segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Button x Barrichello: a (definitiva) vantagem do inglês na pista - Parte 2

Agora aos números de classificação de Jenson Button e Rubens Barrichello nos quatro anos em que dividiram a garagem da mesma equipe.

2006

Bahrein - Rubens 6º x Jenson 3º

Malásia - Rubens 12º
(-10 pos.) x Jenson 2º
Austrália - Rubens 17º x Jenson 1º
San Marino - Rubens 3º x Jenson 2º

Europa - Rubens 4º - Jenson 6º

Espanha - Rubens 5º - Jenson 8º
Monaco - Rubens 5º - Jenson 13º
Inglaterra - Rubens 6º - Jenson 19
º

Canadá - Rubens 9º - Jenson 8º

EUA - Rubens 4º - Jenson 7º
França - Rubens 14º - Jenson 19º

Alemanha - Rubens 6º - Jenson 4º

Hungria - Rubens 3º - Jenson 14º (-10 pos.)

Turquia - Rubens 14º - Jenson 7º
Itália - Rubens 8º - Jenson 5º
China - Rubens 3º - Jenson 4º

Japão - Rubens 8º - Jenson 7º
Brasil - Rubens 5º - Jenson 14º


Total - Rubens 9 x Jenson 9

2007

Austrália - Rubens 17º x Jenson 14º

Malásia - Rubens 22º
(-10 pos.) x Jenson 15º
Bahrein - Rubens 15º x Jenson 16º

Espanha - Rubens 12º x Jenson 14º
Mônaco - Rubens 9º - Jenson 10º
Canadá - Rubens 13º - Jenson 15º

EUA - Rubens 15º - Jenson 13º

França - Rubens 13º - Jenson 12º
Inglaterra - Rubens 14º - Jenson 18º
Europa - Rubens 14º - Jenson 17º
Hungria - Rubens 18º - Jenson 17º
Turquia - Rubens 22º (-10 pos.) - Jenson 21º (-10 pos.)
Itália - Rubens 12º - Jenson 10º
Bélgica - Rubens 17º - Jenson 12º

Japão - Rubens 17º - Jenson 6º

China - Rubens 16º - Jenson 10º
Brasil - Rubens 11º - Jenson 16º


Total - Rubens 7 x Jenson 10

2008

Austrália - Rubens 10º - Jenson 13º

Malásia - Rubens 14º - Jenson 11º
Bahrein - Rubens 12º - Jenson 9º

Espanha - Rubens 11º - Jenson 13º
Turquia - Rubens 12º - Jenson 13º

Mônaco - Rubens 15º - Jenson 12º

Canadá - Rubens 9º - Jenson 19º (largou dos boxes)

França - Rubens 18º (-5 pos.) - Jenson 17º

Inglaterra - Rubens 16º - Jenson 17º

Alemanha - Rubens 18º - Jenson 14º
Hungria - Rubens 18º - Jenson 12º
Europa - Rubens 19º - Jenson 16º

Bélgica – Rubens 16º - Jenson 17º
Itália - Rubens 16º - Jenson 19º
Cingapura - Rubens 18º - Jenson 12º
Japão - Rubens 17º - Jenson 18º
China - Rubens 14º - Jenson 18º

Brasil - Rubens 15º - Jenson 17º


Total - Rubens 10 x Jenson 8

2009

Austrália - Rubens 2º - Jenson 1º
Malásia - Rubens 4
º - Jenson 1º
China - Rubens 4
º - Jenson 5º
Bahrein - Rubens 6
º - Jenson 4º
Espanha - Rubens 3
º - Jenson 1º
Mônaco - Rubens 3
º - Jenson 1º
Turquia - Rubens 3
º - Jenson 2º
Inglaterra - Rubens 2
º - Jenson 6º
Alemanha - Rubens 2
º - Jenson 3º
Hungria - Rubens 13º - Jenson 8º
Europa - Rubens 3
º - Jenson 5º
Bélgica - Rubens 4
º - Jenson 14º
Itália - Rubens 5
º - Jenson 6º
Cingapura - Rubens 5
º (-5 pos) - Jenson 12º
Japão - Rubens 5
º (-5 pos) - Jenson 7º (-5 pos)
Brasil - Rubens 1
º - Jenson 14º
Abu Dhabi - Rubens 4
º - Jenson 5º

Total - Rubens 10 x Jenson 7

Números totais

Total de classificações disputadas: 70
Quem saiu na frente: Rubens 36 x 34 Jenson
Pole-positions: Rubens 1 x 5 Jenson
Segundos: Rubens 3 x 3 Jenson
Terceiros: Rubens 7 x 2 Jenson

Conclusões

Que Rubens Barrichello é um piloto rápido, todos sabem. Mas quando se compara sua performance com a de seu companheiro, as coisas ficam muito parelhas, embora Rubinho tenha uma pequena vantagem de duas corridas.

