sexta-feira, 26 de março de 2010

GP da Austrália: Red Bull e a sombra da Renault

É prudente e lógico afirmar que o campeonato de F1 de 2009 foi vencido pela Brawn GP não devido a seus méritos pura e simplesmente, mas também porque a Red Bull e Sebastian Vettel "deram mole".

A Red Bull pela figura da Renault, que forneceu propulsores para a equipe austríaca. E Sebastian Vettel por sua inexperiência, que contou com a perda de valiosos pontos que poderiam fazer o campeonato pegar fogo.

GP da Austrália de 2009: afobação tirou Vettel da corrida

Para se ter uma ideia simples, no GP da Austrália do ano passado, Vettel jogou fora um terceiro lugar por pura afobação, ao colidir com Robert Kubica, então terceiro colocado, que tentou e ia conseguir ultrapassar o alemão na penúltima volta.


Por causa disso, perdeu seis pontos.

GP da Turquia de 2009: vitória perdida por bobagem

No GP da Turquia, Vettel conseguiu uma brilhante pole position, ainda que duas voltas mais leve que Button, e tinha a história a seu favor, já que as últimas quatro edições da corrida foram vencidas pelo piloto que marcou a pole.


Entretanto, um erro bobo fez com que Button pulasse adiante e conquistasse a vitória, com Vettel em terceiro.

Por causa disso, perdeu quatro pontos.

No total, só nessas duas corridas, Vettel perdeu 10 pontos, fora outros tantos que deixou de ganhar por problemas com o motor Renault. Button venceu o campeonato com apenas sete de vantagem, o que significa que poderia ter perdido para a jovem promessa da Red Bull.

Este ano, Vettel parece estar decidido a não deixar sua própria inapetência atrapalhar sua carga em direção ao título mundial, mas no Bahrein, o motor Renault já deu uma amostra que continua não confiável em alguns aspectos.

Desta feita, a experiência do piloto é que o auxiliou a não perder todos os pontos da corrida e acabou salvando um excelente quarto lugar. Mas se dependesse do motor Renault, era zero.

Na coletiva de imprensa desta sexta-feira, Christian Horner elogiou a performance de Vettel no Bahrein e disse que ele se adaptou brilhantemente ao sério problema ocorrido com o motor francês.

Entretanto, o chefe da Red Bull reafirmou que houve falha na vela de um dos cilindros. "Nunca vi uma falha dessas antes, certamente não em um carro da Red Bull, e a Renault ainda não conseguiu explicar totalmente a razão dela. Parece ser uma daquelas pragas que atacam no momento errado". Horner não parece particularmente satisfeito com a falha de um motor que já deixou seus dois pilotos na mão várias vezes ano passado.


Nos treinos livres do GP da Austrália mal se viu a Red Bull, mas não se engane. A probabilidade do pequeno grande piloto conquistar a segunda pole do ano é alta. Vai depender dele. Mark Webber se aproximou das cabeças com quatro décimos a menos, mas Vettel ficou a distantes 1,8 segundos do melhor tempo de Lewis Hamilton. Quer dizer pouco, muito pouco.

A vitória no domingo dependerá mais do carro, mas mesmo assim, a Red Bull é de fato a equipe a ser batida no ano. Vettel tem muitas cartas na manga e por mais que o Bahrein tenha apresentado uma chatíssima corrida, Albert Park vai se tornar um verdadeiro coliseu por um dia. Bonito de se ver!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Vídeo da semana

O vídeo de hoje é um excelente opposite onboard na Williams de Damon Hill dando conta da cena imortalizada abaixo.

O ano era 1995. Na largada do GP de Mônaco, a câmera instalada na traseira do carro do piloto inglês mostra a tremenda lambança em que se meteu David Coulthard e as duas Ferraris de Jean Alesi e Gerhard Berger. Simplesmente sensacional!

terça-feira, 23 de março de 2010

Caption this!

Prost (sussurando): Ayrton... não olhe agora, mas estamos sendo seguidos...

Senna: Rá, não se preocupe. Com o acerto do nosso carro, tenho certeza que abriremos vantagem suficiente para vencer!

Prost: !?!

domingo, 21 de março de 2010

#Senna50

sexta-feira, 19 de março de 2010

F1: o enigma da ultrapassagem

Em um esporte hoje considerado tão avançado, com a quantidade de informações acumuladas nos últimos 60 anos seria fácil, na teoria, apontar o exato motivo que vem atrapalhando a F1 a promover o que, para muitos, é o seu âmago: a ultrapassagem.

Entretanto, os anos se vão rápidos e engenheiros, pilotos, dirigentes e figuras importantes do automobilismo parecem bater cabeça constantemente quanto a este verdadeiro enigma esportivo.

Vários são os debates e as soluções propostas e vários também são os interesses envolvidos em tomar ou não alguma decisão que influa diretamente nessa espécie de “cereja do bolo” do esporte a motor.

Talvez por isso a clareza dos argumentos não seja devidamente alcançada e apreciada por quem assiste de fora. Afinal, as ultrapassagens dependem de vácuo? De aderência aerodinâmica? Ou seria mecânica? Seriam os circuitos que não ajudam?

