut Marko, braço direito do dono da gigante austríaca, Dietrich Mateschitz, afirmaram categoricamente que a responsabilidade era de Webber. É o início do fim da harmonia à equipe que dá asas à tudo.

Segundo Marko, “Ele [Vettel] já estava na frente, pelo menos dois metros na frente, e havia uma curva à esquerda se aproximando, então ele precisava fazer a tomada. Ele não pode frear na sujeira porque com certeza ele sabe o que acontece”.

Marko disse ainda que Mateschitz não estava “feliz” com o que aconteceu. Bom, é de se esperar que não, mas se continuar assim, a Red Bull dará asas aos títulos certos, que irão repousar faceiros no colo da McLaren, com Button (a preferência deste blog) ou Hamilton.

Incrível...

sábado, 22 de maio de 2010

Como funciona Mark Webber?

Ele pilotou soberbamente na Espanha e em Mônaco, mas algo não parece tão bem no reino australiano de Mark Webber. Dois aspectos depõem contra o piloto da Red Bull e seu incensamento após as vitórias.

O primeiro aspecto

Em 2009, a Red Bull se tornou rapidamente o carro a ser batido na temporada. Fora duas vitórias suadas de Barrichello em uma Brawn que já não era mais o melhor carro, a redentora vitória de Raikkonen em Spa e as duas grandes pilotagens de Hamilton (incluindo uma vitória acachapante na Hungria), a Red Bull venceu seis corridas no ano, cinco do meio do campeonato para frente, sendo que duas foram com Webber e três com Vettel.

Em um carro como esse, Webber deveria ter feito mais do que fez. Ele não se tornou melhor piloto esse ano em relação ao ano passado. Com o RB5, ficou atrás de Barrichello no campeonato enquanto Vettel só perdeu o título por detalhes, mas nunca por falta de velocidade no bólido da RBR. Em linhas gerais, o campeonato de Webber foi tremendamente inconsistente e o piloto pouco fez quando largava do meio do pilotão, descapitalizando para a Red Bull em momentos importantes.

O segundo aspecto

Em 2010, Webber sobrou em suas vitórias. Até demais. E em 2009 também, quando venceu na Alemanha e no Brasil. Em Interlagos, perdeu a pole porque Rubinho quis dar show para a torcida, mas uma vez que pegou a liderança após a primeira parada, venceu confortavelmente adiante de Kubica e Hamilton. Na Alemanha, nem um stop & go impediu Webber de destruir Rubens Barrichello e a Brawn GP.

Nos GPs da Espanha e de Mônaco, não deu outra. Com um carro por vezes mais de um segundo mais rápido que os das outras equipes, Webber pilotou impecavelmente, destruiu a concorrência, não deu chance a ninguém. O diferencial dessas duas provas foi que ele bateu Vettel também com muita facilidade. O alemão parecia longe de sua forma e mesmo em território notadamente seu, a classificação, Vettel foi trucidado por Webber.

A conclusão

Um detalhe une as quatro vitórias de Webber: um carro MUITO mais veloz que os outros, inclusive do seu companheiro de equipe. Tanto é que a Red Bull afirmou que Vettel correu com um chassi avariado nas duas corridas em que Webber levou o troféu. Se é verdade ou não, não dá pra saber, mas é um comunicado oficial do time.

Como avaliar corretamente um piloto que só vence em um carro distintamente melhor? Quando a concorrência não assusta, não reage, não faz cócegas? Ano passado Button se deu mal em corridas em que a Brawn não esteve bem, ao contrário de Barrichello, mas este ano o atual campeão mundial se redimiu com excelentes pilotagens e decisões acertadas saindo do meio do pelotão nem sempre com o carro mais rápido.

Já Webber parece realmente funcionar apenas com um carro perfeito, tipo a Williams de outro mundo de 1992. Dê ao australiano a perfeição e ele responde a contento. Dê a ele um pé-de-boi e ele retoma suas origens de piloto medíocre com pouquíssimos bons resultados em carros medianos.

Aos 33 anos o australiano tem a chance de mostrar em 2010 que pode quebrar os paradigmas e se tornar um piloto consistente e, claro, por que não, campeão do mundo, inaugurando a prateleira da Red Bull de campeonato de pilotos.

Acontece que, até agora, em seis corridas, embora líder do campeonato, Webber não demonstrou que consegue manter seu nível de excelência do meio do pilotão para trás.

