Neste fim-de-semana, a F1 corre no tradicional circuito de Hungaroring, na Hungria.
Além de ser conhecido por ter sido palco do terrível acidente de Felipe Massa em 2009, o circuito geralmente recebe corridas chatas e modorrentas, sem muita emoção. Não deve ser diferente em 2010, mas em 1995 um bizarro acidente foi visto nas curvas do traçado.
Geralmente o vídeo da semana do Splash-and-go vai buscar cenas não muito divulgadas na TV e que, com o advento do YouTube, ganharam o mundo. Mas hoje o vídeo escolhido é mais um pretexto para postar uma foto sensacional do que pelo seu próprio valor.
É sempe bacana, depois de anos vendo imagens de um mesmo acontecimento de um ângulo "oficial", vir a saber que existem ângulos novos muito pouco divulgados. Dá um ar de novidade ao acontecimento em si, já empoeirado com o passar dos anos.
Em 1995, Takachiho "Taki" Inoue, considerado por muitos um dos piores pilotos que já passou pela categoria, fazia uma temporada mais do que apagada pela extinta Footwork. No GP da Hungria daquele ano, o carro de Inoue teve um problema na corrida, o que fez com que o japonês abandonasse.
O carro saía muita fumaça e houve um princípio de incêndio. O piloto, desesperado, correu até o guard-rail para pegar um extintor já na presença de alguns fiscais de pista. Ao voltar, o inesperado: o carro de resgate dirigido por um dos fiscais atropela Inoue que, sem entender o que aconteceu, vai ao chão com muita dor em uma cena tão hilária quanto lamentável.
Botín: Quero Alonso na frente! Aquele brasileiro pode atrapalhar!
Montezemolo: Sem problemas, mas com uma condição! Quero um cheque especial mais polpudo, seguro grátis para minha família e minhas Ferraris e mais 10 anos de patrocínio do Santander.
No exterior, há quem diga que os únicos a serem punidos deveriam ser Domenicali, Rob Smedley e o próprio Massa. Felipe recebeu grande parte das (más) atenções por ter deixado Alonso passar e, também, dizer que foi decisão sua de deixá-lo passar.
Depois da multa máxima dada pelos comissários à Ferrari de US$ 100 mil, qual seria a punição mais correta a ser imposta pelo conselho em setembro?
Na opinião deste blog, Ferrari, Alonso e Massa deveriam ser desclassificados do GP da Alemanha, ou seja, perderiam todos os pontos do campeonato de construtores e de pilotos que ganharam naquela corrida.
Desta forma, o objetivo único e principal da equipe ao dar as ordens -os pontos- não seria alcançado e a Scuderia passaria em branco. Uma multa mais pesada também não poderia ser decartada, mas ela sozinha não é suficiente para impedir que a equipe faça isso de novo
Em 2002, quando ocorreu a patuscada da Áustria, a Ferrari não recebeu punição pelas ordens em si, já que eram legais, mas apenas pela quebra de protocolo no pódio a equipe amargou um prejuízo de US$ 1 milhão, o que, há de se convir, é uma multa já mais significativa do ponto de vista financeiro.
Uma "suspended race ban" também não seria de todo má, ou seja, o banimento da equipe de uma corrida nos próximos 12 meses (ou mais) caso a ação seja repetida. É um banimento condicional (por isso se chama SUSPENDED ban).
É apenas uma forma de deixar a espada de Dâmocles sempre sobre a cabeça de Domenicali e cia. Faria com que eles pensassem duas vezes antes de destilar bobagens na pista.
E na sua opinião, qual seria a punição mais adequada para a Ferrari (se é que você a considera culpada)? Responda na enquete ao lado e dê seu parecer nos comentários.
Quem diria... Exatamente um ano depois de sua experiência de quase morte no GP da Hungria, Felipe Massa se jogou em um jazigo, agora esportivo, e matou um dos esportistas mais respeitados que o Brasil já teve.
É uma coincidência fúnebre, para ficar nos trocadilhos mortais, mas o que se viu hoje no GP da Alemanha é triste, é sem graça, é simplesmente contra o senso do esporte, da disputa limpa e justa.
Tudo isso é clichê para este e outras centenas de blogs, sites, jornais, revistas, fóruns, etc., claro. Mas o fato de ser possível testemunhar a morte de um esportista do calibre de Felipe Massa de forma tão insossa torna a F1 ainda menos colorida, menos vibrante, menos veloz.
Não cabe discutir os contratos, as circunstâncias, os companheiros de equipe, as próprias equipes... independentemente disso tudo, o dia 25 de julho viu mais um piloto brasileiro morrer abruptamente.
Talvez nem o campeonato mundial possa fazê-lo ressucitar, mas, caso haja essa possibilidade, não será na Ferrari que Felipe Massa terá sua ressurreição como esportista.
E não será também ao lado de Fernando Alonso que, de forma também coincidente, era companheiro de outro brasileiro, Nelsinho Piquet, que morreu há pouco menos de dois anos no GP da Cingapura, quando ambos corriam pela Renault.
Então, descanse em paz Felipe Massa. Não cabe aqui julgá-lo, mas cabe decretar, de forma inexorável, sua morte. É uma pena que você vá efetivamente passar desta para uma melhor só ao fim do ano que vem, quando acaba seu contrato com a Ferrari. Será um limbo e tanto.
Hoje, o Brasil todo volta a torcer para o Rubinho, que deve estar gargalhando no motorhome da Williams, nem tanto por Felipe, seu amigo, mas sim por todos os brasileiros que também o viram morrer no GP da Áustria em 2002. Nada como um dia, ou um giro, depois do outro...