Mostrando postagens com marcador Pesos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pesos. Mostrar todas as postagens

sábado, 23 de maio de 2009

Classificação GP de Mônaco: o homem de gelo esquenta a disputa

Kimi Raikkonen é sem dúvida o grande nome do GP de Mônaco até aqui. Não foi Barrichello com seus fantásticos tempos no fim-de-semana, nem Button com sua pole tirada da cartola (já o chamam de "Magic" Button na Inglaterra).

O finlandês resolveu quebrar o seu próprio gelo, que agora estava mais lhe atrapalhando do que ajudando, e vai ser uma pedra no sapato de Ross Brawn na largada monegasca. É provável que o grande problema do ferrarista esteja nos boxes: sua própria equipe e as já consagradas trapalhadas.

Embora quatro quilos mais leve que o aniversariante Rubens Barrichello (37 anos de vida e 16 recém-completados só na F1), não deixou de ser uma grande surpresa que o finlandês se interpusesse entre os dois carros da Brawn com um brilhante treino, andando forte nas três sessões.

Por outro lado, entre os cinco primeiros, a grande decepção foi Sebastian Vettel. Correndo apenas com um cheiro de gasolina, o projeto-de-Schumacher fez o quarto tempo e, embora apenas três décimos atrás de Button, larga com 16 quilos a menos no tanque, o suficiente para lhe dar a pole caso Nakajima não o tivesse atrapalhado em sua flying lap.

Dito isso, vamos aos tempos corrigidos:

Clique para ampliar. Tempos calculados com base em 0,2s/10kg

Na tabela acima, você vê os tempos dos pilotos corrigidos de acordo com a volta que eles fariam se tivessem com o mesmo peso do carro da pole. Naturalmente, desconta-se eventualidades de pista e a subjetividade da pilotagem de cada um.


Repare como Vettel realmente foi prejudicado por Nakajima em pelo menos três décimos. Nos tempos corrigidos, o piloto da Red Bull perderia a posição para Massa. Se sua volta lançada fosse completada com sucesso, muito provavelmente teria feito um tempo suficiente para disputar a pole com o Jenson Button.

Já Kimi Raikkonen e Felipe Massa foram sólidos o suficiente para se manterem nas três primeiras filas com o tempo ajustado, o que mostra que a Ferrari realmente está bastante forte para a prova de logo mais.

A vantagem de Mônaco é que, na maioria das vezes, nada se resolve na largada, ao contrário de muitas outras provas. Após a Saint Devote, serão 78 voltas a testar a capacidade de concentração e precisão de cada piloto. Um erro e o safety car entra. Um safety car já muda a história da prova. A sorte é um fator decisivo na pista, mas largar na primeira fila é a única coisa que continua a ser meio caminho andado para a vitória.

Panis ergue o troféu de Mônaco em 1996

Nos últimos 30 anos, apenas 1983 e 1996 viram pilotos vencerem em Mônaco sem sair das três primeiras posições no grid. No caso o finlandês Keke Rosberg, que venceu saindo da quinta posição, e o francês Olivier Panis, que venceu uma caótica prova na chuva em que apenas 3 carros receberam a bandeirada de 22 que largaram. Panis largara da 14ª posição e foi para vencer seu único GP.

Para fechar, fique de olho em Lewis Hamilton, que amanhã larga da última posição devido a uma troca de câmbio, mas tem gasolina apenas para 20 voltas. Vamos observar a estratégia que o atual campeão vai utilizar.

Errata: Por um erro de cálculo do tempo de Sebastian Vettel, a tabela de tempos ajustados ao peso teve de ser refeita. O post já foi corrigido.

sábado, 25 de abril de 2009

Classificação GP do Bahrein: dois pesos, duas medidas

A divulgação dos pesos dos carros após a classificação este ano permite aos entusiastas da Fórmula 1 uma série de novas análises interessantíssimas, que contam uma história um pouco mais precisa do que é a performance dos pilotos nos treinos. Embora não perfeitamente, é muito mais fácil agora determinar se uma volta ruim se deveu a um erro na pista ou a um problema de performance do carro.

