quarta-feira, 15 de abril de 2009

Button x Barrichello: a vantagem do inglês na pista

Uma dupla teoricamente equilibrada, Button e Barrichello finalmente herdaram um carro competitivo digno dos grandes campeões. Grande parte dos brasileiros fãs de automobilismo vibraram com a permanência do piloto brasileiro na F1 em 2009 e mal puderam acreditar que Rubens finalmente teria a chance de correr, competir e vencer sem dramas, políticas, contratos ou jogos. Apenas dependeria de sua velocidade e técnica.

Duas corridas já se passaram e Button venceu ambas. Não foi ameaçado em praticamente nenhum momento, nem por Rubens, nem pelos outros pilotos. Uma sombra de desconfiança já paira sobre o carro número 23 da Brawn GP. Foram duas corridas atípicas e o cenário que será mostrado neste post pode mudar rapidamente, mas o fato é que Jenson Alexander Lyons Button está com a vantagem. A tabela do campeonato não mostra isso, mas os tempos na pista são implacáveis e é a eles que nos ateremos.

Nos gráficos abaixo, é possível observar com clareza que, embora muito próximos na média dos tempos, Jenson sempre esteve um passo a frente de Rubens em praticamente todas as voltas das duas corridas disputadas até agora. Os gráficos representam a média dos tempos dos pilotos em cada volta e em que posição essa média está em relação aos outros.

Exemplo: na volta 17, a média dos tempos de Button até aquele momento era a melhor da corrida, seguida das médias de Kubica, Vettel e Rosberg. Depois Raikkonen e Barrichello, que ocupava a sexta melhor média de tempos até aquela volta.

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No GP da Austrália, onde Barrichello teve o problema na largada e no toque com outros competidores, é possível ver seu tempo sistematicamente melhorar durante toda a corrida, o elevando do 14º tempo na primeira volta à segunda melhor média de tempos na última e, consequentemente, ao segundo lugar. É possível ver também como Vettel e Kubica estavam muito rápidos, sempre próximos de Button, até o acidente entre os dois. Raikkonen também estava rápido e consistente até a volta 39, quando parou nos boxes e seu rendimento caiu vertiginosamente.


A escalada de Barrichello é clara no gráfico, mas Button se manteve à frente o tempo todo, com Kubica e Vettel também sempre mais rápidos na média que Rubens. A melhor volta de Button na Austrália foi um segundo inteiro mais rápida que a melhor volta de Barrichello. Não se sabe se o difusor quebrado pelo toque com Kovalainen realmente prejudicou a performance do carro 23 da Brawn, mas fato é que Button andou mais rápido que seu companheiro consistentemente.

Na Malásia, a história se repetiu, mas agora, com Vettel largando de trás e Kubica abandonando na primeira volta, Rubens manteve uma distância ínfima de Button no que diz respeito à média dos tempos, conforme pode ser visto no gráfico a seguir:

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Durante as 20 primeiras voltas, Button e Barrichello fizeram, respectivamente, a primeira e segunda melhor média de tempos. Quando Rubens fez seu primeiro pit-stop, na 20ª volta, seu rendimento caiu e Rosberg passou a ser mais rápido, mas sempre com Button à frente de todos. É claro que o cenário caótico do dilúvio malaio tem que ser levado em conta no gráfico acima, mas ainda assim, é possível concluir alguns pontos.


No gráfico também fica clara a ascensão meteórica de Timo Glock (tratada neste post) com sua escolha acertada de pneus quando começou a chuva, assim como Heidfeld, que evitou entrar nos boxes para fazer sua troca. Glock saiu da 15ª melhor média de tempos na 18ª volta para a segunda melhor média 10 voltas depois, algo inacreditável, tanto para a Toyota como para o próprio piloto.

Para se ter uma idéia de quão próximos Rubens e Jenson andaram um do outro durante a corrida, a tabela abaixo mostra a média das 15 melhores voltas de cada piloto no GP da Malásia, algo como 25% de uma corrida, o que é um bom indicativo, no caso de um piloto consistente, de que ele terá uma boa colocação ao fim da prova.



Na média, Rubens andou apenas 45 décimos atrás de Button durante toda a corrida, embora na melhor volta, Button tenha repetido o feito da Austrália e andado um segundo inteiro na frente do brasileiro. Como dito no início, o cenário aqui apresentado pode mudar a partir do GP da China por uma infinidade de razões.

O que fica, no entanto, é que Button tem feito aquele esforço extra necessário para vencer e, num contexto maior, levar o campeonato para casa.
Barrichello precisa reagir rápido, pois com problema ou não em seu carro, na pista seu companheiro de equipe leva a vantagem e cada ponto perdido agora vai fazer muita diferença no fim do campeonato, como vimos em 2007 e 2008.

2 comentários:

Bruno Santos disse...

Outra bela análise. Button tem se mostrado um piloto muito rápido, e usando uma palavra do post, além de muito consistente. Tanto que já recebeu elogios de Ross Brawn e surge como forte candidato ao título.
Barrichello teve azar nas duas primeiras etapas, sempre começando a corrida no meio do pelotão, enquanto Button corre sem nenhuma pressão de adversários. Vamos ficar de olho nessa disputa.
Abraços.

Fábio Andrade disse...

Cara, isso aqui é F-1 pelo lado de dentro. tá de parabéns!

Acho que é o sério caso de o Rubinho reagir de forma imediata e contundente, sob o risco de se tornar segundo piloto de novo. Não se pode esquecer que a Brawn é inglesa, assim como o Button, e preferências por nacionalidades fazem parte da F-1.

Se continuar a comer poeira do Button, Rubinho será, inapelavelmente, lembrado como um grande escudeiro.