Tudo vai depender então de quantas vezes a RBR e Adrian Newey vão conseguir colocá-lo na primeira fila. Se McLaren ou Ferrari quebrarem esse protocolo nas próximas provas, é provável que Vettel continue sendo a estrela inconteste da equipe, o cara que destroi o companheiro, enfim, o primeiro piloto.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

GP da China: o que há com Felipe Massa?

Antes de mais nada, é bom deixar claro... Pode ser que não haja NADA com Felipe Massa. O que pode estar havendo é simplesmente a constatação de que Fernando Alonso é um piloto excepecional, muito melhor do que Kimi Raikkonen jamais conseguiria ser.

O carro da Ferrari este ano está meio passo atrás das Red Bull e das McLaren, mas esse meio passo é reversível e a equipe rossa deve vir com tudo no GP da Espanha em Barcelona, daqui a três semanas.

De todo modo, conhecendo Felipe Massa, é mais prudente acreditar que existe algo mais do que simplesmente a diferença de talento entre o brasileiro e o espanhol. Da primeira perna asiática do campeonato, chega-se às seguintes conclusões:
  • Massa está tendo dificuldades tremendas de adaptação ao carro, embora não seja possível dizer a razão;
  • Alonso é simplesmente impecável na adaptação. A exemplo de Jenson Button, Fernando chegou e se aclimatou rapidamente à Ferrari. Parece não ter deixado o mito Ferrari subjugar a equipe Ferrari 2010, que é uma equipe normal, que comete erros e ainda lambe as feridas dos dois últimos campeonatos;
  • a Ferrari sofre sérios problemas com seus motores;
  • a chuva definitivamente não ajuda Felipe Massa;
  • Alonso tem se mostrado, para espanto de alguns, mais rápido na classificação;
  • Alonso cansou de bancar o bonzinho;
  • Massa percebeu, mas não deixa transparecer fora da pista o que sofre dentro dela.
Não há dúvida de que Felipe Massa não sofre nenhuma sequela de seu acidente pavoroso em 2009, mas ao mesmo tempo, parece não conseguir colocar em prática a agressividade pela qual ficou conhecido na Sauber.

Felipe ficou várias voltas preso atrás de Rubens Barrichello e Michael Schumacher com carros muito mais lentos, enquanto Alonso passou facilmente pilotos como Adrian Sutil, que aliás, fez uma tremenda corrida.

Alonso: tolerância zero

Além disso, o incidente na entrada do pit mostrou que Alonso não estava mais afim de ficar preso atrás de um Massa muito mais lento como havia ficado na Austrália e na Malásia. Acabou a paciência!


Com a ultrapassagem, Massa perdeu pelo menos duas posições na pista e Alonso ganhou uma boa vantagem. É a diferença entre um pódio e um décimo lugar representada em uma certeira, embora polêmica, manobra. A decisão de um campeão.

Uma coisa é certa. É por causa das loucas corridas molhadas desta fase europeia que Alonso não está solidamente liderando ou ao menos numa confortável segunda posição no campeonato, e isso não é nada bom para Felipe Massa.

Ainda assim, o asturiano fez o que pode para se recuperar da quebra do seu carro na Malásia e da queimada de largada na China. Já Felipe Massa parecia liderar a tabela mais por circunstância do que por mérito, algo que, aliás, ele sabia bem.

Diante da relação de forças que existe na F1 2010, o sexto lugar ocupado por Felipe Massa hoje é mais representativo do que o brasileiro realmente fez até agora. No apanhado das corridas, não era justo que ele estivesse à frente de Button, Hamilton e Alonso.

São quatro corridas, quatro etapas e 100 pontos distribuídos. Continua cedo para afirmar verdades, mas até quando será cedo? Em algum momento o que era cedo passa a ser tarde demais, e nessa hora, quem não tiver feito o máximo com o que tinha em mãos vai ficar na saudade.

sábado, 17 de abril de 2010

Classificação GP da China: status quo

Vettel mostra o nº 1, mas deveria mostrar o nº quatro...

Segundo o Wikipedia, "Statu quo (da expressão in statu quo res erant ante bellum) é uma expressão latina que designa o estado atual das coisas, seja em que momento for. Na generalidade das vezes em que é utilizada, a expressão aparece como 'manter o statu quo', 'defender o statu quo' ou, ao contrário, 'mudar o statu quo'.

O estado atual das coisas na F1 não mudaria de uma prova para outra antes da temporada europeia. Assim como ocorreu com a Brawn GP ano passado, a Red Bull dominou até com certa facilidade a primeira fase do campeonato de 2010.