Na classificação, mais uma vez Rubens Barrichello vai largar atrás do companheiro, mas desta feita ele está mais leve do que Button em torno de uma volta, ou seja, sua volta no Q3 foi realmente ruim, especialmente comparada à volta de Vettel, que está 10 quilos mais pesado (o que o deixaria mais lento que Rubens em torno de dois décimos).

Entretanto, se o tempo dos pilotos for ajustado de acordo com o combustível que levam em seus carros (descontando obviamente as subjetividades de uma volta com tanque mais cheio e mais vazio), a vida de Barrichello fica ainda pior, pois seu tempo fica mais de quatro décimos mais lento que Vettel e oito décimos mais lento que o pole Jarno Trulli, de acordo com a tabela abaixo:

Clique para ampliar. Tempos calculados com base em 0,2s/10kg

Na tabela, é possível ver que Raikkonen está em posição melhor que Massa, quase 10 quilos mais leve, embora o brasileiro tenha ganhado uma posição sobre Alonso com os tempos ajustados. A volta do finlandês no Q2 foi extraordinária, mas a Ferrari deve ter dificuldades de acompanhar os carros à sua frente no decorrer da prova.

Vettel também ganharia uma posição sobre Glock com os tempos corrigidos, o que mostra que o ritmo do piloto da RBR é realmente forte e ele vem para lutar pela vitória.

Já a Toyota levaria Glock à segunda posição, e mesmo à pole, do mesmo jeito, pois o carro está muito leve e o piloto provavelmente cometeu um erro que lhe custou pelo menos três décimos. Ainda assim, conseguiu a segunda colocação, mas quatro décimos mais lento que Trulli.

É interessante notar também na tabela a diferença entre os tempos da Q2 e Q3 entre Glock e Trulli. Apesar de mais leve, Glock foi um segundo mais lento no Q3, enquanto Trulli apenas sete décimos. O ritmo do italiano é absolutamente incrível e, caso nada ocorra de errado amanhã, a vitória de Jarno parece certa.

Hamilton é a presença ilustre das cinco primeiras filas do grid amanhã. O piloto está com o peso semelhante às Brawn, tem o Kers e sua McLaren já está equipada com novas peças aerodinâmicas. É provável que o atual campeão termine à frente das Ferrari, mas não deve conseguir acompanhar as Brawn a corrida toda, principalmente porque o piloto inglês tem uma tremenda dificuldade de economizar seus pneus e isso será determinante amanhã.

Aparentemente a falta de testes da Brawn GP está cobrando seu preço agora, pois os carros brancos de Ross Brawn não testaram em condições extremas, como a chuva da China ou, agora, o calor escaldante do deserto barenita.

Fora o problema dos freios de que Rubinho já vem reclamando há algum tempo, a dificuldade de acertar a sintonia entre as temperaturas dos pneus e a alta performance aerodinâmica dos carros tem feito com que a Brawn perca terreno mais rápido do que se esperava para as outras equipes.

Que não se iluda quem achar que a ex-Honda terá má performance durante a corrida. Pelo contrário. Mas o que ocorre é que a Red Bull está nitidamente melhor, largando mais pesada e com um tempo estupendo.

Rubens e Jenson deram sorte que Webber foi atrapalhado por Sutil nas suas duas voltas rápidas, tanto a primeira, que ele fecharia no momento em que foi bloqueado, quanto a segunda, que ele abriria por estar na última curva antes da reta dos boxes. Sutil matou dois coelhos com uma só cajadada.

Webber poderia estar logo atrás de Vettel, o que complicaria a vida de Rubens e de Jenson consideravelmente com o forte ritmo das RBR.

A corrida amanhã parece estar prometida à Toyota, caso seus dois pilotos escapem na frente de Vettel. A Brawn pode sonhar com a vitória se fizer um primeiro stint excepecional e não deixar a diferença para Glock e Trulli aumentar antes do primeiro pit-stop. Rubens e Jenson podem se dar bem, mas terão que tirar tudo e mais um pouco de seus carros para conseguirem. Será o teste definitivo da nova equipe?

A resposta amanhã, a partir das 9h da manhã, horário de Brasília.