sábado, 7 de novembro de 2009

Button x Barrichello: a (definitiva) vantagem do inglês na pista – Parte 1

Temporada de 2009 terminada, Button campeão, Barrichello em terceiro lugar. É hora de fechar a fatura e apresentar os números finais entre esses pilotos que, embora ninguém tenha notado, encerram agora a dupla mais longeva da F1 desde Schumacher x Barrichello, algo incrível em uma categoria cada vez mais instável.

São utilizados três critérios para medir os resultados de ambos: pontos, vezes que chegaram na frente um do outro (na pista) e vezes que chegaram na frente um do outro quando os dois terminaram a corrida (na pista quando os dois terminaram).

Vamos aos números:

2006

Bahrein - Rubens 15º x Jenson 4º
Malásia - Rubens 10º x Jenson 3º
Austrália - Rubens 7º x Jenson 10º
San Marino - Rubens 10º x Jenson 7º
Europa - Rubens 5º - Jenson (RET)
Espanha - Rubens 7º - Jenson 6º
Monaco - Rubens 4º - Jenson 11º
Inglaterra - Rubens 10º - Jenson (RET)
Canadá - Rubens (RET) - Jenson 9º
EUA - Rubens 6º - Jenson (RET)
França - Rubens (RET) - Jenson (RET)
Alemanha - Rubens (RET) - Jenson 4º
Hungria - Rubens 4º - Jenson 1º
Turquia - Rubens 8º - Jenson 4º
Itália - Rubens 6º - Jenson 5º
China - Rubens 6º - Jenson 4º
Japão - Rubens 12º - Jenson 4º
Brasil - Rubens 7º - Jenson 3º

Pontos - Rubens 30 x 56 Jenson
Na pista - Rubens 5 x 12 Jenson
Na pista quando os dois terminaram - Rubens 2 x 10 Jenson

2007

Austrália - Rubens 11º x Jenson 15º
Malásia - Rubens 11º x Jenson 12º
Bahrein - Rubens 13º x Jenson (RET)
Espanha - Rubens 10º x Jenson 12º
Mônaco - Rubens 10º - Jenson 11º
Canadá - Rubens 12º - Jenson (RET)
EUA - Rubens (RET) - Jenson 12º
França - Rubens 11º - Jenson 8º
Inglaterra - Rubens 9º - Jenson 10º
Europa - Rubens 11º - Jenson (RET)
Hungria - Rubens 18º - Jenson (RET)
Turquia - Rubens 17º - Jenson 13º
Itália - Rubens 10º - Jenson 8º
Bélgica - Rubens 13º - Jenson (RET)
Japão - Rubens 10º - Jenson 11º
China - Rubens 15º - Jenson 5º
Brasil - Rubens (RET) - Jenson (RET)

Pontos - Rubens 0 x 6 Jenson
Na pista - Rubens 11 x 5 Jenson
Na pista quando os dois terminaram - Rubens 6 x 4 Jenson

2008

Austrália - Rubens (DSQ) - Jenson (RET)
Malásia - Rubens 13º - Jenson 10º
Bahrein - Rubens 11º - Jenson (RET)
Espanha - Rubens (RET) - Jenson 6º
Turquia - Rubens 14º - Jenson 11º
Mônaco - Rubens - 6º - Jenson 11º
Canadá - Rubens 7º - Jenson 11º
França - Rubens 14º - Jenson (RET)
Inglaterra - Rubens 3º - Jenson (RET)
Alemanha - Rubens (RET) - Jenson 17º
Hungria - Rubens 16º - Jenson 12º
Europa - Rubens 16º - Jenson 13º
Bélgica - Rubens (RET) - Jenson 15º
Itália - Rubens 17º - Jenson 15º
Cingapura - Rubens (RET) - Jenson 9º
Japão - Rubens 13º - Jenson 14º
China - Rubens 11º - Jenson 16º
Brasil - Rubens 15º - Jenson 13º

Pontos - Rubens 11 x 3 Jenson
Na pista - Rubens 7 x 10 Jenson
Na pista quando os dois terminaram - Rubens 4 x 5 Jenson

2009

Austrália - Rubens 2º - Jenson 1º
Malásia - Rubens 5º - Jenson 1º
China - Rubens 4º - Jenson 3º
Bahrein - Rubens 5º - Jenson 1º
Espanha - Rubens 2º - Jenson 1º
Mônaco - Rubens 2º - Jenson 1º
Turquia - Rubens (RET) - Jenson 1º
Inglaterra - Rubens 3º - Jenson 6º
Alemanha - Rubens 6º - Jenson 5º
Hungria - Rubens 10º - Jenson 7º
Europa - Rubens 1º - Jenson 7º
Bélgica - Rubens 7º - Jenson (RET)
Itália - Rubens 1º - Jenson 2º
Cingapura - Rubens 6º - Jenson 5º
Japão - Rubens 7º - Jenson 8º
Brasil - Rubens 8º - Jenson 5º
Abu Dhabi - Rubens 4º - Jenson 3º

Pontos - Rubens 77 x Jenson 95
Na pista - Rubens 5 x Jenson 12
Na pista quando os dois terminaram - Rubens 4 x 11 Jenson