Não houve um elemento-chave que pudesse causar uma mudança do status quo. O duto aerodinâmico da McLaren foi novidade no Bahrein, mas na quarta corrida já cheira a coisa velha, com naftalina e tudo.

Acontece que a mídia deu muita atenção ao F-duct, o que acabou desviando o olhar de todos a Lewis Hamilton. E o que houve nos treinos do GP da China? O campeão de 2008, além de perder a pole, ainda larga atrás do campeão de 2009, o sempre discreto e ultra-eficiente Jenson Button.

Como dito no post abaixo sobre o que esperar para o GP da China, o carro a ser batido era a Red Bull. E a equipe não contradisse essa afirmação, pois, embora discreta nos treinos livres, no Q1 e no Q2, quando chegou a hora, enterraram as chances de Ferrari, McLaren e Mercedes.

E este jornalista mantém sua posição. Se a "Luscious Liz" não estiver de TPM, Vettel dispara para sua segunda vitória consecutiva, que deveria ser, sempre é bom lembrar, o QUARTO triunfo do alemãozinho, não fossem os caprichos de uma senhorita danada de temperamental.

Coisas da F1...

sábado, 27 de março de 2010

Classificação GP da Austrália: o mágico de Oz

Os australianos são comumente chamados de ´Aussies´ em inglês, que vem de uma abreviação do nome Austrália. O país aliás é carinhosamente chamado de ´Aus´.

Com a pronúncia australiana sendo puxada de um forte inglês britânico, quando eles falam ´Aus´, parece na verdade estarem falando ´Oz´, que é por fim o apelido informal do país.

Na terra do canguru, quem fez a festa foi Vettel, que deixou para trás seu companheiro de equipe e um certo Fernando Alonso. E numa performance digna de um mago.

A Red Bull é um carrão, mas Vettel o leva ao limite, assim como Alonso, cujos sete décimos de vantagem sobre Massa tem mais a ver com o braço do que com o carro.

O pouco mais de um décimo de diferença entre Webber e Vettel deveria ser mais de três, pois é claro que o alemão cometeu dois erros em sua volta. Esses décimos estão no piloto, e não no carro.

Na largada amanhã Alonso vai tentar dar o bote em Webber e manter Vettel na alça de mira. O espanhol tem chance de vencer, mas terá de ser muito agressivo para não perder contato com o carro da Red Bull.

Lá atrás, Massa verá a vantagem de Alonso aumentar no campeonato, Button estará de franco atirador, Schumacher também vai tentar atacar Rosberg na largada e Rubinho almejará apenas os pontos, como no Bahrein. Aliás, belo treino do nosso veterano favorito.

No mais, olho vivo em Kubica e Sutil, os dois maiores focos de incêndio na largada de amanhã, e Lewis Hamilton, claro, que fará uma bela corrida de recuperação.

Numa nota engraçada, ao sair do carro, Kubica falou em italiano na TV: "Estamos perto do Sutil, então temos de estar atentos". A fina ironia sobre a já temida reputação de Adrian Sutil de car crasher.

Haja guaraná em pó e cafezinho para segurar o sono até lá!

sexta-feira, 26 de março de 2010

GP da Austrália: Red Bull e a sombra da Renault

É prudente e lógico afirmar que o campeonato de F1 de 2009 foi vencido pela Brawn GP não devido a seus méritos pura e simplesmente, mas também porque a Red Bull e Sebastian Vettel "deram mole".

A Red Bull pela figura da Renault, que forneceu propulsores para a equipe austríaca. E Sebastian Vettel por sua inexperiência, que contou com a perda de valiosos pontos que poderiam fazer o campeonato pegar fogo.

GP da Austrália de 2009: afobação tirou Vettel da corrida

Para se ter uma ideia simples, no GP da Austrália do ano passado, Vettel jogou fora um terceiro lugar por pura afobação, ao colidir com Robert Kubica, então terceiro colocado, que tentou e ia conseguir ultrapassar o alemão na penúltima volta.


Por causa disso, perdeu seis pontos.

GP da Turquia de 2009: vitória perdida por bobagem

No GP da Turquia, Vettel conseguiu uma brilhante pole position, ainda que duas voltas mais leve que Button, e tinha a história a seu favor, já que as últimas quatro edições da corrida foram vencidas pelo piloto que marcou a pole.


Entretanto, um erro bobo fez com que Button pulasse adiante e conquistasse a vitória, com Vettel em terceiro.

Por causa disso, perdeu quatro pontos.

