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sábado, 12 de setembro de 2009

Classificação GP da Itália: Liuzzi, incrível Liuzzi

Que a Force India está rápida com pistas de alta velocidade, todo mundo percebeu. Mas se esperavam chorar com Badoer realizando seu sonho e vibrar com Fisichella pilotando a Ferrari em Monza, os italianos mal podiam imaginar que o conterrâneo do dia seria Vitantonio Liuzzi.

Ao substituir Fisichella na Force India, esperava-se, ainda que inconscientemente, que o ex-piloto da STR tivesse dificuldades muito parecidas com as que teve Badoer e, agora, Fisi.

Mas Liuzzi mostrou algo diferente. Mostrou, talvez, que a VJM02 é um carro fácil de pilotar e o F60 difícil. Claro que são suposições, mas o fato é que o carro demonstra ser fácil de se assimilar de uma hora para outra.

A F1 e os fãs sabem que Liuzzi não é nenhum Senna e não venceu quase nada nas categorias de base. Mas o piloto foi surpreendente em sua estreia na Force India com as especificações de 2009, um carro que ele pilotou esse ano, embora muito pouco, nos testes de inverno.

Para uma comparação objetiva, no Q2, Fisichella ficou a 475 milésimos de Raikkonen. Liuzzi ficou a apenas 137 milésimos de um Sutil, que quase marcou a pole no Q3, é um piloto arrojado e muito bom, embora não muito consistente.

Veja bem, Sutil teve que ter uma Force India em boa forma para conseguir algo no campeonato, correndo na equipe há dois anos. Liuzzi, no primeiro dia de treinos no carro já praticamente andou no mesmo ritmo do companheiro.

Já Fisichella, que é um piloto experiente e rápido, foi para o F60 e foi bem mais lento que Raikkonen, sendo que tinha a vantagem de já estar correndo na F1.

Mais uma vez, fica muito claro que a tarefa de quem quer que seja pilotando a Ferrari seria hercúlea, e fica mais fácil respeitar Luca Badoer e, claro, o próprio Fisichella, pelo que fizeram e estão a fazer na equipe rossa.

É ainda mais indicativo do quanto Felipe Massa e Kimi Raikkonen são pilotos incríveis, realmente acima da média da F1, para dominar um carro que, por duas vezes seguidas, já se provou ser difícil de pilotar, acertar, andar rápido e adaptar.

Criticar é muito fácil, mas usar de dois pesos e duas medidas para fazer valer um ponto de vista é um dos erros mais primários do jornalismo e da opinião. É preciso consistência, argumentos, informações e dados para se chegar a uma conclusão.

E ainda assim, é possível estar errado.

Errada está a Ferrari em tentar tapar o Sol com a peneira e arrumar pilotos tampão para salvarem o terceiro lugar no campeonato. Pobres pilotos, que acabam seduzidos por um sonho impossível, tornando tudo um grande pesadelo.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Mercedes-Benz: oh Lord, won´t you buy me F1?

Genial trecho de um artigo sobre a silly season no site Motorsport.

Parece tudo um pouco confuso, mas se você olhar com os olhos certos, a silly season de uma certa forma faz sentido. Quer ver? Dá uma olhada.

A Williams tem algo que a McLaren quer: Nico Rosberg. E a McLaren tem algo que a Williams quer: um motor Mercedes. A Mercedes quer algo em troca se concordarem em colocar seus motores para impulsionar a Williams: um contrato entre McLaren e Nico Rosberg.

Frank Williams está delirantemente feliz, porque ele sabe que guarda a chave para a felicidade de todo mundo; ele pode trocar Rosberg por um motor Mercedes e ainda ter Nico Hulkenberg para pilotar a Williams.

O alemão Rosberg mais o motor alemão Mercedes e o novo talento alemão Hulkenberg mais outro motor alemão Mercedes é bom para os negócios e vai manter o grupo de diretores feliz.

Preferivelmente tão feliz que vão decidir continuar com a produção de motores para a F1. O que em troca faria Norbert Haug, Vijay Mallya, Frank Williams, Martin Whitmarsh e Ross Brawn de fato felizes.

Mercedes seria a feliz vencedora; eles forneceriam seus motores confiáveis a quatro equipes e teriam um piloto alemão em uma Williams-Mercedes e outro piloto alemão em uma McLaren-Mercedes.

E claro, Rosberg e Hulkenberg ficariam muito felizes com o arranjo também. E para demonstrar o quão feliz a Mercedes ficaria, Haug convidou Frank Williams e Patrick Head para a corrida de DTM em Brands Hatch semana passada.
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A cartada da Mercedes para açambarcar mais um naco da F1 em sua escalada para a dominância absoluta da categoria parece estar em curso em duas frentes: Brawn e Williams.

Há de se questionar o perigo que está por trás da dependência do novo garagista Brawn e do antigo garagista Williams em relação à gigante alemã.

Max Mosley também não deve estar gostando nada dessa movimentação, principalmente depois da saída da Honda e da BMW e do fraquejo da Toyota e da Renault, o que seria o golpe final do moribundo dirigente no que ele crê ser o maior câncer da categoria hoje: a presença das montadoras.