Números totais

Total de corridas disputadas: 70
Total de pontos disputados: 1260
Pontos conquistados pela dupla: 278

Pontos - Rubens 118 x 160 Jenson
Na pista - Rubens 28 x 39 Jenson
Na pista quando os dois terminaram - Rubens 16 x 30 Jenson

Pódios - Rubens 7 x 12 Jenson
Vitórias - Rubens 2 x 7 Jenson
Segundos - Rubens 3 x 1 Jenson
Terceiros - Rubens 2 x 4 Jenson
Zona de pontuação (com pódios) - Rubens 28 x 31 Jenson
Abandonos - Rubens 10 x 14 Jenson
Desqualificações - Rubens 1 x 0 Jenson

Média de pontos por corrida de Rubens: 1,68
Média de pontos por corrida de Jenson: 2,28

Conclusões

A primeira e mais imediata conclusão a que se chega ao se analisar os números entre Barrichello e Button é que o piloto inglês realmente precisa de um bom carro para se superar.

Há motivos subjetivos e objetivos. Os subjetivos dizem respeito à motivação de um jovem piloto como Button, que pode ir por água abaixo ao pilotar um carro horroroso como a Honda de 2007 e 2008.

Adaptação imediata de Button ao carro lhe rendeu frutos mais vistosos

Os objetivos dizem respeito à adaptabilidade ao carro, comportamento aerodinâmico, freios, suspensão, motor, assoalho, altura do solo, etc.

Em 2006, Barrichello não teve chance contra um motivado Button

Em 2006, Button tirou tudo do carro e fez mais pontos na segunda metade do campeonato que todos os outros pilotos, inclusive levando a BAR-Honda à sua primeira vitória.

Em 2009, nas primeiras corridas a Brawn GP era quase um segundo mais rápida que todos os outros carros do grid e parece que Jenson se adaptou ao carro brilhantemente, algo claramente demonstrado por suas seis vitórias e um terceiro lugar em sete corridas.

Já em 2007 e 2008, Button lutou contra um péssimo carro e viu Barrichello inclusive chegando mais vezes à sua frente em 2007, embora o britânico tenha pontuado e Rubinho passado em branco.

A segunda conclusão mais importante, e doída para fãs de Barrichello, é que Jenson Button acabou com o brasileiro nos quatro anos de disputa. Por mais que se force a fazer parecer o contrário, quando os dois terminaram as corrida que disputaram, Button chegou à frente de Rubinho praticamente o dobro de vezes (30 a 16).

Button capitalizou melhor seus pontos do que Rubinho

Jenson conseguiu também mais pódios, mais vitórias e mais pontos, levando-o inclusive ao campeonato mundial de 2009. Em quatro anos de parceria, Button perdeu para Rubens apenas em 2008, e mesmo assim, naquele ano chegou mais vezes à frente de Rubinho do que o contrário.

Em 2007, por outro lado, Jenson teve o maior número de abandonos da sua carreira na Honda (6) e ainda assim bateu Rubens por 6 pontos a 0, sendo que o brasileiro abandonou apenas duas vezes naquela temporada.

Na única vez que abandonou em 2009, no GP da Bélgica,
Button viu Rubinho fazer apenas dois pontos


A terceira conclusão é que, embora ambos tenham chegado na zona de pontuação quase o mesmo número de vezes (31 de Button contra 28 de Rubens), a verdade é que Button coletou pontos mais importantes quando conseguiu pontuar.

Basta ver que, das 31 vezes em que pontuou, Button venceu em sete delas, e em outras cinco subiu ao pódio. São doze pódios em 31 pontuações, ou seja, subiu ao pódio em cerca de 38% das vezes em que pontuou.

Das sete vezes em que Rubinho subiu ao pódio, apenas duas foram para celebrar 10 pontos. As outras cinco foram segundos ou terceiros lugares, o que perfaz apenas um quarto (25%) de suas pontuações. Isso se reflete na pontuação final dos dois – 42 tentos de diferença.

Resumindo, na média, ambos são pontuadores constantes, mas quando Jenson pontua, o faz com colocações regularmente mais altas que Rubens. Barrichello amealha pequenos pontos e, por isso, tem um total menor.

A disputa entre os dois foi bonita, mas, após quatro anos, é inegável que, embora tenha sido páreo para Button em alguns momentos, no geral, Rubens nunca se deu bem sobre seu companheiro.

Isso significa que, pela segunda vez, Barrichello efetivamente perdeu para um companheiro de equipe. A primeira, claro foi contra Michael Schumacher.

Para fechar este assunto, num próximo post você verá os resultados finais de ambos no quesito classificação, onde a coisa muda um pouco de figura, mas não o suficiente para interferir no curso da história.

3 comentários:

hugosales disse...

Belo comparativo mostra bem por que Rubens foi novamente vice campeão.

Rafael disse...

Apesar de ser uma análise fria e honesta, esta é feita sobre resultados, o que a torna meramente estatística. Se este tipo de análise representasse a verdade, Schumacher seria uma unanimidade mundial incontestável, o que não é verdade.

Daniel Gomes disse...

Rafael, nenhum piloto é unanimidade mundial incontestável.

Do que vc está falando?