No total, só nessas duas corridas, Vettel perdeu 10 pontos, fora outros tantos que deixou de ganhar por problemas com o motor Renault. Button venceu o campeonato com apenas sete de vantagem, o que significa que poderia ter perdido para a jovem promessa da Red Bull.

Este ano, Vettel parece estar decidido a não deixar sua própria inapetência atrapalhar sua carga em direção ao título mundial, mas no Bahrein, o motor Renault já deu uma amostra que continua não confiável em alguns aspectos.

Desta feita, a experiência do piloto é que o auxiliou a não perder todos os pontos da corrida e acabou salvando um excelente quarto lugar. Mas se dependesse do motor Renault, era zero.

Na coletiva de imprensa desta sexta-feira, Christian Horner elogiou a performance de Vettel no Bahrein e disse que ele se adaptou brilhantemente ao sério problema ocorrido com o motor francês.

Entretanto, o chefe da Red Bull reafirmou que houve falha na vela de um dos cilindros. "Nunca vi uma falha dessas antes, certamente não em um carro da Red Bull, e a Renault ainda não conseguiu explicar totalmente a razão dela. Parece ser uma daquelas pragas que atacam no momento errado". Horner não parece particularmente satisfeito com a falha de um motor que já deixou seus dois pilotos na mão várias vezes ano passado.


Nos treinos livres do GP da Austrália mal se viu a Red Bull, mas não se engane. A probabilidade do pequeno grande piloto conquistar a segunda pole do ano é alta. Vai depender dele. Mark Webber se aproximou das cabeças com quatro décimos a menos, mas Vettel ficou a distantes 1,8 segundos do melhor tempo de Lewis Hamilton. Quer dizer pouco, muito pouco.

A vitória no domingo dependerá mais do carro, mas mesmo assim, a Red Bull é de fato a equipe a ser batida no ano. Vettel tem muitas cartas na manga e por mais que o Bahrein tenha apresentado uma chatíssima corrida, Albert Park vai se tornar um verdadeiro coliseu por um dia. Bonito de se ver!

segunda-feira, 15 de março de 2010

GP do Bahrein: a vitória das regras

A enorme expectativa sobre o primeiro GP da temporada 2010 foi categoricamente frustrada pelas novas regras. Ao contrário do que muitos saudosistas esperavam, a corrida foi processual, modorrenta e previsível.

Os únicos acontecimentos dignos de nota foram a monumental falha do RB6 de Sebastian Vettel, o que tirou do alemãozinho uma vitória que poderá lhe ser fundamental no fim do campeonato, e o fato de a Lotus ter feito um brilhante trabalho, completando a corrida tanto com Trulli (três voltas atrás) quanto com Kovalainen (duas voltas atrás).

Alonso foi preciso e competente, roubando a vitória que poderia ser de Massa na primeira curva. O brasileiro mostrou maturidade e muita velocidade. Nesse aspecto, o campeonato não poderia ter começado de forma mais positiva.

De resto, por incrível que pareça, o autor deste blog sentiu saudades FORTES do reabastecimento. O jogo das estratégias de pitstop, a expectativa de ver o piloto fazendo tudo certo, como um relógio, tudo isso pareceu maravilhoso diante da apatia da prova de ontem.

Não se pode, é claro, tirar a responsabilidade do circuito de toda essa chatice. O GP do Bahrein amplificou as falhas que existem nos novos regulamentos. É possível que em pistas de verdade, isso possa mudar, mas os prognósticos não são animadores.

A respeito do título deste post, é claro que é sarcástico. As regras venceram não por serem boas, mas simplesmente porque de fato mudaram a F1. A princípio, para pior.

Nas próximas semanas, será possível ter um vislumbre mais preciso do que será o resto do campeonato.

sábado, 13 de março de 2010

Classificação GP do Bahrein: a importância do S2

O setor 2 do novo traçado do Bahrein é a chave para a boa performance de Ferrari e Red Bull, tanto na classificação como na corrida de amanhã.

Na sua volta para a pole, Vettel rodou no S1 apenas um décimo mais rápido que o melhor tempo que Alonso colocou no início do Q3.

Entretanto, na segunda parte do traçado, o alemãozinho rodou sete décimos mais rápido que o espanhol, sendo que no S3 ele apenas assegurou a pole.

Para se ter uma ideia, Rubens Barrichello rodou, no S1, dois décimos acima do melhor tempo do Q2 em sua última volta lançada. No setor seguinte, seu tempo já alcançava um segundo de desvantagem em relação ao tempo de Alonso naquela sessão, que aera o melhor no momento.

