quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Heidfeld: sem saída

O piloto alemão se aproxima da última barreira antes do ostracismo. A única coisa que o separa de outro alemão mais jovem, Nico Rosberg, é o sobrenome campeão. De resto, o esporte a motor sempre teve muitos alemães, que são duramente preparados no automobilismo europeu para serem bem sucedidos nos patamares mais altos.

Principalmente depois de Michael Schumacher, que abriu uma avenida para outros jovens pilotos tentarem ocupar o espaço que o heptacampeão deixou em 2006.

Se Heidfeld estiver no grid este ano, 2010 terá o maior número de pilotos alemães desde 2007 e ambos os anos estarão empatados como tendo mais alemães na década, num total de sete.


Alguma razão extraterrena impede que Heidfeld seja efetivamente considerado um grande piloto, mesmo tendo batido a sensação polonesa chamada Robert Kubica em dois dos três anos juntos.

O incrivel recorde de 41 corridas completadas de Heidfeld é um atestado à sua constância e ao seu cuidado no cockpit de um F1, uma commodity rara nos dias de hoje, com novatos destruindo carros e ficando longe dos pontos com muita frequencia.

No decorrer da silly season, este blog torceu muito para que o alemão fosse companheiro de Lewis Hamilton e desencantasse, vencesse sua primeira prova e se mostrasse em uma grande equipe, no caso, a McLaren.

Entretanto, num gracioso e injusto desdobrar dos fatos, Heidfeld é um dos únicos ainda sem assento garantido para esta temporada e, para piorar, Schumacher resolveu voltar e tomar uma de suas chances de ocupar um posto competitivo, no caso, o da Mercedes GP.

Se Heidfeld for para a Renault, ele estará de novo na mesma péssima posição dos últimos três anos, qual seja, em uma equipe meia boca, com um companheiro estrela e com absolutamente nenhuma perspectiva de vitória ou de grandes evoluções sobre sua ex-equipe.

A diferença é que ele agora estará ainda mais velho e menos atraente para as equipes vencedoras, enquanto seu companheiro estará no auge da carreira, pronto para ingressar numa Red Bull, numa McLaren ou, quem sabe, até numa Ferrari no lugar de Felipe Massa, caso as coisas não estejam bem para o brasileiro.

A verdade é que Nick Heidfeld vai sair da F1 em breve (quiçá agora mesmo) sem ter conseguido mostrar todo seu potencial e sem ter alcançado nada relevante na carreira, sendo que brilhou no caminho que leva à categoria.

É claro que muitos outros pilotos entraram e saíram com muito menos ou nada da F1, mas o triste na história de Heidfeld é que, fora seus fãs, ninguém fala sobre ele, ninguém especula sobre ele, enfim. É o piloto esquecido.

Até 2008, Rubens Barrichello também tinha o mesmo problema, embora com muito mais pompa na carreira. Reergueu-se na Brawn GP como um milagre, o que Heidfeld poderia ter feito na McLaren, mas o alemão acabou perdendo a chance.

O ostracismo é o golpe mais duro que um esportista pode receber, e mais ainda quando ele AINDA está ativo. É o caso de Heidfeld.

10 comentários:

itamar disse...

O Heidfeld é um dos meus pilotos preferidos. E faltou dizer que, além de andar na frente do Kubica, também fez o mesmo com concorrentes do naipe de Massa e Raikkonen.

Daniel Médici disse...

Numa Fórmula 1 com grandes restrições de testes, é estranho que as equipes tenham preterido Heidfeld em nome de pilotos como de la Rosa, por exemplo.

Sua ida a à McLaren seria muito legal, pois Heidfeld é cria da Mercedes e dizia-se que a vaga deixada por Hakkinen em Woking, em 2002, estava prometida a ele. Só não esperavam que um jovem finlandês se interpusesse...

Gabriel Pogetti Junqueira disse...

Uma pena mesmo..
Ninguem da muita bola para ele! :-(

A F1 definitivamente não é justa em alguns momentos

Felipe Maciel disse...

Acho que fica na Renault mesmo. Não é possível que ele vá ficar sem vaga, até o de la Rosa arrumou.

Mas realmente este cara caiu no ostracismo em plena carreira. Quando aposentar ninguém deve se lembrar dele de tão sem sal.

Parece que não acontece nada com o Heidfeld na F-1. Não vence corrida, não dá um pancão no muro, não reclama, não vibra, não ultrapassa, não leva ultrapassagem, não faz a barba, não faz nada. É como se o sujeito entrasse e saísse do autódromo e ninguém se desse conta.

Na F-1 o cara precisa aparecer mais. O Button é um exemplo de que ser discreto demais faz as pessoas esquecerem de você mesmo que você tenha talento pra vencer.

Daniel Gomes disse...

Maciel, isso nos leva àquela velha pergunta paradoxal: "vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?".

No caso, a pergunta seria: "aparece porque é bom ou é bom porque aparece?".

É claro que chamar atenção por si só não leva ninguém à nada, mas é fato que, independentemente de Heidfeld ser calado ou tímido, ele é um cara rápido. O problema é quão rápido.

Ultrapassar ele ultrapassa sim, é um piloto oportunista e geralmente bom na classificação, mas nunca o vimos num carro de ponta.

Acho esse o grande problema de Heidfeld. Quando ele ia acontecer na Macca~em 2002, não rolou e, pela segunda vez, não rolou também.

Aí some-se aos seus resultados médios um piloto sonolento, temos o que temos.

Mas eu daria uma chance a ele na hora. Na minha equipe, o Heidfeld pilotaria.

Marcelo (Cascavel) disse...

hahaha

Heidfeld who???

se fosse tão bom assim teria vaga garantida, mas não tem e talvez não terá!

O narigudo é muito melhor que ele, mesmo em 2 campeonatos tendo terminado na frente, Kubica já fez muito mais que ele em menos tempo de carreira e tem vaga garantida.
Esse é daqueles que ninguém lembrará!

Daniel Gomes disse...

Marcelo, dizem o mesmo do Barrichello (se fosse tão bom...), mas o cara taí firme e forte com vaga garantida desde setembro de 2009.

O que dizer do Heidfeld?

Marcelo (Cascavel) disse...

Bom, 5 anos de Ferrari não é nada?

Daniel Gomes disse...

Cinco anos de Ferrari "teoricamente" jogados fora.

Depois, fim de carreira na Honda.

Aí sobreviveu, se deu bem, venceu corridas e taí, garantido.

O Heidfeld é um bom piloto sim. Mas, a exemplo do Button, fez escolhas erradas na carreira, ou deu azar. Um dos dois.

Pq piloto ele é.

Se é campeão de fato, só saberíamos vendo-o pilotando pra McLaren, Ferrari, Merc...

E isso não será possível.

Luiz Sergio disse...

A Mercedes GP, jogou com tudo, mostrando que veio para vencer, gastou uma fortuna para ter o melhor piloto, cancelou a aposentadoria do Shumi, agora com a contratação de um grande piloto reserva ela dar as cartas, Rosberg perdeu o número "3" e sabe que qualquer deslize de não aceitar ser o segundo piloto, a Mercedes o substitui pelo Heidfeld.