Os resultados demonstram que, mesmo que não tenham conseguido bom rendimento com a Honda nos anos de 2007 e 2008, Rubinho tem uma constância admirável em relação a Button na classificação.

É válido dizer que a mesma constância que Barrichello tem em sua volta lançada, Button tem no conjunto das voltas de uma corrida. Mas ainda assim, a diferença entre largar bem e tornar a sua posição no grid um bom resultado é enorme.

Para se ter uma ideia, desde 2006, apenas no ano em que Rubinho não pontuou (2007), ele conseguiu largar atrás de Button e chegar na frente mais vezes que o inglês.

Em 2006, Rubinho e Button empataram em 9 a 9, mas das nove vezes que o brasileiro largou na frente de Jenson, chegou atrás em seis delas; um péssimo aproveitamento de posição de grid.

Outro ponto interessante é que naquele ano, quando Button estava em lua-de-mel com a BAR-Honda, ambos empataram na batalha do qualifying, mas quando foram pra pista, Button meteu em Rubinho o mesmo placar de 2009: 12 a 5.

Em 2007, Button largou 10 vezes na frente, mas dessas 10, Rubinho conseguiu se recuperar em seis delas.

Já em 2008, Button de novo teve ótimas corridas e, embora tenha largado 10 vezes atrás de Barrichello, em cinco delas chegou à frente, enquanto o brasileiro só conseguiu inverter a situação em três delas.

Em 2009, Rubinho desbancou Button em praticamente todas as corridas após o GP da Inglaterra e o Splash-and-go já foi fundo na razão disso aqui e aqui.

Entretanto, o resultado de 10 a 7 não se reflete no embate dos dois em corrida, pois aí Button inverteu o jogo e venceu por um placar ainda maior de 12 a 5.

Das 10 vezes que largou na frente de Button, Rubinho acabou perdendo para o inglês em cinco delas. Por outro lado, não conseguiu chegar a frente do inglês nenhuma das vezes em que Button largou à frente.

E mesmo que se tirem as estratégias nebulosas de Ross Brawn nos GPs da Espanha e da Alemanha, o placar de corrida ainda estaria 10 a 7 para Button.

Dos quatro anos que correram juntos, apenas em 2007 Button bateu Barrichello na classificação. Coincidência ou não, foi o ano que Rubinho passou em branco na pontuação.

O ano dos dois pilotos na Brawn GP serviu para sedimentar de uma vez por todas as qualidades e defeitos de cada um dos pilotos, quais sejam:
  • Barrichello é exímio na classificação;
  • Button trabalha como um relógio na corrida;
  • Ambos são muito sensíveis ao certo do carro;
  • Barrichello tem uma tremenda capacidade de adaptação;
  • Button tem muita dificuldade para se adaptar;
  • Button perde a precisão da volta lançada sob pressão;
  • Barrichello é muito inconstante no decorrer das corridas;
  • Button é muito agressivo (e preciso) nas largadas;
  • Barrichello é inconstante nas largadas;
  • Barrichello tende a piorar no decorrer da corrida;
  • Button tende a melhorar no decorrer da corrida;
  • Barrichello é estabanado;
  • Button é preciso;
  • Barrichello tende a chegar atrás de onde largou;
  • Button tende a chegar à frente de onde largou.
É possível observar outras características ao se cruzar as informações de ambos os pilotos, mas está bastante claro o perfil de cada um e como se compara com o outro.

Cada um tem suas qualidades, mas, infelizmente, para os brasileiros torcedores, as qualidades de Jenson Button foram primordiais para levar o inglês ao Campeonato Mundial de F1 2009, e isso é o que vai ficar registrado nos anais do esporte.

Uma coisa é certa no entanto: digam o que quiserem; essa é uma dupla que vai fazer falta.

5 comentários:

Hugo disse...

Excelente análise, muito precisa. E excelente o comentário final, também: a dupla fará falta.

Mas, lendo os tópicos, uma de suas conclusões não bate com uma conclusão minha baseada, também, em uma análise de resultados.

"Barrichello tem uma tremenda capacidade de adaptação"

Eu não acho isso.

Se você analisar toda a trajetória de Barrichello ao menos desde 2000, quando ele passou finalmente a guiar por um time de ponta, seus melhores resultados aparecem sempre na segunda metade da temporada. Por incrível que pareça, publiquei essa análise no blog meses antes dele vencer em Valência, que era a... 11ª etapa, de 17...

