quarta-feira, 7 de abril de 2010

Vídeo da semana

Na épica batalha de Spa-Francorchamps, em 2008, Fernando Alonso fez aquela aposta suicida de parar na penúltima volta (a chuva caiu forte poucas voltas antes do fim) para colocar os pneus de chuva.

Mesmo perdendo muito tempo nos boxes, ultrapassou quatro carros na última volta. Se tivesse parado uma volta antes, provavelmente teria vencido brilhantemente o GP.

É daqueles momentos de arrepiar e ficar sentado na beirada do sofá por causa da emoção. O vídeo mostra o que há de melhor na F1. Fora de série!

terça-feira, 6 de abril de 2010

GP da Malásia: Alguersuari e o toque de Deus

É certo que o GP da Malásia só foi tão interessante por causa da bagunçada classificação de sábado, judiada pela chuva. Entretanto, outros aspectos foram positivos para a melhora do espetáculo.

A batalha direta entre os jovens Alguersuari, Petrov e Hulkenberg foi digna de aplausos. A ultrapassagem do espanhol em cima do Hulk caracterizou a melhor disputa da prova de longe. A manobra lembrou muito a ultrapassagem de Piquet Jr. em Hamilton ano passado, em que dividiram três curvas lado a lado.

Jaime Alguersuari caiu de paraquedas na F1 ano passado ao ser convocado para substituir Sébastien Bourdais na Toro Rosso. O garoto não conseguiu pontuar e ainda andou atrás do outro Sebastian, o Buemi, praticamente o tempo todo.

Este ano Buemi parecia estar na posição de continuar batendo Jaime, mas quem tem dado show, além de pontuar primeiro, foi Alguersuari.

Segundo o piloto espanhol, o divisor de águas foi sua acirrada disputa durante quase 20 voltas com ninguém menos que Michael Schumacher no GP da Austrália.

"Michael me mostrou como pilotar um carro de F1 no limite com os outros pilotos", disse o espanhol. "Terminar o GP da Austrália e lutar contra ele me mostrou o caminho - como ser agressivo com outros pilotos. A corrida da Malásia funcionou desta forma com o (Vitaly) Petrov e o Nico (Hulkenberg). Foram brigas maravilhosas e muito limpas, como deve ser na F1".

A Toro Rosso parece estar especialmente rápida, embora, de acordo com Alguersuari, ainda tenha que trabalhar mais no setup de classificação.

Nas corridas no entanto o carro parece ser muito constante e bastante potente já que carros bem melhores como a Ferrari e a Mercedes não conseguiram ultrapassá-los nas corridas.

A distribuição de forças no meio do pelotão está bastante equiparada no que diz respeito ao ritmo de corrida. Ter mais um piloto como Alguersuari se colocando combativo e competitivo só vai servir para melhorar o espetáculo da F1.

Obrigado, Michael Schumacher!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Caption this!

Petrov: O negócio é o seguinte! Eu pago para estar aqui, então faz o favor de me tratar como o Alonso ou o Kubica!!!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Por que a F1 atual precisa do reabastecimento

A F1 é um esporte de precisão. Um esporte onde as margens são ínfimas, a janela operacional dos carros é mínima e o espaço para erro praticamente inexistente.

A evolução da tecnologia levou os pilotos a se tornarem máquinas ainda mais precisas que aquelas que guiam fim-de-semana após fim-de-semana. Horas de simuladores, treino físico pesado e muitos testes fazem dos pilotos praticamente robôs. A diferença de performance entre o melhor e o pior piloto do grid é muito menor que a diferença de performance entre o melhor e o pior carro.

Os motivos acima, além de outros menos importantes, mas não menos decisivos, são a causa concreta da falta de ultrapassagens na F1. O resto são apenas conjecturas sem sentido.

Se uma disputa não pode ser resolvida na pista, ela tem que ser resolvida fora dela. A habilidade de ultrapassar, ser agressivo, frear mais tarde, intimidar, “mostrar o bico do carro”, tudo isso foi trocado pela habilidade do quartzo, aquele mineral colocado dentro do relógio que mantém o tic-tac preciso e constante durante décadas.

Os melhores pilotos hoje são as pedras de quartzo mais precisas. Aqueles que conseguem manter um nível de concentração, precisão e constância mais alto e inabalável possível são recompensados.

Então adianta Alonso andar mais que Massa, mas não ultrapassa-lo? Adianta Hamilton andar mais que Alonso e não ultrapassa-lo? Adianta Massa andar mais que Kubica e não ultrapassa-lo?

Por mais que o GP da Austrália tenha sido excelente para o (tele)espectador, os pilotos acima viveram estas situações durante toda a corrida. Então, se a tecnologia não vai andar para trás e os carros vão continuar muito semelhantes e criando dificuldades de ultrapassar, como resolver o problema?

O reabastecimento é a resposta.