De todo modo, goste ou não, a Mercedes parece ser a marca mais comprometida com o esporte fora da dupla McLaren/Ferrari, e isso com relativamente pouco tempo de categoria.

Mas a maneira voraz como a montadora tem investido na F1 é algo que precisa ser pensado de forma fria. A F1 nunca esteve tão perto de se tornar uma spec series, ou seja, uma série em que os carros são todos iguais e o que difere é o piloto.

Os regulamentos são cada vez mais engessados (mesmo com o problema dos difusores) e o fato de vários carros terem o mesmo motor não ajuda na competitividade, a exemplo da presença apenas dos compostos Bridgestone calçando os bólidos.

É claro que se a F1 se fortalece com equipes pequenas (do ponto de vista financeiro -Williams) ou novas (Force India, Brawn e Red Bull) ganhando sobrevida, então aplauda-se a voracidade da Mercedes.

Mas sempre será temerário construir uma fundação sobre um pilar regido pelo dinheiro e pelo lucro puro e simples, por romântico que isso possa parecer.

Fato é que todos os olhos da F1 estão voltados para a Mercedes e para a dupla Ferrari/Alonso nas próximas semanas. Isso, claro, sem contar o caso Cingapura-08, que deve estar deixando muita gente careca nos últimos dias.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

GP da Bélgica: tudo fora da ordem (ou não)

O que precisava ser dito sobre a corrida de Spa-Francorchamps já foi dito com propriedade pelos autores dos vários blogs cujos links você encontra ao lado direito do seu monitor.

Entretanto, algumas observações pendem maior destaque.

O feito da Force India de Fisichella, ainda que monumental em si só, retrata fielmente uma temporada que teve como tônica um novo regulamento técnico.

A Force India fez pole position e terminou em segundo pressionando a Ferrari 4 de Raikkonen pelo mesmíssimo motivo que Hamilton venceu na Hungria, Barrichello venceu na Espanha, Webber venceu na Alemanha...

A lista segue e a loucura é tanta que nas últimas seis provas, a F1 viu seis vencedores diferentes, a saber:
  • Button
  • Vettel
  • Webber
  • Hamilton
  • Barrichello
  • Raikkonen
Não é pouca coisa se se considerar que, ano passado, Massa e Hamilton venceram nada menos que 11 provas juntos de 18 possíveis, nunca permitindo uma sequencia de vencedores tão variada.

Há quem critique a imprevisibilidade do campeonato, pois consistência (após a derrocada de Button a partir da oportunista vitória na Turquia) se tornou artigo de luxo.

A falta de testes quase torna a adaptabilidade das equipes um lance de sorte, e certamente a Force India teve muita sorte, ainda que Vijay Mallya diga o contrário.

De todo modo, para os fãs, tudo se torna um grande ponto de interrogação e os méritos de equipes como a Force India, a BMW (que alcançou seu melhor resultado este ano) e a própria Brawn são constantemente colocados sob perspectiva.

Talvez, ao se observar a temporada até aqui, a única equipe que constantemente subiu, desenvolveu, buscou resultados cada vez melhores corrida após corrida foi a Ferrari.

E isso é um indicativo de duas coisas:
  • é a mais poderosa e tecnicamente apurada equipe da F1 hoje e;
  • em 2010, será muito certamente a equipe a ser batida.
Mas alguém achava o contrário?

Talvez a McLaren seja tão forte quanto, mas fato é que a temporada de 2009, por caótica que seja, mostra que quem domina os fundamentos e tem os recursos vai se manter no topo ou vai se recuperar rápida e consistentemente após um tombo.

Kimi: motivação foi sempre a mesma. O carro é que não ajudava.

Dito tudo isso, Kimi Raikkonen, sem a sombra de Felipe Massa, tem brilhado à bordo da única Ferrari competitiva de Maranello. Nas últimas três provas, o Homem de Gelo amealhou 24 pontos em 30 possíveis, com um segundo, um terceiro e um primeiro lugares.

Sozinho, Raikkonen conseguiu mais pontos que os três mais bem colocados postulantes ao título somados (20 pontos). Tivesse chegado em segundo em Valência teria feito o mesmo montante de pontos que os quatro primeiros somados (26).

Caso a Scuderia contasse com Felipe Massa no carro número 3, certamente o cenário seria ainda melhor para o time de Maranello.

Muito se falou da falta de motivação de Raikkonen, mas o fato é que, sem Massa para comparar, o finlandês parece pilotar melhor.

Entretanto, isso não é verdade.

O que mudou foi a performance do time vermelho e Raikkonen, piloto fantástico e campeão mundial, está apenas fazendo jus ao carro.

Massa foi e sempre será um adversário duríssimo para Raikkonen e é por causa do brasileiro que o finlandês não parece tão sensacional ao volante. Simplesmente porque Massa também é muito bom.

O campeonato está muito bonito e aberto. É uma pena que o caso Renault vá tomar tanto tempo dos fãs e cartolas da categoria nos próximos dias.