As 11 vitórias de Barrichello na F-1:

2000 - 17 etapas
11ª etapa: GP da Alemanha

2002 - 17 etapas
9ª etapa: GP da Europa
13ª etapa: GP da Hungria
15ª etapa: GP da Itália
16ª etapa: GP dos Estados Unidos

2003 - 16 etapas
11ª etapa: GP da Inglaterra
16ª etapa: GP do Japão

2004 - 18 etapas
15ª etapa: GP da Itália
16ª etapa: GP da China

2009 - 17 etapas
11ª etapa: GP da Europa
13ª etapa: GP da Itália


Eu poderia até dizer que na época da Ferrari, era por causa do favorecimento ao Schumacher, que sim, existia... mas quando um piloto é incontestavelmente mais rápido, não há como não vencer pelo menos UMA corrida no início da temporada. Rubens nunca fez isso. O que, pra mim, significa dificuldade de adaptação aos novos carros.

A propósito, que eu me lembre, a ÚNICA pole position de Barrichello em um início de temporada foi no GP do Brasil de 2003, quando ele ainda estava... com o carro de 2002.

O que vc acha?

Abraço!

Daniel Gomes disse...

Hugo, na realidade, vc pode ver as informações que vc trouxe de duas formas.

Assim como vc, eu já havia percebido que Rubinho só venceu nas segundas metades de campeonatos.

Assim como vc, eu já tb havia relevado um pouco isso justamente por ser contra Schumacher.

Algo tipo: "agora que já garantimos boa margem, o Rubens é café-com-leite e pode vencer as corridinhas dele".

Pra falar a verdade, eu não duvido que isso seja em parte verdade na Ferrari.

Mas agora na Brawn houve exatamente a mesma coisa, o que indica que isso é de fato algo comum para Rubens.

Estou para fazer uma análise da carreira inteira dele para ver se existe reflexo disso nos anos pré-Ferrari.

De todo modo, como ia dizendo, esse aspecto tem duas interpretações.

A sua seria:

- Rubinho demora a se adaptar ao carro e isso significa que ele tem pouca capacidade de adaptação.

A minha é:

- Rubinho demora a se adaptar, mas eventualmente se adapta. Isso é uma "regra". O que significa que, por pior que seja sua adaptação no início, ele SEMPRE se adapta.

É por isso que digo que ele tem uma tremenda capacidade de adaptação.

Porque por mais que o carro não seja o ideal pra ele, por mais que tenha dificuldades em algum ponto do campeonato, ele eventualmente VAI conseguir bons resultados com aquele carro.

Isso é algo que eu enxergo como privilégio de poucos pilotos e Rubens é um deles.

Acontece que isso não é nem foi suficiente para ele ser campeão, por causa dos outros defeitos dele, mas com uma qualidade como essa, que chefe de equipe iria falar não pra ele?

É como eu sempre digo...

Eddie Jordan
Jackie Stewart
Ross Brawn
Ross Braw (de novo)
Frank Williams

Esses caras entendem de F1 e eles têm plena consciência dessas qualidades do Barrichello e o quanto são raras.

Para esses caras, a ideia não é vê-lo campeão, mas de fato vê-lo como uma espécie de ativo da equipe. É como se comprassem ações na bolsa e esperassem valorizar.

O Rubinho SEMPRE valoriza, e isso é realmente admirável. De tirar o chapéu.

itamar disse...

Conheço esse blog há algum tempo e sempre acho interessante os posts que são escritos aqui. Mas dessa vez vc se superou. Parece texto de autosport. Muito bom mesmo. Parabéns.

Daniel Gomes disse...

Itamar, bondade sua meu amigo.

Pode ter certeza que seu comentário me motiva ainda mais a fazer um bom trabalho por aqui.

Obrigado e um abraço! Não deixe de fazer seus comentários!

Hugo Becker disse...

É verdade, Dan. De fato, acho que nossa explicação se completa. Não havia olhado pelo aspecto de que ele sempre demora a se adaptar MAS se adapta. Teve muito piloto que perdeu o emprego justamente por não se adaptar sequer a um carro de F-1.

Outra coisa que também é bem visível e que joga certa luz à genialidade de Schumacher é o casamento Ross Brawn-Rubens Barrichello.

Vc destacou bem aqui o lance das qualidades que os chefes de equipe notam nele. O pessoal fala do casamendo Brawn-Schumacher, Brawn-Button, etc, mas o casamento Brawn-Rubens é o mais bem-sucedido de todos, embora o maior beneficiado, por uma questão de estratégia de time como um todo, nunca tenha sido o próprio Barrichello.

Por isso que é um erro ver nego por aí dizendo que ele é mau piloto, perdedor, etc. Se a Ferrari construiu uma hegemonia, deve muito a ele. Assim como a Brawn. Acho que nunca houve e nem haverá um piloto "de equipe" como Barrichello na história da F-1. Por isso que ele está lá há tantos anos.

Abração