O reabastecimento é a única forma, na F1 moderna, de recompensar a constância do melhor piloto. É por meio dele que as posições são trocadas e os pilotos realmente merecedores ocupam seus lugares de direito na bandeirada final.

Veja bem, leitor, que o reabastecimento não faz o espetáculo, mas ele é uma saída para que a F1 se mantenha competitiva do ponto de vista do campeonato, dos pontos, da mobilidade de um piloto e uma equipe dentro da tabela de pontos.

O CONTEXTO da F1 atual é que torna o reabastecimento um elemento imprescindível para se ter uma competição sadia e justa entre equipes e pilotos.

Não é exagero dizer que acompanhar corridas pelo Live Timing se tornou algo praticamente inútil. Não interessa quantos segundos um carro está mais rápido que outro (alguém se lembra do Bahrein?).

Não interessa se o carro tem mais ou menos performance com o pneu duro ou macio. Não interessa se o cara vai parar na volta 15 ou 20. Quando um parar, todos vão parar junto, pois agora a desvantagem é de quem para depois.


Tudo isso se torna irrelevante se a posição na pista não pode ser mudada pelos motivos elencados acima.

Se a F1 estivesse nos anos 1980, o reabastecimento seria inútil. Mas a F1 da era Schumacher, o reabastecimento é onde está a competição.

Muito se falou que as estratégias tornavam a F1 um esporte inacessível para o leigo, pois o que se via na TV não é o que de fato um instantâneo da prova (carros fora de posição, em "estratégias diferentes", etc.), mas ocorre que a F1 evoluiu demais e nas atuais condições, é impossível voltar atrás e tornar o esporte mais simples, pelo simples fato de ele NÃO O SER.

Em um dos textos do jornalista James Allen, um dos seus leitores postou a seguinte pensata sobre o reabastecimento:

O problema das novas regras é que se você tem um carro mais rápido e não pode ultrapassar na pista, não há NENHUMA estratégia de pitstop que o coloque na frente do outro piloto. Não há nada que possa ser feito. É realmente deprimente.

Por exemplo, se houvesse reabastecimento no GP da Austrália, Button poderia ter tomado sua decisão da mesma forma e alcançado a liderança, Massa e Alonso poderiam ter tomado a posição de Kubica. Alonso poderia ter passado Massa e Hamilton e Webber poderiam estar muito mais próximos dos primeiros.

O reabastecimento tem o poder de fazer com que o vislumbre da melhor estratégia seja muito mais difícil. Isso porque um carro mais leve com pneus novos é tão mais rápido que um carro cheio de combustível que é possível ultrapassar e ganhar uma vantagem.

Com as regras atuais, há uma solução de equilíbrio em que é SEMPRE melhor não parar para troca de pneus depois do primeiro pitstop, a não ser que todo mundo faça isso também. Ninguém vai fazer a parada a não ser que os pneus não consigam aguentar até o fim da corrida sem explodir. Não é esse o caso porque a Bridgestone cria os pneus para serem duráveis e eles estão na F1 para vender pneus!

Outro aspecto é o de que esses caras são os melhores pilotos do mundo. Eles VÃO tornar a ultrapassagem muito difícil porque eles têm a habilidade para fazer isso. [As soluções sugeridas] podem ser o caminho, mas ultrapassar um carro um pouco mais lento vai continuar sendo muito difícil, não importa o que seja feito. Então o reabastecimento e a oportunidade de passar outro carro por meio da estratégia são necessários para manter a F1 interessante.

Essa discussão continuará cerrada nos próximos meses, mas a princípio, a F1 urge repensar sua condição de esporte evoluído. É diante do contexto que o esporte deve se adaptar, e não de forma retrógrada ou reativa.

E você, o que pensa sobre isso?

quarta-feira, 31 de março de 2010

Vídeo da semana

Já pensou ir ao autódromo curtir os treinos e na volta, de quebra, bater um pega com Alonso e Fisichella em duas Ferraris maravilhosas?

Foi o que rolou com esse pessoal nas ruas de Melbourne, na Austrália, no fim-de-semana passado. Demais!

segunda-feira, 29 de março de 2010

GP da Austrália: flashback

A dupla da McLaren prometia uma disputa acirrada. Ayrton Senna se deu mal na classificação por causa de uma inesperada queda de pressão nos pneus traseiros e largou em 11º. Alain Prost por outro lado conseguiu melhor posição no grid, quarto, embora ambos tenham tido dificuldade com a baixa temperatura da pista no fim-de-semana.

Debaixo de garoa fina, como era de se esperar, Senna fez uma excelente largada pulando a oitavo logo nos primeiros metros. Prost não conseguiu aderência e perdeu uma posição. Logo depois, com Senna voando baixo, Prost foi ultrapassado pelo brasileiro com muita facilidade. Percebendo o desgaste dos pneus de chuva e a melhora das condições da pista, resolveu voltar aos slicks e se antecipou ao resto do grid.