O novo setor é travado (na imagem acima entre as curvas 8 e 18), com curvas de baixa, cotovelos e hairpins. Dura mais de um minuto para todos pilotos. Além disso, é o setor que contém os bumps do traçado, as ondulações que tanto atrapalham a frenagem dos bólidos.

Dito isso, parece claro que a Red Bull e a Ferrari usaram mais asa para a classificação, para aumentar a eficiência de frenagem/aceleração no setor mais lento.

Tanto é que no speed trap da pista, as velocidades aferidas de ambas as equipes eram menores que as maiores velocidades alcançadas.

Mas aparentemente a importância do S2 foi subestimada por equipes como McLaren, Mercedes, Renault e Williams.

Outro aspecto notável da classificação foi o tamanho da distância entre os 10 primeiros. Já entre o primeiro e o quarto, já há um segundo de diferença. Não é possível buscar a razão exata dessa diferença que, ano passado, cobriria quase a totalidade do grid em muitas provas.


Os pneus serão fundamentais para a melhor estratégia amanhã, principalmente nas condições de temperatura no Bahrein, mas o fato é que Red Bull e Ferrari começam em larga vantagem, pois têm na manga a carta do S2.

Se Vettel, Alonso e Massa dispararem de cinco décimos a um segundo por volta na frente das McLaren e Mercedes, dificilmente a vitória sairá das mãos desses três.

Entre eles, a vitória será disputada pelo que melhor souber cuidar dos seus pneus. Aparentemente, Vettel é o menos favorecido nesse caso, mas tudo dependerá do seu ritmo de corrida frente à Scuderia Rossa.

A corrida promete!

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Mercedes GP: o ´X´ da questão

Na última semana de testes antes do primeiro GP de 2010 a ordem de forças da F1 está longe de ser definida a olhos vistos, mas a situação da Mercedes GP é sem dúvida a mais peculiar.

Uma equipe campeã do mundo em 2009, com uma grande promessa e um heptacampeão como pilotos, simplesmente não dá indícios de sua real força nem de sua real fraqueza.

Ross Brawn já disse que seu difusor “oficial” só será usado no Bahrein. A performance da equipe tem sido regular nos testes, se comparada com Ferrari e Red Bull.

Rosberg e Schumacher já pararam na pista mais de uma vez por problemas hidráulicos, elétricos e outros que não foram bem explicados. Nada, absolutamente NADA, fez com que a Mercedes se destacasse nestes testes, além do próprio Michael Schumacher.

Estaria a equipe escondendo uma carta na manga à la Brawn GP? Rosberg se diz confiante, enquanto Schumacher afirma que o carro não é rápido o suficiente para almejar vitórias nas primeiras corridas.

O desencontro entre algumas declarações de Rosberg e Schumacher é especialmente interessante porque embora o contrato do veterano alemão tenha duração de três anos, é difícil imaginar que ele tenha sido convencido a voltar para fazer o que fez na Ferrari de 1996 a 1999.

Schumi e seu engenheiro, Shovlin: algo não parece tão bem na Merc GP

Ao ser perguntado se o carro pode levá-lo a disputar vitórias desde a primeira corrida, Michael disse: "Talvez não. É difícil julgar outros times especificamente. No momento, não estamos na posição em que gostaríamos, de sermos competitivos e vencer a primeira corrida de cara. O principal objetivo é o de não estar muito atrás (das outras equipes)."

Que posição é essa que eles querem estar se não conseguem se comparar às outras equipes? O principal objetivo é não andar muito atrás? Quão atrás? E como isso pode ser constatado?

Ross Brawn deve ter dado algum tipo de garantia de performance e potencial para que Schumacher aceitasse voltar. Ele não voltaria no escuro e tampouco voltaria para perder seu tempo andando no meio do grid até que o carro fosse desenvolvido e se tornasse um autêntico campeão.

O carro já demonstrou ter o mesmo fundamental problema da Brawn em aquecer os pneus, e isso será um grande obstáculo para a flecha de prata principalmente nas voltas lançadas de classificação.

Além disso, o W01 também tem apresentado queda de rendimento em stints longos, tanto com Rosberg quanto com Schumacher, algo que não acontece com a Ferrari.

Diante de tudo isso, pode até ser que o GP do Bahrein não traga as respostas que a Mercedes busca, mas o fato é que o carro da Mercedes GP será um gigantesco ´X´ no traçado barenita daqui a duas semanas.