É claro que um amálgama de tudo isso resulta nas modorrentas corridas que já se assiste há alguns anos. Mas de todas as possíveis causas, a que parece ser mais tangível de fato é que a F1 hoje é um esporte mais “fácil” do que há 20 anos.

Michael Schumacher disse ao fim do GP do Bahrein que ultrapassar era impossível e o que se podia fazer era manter o ritmo e esperar o erro do adversário. Não é exatamente a receita para uma boa corrida.

Dernie: pneus escorregadios e câmbio manual

Dito isso, James Allen publicou um extenso post em seu blog dando a palavra a Frank Dernie, um dos aerodinamicistas mais ativos da F1 nos últimos 30 anos. Se tem algo que Dernie sabe, é sobre as variáveis da F1.

Segundo Dernie, “quando havia ultrapassagens no passado, elas se deviam principalmente à baixa aderência dos pneus contribuindo para um traçado do carro na pista mais aberto e grandes distâncias de frenagem combinados com carros muito mais difíceis de guiar devido à baixa aderência e aos câmbios manuais. Por isso, havia mais erros”.

Isso parece realmente lógico. E vai na contramão do que a F1 se tornou hoje. Um esporte de alta performance, alta confiabilidade, um carro que permite aos pilotos serem muito mais iguais entre si do ponto de vista da habilidade e um universo muito menor de variáveis a influenciarem no resultado de uma corrida e, claro, nas ultrapassagens.

Acontece que muitos pilotos, ex-pilotos, dirigentes e engenheiros são contra essa ideia por uma infinidade de razões.

Ainda de acordo com Dernie, “muitas pessoas influentes na mídia não querem essas mudanças que certamente funcionaram no passado. Os pilotos odeiam pneus duros, embora eles sejam 50% da solução, e os engenheiros amam câmbios semiautomáticos, os outros 50%...”

Esta semana, Lucas di Grassi respondeu a uma pergunta direta sobre isso no Twitter. Ele disse não concordar que a solução esteja na volta dos câmbios manuais e pneus menos eficientes e mais instáveis.

A verdade é que pilotar um F1 continua difícil, mas a dificuldade não é tão grande a ponto de destacar um grande piloto de um medíocre. Ou seja, mais do que nunca, o carro é que faz o campeão.

A imagem de Senna vencendo em Interlagos com um carro com algumas marchas a menos e o esgotamento físico do campeão é coisa do passado. Isso não existe mais e é provavelmente o motivo mais forte para que a F1 seja tão parada.

E você? Acredita que a volta às origens na F1 destacaria os pilotos mais habilidosos e geraria mais ultrapassagens?

quarta-feira, 17 de março de 2010

Vídeo da semana

Um inesperado espectador assiste compenetrado à final feminina de tênis no Aberto da França em Roland Garros em 1992. Na ocasião, Monica Seles, 19, então número 1 do mundo, bateu Steffi Graf, 22, por 2 sets a 1.

segunda-feira, 15 de março de 2010

GP do Bahrein: valeria a pena ousar?

Pelo que se viu na pista, não é necessário avaliar tempos de volta e estratégias. É certo que fica tudo mais óbvio com as novas regras e o que se vê na pista é o que se verá ao fim da prova.

Mas a discussão principal que se instalou é se vale a pena uma equipe arriscar fazer duas paradas para voltar ao composto mais mole nas voltas finais.

O tempo mais rápido da classificação no Bahrein fechou em cerca de 1:54, de autoria de Vettel. Na corrida, a volta mais rápida foi de Fernando Alonso, com cerca de 1:58. São quatro segundos de diferença.

Seria possível, com tanque vazio e pneus novos, rodar próximo de 1:55 na corrida? Se um piloto fizesse uma parada faltando 15 voltas para o fim, conseguiria ele compensar o tempo de parada e ainda ganhar posições?

Se se ganhasse de dois a três segundos por volta depois da parada, em seis voltas ele recuperaria o tempo médio de parada total (cerca de 18 segundos).

Em outras seis voltas, mesmo rodando mais lento por causa do desgaste dos pneus, o carro estaria ainda mais rápido que os carros calçando compostos duros que fizeram apenas uma parada.

Acontece que, por outro lado, o Bahrein mostrou que ultrapassar um carro minimamente competitivo à frente é uma tarefa hercúlea.

Consumo de pneus ainda é incógnita para equipes

Isso significa que, mesmo rodando mais rápido dois ou três segundos, o piloto perderia muito tempo na ultrapassagem e, consequentemente, gastaria seus pneus com mais rapidez, pois teria de fazer valer a pena as duas paradas.

Estas conjecturas não poderão ser respondidas tão em breve, mas parece correto afirmar que as equipes foram muito precavidas e muito conservadoras.

É claro que é natural essa postura defensiva no início do campeonato. Com o tempo, os times saberão onde e quando ousar, mas é interessante notar que, embora as regras pareçam ter engessado as corridas, pode ser possível sim subverter a ordem com ousadia.

A questão a saber é quem vai jogar a primeira pedra.