Na sétima volta, ainda com a pista muito molhada, o Professor chegou a passear na brita, mas em questão de instantes começou a virar dois segundos mais rápido que os carros que ainda se mantinham nos pneus de chuva. Quando todos pararam para fazer seus pitstops, Prost pulou para segundo, tentando manter a distância para o primeiro colocado.

Enquanto isso, Senna, que havia ultrapassado muita gente, perdeu posições para colocar também os slicks. Quando voltou à pista, deu um show. Um festival à parte. O exímio piloto brasileiro ultrapassava por dentro, por fora, deixava para frear no último momento. Fez fila com os adversários. Fez valer seu talento.

Prost se mantinha em segundo na tentativa de salvar os pneus e manter a vantagem. Ele sabia que não podia alcançar o primeiro colocado dada a diferença de performance entre seus carros, mas sabia também que, sendo prudente, garantiria o segundo lugar e o pódio sobre o companheiro, por muitos considerado muito melhor do que ele.

A fome de vitória de Senna o fazia atacar as zebras de forma agressiva, tirando o máximo do carro. O piloto era incrivelmente mais rápido que todos os outros na pista. Entretanto, sua inexperiência o fez cometer um erro e deixar a estratégia nas mãos da equipe, enquanto Prost fez o contrário e decidiu permanecer calçado com os mesmos compostos do início.

A McLaren chamou Senna para uma segunda troca e o piloto perdeu mais de 20 segundos e muitas posições, mas ao voltar à pista, tornou a fazer fila com os adversários. Ayrton virava até 2,5 segundos mais rápido que as Ferrari que estavam à sua frente.

O brasileiro alcançou os adversários rapidamente e parecia determinado a ultrapassá-los, mas, por afobação, tentou ultrapassar uma das Ferrari sem considerar o perigo que poderia vir por trás. Foi abalroado pelo piloto que vinha da retaguarda, que errou o ponto da freada, e acabou sendo jogado para fora da pista. Perdeu uma posição e ali ficou.

Prost, mantendo tempos de volta meticulosamente estáveis tinha pneus para pelo menos mais 50 voltas. Mantendo a calma e a concentração, ganhou a vitória de presente quando o carro que liderava teve problemas de freio. Lugar certo, hora certa. O francês venceu e o brasileiro ficou em sexto. O brasileiro deu show, mas o francês deu aula de pilotagem inteligente e subiu no lugar mais alto do pódio, além de amealhar o maior número de pontos possível.

O piloto da corrida? Senna. A pilotagem da corrida? Prost.

A dupla da McLaren reeditou na Austrália uma bonita disputa entre arrojo e conservadorismo, impetuosidade e inteligência, arrogância e experiência. Esses foram Jenson Button e Lewis Hamilton. Simplesmente demais.

sábado, 27 de março de 2010

Classificação GP da Austrália: o mágico de Oz

Os australianos são comumente chamados de ´Aussies´ em inglês, que vem de uma abreviação do nome Austrália. O país aliás é carinhosamente chamado de ´Aus´.

Com a pronúncia australiana sendo puxada de um forte inglês britânico, quando eles falam ´Aus´, parece na verdade estarem falando ´Oz´, que é por fim o apelido informal do país.

Na terra do canguru, quem fez a festa foi Vettel, que deixou para trás seu companheiro de equipe e um certo Fernando Alonso. E numa performance digna de um mago.

A Red Bull é um carrão, mas Vettel o leva ao limite, assim como Alonso, cujos sete décimos de vantagem sobre Massa tem mais a ver com o braço do que com o carro.

O pouco mais de um décimo de diferença entre Webber e Vettel deveria ser mais de três, pois é claro que o alemão cometeu dois erros em sua volta. Esses décimos estão no piloto, e não no carro.

Na largada amanhã Alonso vai tentar dar o bote em Webber e manter Vettel na alça de mira. O espanhol tem chance de vencer, mas terá de ser muito agressivo para não perder contato com o carro da Red Bull.

Lá atrás, Massa verá a vantagem de Alonso aumentar no campeonato, Button estará de franco atirador, Schumacher também vai tentar atacar Rosberg na largada e Rubinho almejará apenas os pontos, como no Bahrein. Aliás, belo treino do nosso veterano favorito.

No mais, olho vivo em Kubica e Sutil, os dois maiores focos de incêndio na largada de amanhã, e Lewis Hamilton, claro, que fará uma bela corrida de recuperação.

Numa nota engraçada, ao sair do carro, Kubica falou em italiano na TV: "Estamos perto do Sutil, então temos de estar atentos". A fina ironia sobre a já temida reputação de Adrian Sutil de car crasher.

Haja guaraná em pó e cafezinho para segurar o sono até lá!