terça-feira, 7 de abril de 2009

GP da Malásia: como Timo Glock conseguiu o terceiro lugar

Timo Glock. O alemão que fez o Brasil amaldiçoar a velha Germânia em 2008 por ter “dado” a posição a Lewis Hamilton ao fim do GP de Interlagos, o que custou o título a Felipe Massa, aprontou das suas de novo. Como? Fazendo escolhas esdrúxulas, mas acertadas, de pneus durante a caótica corrida malaia. Algo que ele fez e muito bem com seu medíocre TF108 no fim do campeonato passado.


Em Sepang, Glock repetiu o riscado de Interlagos e fez o que ninguém mais na corrida fez. Apostou em uma troca e se deu bem. Ainda que as Toyotas façam parte do grupo chamado pela imprensa internacional de “Diffusor Three” (Brawn, Toyota e Williams), Glock não tem conseguido, pelo menos até agora, acompanhar a Brawn e nem seu experiente companheiro de equipe Jarno Trulli.


Ainda assim, conseguiu arrancar um belo terceiro lugar na Malásia depois de ficar preso atrás de um pesado e instável Alonso. O espanhol só segurou o pelotão tanto tempo por causa do Kers, mas ninguém pode negar que o bi-campeão está usando muito bem a novidade.


Logo na largada Alonso saltou de nono para terceiro lugar com o ajuda do Kers, mas o espanhol estava cerca de 20kg mais pesado que todos os outros pilotos entre os 10 primeiros.


O pole position Jenson Button cometeu um erro logo na primeira curva e caiu pra quarto, mas logo ultrapassou Alonso. Rubens Barrichello, que fez ótima largada, chegou a ficar lado a lado com Button, mas quando o inglês ultrapassou Alonso, Rubinho se viu preso atrás da pesada Renault, acompanhado de perto por Raikkonen, Webber e Timo Glock.


O veloz carro branco de Barrichello só se livrou de Alonso no fim da terceira volta e logo abriu grande vantagem virando mais de dois segundos mais rápido que a Renault, mas Raikkonen, Webber e Glock sofreram seis voltas atrás do espanhol, que brigava com o carro, mas não largava a posição.


Foi apenas na 10ª volta que o finlandês e sua Ferrari superaram Alonso. Uma volta depois, Webber se aproveitou de um erro do espanhol e também fez a ultrapassagem. Tão logo ultrapassaram Alonso, Raikkonen e Webber também passaram a virar dois segundos mais rápido que o espanhol.


O único que se manteve atrás da Renault foi Glock e sua Toyota. Duas voltas depois, no 15º giro, Glock fez seu primeiro pit-stop e caiu de nono para 15º. O alemão então fez sua melhor volta três giros depois a 1:39.406. A corrida não parecia nada promissora, já que a Toyota provavelmente vinha com a estratégia de duas paradas.


Essa mesma volta viu Jenson Button fazer um espetacular 1:36.641, determinando a melhor volta da prova e a única abaixo da marca de 1:37. Só para constar, a segunda melhor volta da corrida foi feita em 1:37.484, por Rubens Barrichello, quase um segundo mais lenta.


O stint de Raikonnen também foi exemplar e, entre os usuários do Kers, o Ice Man da Ferrari cravou as melhores voltas até a Scuderia italiana tomar a fatídica decisão de mandar o finlandês pra pista seca com super pneus de chuva numa das mais desastradas estratégias que se tem notícia em muitos anos. Kimi virou mais de 20 segundos mais lento que todos da pista durante pelo menos três voltas e jogou sua corrida fora.


Glock, por outro lado, fez bons tempos da 15ª à 22ª volta, mas foi quando começou a chover de verdade que o alemão brilhou. Na 22ª volta, 12 dos 18 carros na pista pararam para colocar os super pneus de chuva. Glock colocou os intermediários, o que provou ser a melhor escolha naquele momento. Ao lado dele, apenas Mark Webber foi de inters, mas o australiano acabou na sexta posição quando a bandeira vermelha foi agitada.


A partir daí, os tempos de voltas dos pilotos falam por si sós, conforme o gráfico e a tabela a seguir (o eixo vertical 'Ranking' indica quem fez o melhor tempo naquela volta entre os cinco primeiros colocados da classificação final da corrida):



Na tabela abaixo, é possível ver os fantásticos tempos de Glock com pneus intermediários convertidos em posições na pista. O Toyota TF109 nº 10 do alemão (grifado de vermelho) fez uma escalada sensacional da volta 23 à volta 30, da 11ª posição à 2ª em pouco mais de seis voltas. Os outros números grifados em negrito correspondem ao momento em que cada piloto fez seu pit-stop.



Por fim, em uma jogada do destino, a corrida foi interrompida apenas uma volta após o terceiro pit-stop de Glock, que trocou seus intermediários, agora sim, por super pneus de chuva.


Caso Charlie Whiting (diretor de prova) tivesse decidido considerar o posicionamento da volta 30, Glock ficaria num brilhante segundo lugar, à frente de Heidfeld, Webber e Barrichello.


A mesma decisão que Glock tomou poderia ter dado a Rubens Barrichello a vitória, já que o brasileiro, na média das melhores voltas da prova, andou bem próximo do companheiro Jenson Button. Desta vez Ross Brawn e Barrichello erraram na estratégia e Button venceu a segunda corrida seguida.


Embora tenha terminado bem antes das 56 voltas previstas, o GP da Malásia de 2009 mostrou que a estratégia de pneus, tanto na chuva quanto no seco, será um fator absolutamente determinante no decorrer dessa temporada.


Principalmente com a obrigatoriedade de se utilizar pneus macios em pelo menos um stint da corrida, algo que já pôs a cabeça dos pilotos e seus engenheiros pra funcionar bastante em Melbourne e promete ainda muitas vitórias incríveis e também lambanças das equipes da Fórmula 1.

6 comentários:

Bruno Santos disse...

Essa nova regra de pneus se mostra interessante, mas a categoria não pode se apoiar exclusivamente nisso. A nova regra aerodinâmica tem funcionado muito bem, e o KERS bem funcional.
Não achei a tática do Barrichello errada, ele estava em terceiro quando deu uma escapada e caiu para quinto. A chuva apertou e obrigou Glock a trocar os pneus antes de chegar no Button. Parabéns para o alemão, que já provou andar muito bem na chuva.
Webber também usou a mesma tática do Glock.

Gostei bastante do primeiro post e que venham muitos outros. Sucesso. Vou te acompanhar e está linkado lá no meu blog. Abraço.

Dan G. disse...

Bruno, é verdade, deixei escapar o fato de Webber ter colocado os inters. Se for olhar a tabela da escalada de posições do Glock, é possível perceber que o número 14 (Webber) tb ganhou boas posições, embora de forma menos vertical que o alemão.

Vou corrigir o post.

Estou aprendendo a lidar com as novas interatividades do Blogspot, então ainda não linkei seu blog, mas farei isso no decorrer da semana.

Abraços e obrigado!

Marcelonso disse...

Salve Dan


Seja bem vindo a blogosfera!Sua analise de corrida está muito boa,coisa de profissional.

grande abraço e já está add!!

Venha participar do nosso Bolão,ainda dá tempo.

Fábio Andrade disse...

Camarada, em primeiro lugar, muito obrigado!

E faço coro ao Marcelonso: bem-vindo. Já dá pra sacar que a blogosfera automobilística vai ganhar ainda mais relevância com a sua chegada.

Já te linkei, abraço!

Bruno Aleixo disse...

Fala Daniel, já está linkado! Seja bem vindo!

Loucos por F-1 disse...

Daniel, o Glock conquistou um ótimo terceiro lugar diante de uma cenário bem confuso, com muita chuva pra chegar. Mas ele mandou bem pra caramba, boa corrida do piloto da Toyota.

Meus parabéns pelo blog, está ótimo!!! Estou colocando seu link lá nos meus favoritos.

Abração!

Leandro Montianele